domingo, 17 de julho de 2016

O PERIGO DA DITADURA «DEMOCRÁTICA» TURCA PARA A PAZ MUNDIAL

                                                                                                                        Por Pedro Manuel Pereira

A visão simplista de que «a democracia venceu», propalada por criaturas auto-intituladas especialistas, dada a derrota do golpe militar na Turquia, mostra-nos gentalha com acesso ao palco da comunicação social a botar bacoradas pela boca fora, o que é extremamente preocupante dada a desinformação que expelem para os auditórios, fazendo crer aos espectadores e aos ouvintes que aquilo que proferem é verdade.
Eles são os papagaios televisivos, mais os escribas mercenários…
Da carta que os militares insurretos pediram que fosse divulgada pela televisão estatal, emergem algumas pistas sobre as reais motivações que conduziram os militares a uma (talvez…) derradeira tentativa para desapear do poder totalitário o ditador Erdogan, que a partir de agora, reprimidos os militares e detidos centenas de magistrados, vai transformar a Turquia numa teocracia islâmica1.
O ditador foi eleito presidente em 2015, em eleições que a comunidade internacional e a oposição classificaram de fraudulentas. 
Ressabiado com os resultados do escrutínio no qual perdeu a maioria no parlamento turco, Erdogan à revelia  da lei e dos mais elementares princípios democráticos, mandou alterar a constituição de molde a aumentar os seus poderes, reduzindo o papel do poder legislativo a pouco mais do que figurativo2.
O ditador Erdogan (que foi primeiro-ministro entre 2003-2014 e actualmente é presidente) tem vindo de forma progressiva e sistemática a transformar o que era até há pouco uma democracia secular numa república islâmica.
Só para se ter uma pálida ideia da sua acção, nos anos em foi 1º ministro foram construídas  no país 17000 mesquitas e mercê de uma reforma educacional ordenada por si foi incluído o ensino religioso islâmico nos planos curriculares do ensino.
O facto da Rússia ter entrado no conflito sírio, deu origem a uma forte tensão com a Turquia, sobretudo quando os russos denunciaram a descoberta das conexões entre o governo de Erdogan e o «Estado Islâmico» e, a participação da família do ditador capitaneada pelo seu filho no negócio da compra de petróleo ao EI, crude esse saqueado pela referida matilha islâmica nos territórios dos países por ela ocupados.
O auge da tensão sucedeu quando um caça russo dos que bombardeavam as colunas de camiões auto-tanques de petróleo do EI foi abatido pelas forças turcas.
Quanto à tentativa frustrada de golpe dos militares revoltosos, só pode ter sido executada com o conhecimento do próprio Erdogan, quer por ordem directa ou por omissão, sabendo-se que os mesmos não conseguiriam levar até ao fim a sua missão e vir a ser facilmente derrotados de forma a propiciar uma mais ampla margem de manobra ao ditador para poder incrementar definitivamente os mecanismos de concentração de poder nas suas garras.
Dada a situação criada, a democracia turca levou o que aparente ter sido uma machadada final. A partir de agora e caso não venha a suceder novo golpe militar (que se aparenta improvável) que ponha fim ao regime do ditador, a Europa pode contar com um pujante estado islâmico à sua porta, sendo que a Turquia é a segunda maior potência militar da NATO no continente, o que não deve deixar tranquilos os restantes membros desta aliança militar, pelo menos os que têm consciência...
O movimento por detrás desse acto de terror e provocação fascista a que o mundo assistiu por estes dias até à náusea nas têvês, foi cozinhado por Erdogan e pelo seu agrupamento político, o AKP (Partido Justiça e Desenvolvimento), partido islâmico, num esforço para prorrogar o seu mandato. Este governo belicista apoiado pelo MIT (serviço de inteligência militar turco), não obstante ter tido sob vigilância os responsáveis pelos atentados em Diyarbakir, em 5 de Junho, e Suruç, em 20 de Julho, optou por nada fazer, uma vez que o objectivo dos referidos massacres foi o de inculcar uma política de medo e até de terror no seio do povo turco, com o fim do governo do ditador controlar ferreamente os seus cidadãos.  
Entretanto, Erdogan continua a insistir na sua política de intervenção no conflito da Síria apoiando o Estado Islâmico e o Al-Nusra, encerrando «à martelada» o processo de negociações da questão curda, incrementando a escalada do conflito bélico através do estabelecimento de toques de recolher e no aumento de áreas de excepção e intervenções militares em cidades curdas, conduzindo a Turquia para um clima de guerra crescente.
Os ataques produzidos nestas regiões são levados a cabo não só pelas forças militares às ordens do ditador, mas igualmente por grupos de terroristas armados pelo MIT (serviço de inteligência militar turco).
O perigo do breve alastramanto do conflito bélico à escala regional e até mundial, é quase uma realidade, uma ameaça a considerar à paz mundial que já não é muita, diga-se em abono da verdade.
Notas
1.De acordo com o ditador, numa entrevista que deu em 30 de maio deste ano, disse que nenhuma família muçulmana pode aceitar o planeamento familiar. Erdogan sugeriu que as mulheres servem apenas para produzir crianças, e quatro será o número ideal
http://www.telegraph.co.uk/news/2016/05/30/family-planning-not-for-muslims-says-turkeys-president-erdogan/?cid=sf27262899+sf27262899
2.«O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, utilizou o sistema usado pelo ditador nazi Adolf Hitler na Alemanha como exemplo de governo, segundo noticiou hoje o Today's Zaman. "Há exemplos no mundo. Também há exemplos do passado. Se olharmos para a Alemanha de Hitler podemos ver", respondeu o chefe do Estado turco numa conferência de imprensa que deu após o seu regresso de uma viagem que realizou à Arábia Saudita. Erdogan, que quer ver o seu cargo reforçado com poderes executivos».




