quinta-feira, 28 de maio de 2009

SEBASTIÃO – O ETERNO DESEJADO

Louco, sim, louco, porque quis grandeza Qual a Sorte a não dá. Não coube em mim minha certeza; Por isso onde o areal está Ficou meu ser que houve, não o que há. Minha loucura, outros que me a tomem Com o que nela ia. Sem a loucura que é o homem Mais do que a besta sadia, Cadáver adiado que procria? Fernando Pessoa, in Mensagem D. Sebastião, décimo-sexto rei de Portugal, filho póstumo do príncipe D. João e de D. Joana de Áustria, filha do imperador Carlos V, nasceu em Lisboa em 20 de Janeiro de 1554. Sem inclinação alguma ou vontade até, relativamente aos tratos do reino, desde jovem se sentiu atraído pelas gestas militares no Norte de África e outros grandes feitos de armas dos portugueses de antanho. Sem cuidar de dar ouvidos aos avisos e aos conselhos da Corte, endividou a coroa e o reino ao organizar uma expedição militar a Alcácer-Quibir, onde veio a desaparecer em combate numa manhã de nevoeiro em 4 de Agosto de 1578, montado num cavalo branco e pelos vistos alado, sem deixar sucessor. Por tal facto, deixou o destino traçado de forma a Portugal passar a breve trecho para a posse da coroa espanhola, como veio a acontecer. D. João III produziu dez filhos legítimos e um bastardo, porém, todos se finaram em vida de seu pai, só o príncipe D. João, que houvera nascido em 1537, conseguiu alcançar a adolescência e por tal sorte, assim que perfez quinze radiosas primaveras o seu pai casou-o com D. Joana, filha do imperador Carlos V. No entanto, o destino funesto que alcançara os outros filhos do monarca, também não o poupou. Desta feita, este príncipe veio a falecer em Janeiro de 1554, deixando a sua consorte grávida, já próximo do termo da gravidez. A corte e a nação esperavam com ansiedade o nascimento do neto de D. João III, uma vez que a coroa encontrava-se ameaçada de ficar vacante e, uma clausula fatal inscrita no contrato nupcial da infanta D. Maria de Portugal com o príncipe D. Filipe de Castela, atribuía aos filhos deste enlace a herança da coroa portuguesa no caso de não sobrevirem desta herdeiros directos. Prefigurava-se, desta forma, a famigerada união ibérica, temida desde os alvores do reino português e sempre detestada pelos seus nacionais. Assim, a 20 de Janeiro desse ano de 1554, foi com grande júbilo que foi acolhida por todos os portugueses a notícia de que acabara de nascer um filho da realeza que ia receber por nome Sebastião, por ter nascido no dia em que a igreja celebra esse santo padroeiro. Dada a ansiedade havida no reino até então por tal sorte, o povo cognominou o futuro rei de «O Desejado», como que declarando-o: «o salvador da pátria». Entrementes, D. João III pouco mais tempo sobreviveu. Finou-se três anos após, deixando a herança da coroa a esse débil moçoilo, única esperança da continuidade da nacionalidade portuguesa. Por tais artes, D. Sebastião, começou, pois, a reinar em 11 de Junho de 1557, com três anos e meio de idade, tendo para tal, sido aclamado rei. Levantaram-se dúvidas a respeito da regência que o cardeal D. Henrique reclamava para si, como tio-avô do jovem monarca. No entanto, a avó, a rainha viúva D. Catarina, assumiu tal encargo em virtude dum testamento mais ou menos autêntico de D. João III encontrado entrementes por artes do destino. Porém, D. Henrique intrigava e a rainha para acabar com esse empecilho, ocorreu dizer-lhe que lhe entregava completamente a regência do reino. Apanhado de surpresa {ou de calças na mão, como é uso dizer-se} o cardeal infante não se atreveu a aceitar, pelo que, a sua recusa foi desde logo aceite e ratificada pelas cortes, que para tal fim se reuniram, ficando então D. Catarina na posse indisputável e plena da regência. Contudo, D. Henrique tinha um poderoso aliado, que eram os jesuítas, a cuja astúcia confiou o êxito da sua causa. Por estas artes, contra eles D. Catarina nada pôde concretizar. Os jesuítas tanto intrigaram que a rainha, em 1567, depois de 10 anos de regência, viu-se obrigada a cedê-la definitivamente ao cardeal D. Henrique, regência esta que durou tão só até 1568, ano em que D. Sebastião tendo completado 14 anos de idade, foi declarado maior. A regência do cardeal durara apenas um ano. Quando assume o poder, efectivamente, o povo, entretanto, havia entrosado dentro de si pouca fé num soberano imaturo, pouco dado ao estudo da sua época e às coisas do espírito, de hábitos efeminados e oriundo de uma família no seio da qual as «facadas nas costas», as traições, eram coisa natural. Além disso, queixavam-se das constantes ausências do soberano da capital e com mais razão se queixaram ainda, quando assolada pela terrível peste de 1569, D. Sebastião os abandonou, fugindo da epidemia com evidente alarde da sua cobardia. No decorrer de uma das suas viagens pela província, em fuga de mais uma peste que grassava em Lisboa, praticou as maiores bizarrias, mandando, por exemplo, abrir os túmulos dos reis seus antepassados para se extasiar diante dos ossos dos que tinham sido guerreiros. A sua saúde era débil, no entanto, voluntarioso, caprichoso, não dava ouvidos à sabedoria, aos conselhos dos mais avisados. Interessava-se sim, com fervor, denodadamente e apenas, pela religião e pela guerra. Desfasado do seu tempo e no tempo, anacronicamente pretendia salvar os mouros da perdição da fé de Mafoma e conduzi-los à redenção católica, ao rebanho de Cristo. Era um jovem infeliz. Ficara órfão de pai, ainda antes de nascer e a sua mãe abalara para Espanha, agastada por lhe não ter sido confiada a regência, quando morreu D. João III. A rainha D. Catarina, avó do monarca, embora tivesse resistido algum tempo, acabou por aceitar a nomeação dum jesuíta para mestre do seu neto. A Companhia de Jesus era já nesse tempo um potentado. O preceptor foi o padre Luís Gonçalves da Câmara. Para aio foi escolhido D. Aleixo de Menezes, homem de espírito superior. Talvez sem o querer, D. Aleixo contribuiu para completar a educação do jesuíta. O padre Câmara fez de D. Sebastião um monge e D. Aleixo, dele, um militar brioso. Foi dessa mistura «explosiva», dessas duas educações combinadas, que resultou um monge militar coroado, uma espécie de cruzado fora de moda que arrastou Portugal para a sua ultima cruzada, na qual ele se perdeu e consigo uma nação com a nata da fidalguia lusitana. Rapaz medianamente inteligente, muito impressionável, D. Sebastião era por isso mais acessível do que qualquer outro à influência de todas estas causas. Dividia o seu tempo pelas montarias, pelos «dolorosos» exercícios religiosos e pela leitura de livros de história, principalmente da história de Portugal. Segundo as crónicas, D. Sebastião nada mais fez na cama senão sornar. Isto, nos poucos anos que por cá andou nesta vida terrena, uma vez que, quando em bebé, certamente que a urinou como é normal fazerem os rebentos em crescimento. Consta ainda que, o jovem monarca padecia de um corrimento venéreo crónico que o teria impedido de assegurar a continuação da dinastia, para além de ser avesso ao sexo oposto, não se lhe tendo conhecido por tal facto, jovem alguma próxima de si. D. Sebastião que em nada se importava com os negócios públicos, que tudo deixava entregue aos seus ministros. No seu curto reinado, o rei limitou-se a pouco mais que esvaziar os cofres do estado por ter contraído vultuosos empréstimos a fim de concretizar a sua obsessão relativamente à mourama. Quando decidiu encetar a desgraçada empresa ao norte de África, o bispo do Algarve, D. Jerónimo Osório, que não desaprovava a ideia de uma cruzada contra os mouros, considerou inconveniente de todo a ocasião, devendo-se aproveitar o momento em que houvesse discórdias graves entre a mourama para tal iniciativa. Mau grado os conselhos avisados de vários soberanos e outros, o monarca decidiu empreender a cruzada. Se a empresa era insensata, o modo de a levar a efeito foi mais insensato ainda. Na arrecadação do dinheiro necessário para a expedição cometeram-se as maiores arbitrariedades que irritaram de sobremaneira o povo. Depois arregimentaram-se terços espanhóis, alemães e irlandeses a peso de ouro, com todos os inconvenientes das tropas mercenárias, tendo ainda sido recrutados no reino uns nove mil soldados bisonhos, fracos, incipientes, sem treino militar, que de pouco serviam. O corpo de voluntários da nobreza era brilhante, pela bravura dos que o compunham e ao mesmo tempo indisciplinado. Além disso, equipou-se com um luxo manifestamente impróprio para uma expedição militar. D. Sebastião, não só tolerou esse luxo, apesar das severas pragmáticas que promulgara em tempo, mas animou-o. O rei nomeou general da armada D. Luís de Ataíde, homem que sempre se havia oposto a esta temerária aventura; por isso mesmo o mandou por vice-rei para a Índia e deu o comando a D. Diogo de Sousa. Varrido de todo, completamente desvairado, muniu-se da espada de D. Afonso Henriques que mandou pedir a Santa Cruz de Coimbra, mais uma coroa de ouro que devia colocar na cabeça quando se proclamasse imperador de Marrocos. Soberbamente ajaezado {ele e a sua alimária} largou ferro de Lisboa em 25 de Junho com uma armada de 800 velas e um exército de 18000 homens, composto por soldados de todas as proveniências, que já em Lisboa tinham travado gravíssimas rixas entre eles e com populares. Ao chegar a África, a doidice agravou-se. Para tomar Larache de assalto, que é um porto de mar, desembarcou em Tânger a 17 de Julho de 1578 e seguiu por terra, passando por Arzila e Alcácer Quibir. A marcha em Agosto era pesadíssima para a soldadesca, que chegou morta de cansaço a Alcácer Quibir. Seguiu-se a batalha desastrosa de 4 de Agosto. Acrescente-se que D. Sebastião, quando sentiu o cheiro da pólvora, esqueceu tudo e todos. Os seus deveres de comandante, as ordens que dera. Dando esporas à montada, lançou-se contra o inimigo brandindo o montante de Afonso Henriques. Quando a derrota começou, D. Sebastião não deu por ela, só se apercebendo quando as hostes portuguesas começaram em completa debandada. Acompanhado apenas por uns poucos fidalgos, lançou-se sobre o inimigo procurando salvar a artilharia que os marroquinos levavam. O povo não quis acreditar na sua morte e formou-se em torno do seu nome, não só uma lenda, mas uma seita, que se tornou conhecida por Sebastianistas. A morte do monarca acabou por ser oficialmente reconhecida. Tal facto inflectiu de forma marcante o curso da história de Portugal sobrevinda. Marcou de tal sorte o imaginário lusitano, que ainda hoje os portugueses anseiam por um «D. Sebastião» que os salve do crónico desgoverno que de há séculos assola a nação. Os candidatos, esses, são sempre mais que as mães. Alguns até, nem sabem quem são as mães. Uns, em certas épocas, que o imaginário colectivo retira do meio dos destroços nebuloso da desgraça, outros, candidatos efectivos por partidos, travestidos de «sebastiões». Invariavelmente, mais cedo ou mais tarde, têm sido sempre desmascarados pelo povo que antes, iludido, foi atrás deles. Depois, volta de novo a acalentar que numa manhã de nevoeiro apareça o dito cujo. Povo esperançoso este. Em 1582 o suposto cadáver do rei, veio para Portugal onde foi sepultado num túmulo da igreja de Belém, nele se escrevendo um pequeno epitáfio em latim, que deixa transparecer a dúvida, conforme diz: Aqui jaz, si vera est fama ... Pedro Manuel Pereira

quarta-feira, 27 de maio de 2009

DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO DA REGIÃO DO ALGARVE NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XIX

Portugal entra no século XX com uma população recenseada em 5 milhões de habitantes e com uma economia fundamentalmente rural. O sector primário predominava em todas as regiões, inclusivamente o Algarve. Era uma agricultura mais colectora do que produtora, baseada em meia dúzia de produtos de exploração secular tradicional, quase à base de frutos. Se o panorama económico era idêntico em todas as regiões do País, o mesmo se passava relativamente às taxas de natalidade e de mortalidade, sendo que a mortalidade infantil era particularmente elevada, devido principalmente aos surtos epidémicos e às más condições de cuidados pré-natais. Com o tempo, vai-se assistir no Algarve a uma intensificação do movimento de parcelamento da propriedade e a um lento e limitado progresso de mecanização na agricultura, a par de um fraco rendimento proveniente da actividade laboral. Como reflexo, vai-se acentuar o fluxo emigratório para as grandes cidades e suas áreas industrializadas envolventes. Caso exemplar é o que se vai verificar relativamente à margem sul do Tejo, principalmente, Almada e Barreiro, assumindo carácter relevante o verificado nesta última, então vila, atraída a força de trabalho pelas oficinas dos caminhos de ferro, indústria corticeira e Companhia União Fabril (C.U.F.), complexo fabril inaugurado em 1908. Se o panorama agrícola era particularmente preocupante, já o sector industrial, nas áreas das indústrias corticeira - tendo por base Silves - e a indústria conserveira, disseminada por todo o Algarve litoral, registavam progressos, dada a procura destes produtos nos mercados externos, com especial relevância para a Espanha, a Alemanha, Grã-Bretanha, Brasil e alguns países do Norte da Europa, muito embora estas indústrias funcionassem em grande parte, com uma mão-de-obra sazonal, sem emprego garantido todo o ano. Em linhas gerais e muito resumidamente, será este o panorama económico com que se defrontarão os obreiros da República, ao tomarem as rédeas do poder a partir da Revolução do 5 de Outubro de 1910. É neste contexto que um eminente republicano, algarvio, hoje, injustamente pouco recordado, de seu nome Thomaz António da Guarda Cabreira, irá, enquanto parlamentar e ministro das Finanças, apresentar aos seus eleitores do circulo de Faro, em 1914, um relatório de propostas legislativas de que destacamos como exemplo, a criação de escolas primárias agrícolas de carácter regional, criação de um posto agrário no distrito de Faro com campo experimental para as culturas algarvias, uma Escola Móvel Agrícola, criação de zonas de turismo com regulamentação do jogo e construção de bairros económicos. De salientar ainda, que Thomaz Cabreira, organizou em 1915 o 1º Congresso Regional Algarvio, que decorreu no Casino da Praia da Rocha, localizado onde hoje se encontra o Hotel Oriental, onde estes temas foram debatidos. A hemorragia de população vai continuar a ser um facto durante toda a República, só abrandando nos anos da 1ª Grande Guerra Mundial. Sai-se desta região para Lisboa e suas áreas envolventes, mas também para o estrangeiro, sobretudo para a América Latina. As remessas dos emigrantes, desta e de outras regiões, permitirão ao País viver acima do que produz. No entanto, os anos de guerra serão anos de penúria, agravados em 1917- -1918, com a intervenção directa de Portugal no conflito mundial. De então e até ao golpe de Estado que instaurou a ditadura militar em 28 de Maio de 1926, as condições de vida associadas ao estado económico da Nação, continuaram a agravar-se. A República não teve a capacidade, de solucionar os problemas do atraso estrutural crónico do País, mercê de factores conjunturais quer externos quer internos. A República nasceu e morreu com o modelo económico saído da crise resultante do Ultimatum britânico de 1890, o qual se irá prolongar até cerca de 1930. O modelo económico anterior vai-se extinguir, na transição para o modelo corporativista e proteccionista do Estado Novo, após o controlo do poder do Estado por Salazar. O modelo económico corporativo, sob a égide de Salazar, a par de uma política de monopólios, proteccionista, irá traçar o rumo da economia portuguesa nas décadas seguintes. Será com base nas indústrias conserveira e corticeira que o Algarve terá a sua quota parte no desenvolvimento económico do País. De salientar que muitos dos complexos fabris conserveiros possuíam um sistema assistencial de creches e bairros operários. Por seu turno, o Estado Novo construiu um pouco por toda a região, bairros económicos. Porém, o problema do desemprego, mau grado a «válvula de escape» da emigração, embora menos intensa desde finais dos anos 20, constituirá um verdadeiro flagelo. Trabalha-se sazonalmente nas industrias da região, na agricultura, mas a par disso todos os anos, no tempo das ceifas, saem milhares de algarvios para os campos do Alentejo. Com a 2ª Grande Guerra Mundial, nova crise económica vai apertar, muito embora seja mais por falta de bens, os tradicionalmente importados, que por falta de trabalho, como no caso da indústria conserveira, que nesse período de tempo {1939-45}, atingiu o pico mais alto da sua produção, devido fundamentalmente à exportação para os países beligerantes, quer os do Eixo, quer os Aliados, de acordo com a política falsamente neutral de Salazar. Terminado o conflito, muitas dessas indústrias entraram em recessão, em parte devido à falta do mercado da guerra e por outro lado devido à concorrência estrangeira no mercado internacional. Só a partir dos anos 60 do século XX, devido à pressão do boom económico verificado na Europa, as condições económicas e de vida irão mudar substancialmente no Algarve. Pedro Manuel Pereira

terça-feira, 26 de maio de 2009

PALMA INACIO – UM HERÓI ALGARVIO ESQUECIDO

Hermínio da Palma Inácio nasceu em 29 de Janeiro de 1922, em Ferragudo, Lagoa, Filho de José Inácio e de Custódia da Palma. Concluído o curso industrial na Escola de João de Deus, em Silves, alistou-se como voluntário na Força Aérea, onde tirou o curso de mecânico de aeronaves e, de seguida, o de piloto civil para a aviação comercial. Durante os quatro anos em que esteve colocado na base aérea de Sintra, travou contactos com os círculos oposicionistas a Salazar, através do capitão Carlos Vilhena. Estes encontros iriam intensificar-se já depois de Palma Inácio ter saído da Base Aérea, por via de um acidente com uma avioneta, no Alentejo, quando transportava alimentos para Ferragudo, em plena II Guerra Mundial, numa altura em que vigorava o racionamento de alimentos. Expulso da Força Aérea, após vinte dias de prisão, Palma Inácio conseguiu emprego na companhia aérea KLM, no aeroporto de Lisboa. Em 1947, participou numa tentativa de golpe de estado com vários oficiais generais, que foi abortada à última hora. Na sequência deste facto, acaba preso sete meses depois. Na manhã de 16 de Maio de 1949, consegue evadir-se e alcança Casablanca, em Marrocos. Depois de muitas peripécias, fixa-se como instrutor de pilotos em Northampton nos Estados Unidos da América onde durante cinco anos, viveu clandestinamente, acabando por ser detectado em 1955 pelos serviços de emigração que determinam a sua saída dos EUA. Parte para o Brasil onde vem a conhecer os membros mais destacados da oposição de entre os quais, Henrique Galvão e Humberto Delgado. Na manhã de 10 de Novembro de 1961, véspera das eleições gerais em Portugal, Palma Inácio e mais quatro operacionais, entram num avião da TAP em Casablanca, misturam-se entre os dezanove passageiros americanos, belgas, espanhóis e portugueses e a respectiva tripulação constituída por sete portugueses e tomam o avião que sobrevoou Lisboa a baixa altitude lançando grandes quantidades de panfletos subversivos, assinados pelo capitão Henrique Galvão, num voo rasteiro junto á costa, desde Faro, vindo a aterrar em Tânger. Palma Inácio, passa à História pelo facto de protagonizar o primeiro desvio de um avião para fins políticos. Outra das suas façanhas, de que muitos portugueses ainda se lembram, foi o assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz. Pouco antes das dezasseis horas, hora de encerramento do Banco, consumou-se o assalto dinheiro {29.274.390$00} foi guardado em três sacos e os revolucionários abandonam a Figueira da Foz rumo ao aeródromo de Cernache onde embarcam numa avioneta que os leva a Vila do Bispo, partindo daí para Marrocos. Tratou-se de uma acção política da LUAR {Liga de Unidade e Acção Revolucionária}, cujo comando militar foi confiado a Palma Inácio. Porém, as notas roubadas não possuíam curso legal. Metade da quantia, ainda não posta a circular, foi identificado, inviabilizando a sua transacção. No entanto, ainda foi possível, transaccionar uma quantia, com a qual se adquiriram, na Checoslováquia, armas que foram distribuídas por armazéns da LUAR, na Bélgica, França e Portugal. A restante ficou guardada num armazém em Paris ao cuidado de um personagem de pseudónimo «Canário», que nunca o entregou à organização, vindo a saber-se depois do 25 de Abril que se tratava de alguém infiltrado com ligações à PIDE.