terça-feira, 6 de outubro de 2015

O NASCIMENTO E MORTE DAS COMUNIDADES EUROPEIAS


(Ontem, tal como hoje, salvo os devidos contextos, é claro...)

Por Pedro Manuel Pereira


A ideia de unidade europeia remonta à Antiguidade Clássica.
Assim, a primeira «comunidade europeia» teve origem em Roma. No seu apogeu, os territórios do Império Romano abarcavam toda a Europa, incluindo aqueles que são hoje países de Leste e ainda uma vasta região do norte de África, incluindo a atual Líbia, Síria…
O Império possuía como principais elementos unificadores o imperador; uma capital política e administrativa (todos os caminhos vão dar a Roma…); um corpo de leis fundamentais (Direito Romano); uma moeda única (sestércio – moeda de prata cunhada em Roma); uma língua unificadora (o latim); uma religião do Estado (cristã, a partir de Constantino); exército; organização urbana; milhares de quilómetros de estradas calcetadas entre as várias regiões do Império, e outros.
A partir de uma dada altura o Império cinde-se em dois: o do Ocidente, com capital em Roma e o do Oriente com capital em Constantinopla, que irá resistir até ao ano de 1493.
Alguns dos fatores decisivos para a queda do Império Romano do Ocidente foram a vastidão dos seus territórios e a pesada máquina burocrática, o que impossibilitava o controlo eficaz e total das suas fronteiras.
Para sua desgraça, aconteceu que os povos oriundos de uma das franjas do império (a Germânia), aproveitando as crescentes debilidades internas do mesmo decidiram pelas migrações para os territórios de Roma e envolventes.
A defesa dos ataques dos povos bárbaros contra o Ocidente não teve como justa resposta uma ação coordenada diante de um inimigo comum. Agravando este dramático cenário, a parte oriental do Império Romano, com base em Constantinopla usava meios diplomáticos e outros expedientes para encaminhar esses povos para o Ocidente...
Parte superior do formulárioDesde o tempo de Teodósio (378-395), que a pressão germânica sobre o Ocidente não parava de crescer. Naturalmente que para fazer face às ameaças externas, Roma viu-se na contingência de aumentar a arrecadação de impostos (a chamada carga fiscal) para suportar as crescentes despesas com a sua defesa.
As ondas migratórias dos povos bárbaros do norte da Europa e de regiões da Ásia em direção a Roma, provocadas por alterações climáticas e outros fatores associados, forçavam o Império a repelir os invasores e a mobilizar progressiva e exponencialmente cada vez mais contingentes do exército para a defesa do seu centro, que era a cidade de Roma.
A médio prazo, o peso crescente da situação tornou-se insustentável, minando paulatinamente a região ocidental do Império, com a consequente desagregação e desmantelamento dos setores produtivos e administrativos dos territórios.
O processo de declínio do Império Romano do Ocidente começou em meados do século IV d.C., devido a problemas como as invasões bárbaras, a crise económica aliada a uma pesada máquina burocrática, à disputa e confrontos dos militares entre si pelo poder e outros que vinham minando as suas estruturas.
A desintegração interna do Império Romano do Ocidente contribuiu decisivamente para o êxito dos ataques e invasões dos povos germânicos. O primeiro ataque e saque ao coração do Império (Roma) foi efetuado pelo rei germânico Alarico em 410.
Posteriormente, em 476, foi com relativa facilidade que Odoacro, rei da tribo germânica dos hérulos se apossou de Roma juntamente com um grupo de bárbaros godos que serviam como mercenários em Roma, depondo o imperador Rómulo Augusto, pondo assim fim ao Império Romano do Ocidente.
A partir desta data iniciou-se um novo período na história da Europa: a Idade Média.