Pedro Manuel Pereira

sexta-feira, 22 de maio de 2009

DO PAPADO E SUA VIDA DE FÉ

Para quem se debruçar sobre a História do Cristianismo e da Igreja de Roma em especial, o facto mais evidente, transversal à mesma, é o facto dos papas desde sempre e até à Idade Moderna, terem sido «soberanos de soberanos» e territórios. Factos históricos como a criação do Tribunal do Santo Ofício (a Inquisição) depõem contra a face humanista e do «Bom Pastor»; o papa, os papas da História da Igreja. Sinistra instituição, que em algumas regiões vigorou até ao século XIX. No caso de Portugal, perdurou até à Revolução Liberal de 1820. A Inquisição ou o Santo Ofício – tenebroso e sanguinário tribunal católico, estabelecido por ordem e mando do papa Inocêncio III, que deixou a sua marca para a posteridade, não só pela criação dessa instituição, mas também pelo massacre dos huguenotes, acontecimento passado à História como a «Noite de São Bartolomeu», por ter sido realizado na noite de 23 para 24 de Agosto de 1572, no qual milhares de protestantes, homens, mulheres e crianças, pereceram vítimas dos crimes e massacres mais hediondos perpetrados por católicos. O culminar dos processos movidos contra os indivíduos pela Inquisição, desembocava em autos-de-fé, onde, em locais públicos eram proclamadas e executadas as sentenças proferidas por essa medonha «corporação». Os condenados eram em geral, judeus, cristãos-novos, heréticos e os acusados de bruxaria. É claro que, muitas vezes essas acusações serviam para encobrir outras razões bem diversas, que iam da simples inveja, à ganância pelos bens das vítimas por parte dos inquisidores. Normalmente os condenados acabavam na fogueira, desterrados, ou, com um bocado de sorte, condenados a açoites ou penas de prisão. Os condenados ou penitentes que iam ser queimados eram vestidos com uma túnica ou «sambenito», um hábito amarelo e vermelho, que se enfiava pela cabeça. O período de maior número de autos-de-fé, sobretudo em Espanha e Portugal, decorreu do século XV e XVIII. Historicamente, podemos dizer, que a Inquisição surgiu por ocasião do Concílio de Verona, Itália, que ordenou aos bispos lombardos que entregassem à Justiça os heréticos que se recusassem a converter-se. Este facto ocorreu no século XII, em 1183, no Languedoc, França, como medida contra os albigenses, naturais de Albi, considerados hereges do sul da França, ou valdenses, membros de uma seita herética fundada por Pedro Valdo, na Provença, também em França. A causa fundamental residiu no facto do ilustre francês Pedro Valdo se ter insurgido publicamente contra a corrupção que grassava no seio da Igreja. Mas, o maior crime dos albigenses ou valdenses, o considerado crime capital, era pregarem a liberdade de pensamento, o desrespeito à autoridade papal, a crítica e a oposição actuante face à tirania pontifícia, às suas pretensões, às suas teorias, aos seus monstruosos vícios. Mas os valdenses não foram prontamente exterminados, embora tenham sido ferozmente trucidados os que caíram prisioneiros. Inocêncio III, que havia iniciado a Inquisição, organizou, depois, nova expedição, assaltando as províncias do Languedoc, onde foram cometidos os mais hediondos atentados, tendo sido chacinados os habitantes, saqueadas as cidades, incendiadas as aldeias e devastadas as herdades. Foi na acção directa nesta verdadeira insurreição da inteligência humana contra o despotismo teocrático dos papas, que São Domingos, o «queimador de hereges», conquistou os seus principais créditos de bem-aventurado. Os dois maiores inquisidores que a história regista são espanhóis. Um, Tomas de TORQUEMADA, padre dominicano, que dirigiu durante 14 anos (1484 a 1498) as operações do Santo Ofício. É famoso por sua crueldade e o seu nome confunde-se na história na lembrança dessa terrível; instituição, que foi a Inquisição. - Por causa deste inquisidor os judeus foram expulsos de Espanha, 10000 vítimas foram enviadas para as fogueiras, 97000 confiscações foram feitas e cerca de 114000 famílias foram vitimadas. Outro grande inquisidor foi o cardeal Francisco Ximenes ou Jimenes (1436-1517), ministro de Espanha. Mas também de Portugal os judeus tiveram de fugir {os que conseguiram} e outros mortos, presos, desterrados e os seus bens confiscados, a partir do reinado de D. Manuel I, «O Venturoso». Sintomaticamente, foi a partir da sua expulsão que o império português começou o seu inexorável declínio. Procuramos fazer um levantamento das vítimas da Inquisição e, num rápido apanhado, quase que pudemos compor uma lista. De fato, não há mês do ano, em que não se destaque um grande nome vítima do Santo Oficio. Salientem-se os mais ilustres: 1414, Constança, grão-ducado de Baden, concílio que condenou, à fogueira, João Huss (1369-1415), reformador checo, precursor da Reforma, movimento renovador da Igreja e do Clero; 1431, nas noites de 23 e 24 Maio de 1431, em Rouen, capital da Normandia, França, é queimada viva a médium Joana d'Arc, a Donzella d'Órleans, heroína francesa (1412-1431) «por ter relação com Satanás», segundo denúncia do clero da época. 1498, 4 de Março, data em que é queimado vivo, com mais dois dominicanos, seus partidários, Girolamo Savonarola, pregador italiano da Ordem dos Dominicanos (1452-1498), excomungado, por falsas acusações de heresias, pelo papa Alexandre VI. 1553, 27 de Outubro, Calvino manda queimar vivo, em Genebra, Suíça, o infeliz Miguel Servet, médico e teólogo espanhol (1509-1553). Em 1572, no mês de Agosto foram degolados em Paris, na célebre noite de São Bartolomeu, 10000 franceses e, na mesma ocasião, nas províncias, outros 40.000 franceses calvinistas, com aprovação do Papa Gregório XIII. 1600, 16 de Janeiro, Giordano Bruno, filósofo italiano (1550-1600), que abandonou a Ordem dos Dominicanos, ouve a leitura de sua sentença de morte; e, em 17 de Fevereiro desse mesmo ano, é queimado vivo. Em 1616, a 5 de Março, a obra de Copérnico é condenada pela Congregação do Index Librorum Prohibitorum, o chamado rol dois livros proibidos, fundado em Roma, no século XVI. 1654, 29 de Junho, em Cuenca, Espanha, num auto-de-fé são queimadas 56 pessoas. 1762, 2 de Março, é supliciado na «roda», quebrando os seus membros até à morte, em Tolosa, Espanha, o protestante João Calas (1698-1752), por não abjurar o protestantismo. 1791, em 7 de Abril, é condenado à morte o célebre José Balsamo, mais conhecido como Conde de Gagliostro (1743-1795), pena comutada em prisão perpétua. 1706,12 de Setembro, a Inquisição faz queimar vivo o judeu Heitor Dias da Paz, em Lisboa, mas também Garcia de Horta, botânico, cientista, Ribeiro Sanches, médico que foi médico da corte de Catarina da Rússia, José Anastácio da Cunha, professor, matemático, Padre António Vieira, que curiosamente consegue pela primeira vez que o papa Clemente X suspenda o funcionamento da Inquisição (1674) - em 1678 o papa Inocêncio XI repetirá essa decisão -, Abraão Zacut, médico e, tantos mais vultos ilustres portugueses. Quando a Inquisição foi extinta em Portugal, o país estava exaurido sobre o ponto de vista humano e material, por essas e por outras. Milhares de livros, de manuscritos, alguns únicos, foram vítimas da senha persecutória do Índex da Inquisição. Como exemplos: a própria leitura da Bíblia, em 1229, foi proibida pelo Concílio de Tolosa, Espanha; em 1434, um monge de Barrientes, de nome Lope, ateou fogo aos livros do marquês de Vilhena; em 1490; o grande inquisidor Torquemada lançou ao fogo 6.000 volumes. E, em pleno século da Reforma, quando já a luz da liberdade tremeluzia no horizonte, o cardeal espanhol Jimenes atirou às chamas 5.000 volumes. Diniz DIDEROT, filósofo e literato francês (1713-1784), autor, com d'Alembert, da famosa» Encyclopédie» esteve encerrado no Castelo de Vincennes, França, porque publicou sua «Carta sobre os Cegos para uso dos que vêem». Charles de Secondat, barão de MONTESQUIEU (1689-1755), escritor francês, foi perseguido por ter publicado «Cartas Persas» (1721), «Considerações sobre as causas da grandeza e da decadência dos Romanos» e de «Espírito das Leis» (1748). E outros, como Nicolau COPÉRNICO, célebre astrónomo polaco (1473-1543), que demonstrou o duplo movimento dos planetas sobre si mesmo e à volta do Sol, teoria condenada pelo papa Paulo V, porque punha por terra a ideia ptolemaica, que sustentava {e à qual ainda se sustenta} a ideia do Céu e do Inferno da Igreja; e Galileu GALILEI, matemático, físico e astrónomo italiano (1564-1642), que adoptou o sistema do mundo proposto por Copérnico, proclamando que o centro do mundo era o Sol e não a Terra, valendo-lhe a intimação da Cúria romana para que abjurasse e sofresse, já septuagenário, um cativeiro, sob vigilância da Inquisição. Até aos alvores da Idade Moderna, os papas assumiram-se, salvo honrosas excepções, mais como chefes de Estado, Imperadores, que como chefes espirituais, pastores da sua Igreja. Mais devotados às coisas terrenas que às do Altíssimo. Tempos houve, em que papas como o Bórgia e a sua família {filha, filhos e dependentes} trouxeram descrédito e desgraça à causa de Cristo. A corrupção, a venalidade, a luxúria e o deboche, conduziram ao Cisma e à Reforma Protestante. Como curiosidade, assinale-se que a construção da Basílica de S. Pedro em Roma teve início em 1506 e o mais longo pontificado até hoje verificado, foi o do papa Pio IX (32 anos). De 1846 a 1878. Pedro Manuel Pereira

O SIDONISMO E A REPÚBLICA NOVA

Face ao cenário em que Portugal se encontra mergulhado, será bom recordar que a conjuntura é propícia ao surgimento de «Messias», de «salvadores da pátria». Atentemos pois, a este exemplo do passado recente, do qual, os políticos mandantes no país deviam retirar ilações, com discernimento e humildade. A 5 de Dezembro de 1917 o major de cavalaria e lente de matemática, Sidónio Pais, encabeçou um golpe militar a partir da província, que levou três adias a consolidar, tendo tomado o governo do país pela força. Foi um golpe extraordinariamente sangrento. Contou com a adesão de quase todo o exército. Opôs-se-lhe, o quartel de fuzileiros, a Guarda-fiscal e a PSP, forças estas, apoiantes do governo do Partido Democrático de Afonso Costa. Pela primeira vez na sua história, o Partido Democrático perde a rua. As casas de Afonso Costa e Norton de Matos são saqueadas. A revolução sidonista é prenunciadora dos messianismos. Vêm na sequência do milagre de Fátima e do descalabro social, político e económico, de que Portugal é protagonista esse ano e que se traduziu no triunfo da corrente germanófila, manifestamente contrária à intervenção portuguesa na 1ª Grande Guerra Mundial ao lado dos aliados. O saldo mais desastroso do consulado sidonista revelou-se pelo abandono do corpo expedicionário português à sua sorte, que culminou em 9 de Abril de 1918 no desastre da batalha de La Lys, na Flandres. No final da guerra, o CEP, havia perdido 7300 homens. Embora declarasse apoiar os aliados, Sidónio não substituiu o CEP quer quanto a homens quer quanto a apoio logístico, culminando com a insubordinação das tropas portuguesas em 4 de Abril de 1918, numa altura em que os alemães empreendem uma ofensiva em larga escala nessa frente de batalha. Após o desastre, a representação portuguesa na Flandres ficou reduzida a menos de uma divisão, perdendo autonomia e comandos próprios. São integrados no comando inglês, que os envia para a retaguarda para cavarem trincheiras. Entretanto o primeiro-ministro Afonso Costa, e Augusto Soares, ao desembarcarem no Porto vindos do estrangeiro onde se haviam deslocado em missão oficial, são presos e enviados para o Forte de Elvas. O Presidente da República Bernardino Machado recusou renunciar ao cargo e foi intimado a deixar o país. A 8 de Dezembro é constituída uma Junta Revolucionária onde pontificará Machado dos Santos do Partido Regenerador. Com a colaboração do Partido Unionista, do qual Sidónio Pais era membro, é instaurada uma ditadura militar. Sidónio dissolve o Congresso, decreta alterações à Constituição e introduz um regime presidencialista à maneira americana. Em 8 de Abril de 1918, faz-se eleger Presidente da República, por eleições directas, numa altura em que os membros do seu partido lhe haviam já retirado o apoio e passado à oposição. Às eleições de Abril, haviam-se recusado a participar os três grandes partidos da «República Velha», em oposição à «República Nova» sidonista. Os monárquicos, que desde o 5 de Outubro de 1910 tudo faziam para minar o novo regime, apresentam-se em peso às eleições e auferem lugares no novo Congresso, à compita com católicos, conseguindo no entanto, o novel Partido Republicano, conquistar a maioria dos lugares e de igual modo a maioria governamental. O governo de Sidónio irá ser apoiado por um variado leque de estratos sociais, quer de direita, quer até do movimento operário, à esquerda. É uma base política de apoio tão ampla quanto possível. Em suma: Os descontentes, que eram aqueles que até aí tinham sido excluídos da partilha do poder ou sido pelo poder sacrificados. A realidade é que tal como o azeite e o vinagre, também as forças apoiantes em presença eram inconciliáveis. Sidónio Pais não consegue mantê-las unidas e a fronda desfaz-se. Aliás, a sua união assentava em três ideais: ódio a Afonso Costa e à política de guerra, e um vago desejo de ordem face à agitação social do país. O regime sidonista foi marcado por uma crescente confusão política e administrativa, e por prisões e perseguições dos seus adversários, para o que foi útil a recente criada polícia política. Um regime de terror se havia instalado, em que Sidónio Pais actuou como um soberano absoluto, gerindo a coisa pública despoticamente. Com Sidónio Pais, pela primeira vez em Portugal e na Europa, surge um regime ditatorial sui generis que virá a ser retomado pelos movimentos fascistas europeus, caso de Mussolini em Itália, ou de Primo de Rivera em Espanha. A República Nova sidonista foi prenunciadora do «Estado Novo», que mais de uma década depois se irá instalar progressivamente em Portugal pela mão férrea de outro lente coimbrão: Oliveira Salazar. Em 14 de Dezembro de 1918, Sidónio Pais é assassinado na Estação do Rossio por Júlio da Costa, antigo sargento que havia combatido os alemães em África e participado em 1910 na Rotunda, na implantação da República. O regime vivia então, momentos de agonia. Os monárquicos haviam-no minado por dentro. Aliás, desde a queda da monarquia não haviam deixado nunca, de conspirar e fomentar golpes e revoluções. O regime ia perdendo o controlo da situação em várias partes do país. A pretexto da defesa da pátria e do regime contra os inimigos exteriores, haviam sido criadas juntas militares no norte e no sul do país, tendo na realidade com objectivo, a restauração da monarquia. Será bom recordar, que na altura do seu assassinato, Sidónio ainda gozava de apoio de vastas camadas populares. Por último, de referir que Sidónio Pais foi iniciado maçon em 1911 na Loja Estrela de Alva nº289, de Coimbra, com o nome simbólico de Carlyle. No ano seguinte abandonou as suas actividades maçónicas. Quando presidente da República, apoiou as perseguições contra o Grande Oriente Lusitano Unido, que culminou no assalto e destruição das suas instalações após o primeiro atentado que sofreu em 6 de Dezembro de 1918 com o pretexto de que o seu autor era maçon. A 14 desse mês era abatido num segundo atentado. Após a morte de Sidónio Pais, o país mergulha numa das mais graves crises políticas da sua história moderna, em que se inclui o 19 de Janeiro de 1919 e a proclamação pelas juntas militares, da monarquia no Porto e em Lisboa. Pedro Manuel Pereira