A segunda «Comunidade Europeia» nasceu com Carlos Magno, rei dos francos desde 768. Feito rei dos lombardos em 774, foi coroado Imperador do Ocidente (Imperator Augustus) em Roma pelo Papa Leão III em 25 de dezembro de 800, trono que deteve até à sua morte em 814. Com a sua coroação, a Igreja católica teve como objetivo fazer renascer o Império Romano do Ocidente e, ao mesmo tempo, unificar a Europa sob o comando de um monarca cristão.
Dadas as várias conquistas de territórios tendentes à unificação europeia (fixada a capital em Aix-la-Chapelle) e às reformas internas que empreendeu, Carlos Magno ajudou a definir o espaço da Europa Ocidental (região central e parte da atual Espanha) e fundou o Sacro Império Romano-Germânico, em cujo apogeu dominou um território com 1.112.000 km² e uma população que variou ao longo dos anos entre 10 a 20 milhões de pessoas.
Carlos Magno destacou-se pelas conquistas militares e pela organização administrativa implantada nos territórios sob o seu domínio.
Como marcas distintivas e fatores de unidade, este soberano promoveu a área cultural, educacional e administrativa. O Imperador preocupou-se sobretudo em preservar a cultura greco-romana; investiu na construção de escolas; criou um novo sistema monetário e estimulou o desenvolvimento das artes. Este período histórico é conhecido como «Renascimento Carolíngio». 
Após a morte do imperador, o seu filho não conseguiu consolidar a unidade e o Império Carolíngio desmoronou-se, transformando a Europa numa manta de retalhos lutando entre si, sem que de entre os seus territórios houvesse um soberano com força e prestígio suficientes para conseguir impor-se aos restantes.
Ao longo dos séculos e até durante o Renascimento, vários príncipes encetaram sem sucesso formas hegemónicas de unificação do espaço europeu.
É neste contexto que em 1493, com a queda do Império Romano do Oriente, a herança irá ser reclamada pelo soberano da Rússia. Não obstante, sem sucesso.
De então e até ao século XVIII nenhum outro soberano da Europa tentará assumir-se como Imperador. No entanto, o Império não era mais do que uma miragem, pois na verdade a Europa continuava dividida e em constantes lutas fratricidas.
Por este tempo a ideia de Império havia-se transmutado em moldes espirituais: a Respublica Cristiana, submetida à autoridade pontifícia, que viria a ser quebrada com a Revolução Francesa em finais desse século (1789).
Robespierre, embora considerando o ateísmo antirrevolucionário, instituiu o culto do Supremo Arquiteto do Universo, substituindo-o em lugar do nome de Deus. A Igreja Católica deixava assim de constituir religião oficial do Estado.
Em consequência, Napoleão faz-se sagrar e proclamar imperador do Ocidente, obrigando Francisco II da Prússia a abdicar da coroa imperial alemã em 1806. Finava-se assim, o Sacro Império Romano da Nação Germânica que havia tido uma linha de continuidade desde Otão I, em 962.
No meio das tormentas, das guerras entre os territórios europeus durante séculos após Carlos Magno, a extensão territorial deste Império variou ao longo da sua história, tendo englobado regiões que hoje constituem a Alemanha, Áustria, Suíça, Liechtenstein, Luxemburgo, República Checa, Eslovénia, Bélgica, Países Baixos, Polónia, França e Itália, constituído por centenas de pequenos reinos, principados, ducados, condados, etc., sem no entanto incluir nos seus domínios a cidade de Roma e os seus territórios.
O novo regime saído da Revolução francesa cria o conceito de Grande Nação, tendo por base a autonomia dos povos que escolhessem a sua Constituição. Ou seja, um embrião de «comunidade europeia».