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA - UMA VISÃO MAÇÔNICA

Por Marcio Ailto Barbieri Homem - Triângulo José Carlos Bergman - GLMERGS (Brasil) Reza o ritual do Aprendiz Maçom do R.E.A.A. adotado pela Grande Loja do Estado Do Rio Grande Do Sul, que a "maçonaria tem por fim combater a ignorância em todas as suas modalidades; é uma escola mútua que impõe este programa: (...) trabalhar incessantemente pela felicidade do gênero humano (...)". Mais adiante, uma frase, que particularmente reputo como uma das mais ricas e mais representativas de nossos verdadeiros objetivos: " ( A Maçonaria) É uma instituição que tem por objetivo tornar feliz a humanidade, pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela tolerância, pela igualdade e pelo respeito à autoridade e à religião". "Felicidade do gênero humano" e " tornar feliz a humanidade". Não raro, em todas as obras e rituais maçônicos, deparamo-nos com a palavra "humanidade". A idéia do valor intrínsico da pessoa humana, encontra suas origens no pensamento clássico e no ideário Cristão. Na cultura ocidental, diversas referências encontramos sobre a criação do homem " à imagem e semelhança de Deus", premissa de que foi extraída a idéia de que todo ser humano é dotado de um valor próprio, intrínseco, na figura de uma só pessoa humana está representada toda a humanidade. Ao longo da história, podemos comparar a evolução da espécie humana com a idéia do que a humanidade pensa sobre sua própria condição existencial. No pensamento estóico, verificado nas clássicas tragédias gregas, , já estava patente que o ser humano possuía uma dignidade que o distinguia das demais criaturas, no sentido de que todos são portadores da mesma, em que pese as diferenças sociais e culturais. Mesmo durante o medievo, Tomás de Aquino continuou sustentando a divindade da "dignitas humana". Immanuel Kant sustenta que o homem não pode ser tratado - tem mesmo por ele próprio - como objeto, pois em si está representada toda a humanidade. Os ideais da revolução francesa, com seu tríplice "Liberdade, igualdade e fraternidade", foram uma espécie de condensação de todo um pensamento filosófico produzido pela humanidade ao longo de sua existência. No moderno pensamento filosófico e social, a questão da dignidade da pessoa humana está cada vez mais, ocupando espaço como a questão fundamental, pilar de toda existência social, não obstante flagrantes situações de desrespeito individual à condição humana, como bem vimos nos recentes conflitos que permearam o Séc XX. Mas, repito, desrespeito individual, uma vez que praticados por grupos contra grupos. A utópica realização plena da dignidade da pessoa humana continua a ser incansavelmente buscada pelas relações sociais e jurídicas de grupos de nações e grupos de pessoas, mesmo que entre este último, inconscientes de sua própria busca. Quanto à característica utópica dessa busca, lembro-me vagamente das palavras de Galleano, que situa a utopia no horizonte de suas intenções. A cada dez passos que tenta aproximar-se desse horizonte, dez passos ele se afasta. Vinte passos, e vinte passos afastados. Pergunta-se: "Mas afinal, porque a busco? Qual o objetivo de sua existência, se já me convenci de que é inalcançável?" E responde-se: "Seu objetivo é exatamente este, obrigar-me a dar os passos." E a Maçonaria atual, em que ponto desta busca utópica se situa? Qual sua atuação no sentido de colaborar, enquanto Ordem, no reconhecimento universal da Dignidade da Pessoa Humana? A história é rica em relatar a participação de Maçons enquanto indivíduos, e da Maçonaria enquanto instituição, na petrificação dos ideais humanitários. A revolução Francesa, o abolicionismo da escravatura no Brasil, os diversos fatos e atos de ilustres maçons no reconhecimento e na implementação de um Estado igualitário, justo e perfeito. Ao lapidar a pedra bruta em que se reconhece, o Maçom tem por dever aparar as mundanas arestas que o tornam falível enquanto indivíduo, para que em si possa espelhar todo o valor da humanidade plena. Tem por dever absoluto preparar-se para ser o ponto reflexivo de tudo que em si representa esta idéia. Ao jurarmos " ... conservar-me sempre cidadão honesto e digno, (...), nunca atentando contra a honra de ninguém...", estamos perante o Grande Arquiteto do Universo, prometendo envidar todos os esforços no sentido de valorizar um dos aspectos mais marcantes inerentes à dignidade da pessoa humana: A honra. Honra e Dignidade são palavras quase que sinônimas, pois encerram valores magnos pertinentes e exclusivos do ser humano. Dignidade, ou honra neste caso, são amplamente garantidas na Carta Constitutiva do Brasil, e em quase todas as Constituições do mundo livre, em suas cláusulas imutáveis, ou pétreas. Mas como transformar a utópica afirmativa impressa na Constituição em fatos concretos, no nosso dia a dia? Não podemos mais, a exemplo do passado, destinar o Tronco de Solidariedade para a compra e alforria de um escravo, ou fomentar revoluções libertárias no interior de nossos templos. Não podemos mais ficarmos adstritos aos Templos, enquanto lá fora a sociedade a qual pretendemos modificar através de nosso interior aperfeiçoamento, peca pela omissão quanto ao respeito a essa Dignidade. Quantas e quantas vezes, ao final de uma sessão, após um lauto ágape, embarcamos em nossos carros e, na primeira esquina, olhamos indiferentes ao ser humano, descalço, que implora ao "tio" uns trocados? Quantas e quantas vezes, enquanto cidadãos, encaramos impotentes e apáticos a ação do Estado contra as minorias menos abastadas? Quantas e quantas vezes, passamos por um animal maltratado e ficamos penalizados com sua situação, e quando olhamos nosso semelhante, não damos a devida atenção? Ora, direis, contar estrelas... Quão inócuo é a observação dos problemas sem a devida apresentação de soluções práticas, e quão fácil é o tratamento filosófico a uma situação real. Mas a Maçonaria, se não esquecesse que a utopia é inatingível e não desse os primeiros passos rumo ao horizonte utópico, não teria como contabilizar entre seus feitos, uma revolução francesa, uma abolição da escravatura, e tantas outras ações tomadas a partir de um ideal humanitário. A nós, modernos Maçons, restam ainda muitos caminhos a serem trilhados. Se, unidos tal nossa simbólica Cadeia de União, agregarmos esforços conjuntos e reconhecermos nosso papel na luta pela Dignidade da Pessoa Humana em termos contemporâneos, ou seja: a garantia à vida, à saúde, à alimentação, à moradia, e a uma existência plena, estaremos justificando às gerações maçônicas passadas, e quiçá, às futuras, nossa razão de existir. A proposta atual, e factível, é a educação da geração vindoura. Que nossas Lojas, nossos Maçons, aproveitem instituições já consagradas como apoio à educação infanto-juvenil, tais como o escotismo, os De Molay, as APJ's, os Amigos da Escola, as Filhas de Job, e outras, para que através de doações individuais ou enquanto Ordem - e tais doações não necessariamente financeiras - possam trabalhar valores que, num contexto a médio e longo prazo, farão a diferença na plena, e aí sim, concreta, valorização da Dignidade da Pessoa Humana. Que assim seja.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

OS INTELIGENTES CONSTRUÍRAM O MUNDO, OS ESTÚPIDOS VIVEM À GRANDE

Nas «hierarquias de poder» a mesma ordem burocrática que sufoca a criatividade e a originalidade estabelece a escala dos «méritos pressupostos», da qual não se pode discordar a não ser pondo em causa os próprios alicerces da sociedade. A estrutura hierárquica elimina a necessidade de distinguir os seres humanos na base das suas qualidades, dos seus talentos. Numa burocracia, o chefe é o chefe, porque ocupa a posição de chefe, e não porque seja o melhor. Pode perfeitamente ser o mais estúpido que o último moço de fretes: isso não quer dizer nada, é ele quem manda – porque ele é o chefe. Os sargentos não são necessariamente mais imbecis que os simples soldados; mas são os distintivos que lhes enfeitam as mangas ou os ombros que lhes conferem a autoridade de comando. Os juízos de valor brilham pela mais completa ausência nos sistemas burocráticos, porque a estrutura hierárquica os tornou inúteis e consagrou assim o fim da vantagem constituída pela inteligência. A imbecilidade está no poder. E o poder não precisa de génio. Mas trabalha em seu próprio benefício, tende a imprimir a sua própria imagem no mundo circundante e a multiplicar a estupidez, da qual extrai a sua razão de ser. (…) Todos os regimes cuidam de sufocar a inteligência, que não só é desnecessária nos termos de seja que forma for de organização, mas constitui, além disso, um factor adverso e, por conseguinte, uma ameaça. As pessoas de bom senso, por exemplo, põem-se interrogações assustadoras, subversivas. Do tipo: «É possível que logo seja este cretino o meu chefe?». (Possível e mais que possível). «Mas não haveria ninguém mais capaz para uma missão tão delicada ? » ( Havia, é quase certo, mas não era isso que interessava ). As ditaduras suprimem a liberdade de pensamento (e, com frequência, também o pensador). Em democracia cada cabeça vale um voto, ainda que se trate de uma cabeça oca. Todas as formas de domínio procuram impor a uniformidade dos pensamentos, dos desejos, do mesmo modo que visam massificar os indivíduos e vinculá-los a um modelo comum de imbecilidade. Tal é a essência do poder. Que resulta das escolhas evolutivas e culturais da nossa espécie. O «homem-massa» da moderna sociedade industrial (dissuadido de pensar, ensinado a alimentar desejos idênticos aos dos seus semelhantes, porque impostos por sistemas de condicionamento extremamente eficazes), o homem que se limita a saber desempenhar uma função, é o produto de um processo evolutivo que dura há milénios e se orienta para a repressão da inteligência. Quem diz: «não me agrada, considera : « a evolução confundiu tudo.» será verdade ? Pino Aprile, in “ELOGIO DO IMBECIL“, Edições Dom Quixote

quarta-feira, 13 de maio de 2009

ERA UMA VEZ UM PAÍS

Era uma vez um país onde o pão era contado onde quem tinha a raiz tinha o fruto arrecadado onde quem tinha o dinheiro tinha o operário algemado onde suava o ceifeiro que dormia com o gado onde tossia o mineiro em Aljustrel ajustado onde morria primeiro quem nascia desgraçado. Ary Dos Santos

GRIPE SUÍNA? SE FOR VERDADE É GRAVE

http://www.youtube.com/watch?v=0K2LdGUca9w

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O GOLPE DO 28 DE MAIO DE 1926

Tem lugar este mês, uma efeméride marcante na História de Portugal recente. Assim, no dia 28 de Maio de 1926 deu-se um pronunciamento militar em Braga, chefiado pelo general Gomes da Costa, que alastrando nos dias seguintes ao resto do país, irá instaurar uma ditadura militar, a qual dará origem, poucos anos após, a um novo regime, auto denominado de «Estado Novo» em oposição ao que chamavam de «República Velha», o primeiro, uma partido político único: a União Nacional, à frente do qual pontificava o lente coimbrão, Oliveira Salazar. No entanto, segundo palavras do seu chefe, não era um partido político nem se assumia como tal, antes era, uma «associação de homens de boa vontade». O 28 de Maio foi um movimento eivado de equívocos e é nesse sentido que se explica que a ele tenha aderido muita gente, de boa fé, que lenta e gradualmente nos tempos que se seguiram se irá afastar ou ser afastada desse assalto ao poder. O golpe militar contou com o apoio das classes dominantes, as chamadas «forças vivas», das classes intermédias e até da classe operária; operários industriais e assalariados agrícolas. No estado caótico em que o país de encontrava, quer económico, quer social e outros, era previsível um golpe militar no estilo do ocorrido. Aliás, na sequência de uma série de outros que tinham vindo a suceder-se sem que tivessem, no entanto, a amplitude deste último, para o sucesso do qual contribuiu decisivamente o apoio da classe operária, do movimento sindical, vítimas do regime republicano, cuja expressão máxima se consubstanciou no 1º Ministro Afonso Costa, alcunhado de «racha sindicalistas». Todos estavam de acordo em fazer intervir o exército, onde o nível de vida dos seus oficiais havia atingido um estado degradante. Aludindo ao brilho dos galões, o povo havia-os rotulado de «miséria dourada». O material, o armamento, era obsoleto. Por outro lado, o exército durante anos havia sido preterido em favor da GNR. Pairava no ar o fantasma da Flandres/França, onde pereceram milhares de militares portugueses e muitos mais ficaram estropiados no conflito que passou à História como: 1ª Grande Guerra Mundial. Enfim, o exército desmoralizado será conduzido a assumir a direcção política do país contra o republicanismo que o havia deixado cair tão fundo. A República dissolvia-se por falta de apoio. Até 31 desse mês {Maio de 1926}, altura em que o presidente da República se demite transmitindo os seus poderes a Mendes Cabeçadas, a revolta ainda tinha algo de constitucional face a essa mesma transmissão de poderes. Enquanto Gomes da Costa avança sobre Lisboa, Óscar Carmona vislumbrando a vitória ordena o avanço das suas tropas alentejanas sobre a capital, apoiando assim, o movimento. Em Novembro desse ano, Carmona assumia a chefia do Estado. De 1926 a 1933/34, houve como que um estado de guerra civil não declarada entre vários sectores republicanos e a ditadura militar. A situação não é muito definida. Este período de transição da ditadura militar para o Estado Novo, irá ser muito conturbado, com uma base de apoio muito complexa. Só se poderá falar de consolidação do Estado Novo a partir de 1934, ano do primeiro Congresso da União Nacional, de remodelação do governo e das primeiras eleições legislativas, saindo delas a primeira Assembleia Nacional. Em Junho de 1932, Salazar havia sido formalmente nomeado chefe do governo. Ainda nesse ano apresenta uma proposta de Constituição que entrará em vigor em 11 de Abril de 1933, a qual vigorará com pequenas alterações até 1976. No Barreiro, o movimento do 28 de Maio de 1926 teve características de adesão idênticas ao que se passou um pouco por todo o país. Os grupos civis conspiratórios eram constituídos por elementos quase todos ligados ao Partido Radical, enquadrados por chefes oriundos de Lisboa. O apoio logístico, fundamental para o avanço das tropas do sul sobre Lisboa foi dado pelos ferroviários do Sul e Sueste, vítimas do regime republicano que os havia sempre tratado com uma certa sobranceria, de resto, retribuída pelos ferroviários em permanente luta por melhores e mais dignas condições de vida, manifestas nas lutas empreendidas ao longo da existência do regime, algumas delas bastante longas como a registada entre Setembro e Dezembro de 1920, que durou setenta dias e à qual o quinzenário barreirense Acção de 20 de Dezembro desse ano se refere na 2ª página sob o título «Ferroviários», como tendo: «(…)contado prejuízos incalculáveis(…), prejuízos esses, cremos, a todos os níveis». Pela mesma data, a propósito desta greve, o semanário lisboeta A Luz, de cariz maçónico, refere na sua 4ª página: «(…) teve enfim termo. Já não era sem tempo (…) a greve dos ferroviários não teria lugar se a administração da Companhia dos Caminhos-de-ferro Portugueses não fosse uma soberba amostra do que, em regra, é toda a administração em que entra o portuguesinho (…) cabe pois, à direcção da Companhia a responsabilidade de todos os prejuízos que esta lamentável greve ocasionou (…)». A realidade é que a direcção da Companhia era o espelho da Administração do Estado, da coisa pública. Porém, os princípios da generosidade, a luta pelos ideais de Liberdade e por melhores condições de vida que levaram ao ferroviários a apoiar o golpe do 28 de Maio, serão os mesmos que os levarão a participar poucos meses passados, na primeira revolta contra a ditadura militar, mais concretamente em Fevereiro de 1927, com a paralisação de comboios e a sabotagem de máquinas. Tal como milhares de cidadãos, grupos sociais, agrupamentos políticos, classe operária, também os ferroviários cedo constataram o logro em que haviam caído. Se a República não os tinha tratado bem, a ditadura militar não os tratava melhor. Porém, a força das armas impunha-se, propiciando um novo regime que perduraria até ao 25 de Abril de 1974 e haveria de fazer escola nalguns países europeus, até ao final da 2ª Grande Guerra Mundial. Pedro Manuel Pereira

domingo, 10 de maio de 2009

A OUTRA FACE DO TANGO

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A ARTE DOS SABERES DOS SABORES DE PORTIMÃO

«O caminho para o coração de um homem passa pelo estômago» [Provérbio milenar] Cozinhar, apreciar a comida usando naturalmente um dos cinco sentidos com que somos dotados {fala-se que existe também um sexto sentido}, acompanhando-a com a bebida que mais de acordo estiver com a especialidade cozinhada, rodeados de paz e harmonia, são expressões elementares de cultura de todos os povos de todas as latitudes, em todos os tempos. O princípio fundamental para quem cozinha é a liberdade de criar e de se expressar na confecção de cada prato, enquanto que a arte de bem comer encontra-se relacionada com a aptidão que o ser humano tem de se aventurar nas experiências do paladar. A tradição culinária feita de saberes ancestrais transmitida de mães para filhas {e de pais para filhos}, que ao longo de séculos se enraizou nos hábitos e costumes das gentes do concelho de Portimão, nasceu de uma cultura oral, vertida por vezes para alguns escritos rascunhados em pedaços de papel amarelecidos pela patine do tempo, que ao longo dos anos vão ficando esquecidos no fundo de um baú ou de uma gaveta de cozinha. Normalmente, são as mulheres que quando casam para constituírem nova família levam consigo os hábitos, usos e costumes da casa dos pais, onde se incluem em lugar de destaque - até por necessidade elementar - os hábitos, os saberes e os segredos, da arte da culinária. Portimão e Alvor, com as suas tradições nascidas do rio, da ria e do mar, assim como a Mexilhoeira Grande, próxima da serra, com a tradição secular que lhe advém da árdua labuta dos campos, conferem, naturalmente a este concelho, uma enorme variedade gastronómica, rica em sabores e saberes construídos pelas suas gentes, caldeados pelas mais diversas culturas de povos das mais longínquas paragens que ao longo dos tempos aqui arribaram, vindos por terra e sobretudo, por mar. É evidente, que o concelho de Portimão não existe isolado da restante região algarvia. Faz parte de um todo que se reparte entre «os vários Algarves». O barlavento, o sotavento, o barrocal e a serra, com as suas diversidades locais, que séculos de difícil comunicação entre povoados ajudou a cimentar e que hoje, cada dia mais, se vão fundindo numa unidade geográfica regional. Com os alvores da modernidade do século XIX e a construção de melhores vias de acesso entre todos os lugares do Algarve {como os caminhos-de-ferro e as estradas alcatroadas} a intercomunicabilidade entre as suas gentes foi-se tornando uma realidade quotidiana, que de forma informal e natural contribuiu para um intercâmbio de «pequenas culturas» locais, onde se inclui os saberes e sabores da culinária, permitindo hoje que, embora seja possível de catalogar pratos regionais do Algarve, se mantenham diversidades culinárias de grande riqueza por localidades ou concelhos, como no caso em apreço, de Portimão. Pedro Manuel Pereira

QUEIMA DAS FITAS - COIMBRA 2009

SOBRE A GRIPE EM GERAL

Sabia que o vírus da gripe das aves foi descoberto há mais de 10 anos, no Vietnam? Sabia que desde então morreram apenas 100 pessoas EM TODO O MUNDO, EM TODOS ESTES ANOS? Sabia que os norte-americanos foram os que alertaram sobre a eficácia do TAMIFLU como preventivo? Sabia que o TAMILFLU apenas alivia alguns sintomas da gripe comum? Sabia que a sua eficácia perante a gripe comum está questionada por grande parte da comunidade científica? Sabia que perante um SUPOSTO vírus mutante como o H5N1, o TAMIFLU apenas aliviará a doença? Sabia que quem comercializa o TAMIFLU É O LABORATÓRIO ROCHE? {de origem Suíça, mas cuja fábrica nos EUA é uma das maiores do mundo}. Sabia que quem comprou a patente do TAMIFLU em 1996, foi a GILEAD SCIENCES INC?. Sabia que o Presidente da GILEAD SCIENCES INC, e hoje o seu principal accionista é DONALD RUMSFELD, ex Secretário da Defesa dos EUA? Sabia que a base do TAMIFLU é os anis estrelado que se pode comprar em qualquer loja de produtos naturais? Sabia que a ROCHE foi quem ficou com 90% da produção mundial desta planta?. Sabia que as vendas do TAMIFLU passaram de 254 milhões de dólares em 2004 para 1000 milhões em 2005? Dá para imaginar quantos milhões mais pode ganhar a ROCHE nos próximos meses, se continuar o negócio do medo? Ou seja, o resumo da história é o seguinte: Os amigos da América decidem que um fármaco como o TAMIFLU é a solução para uma pandemia que ainda não aconteceu. Que este fármaco não cura nem a gripe comum. O vírus não afecta o homem em condições normais. Rumsfeld vende a patente do TAMILFLU à ROCHE e esta paga-lhe uma fortuna. A ROCHE adquire 90% da produção do anis estrelado, base do anti-vírico. Os governos de todo o mundo ameaçam com uma pandemia e compram à ROCHE quantidades absurdas do produto. Estaremos loucos ou somos idiotas? OBS: A gripe suína, ou gripe "A", é menos letal que a dengue!!!!!!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O ESTADO DA NAÇÃO

FOTO: Pedro M. Pereira

QUANDO A GUERRILHA ASSOLOU PORTIMÃO

Portugal entra no século XIX com o pé esquerdo, como se costuma dizer. Primeiro, as três invasões francesas, com o seu cortejo de mortos, mutilados, roubos e depredações precedidos pela precipitada fuga da Corte para o Brasil, transformando assim, formalmente, o reino em colónia brasileira. Segue-se à expulsão dos franceses graças à ajuda britânica, após o que, os ingleses se deixaram por cá ficar. Porém, a governança despótica e sobranceira do Marechal Beresford, revelou-se tanto ou mais nefasta para o país, que os desmandos antes cometidos pelos franceses. Neste meio tempo, a Corte recusava-se a regressar do Brasil, embalados pelo cálido clima e pela doçura das baianas. Os portugueses, esses, na mãe pátria, sentiam-se órfãos pela falta dos soberanos, exigindo por isso, o seu regresso. O comércio definhava e as condições de vida dos portugueses agravavam-se. Intentaram-se várias revoltas contra o domínio inglês, sempre ferozmente sufocadas, das quais, a mais grave, culminou com o enforcamento do Marechal Gomes Freire de Andrade, militar de prestígio e figura nacional, junto da fortaleza de S. Julião da Barra em Poeiras, juntamente com outras prestigiadas personalidades portuguesas, em 1817. As revoltas e descontentamento irão conduzir Revolução Liberal, em 1820, iniciada a partir do Porto, tendo como base o Sinédrio, composto de patriotas notáveis. Esta Revolução constitui um dos mais importantes marcos da História de Portugal, cujos reflexos se fazem ainda hoje sentir. A 4 de Julho de 1821 a família real decide regressar a Portugal, tendo o rei jurado as bases da nova Constituição. A 7 de Setembro do ano seguinte dá-se um acontecimento que abalou profundamente o sentimento nacional: a independência do Brasil, proclamada pelo príncipe D. Pedro, aclamado como Imperador em 12 de Outubro. A promulgação da Constituição Liberal em 23 de Setembro de 1823, afasta-se frontalmente do regime absolutista e institui um sistema de poderes tripartido (poder executivo: rei e ministros, poder legislativo: cortes, poder judicial: tribunais), prevê ainda a liberdade de expressão, liberdade individual e a igualdade de todos os cidadãos perante a lei, entre outras medidas progressistas. A reacção desencadeou-se de imediato, iniciando-se um processo de revoltas e golpes de estado, tendo como promotor o príncipe D. Miguel, filho do rei, que encarnava os partidários do regime absolutista e que irá culminar com a tentativa de afastamento de seu pai D. João VI, de acordo com a sua mãe, a rainha Dª. Carlota Joaquina. Frustado o golpe de estado de afastamento do rei, D. João VI decreta o exílio de seu filho para Viena de Áustria. A 2 de Maio de 1926, abdica da pretensão à coroa portuguesa em favor de sua filha Dª. Maria da Glória, uma criança, na condição de esta vir a casar com seu tio D. Miguel, o qual aceita e regressa a Portugal, jura a Carta Constitucional e assume a regência do reino, adoptando em breve, na prática, o exercício do poder absoluto. Em consequência, desencadeia a repressão contra os adeptos dos ideais liberais que ainda não haviam saído do país e que se traduziu por um cortejo sem fim de prisões, fuzilamentos, enforcamentos e por aí fora. Estava instalado o clima de terror. A situação insustentável em que o país havia caído, levou o Imperador D. Pedro a abdicar da coroa do Brasil no seu filho D. Pedro de Alcântara e a vir para a Europa em 1832 lutar contra o seu irmão D. Miguel, em nome da Carta Constitucional e dos direitos da sua filha Dª Maria da Glória. Assim, em 8 de Julho desse ano, desembarcava perto do Porto, no Mindelo, com exército de cerca de 8000 homens e assume a regência do reino em nome da sua filha. A partir de então, o país entrou em guerra civil entre liberais e absolutistas, que durou até 26 de Maio de 1834, data em que é assinada a Convenção de Évoramonte que pôs termos ao conflito. O saldo foi um enorme cortejo de morte e destruição que deixou o país na ruína. Porém, o armistício não significou o fim do ódio entre portugueses. A sociedade portuguesa encontrava-se profundamente dividida e os seus reflexos irão fazer-se sentir durante muitas décadas. É durante a guerra civil que surge no Algarve um partidário de D. Miguel, que à frente de um “exército” de guerrilheiros, fez a “vida negra” às tropas liberais e à população da região, chamava-se ele José Joaquim de Sousa Reis e tinha por alcunha o “Remexido”, natural de Estômbar, ex-seminarista, a viver em S. Bartolomeu de Messines onde se havia casado e era abastado proprietário. Assim, ia a guerra civil a meio, quando no dia 24 de junho de 1833 desembarcou em Cacela o Conde Vila Flor (mais tarde Duque da Terceira), a fim de sublevar o Algarve no sentido da ordem constitucional contra o poder miguelista, marchando de caminho para Lisboa. O governador do Algarve, Visconde Molelos, em nome de D. Miguel, por cobardia, porque não confiasse nos seus homens, ou outra qualquer razão que nos escapa, fugiu para Almodôvar. Desta forma as tropas constitucionais não encontraram resistência à sua passagem. Logo após este episódio, o Remexido recebeu ordem das forças miguelistas para iniciar a guerrilha de resistência aos liberais a partir de S. Bartolomeu de Messines, onde chegou no dia 19 de Julho desse ano. Conhecedor dos movimentos do Remexido, organizou-se um grupo de voluntários liberais saídos de Lagos para proteger o depósito de víveres de Silves, tendo desembarcado na Mexilhoeira da Carregação onde se lhes reuniu o barão de Faro, General Tomás Cabreira. Ao saber que o Remexido se encontrava em Alcantarilha, Cabreira dirigiu-se ao seu encontro para o combater, porém, ao chegar a Lagoa, avistou a descer, para as bandas de Porches, os homens do guerrilheiro, numericamente superiores à sua hoste de voluntários. Não confiando nestes, mal armados e sem treino militar, retirou em debandada, atravessou o rio Arade, comunicou o seu pânico à população de Portimão e continuou a fuga até se acoitar à segurança das muralhas de Lagos. Entretanto, o Remexido, conhecedor desta situação, avançou cautelosamente para Portimão, que pensava ter uma forte guarnição armada a travar-lhe o passo. Pelo caminho, foi aclamado com vivas a D. Miguel, o que não obstou a que os seu homens cometessem vários roubos e atentados por iam passando. Ao entrarem em Portimão, a vila entrou em verdadeiro estado de anarquia provocado pelas perseguições e pilhagens dos homens do caudilho. Chegados ao Alvor, prenderam imensos liberais, entre eles, André Furtado, que após transitarem pela cadeia de Portimão, foram enviados para Albufeira, onde foram fuzilados pela escolta que os conduziu, junta à Igreja de S. Sebastião. Depois de assediada pela guerrilha miguelista, a vila de Albufeira capitulou, tendo morrido 74 pessoas e ficado arrasadas a maioria das casa nobres. Entretanto, os morticínios do Remexido continuavam. Desta forma, a 30 de Julho, foi assassinado na sua quinta em Alvor, o Dr. José de Almeida Coelho, pessoa muito estimada na vila. No caminho de Lagos, os guerrilheiros assassinaram um médico muito considerado em Portimão, o Dr. José Nunes Chaves. Um arruaceiro das forças do Remexido, de seu nome José de Oliveira, conhecido pelo “Trovoada”, natural da Madeira, instalou-se com um grupo de apaniguados no palacete do assassinado Dr. José de Almeida Coelho e dali expedia ordens de prisão, mortes e pilhagens. Porque as atrocidades fossem muitas ou por qualquer outra razão, o Remexido, posto ao corrente das tropelias do seu correligionário, mandou fuzilá-lo no mesmo local em que haviam fuzilado o Dr. Chaves. Nesse mesmo dia, numa atitude magnânime, mandou soltar os presos e proteger a família do Dr. José de Almeida Coelho. Entrementes, o caudilho ainda não havia conseguido conquistar Lagos, dada a resistência organizada pelos liberais, e as forças constitucionais que coordenavam esforços no sentido de desbaratar as forças miguelistas, mais uma vez sofreram uma pesada derrota no Vale da Mata, próximo de S. Marcos da Serra, numa emboscada chefiada pelo guerrilheiro. O Batalhão em debandada, sempre perseguido pelos miguelistas, chegou nessa noite a Silves, onde, reforçados com cerca de cem soldados que ali encontraram, marchou para Portimão, vila que tinha visto a sua população aumentada com refugiados de Lagos. A população, animada pelo comandante do navio de guerra Faro, João Caetano de Bulhões Leotte, que se encontrava fundeado no rio Arade, reforçou as defesas cavando fossos, guarnecidos com a artilharia das fortalezas de S. João Baptista e de Santa Catarina. Nesse ínterim, as tropas de D. Miguel, reforçadas na serra com 1000 ordenanças, muitos montanheiros, mulheres e animais de carga prontos a carregarem o saque, arrancaram para Portimão, onde à uma hora da tarde do dia 24 iniciaram o ataque à vila, cuja resistência não conseguiram vencer. Repetido o ataque no dia seguinte, os atacantes retiraram para Silves. De preciosa ajuda à população de Portimão, foi o navio de guerra atrás referido, que percorrendo o rio entre o convento de S. Francisco e a Igreja de S. José, disparou continuamente sobre os miguelistas obrigando à sua retirada. Após a Convenção de Évoramonte em 1834, que pôs termo à guerra civil, o Remexido recusou entregar-se às forças do governo com receio de represálias. Passou por isso à clandestinidade e até 1836, acolitado por uma hoste de guerrilheiros estimada em cerca de 400 homens, pôs a ferro e fogo todo o Algarve a Baixo Alentejo, semeando o terror por onde passavam. Nesse ano, a 28 de Julho, foi finalmente capturado. Julgado e condenado em Conselho de Guerra, foi fuzilado no Campo da Trindade*, em Faro, no dia 2 de Agosto de 1838 às 6 horas da tarde, sendo sepultado no cemitério da Misericórdia desta cidade. Após a detenção do Remexido, a guerrilha continuou a persistir durante várias décadas. Um filho deste vai continuar durante muito tempo a “obra” de seu pai. Mas vários outros bandos de guerrilheiros irão pulular por todo o país ao longo do século XIX, uns, motivados por convicções ideológicas, outros, por razões menos dignas. No caso da guerrilha do Remexido, as consequências nefastas fizeram-se sentir, sobretudo ao nível da economia rural, gerando ao mesmo tempo um sentimento de insegurança e temor por parte das populações. * Campo da Trindade ou Rossio da Trindade, em Faro, ocupava quase toda a área que constituiu hoje a zona onde se encontram as antigas oficinas da Escola Secundária Tomás Cabreira. Pedro Manuel Pereira

OS AUSENTES DA INDIGNAÇÃO

por Baptista-Bastos Em dez anos, João Ubaldo Ribeiro foi duas vezes censurado, no nosso País, por um zeloso vigilante da moral. O grupo proprietário da cadeia de supermercados Jumbo, voltou a pôr, no seu Índex privado, A Casa dos Budas Ditosos, por sinal um belíssimo romance. Acusação: o livro "é um produto pornográfico". Ubaldo é baiano, escritor importante, viveu em Portugal, e já foi distinguido com o Prémio Camões, valha isso o que valer. Em condições outras, a extraordinária proibição suscitaria, entre os "intelectuais" portugueses, um alarido de protestos, de abaixo-assinados, de repulsa, e a comunicação social seria levada a transformar a vergonha em causa. Nada disso aconteceu. Os "intelectuais" portugueses andam tão exaustos de escrever livros maus, de participar em colóquios ridículos, debates patéticos, conferências inúteis no estrangeiro, que são indiferentes às minudências da solidariedade para com os seus camaradas. Neste caso, a João Ubaldo Ribeiro. Que abstrusos critérios levaram alguém do Jumbo a apontar à execração o romance do brasileiro? Que conceito de "pornografia" possui o pequeno Torquemada de supermercado? E de que extraordinário poder dispõe, que iluminada noção de valores contém, com que espírito superior foi bafejado para assim atirar pedras a uma obra literária editada em numerosos idiomas? E, sobretudo, quem é ele? Esse "ele" não tem nome, como aqueles blogues que insultam, injuriam, mentem, caluniam com absoluta impunidade. Esse alguém, misterioso e, certamente, crudelíssimo, de olho feroz e ânimo comprometido com as trevas, usa uma "agência de comunicação" para revelar as suas tristes decisões. Não dá a cara: é um esboço de pessoa, um ser vago, estéril, arfante de gozo como todo o censor que se preza. O romance foi proibido no supermercado e - insisto - que fizeram os nossos desenvoltos "intelectuais"? Limitaram-se ao silêncio que tem sido a capa da cobardia na qual se envolvem. Nelson de Matos, o editor, diz que tem recebido solidariedade de "gente grada". Ninguém sabe, ninguém viu, como se canta no samba. Essa "gente grada" também não tem nome? Protesta por sussurro? Telefona-se com cauta indignação e voz baixinha? Então, e a APE, e a SPA, também andam meio aladas? Ao longo dos últimos vinte anos temos assistido à mais vil das demissões daqueles que deveriam arriscar o ónus da sua pretendida importância. Habita, neste mutismo miseravelmente defensivo, uma viscosa e esgueirada indignidade. Claro que é uma imprudência, um perigo, um desafio alguém afrontar os poderes que se constituíram como as estruturas da sociedade. Porém, há ocasiões em que os "intelectuais" têm de estar à altura das circunstâncias - as próprias e as históricas.

TODOS OS PROFESSORES PASSAM A REGIME DE CONTRATADOS

1. O Governo de Sócrates escolheu como alvo os funcionários públicos. Face à resistência dos médicos, um dos cinco maiores grupos profissionais a trabalhar para o Estado, optou por seleccionar os professores como bodes expiatórios do défice público e dos males da sociedade. A escolha dos professores obedeceu a três critérios: os professores são mais fracos do que os médicos, são o maior grupo profissional do país e podem ser mais facilmente apontados como os culpados da falta de qualificações dos portugueses. E essa acusação agrada a muita gente. É como deitar fogo a uma casa e chamar os bombeiros e acusar de desleixo o proprietário da casa. Sócrates e o resto da elite política que os acompanha sofre da síndrome do incendiário que chama os bombeiros. Professores com contrato a tempo Indeterminado (in blog Prof avaliação) 2. Não havia necessidade de desestabilizar ainda mais a vida de 140 mil professores mas o Governo do PS não se contentou com menos. No seu afã modernista, quis mostrar aos professores o verdadeiro significado das mudanças permanentes. JULGAVAM QUE O VíNCULO LABORAL LHES TRAZIA SEGURANçA? Enganaram-se. COM A LEI 12-A/2008, TODOS OS PROFESSORES DOS QUADROS ESCOLA (QE) E DE ZONA PEDAGóGICA (QZP) 3. O QUE É QUE ISTO QUER DIZER? - Quer dizer que PODEM SER DISPENSADOS SEMPRE QUE O POSTO DE TRABALHO TERMINE. - Por exemplo, UMA ESCOLA QUE FECHA OU UM CURSO QUE DESAPARECE. - A partir de agora ninguém pode sentir-se seguro. - OS DIRECTORES TÊM PODERES PARA DISTRIBUIR O SERVIçO E TODOS SABEM O QUE ISSO PODE SIGNIFICAR. - DE REPENTE, UM PROFESSOR MAIS INCÓMODO NãO CABE NOS MAPAS ANUAIS DE PESSOAL... (artigos 5º e 6º da Lei 12-A/2008). - Se a crise económica se agravar, o ministro das finanças e o ministro da educação podem muito bem querer "desfazer-se" de uns milhares de professores com o sólido argumento do combate à crise. E podem enviar esses professores para a mobilidade especial (alínea 8 do artigo 6º da Lei 12-/2008). E o professor, que dantes era do quadro de escola ou agrupamento, vê-se, de súbito, em casa com um corte de 30 ou 40% do vencimento. 4. A LEI 12-A/2008 [1] refere que, entre as condições necessárias para a cessação do vínculo (vulgo despedimento), figuram a extinção do posto de trabalho, indisponibilidade orçamental, integração no regime de mobilidade especial (caso não obtenha nova colocação no prazo de um ano) e inadaptação (o não cumprimento de objectivos, é uma das situações constantes da). 5. E não se diga que os professores com contrato por tempo indeterminado conservam a segurança no trabalho. O ponto 3 do artigo 33º da Lei 12-A/2009 é explícito quanto a isso: E QUOTA;3 - QUANDO O CONTRATO POR TEMPO INDETERMINADO DEVA CESSAR POR DESPEDIMENTO COLECTIVO OU POR DESPEDIMENTO POR EXTINçãO DO POSTO DE TRABALHO, A IDENTIFICAçãO DOS TRABALHADORES RELATIVAMENTE AOS QUAIS TAL CESSAçãO DEVA PRODUZIR EFEITOS OPERA-SE POR APLICAçãO DOS PROCEDIMENTOS PREVISTOS NA LEI EM CASO DE REORGANIZAÇÃO DE SERVIÇOS E QUOTAS;. Ligações: http://www.dgap.gov.pt/upload/Legis/2008_l_12_a_27_02.pdf

quarta-feira, 6 de maio de 2009

COISAS QUE A VIDA ENSINA DEPOIS DOS 40

Amor não se implora, não se pede, não se espera... Amor se vive, ou não. Ciúmes é um sentimento inútil. Não torna ninguém fiel a você. Animais são anjos disfarçados, mandados à terra por Deus para mostrar ao homem o que é fidelidade. Crianças aprendem com aquilo que você faz, não com o que você diz. As pessoas que falam dos outros pra você, vão falar de você para os outros. Perdoar e esquecer nos torna mais jovens. Água é um santo remédio. Deus inventou o choro para o homem não explodir. Ausência de regras é uma regra que depende do bom senso. Não existe comida ruim, existe comida mal temperada. A criatividade caminha junto com a falta de grana. Ser autêntico é a melhor e única forma de agradar. Amigos de verdade nunca te abandonam. O carinho é a melhor arma contra o ódio. As diferenças tornam a vida mais bonita e colorida. Deus é o maior poeta de todos os tempos. A música é a sobremesa da vida. Acreditar, não faz de ninguém um tolo. Tolo é quem mente. Filhos são presentes raros. De tudo, o que fica é o seu nome e as lembranças acerca de suas ações. Obrigado, desculpa, por favor, são palavras mágicas, chaves que abrem portas para uma vida melhor. O amor... Ah, o amor... O amor quebra barreiras, une facções, destrói preconceitos, cura doenças... Não há vida decente sem amor! E é certo, quem ama, é muito amado. E vive a vida mais alegremente... © Artur da Távola - 1936/2008

A CURVA DO SUCESSO

terça-feira, 5 de maio de 2009

GRUPO CARLYLE - A BASE DA PIRÂMIDE DO PODER MUNDIAL

O Grupo Carlyle representa a base da pirâmide de poder mundial, que tem no seu topo o selecto grupo da sociedade secreta anglo-saxónica, Skull & Bones. No patamar de baixo encontra-se o Grupo Bilderberg. Este, mais alargado e incluindo no seu seio, indivíduos representativos de várias nacionalidades e Finalmente, o grupo Carlyle. Este grupo económico nasceu com 5 milhões de dólares, nos salões do palácio nova-iorquino do mesmo nome, por um grupo de quatro juristas, com preocupações de fuga aos impostos através de empresas no Alaska. O grupo vegeta até Janeiro de 1989, quando chega à sua direcção o homem que inventará o sistema Carlyle: Frank Carlucci. O Grupo Carlyle é a maior sociedade de investimentos privada do mundo, com sede nos E.U.A., gerindo cerca de 18 mil milhões de dólares de investimentos em diferentes sociedades de armamento, de telecomunicações, de construção civil e de laboratórios farmacêuticos, entre outras, repartida por 253 grandes empresas em todos os continentes. As quatro mais importantes companhias do grupo são: EMPI, Inc. Tem como actividade principal a indústria de medicamentos, da biologia e de produtos médicos; MEDPOINT, Inc.. Ligada às actividades do sector médico e produção de preservativos; UNITED DEFENSE INDUSTRIES, Inc.; fabricação de mísseis, de tanques e veículos blindados (Bradley) para o exército americano e para exportação; UNITED STATES MARINE REPAIR, que se dedica à construção naval de vasos de guerra não nucleares e outras. Estas são, as maiores fornecedoras do Pentágono. O Grupo Carlyle tem como seu presidente honorário o já referido Frank Carlucci, antigo embaixador americano em Portugal nos anos que se seguiram à Revolução de Abril de 1974 e posteriormente colocado em Washington como vice-director da C.I.A., agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique «por serviços relevantes prestados a Portugal, e no estrangeiro». A comenda foi-lhe entregue nos E.U.A. pelo proponente da mesma, Santana Lopes, quando da sua recente visita a esse país. O presidente do grupo para a Europa é o ex-primeiro ministro britânico, John Major, elemento do Grupo Bilderberg. O presidente executivo do grupo é Louis Gestner, que na década de 90 se tornou presidente da IBM e pertence igualmente ao mesmo grupo. Na Europa, este conglomerado apresenta-se sob a denominação de Carlyle Europe Partners II, L.P. e encontra-se representado em Espanha, França, Itália, Alemanha, Reino Unido e Portugal, sendo seu representante máximo no nosso país, Martins da Cruz. Ligado directamente ao grupo esteve a empresa Euroamer, cujo presidente do conselho de administração foi Artur Albarran, que nos anos do PREC fez parte do PRP/BR e nessa qualidade, membro do bando que assaltou e pilhou a embaixada de Espanha em Lisboa, estragos pelos quais, Portugal teve de pagar ao dinheiro da época, um milhão de contos. Já nessa altura estaria ligado à C.I.A., tal como hoje. Há poucos anos atrás, a CGD consorciou-se com o BES, no aconselhamento financeiro do Grupo Carlyle representado em Portugal: leia-se: financiamento, constituindo o consórcio Luso-Oil, liderado pelo Grupo Carlyle, com uma participação de 60%. Integram também este consórcio os grupos portugueses Espírito Santo, Amorim Investimentos e Participações, Fomentinvest, Fundação Oriente, IP Holding e Olinvest SGPS. As famílias Bush e James Baker, são ambas participantes no Grupo Carlyle, grupo este, que por sua vez, tem ligações financeiras à família real saudita. Em 2001, a família Bin Laden retirou 2 mil milhões de dólares de investimentos na Sociedade Carlyle Grup, segundo um anúncio de página inteira publicado em 27 de Setembro desse ano, no Wall Street Journal. Pormenor curioso: em 14 de Julho desse mesmo ano, Bin Laden esteve internado no hospital militar americano do Dubai, para uma operação aos rins, tendo recebido a visita da sua família e de… um alto responsável da C.I.A. . Até Outubro de 2003 e durante dez anos, George Bush pai ocupou um cargo de conselheiro da Carlyle. Foi a primeira vez na história dos E.U.A. que um antigo presidente trabalhou para um fornecedor do pentágono. Já em Fevereiro de 1990 o mesmo grupo havia dado emprego ao actual inquilino da Casa Branca, numa altura em que o pai ocupava as funções de chefe da nação. A colecção de personagens influentes que trabalham, trabalharam ou investiram no grupo, é impressionante. Nela podemos encontrar entre outros: Fidel Ramos, antigo presidente filipino, Park Pae Joon, antigo primeiro-ministro da Coreia do Sul, o príncipe saudita Al-Walid, Colin Powel, actual secretário de Estado para a Defesa, Richard Darman, antigo director do Orçamento da Casa Branca, o multimilionário George Soros e membros da família Bin Laden. A esta lista pode-se ainda acrescentar Alice Albrigth, filha de Madeleine Albrigth, antiga secretária de Estado, Arthur Lewitt, antigo presidente da SEC (a polícia da Wall Street), William Kennard, ex-patrão da autoridade para as telecomunicações (FCC), a que podemos juntar alguns europeus como Karl Otto Pohl, antigo presidente do Bundersbank, o falecido Henti Martre, que foi presidente da Aerospatiale e, Etienne Davignon, antigo presidente da Générale na Bélgica.Eis pois, em linhas gerais, a base da estrutura da colossal pirâmide económica e política mundiais.  

PMP

NÓS POR CÁ... TAMBÉM...

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CONVERSAS FÚTEIS

CENA D Tinham circulado vários emissários imbuídos da nobre e delicada missão de agregar a máxima representação popular no dia da entrega dos Diplomas. Tentava-se diluir a convicção de que o povo aproveitava estas deslocações do Chefe Supremo da Governação para denunciar a revolta pelas medidas que iam atrofiando e desbaratando o seu parco património. Em verdade, já quase nada restava que pudesse alimentar o corpo e a alma desta gente. Fechara o Centro de Saúde, a Maternidade e o Hospital deixara de ter as valências correspondentes às necessidades da população residente. Até o Pároco fora transferido para outra paróquia de maior dimensão. Era a desertificação a querer tomar conta da terra. A indignação grassava, mas o medo do Futuro fazia calar algumas vozes perdulárias. A sala polivalente fora engalanada e a presença das mais altas figuras locais requisitada para a cerimónia: A Delegada da Educação, o Senador da Cultura, o Chefe dos Bombeiros, o representante dos Eruditos, o Comandante do Quartel, o Presidente da Casa do Povo, o Comendador mais comendado, bem como as mais distintas senhoras do corte – e - costura local. Comandando este séquito de tão importantes gentes insinuavam-se em primeiro plano o Presidente do Concelho precedido pela arregimentada Governadora Distrital. Revoltada com a falta das luzes da ribalta que a catapultavam como “prima donna” na boca de cena dos seus domínios territoriais, esta insigne Distrital Governadora não se contém, começando a vociferar em surdina, quando aparece a prestimosa e poderosa Chefe da Educação Nacional: - Mas que grande falta de gosto tem esta senhora. Veste sempre pronto-a-vestir démodé e nem sequer prêt-à-porter como um “BCBG”, ao bom estilo intelectual raffiné. Eu seria indubitavelmente uma óptima Chefe Educativa, muito melhor que ela. Comigo a Reforma seria total! - Que dizeis, minha amiga? – questiona o Presidente do Concelho. - Analisava o seu bigode farfalhudo que lhe empresta um ar singular, original. O amigo destaca-se no meio desta assembleia de governantes. A sua figura merece outros horizontes porque, além do seu indelével carisma, sente-se que este concelho é muito pequeno para a sua grandeza. - Claro! Eu tenho consciência disso, pelo que conto com a sua ajuda e fidelidade na composição e votação das listas para a Assembleia Parlamentar que serão organizadas nas próximas reuniões distritais da nossa grande Corporação. As eleições já estão na agenda. Este ano são apenas três altos momentos decisivos para nós . Mas a amiga está ravissante ! Quais são os seus planos? - O Chefe Supremo tem projectos para mim. Na Assembleia Geral de Sócios colocou-me no palanque e já me segredou que a recompensa vai chegar. Devo manter-me elegante, fiel e disponível para o combate, seguindo apenas o seu exemplo. - Realmente o Chefe é um ícone de elegância tal como a minha amiga. Acredito que se veste lá fora e usa cá dentro, com muita distinção. Olhe que a pasta da Educação assentava-lhe muito bem. - Era o que eu estava a pensar, não só pelo meu passado experiente nessa área, mas também porque esta nossa correligionária está totalmente desacreditada. - Tem toda a razão. Nós militámos há muito tempo e conhecemos bem o sistema. Ela já não traz votos nem qualquer mais-valia à nossa Corporação. Assume-se como independente, embora devote uma imaculada fidelidade ao Grande Chefe. Até a actual líder da oposição teve menos inimigos, quando exerceu esse mesmo cargo, apesar de lhe ter sido atribuído o cognome de “a de má memória”. - Recordo ainda esse mau mandato. Era uma governante irredutível e de mão pesada. Apresentava também uma falta de interesse pela imagem. Creio que a minha presença revolucionaria a Educação e solidificaria as bases do verdadeiro Sistema Educativo, lançando novas oportunidades que não estas, circunscritas a estes meros e vazios Diplomas. - Acredito, cara colega. A cidadania ganharia um novo estatuto (re)vestido com novos e coloridos padrões. Enfim, sob a sua preclara mundividência, a Educação reestruturaria o tecido nacional com mais empenho e labor, adaptando-o ao devir contínuo da imagem e gerando uma outra visão educativa. Ficaríamos todos mais ilustráveis com diferentes e renovadas apresentações. Conto consigo! MJVS

segunda-feira, 4 de maio de 2009

URGENTE: - FIM DO LIVRE ACESSO À INTERNET

Para seu próprio bem leia até ao fim e tome providencias VOTAÇÃO NO PARLAMENTO EUROPEU NO DIA 5 DE MAIO DE 2009 Não deixe que o parlamento europeu lhe feche a internet... não haverá volta atrás! Aja agora! O acesso à internet não é condicional Todos os que têm um site, blog bem como todos aqueles que usam o Google ou o Skype, todos aqueles que gostam de expressar as suas opiniões livremente, investigarem do modo que entendem seja para questões pessoais, profissionais ou académicas, todos os que fazem compras online, fazem amigos online, ouvem música ou vêm videos... Milhões de europeus dependem da internet quer seja directa ou indirectamente no seu estilo de vida. Tirá-la, limitá-la, restringi-la ou condicioná-la, terá um impacto directo naquilo que fazemos. E se um pequeno negócio depender da internet para sobreviver, torná-la inacessível num período de crise como o que vivemos não pode ser bom. Pois a internet que conhecemos está em vias de extinção através das novas regras que a União Europeia quer propôr no final de Abril. Segundo estas leis, os provedores de serviço, ou seja as empresas que nos fornecem a internet, PT, Zon, Clix entre muitas outras, vão poder legalmente limitar o número de websites que visitamos, além de nos poderem limitar o uso ou subscrição de quaisquer serviços que queiramos de algum site. As pessoas passarão a ter uma espécie pacotes de internet parecidos com os da actual televisão. Será publicitada com muitos "novos serviços" mas estes serão exclusivamente controlados pelo fornecedor de internet, e com opções de acesso a sites altamente restringidas. Isto significa que a internet sera empacotada e a sua capacidade de aceder e colocar conteúdo será severamente restringida. Criará pacotes de acessibilidade na internet, que não se adequam ao uso actual que damos à internet hoje. A razão é simples... Hoje a internet permite trocas entre pessoas que não são controladas ou promovidas pelo intermediário (o estado ou uma grande empresa), e esta situação melhora de facto a vida das pessoas mas força as grandes corporações a perderem poder, controle e lucros. E é por isso que estas empresas forçam os políticos "amigos" a agirem perante esta situação. A desculpa é a pirataria de filmes e música, mas as verdadeiras vítimas seremos todos nós, a democracia e a independência cultural e informativa do cidadão. Recentemente, vieram com a ideia que a pirataria de vídeos e música promove o terrorismo para que seja impensável ao cidadão comum não estar de acordo com as novas regras... (http://diario.iol.pt/tecnologia/mapinet-internet-pirataria-terrorismo-crime-tvi24/1058509-4069.html ) Pense no modo como usa a internet! Que significaria caso a sua liberdade de escolha lhe fosse retirada? Hoje em dia, a internet é sobre a vida e liberdade. É sobre fazer compras online, reservar bilhetes de cinema, férias, aprendermos coisas novas, procurar emprego, acedermos ao nosso banco e fazermos comércio. Mas é também sobre coisas divertidas como namorar, conversar, convidar amigos, ouvir música, ver humor, ou mesmo ter uma segunda vida. Ela ajuda-nos a expressarmo-nos, inovarmos, colaborarmos, partilharmos, ajuda-nos a ter novas ideias e a prosperar... tudo sem a ajuda de intermediários. Mas com estas novas regras, os fornecedores de internet escolherão onde faremos tudo isso, se é que nos deixarão fazer. Caso os sites que visitamos, ou que nós criámos não estejam incluídos nesses pacotes oferecidos por estas empresas, ninguém os poderá encontrar. Se somos donos de um site ou de um blog e não formos ricos ou tivermos amigos poderosos, teremos de fechar. Só os grandes prevalecerão, com a desculpa de que os pequenos não geram tráfego suficiente para justificar serem incluídos no pacote. Continuaremos a ter a Amazon, a Fnac ou o site das finanças, mas poucos mais. Os telefonemas gratuitos pela internet decerto que acabarão ( como já se passa nalguns países da Europa) e os pequenos negócios e grupos de discussão desaparecerão, sobretudo aqueles que mais interessam, os que podem e querem partilhar a sua sabedoria gratuitamente com o mundo. Se nada fizermos perderemos quase de certeza a nossa liberdade e uso livre da internet. A proposta no Parlamento Europeu arrisca o nosso futuro porque está prestes a tornar-se lei, uma lei quase impossível de reverter. Muitas pessoas, incluíndo deputados do Parlamento Europeu que a vão votar positivamente, não fazem a menor ideia do que isto pode querer dizer, nem se apercebem das implicações brutais que estas regras terão na economia, sociedade e liberdade. Estas medidas vêm embrulhadas numa coisa chamada "Pacote das Telecom´s" disfarçando estas leis de algo que apenas é relativo à indústria das telecomunicações. Mas na verdade, tudo não passa de regras sobre o uso futuro da internet. A liberdade está a ser riscada do mapa. Nestas leis propostas, estão incluídas regras que obrigam as Telecoms a informaram os cidadãos das condições em que o acesso à internet é fornecido. Parece ser uma coisa boa, em nome da transparência, mas não passa de uma diversão para poderem afirmar que podem limitar o nosso acesso à liberdade na internet, apenas terão é que informar-nos disso. O futuro da internet está em jogo e precisamos de agir já para o salvar. Diga ao Parlamento Europeu que não quer que estas alterações sejam votadas. Lembre-os que as eleições europeias são em Junho e que a internet ainda nos dá alguma liberdade para que possamos observar e julgar os seus actos no Parlamento. Saiba que não está sozinho(a) nesta luta... Enquanto lê isto, centenas e centenas de outras organizações estão a trabalhar para que esta mensagem chegue a quem de direito. Milhares de pessoas estão também a contactar os seus deputados neste sentido. Ajude-se a si mesmo, colabore e faça o que pode por esta causa... A internet é tão sua como deles... Divulgue esta mensagem o mais que possa... Pode também escrever aos seus deputados... Estes são os nossos deputados no Parlamento Europeu: http://pt.wikipedia.org/wiki/Deputados_de_Portugal_no_Parlamento_Europeu_(2004-2009) ou http://www.europarl.europa.eu/members/expert/groupAndCountry/search.do;jsessionid=69ADF04943C000194117E9C7032EEC31.node1?country=PT&language=PT Para mais informações sobre a lei: http://www.laquadrature.net/en/telecoms-package-towards-a-bad-compromise-on-net-discrimination http://www.laquadrature.net/wiki/Telecoms_Package http://en.wikipedia.org/wiki/Telecoms_Package http://www.blackouteurope.eu/