Uma série de nações, a começar pela Bélgica, por deliberação dos seus povos aderem à Nação francesa. Posteriormente este país irá tentar impor a perpetuação dessa união.
Entretanto, no contexto da Revolução, em 1800, no âmbito da reorganização da economia é criado o Banco de França a fim de controlar a emissão de moeda, que irá reduzir a inflação. Quanto à Religião, a mesma vai ser usada como instrumento do poder político. Neste sentido, Napoleão assina em 1801 um Tratado entre a Igreja Católica e o Estado (com a aprovação do Papa), de acordo com o qual o governo francês passava a ter o poder de confiscar as propriedades da Igreja e em troca o governo teria de apoiar o clero. Napoleão reconhecia o catolicismo como a religião da maioria dos franceses, reservava-se no entanto o direito de escolher bispos, que mais tarde seriam aprovados pelo papa. 
Na área do Direito foi criado o Código Napoleónico, um Código Civil, representando em grande parte os interesses da burguesia, tais como o casamento civil (separado do religioso); o respeito pela propriedade privada; o direito à liberdade individual e a igualdade de todos perante à lei, entre outros. Ao Código Civil seguiram-se o Código Comercial e o Código Penal.
Quanto à Educação, o ensino foi restaurado com enfoque na formação integral do cidadão francês no contexto revolucionário. A educação pública foi reconhecida como um importante meio de formação dos cidadãos, principalmente quanto ao comportamento moral, político e social.
Enquanto isso, no âmbito da administração pública, foram nomeadas pessoas da confiança de Napoleão para a chefia e os cargos administrativos.
Este modelo irá ser implantado (incluindo o Direito napoleónico) nos territórios ocupados durante o Império, que no seu auge (1812) com quase toda Europa Ocidental e grande parte da Oriental ocupadas, possuía 150 departamentos com 50 milhões de habitantes, quase um terço da população europeia da época, compreendendo a Espanha, Reino de Itália, Reino de Nápoles, Grão Ducado de Varsóvia, Córsega, Baviera, Confederação do Reno e Vestefália, para além do Reino de Portugal, Império Otomano, Sardenha e Sicília.
Foram características fundamentais deste período o desenvolvimento de uma política expansionista, baseada em conquistas territoriais, obtidas, principalmente, através das guerras napoleónicas; uma firme concentração política nas mãos de Napoleão; o apoio político da burguesia francesa ao regime e a divulgação dos princípios liberais franceses nos países conquistados, combatendo desta forma as estruturas políticas aristocráticas até então vigentes nos mesmos.
Esboçava-se assim, uma terceira «comunidade europeia».
Este período histórico teve início em 2 de dezembro de 1804 com a proclamação de Napoleão Bonaparte como imperador hereditário dos franceses, numa cerimónia de auto coroação realizada na catedral da Notre-Dame em Paris, sagrada pelo Papa e quase em simultâneo, a promulgação de uma nova Constituição.
Terminou em 18 de junho de 1815, após a sua derrota de na Batalha de Waterloo.
Curiosamente a ideia de unidade europeia irá fortalecer-se após o Congresso de Viena realizado em 1815, que reorganizou o mapa político da Europa antes traçado pelo imperador deposto.
Em 1834, Mazzini - um dos obreiros da unidade de Itália – falando em nome da «Jovem Itália», movimento libertador e unitário dos territórios desse que se veio a tornar um país, proclamou a sua fé na liberdade de cada nação, implícita no pacto de fraternidade firmado entre «jovens europeus», relativo aos povos libertados, que deveriam associar-se numa federação republicana.
Poucos anos passados, em 1843, Vítor Hugo defendeu a tese de um mundo em que cada cidadão viesse a ter por pátria o mundo e por nação a humanidade.
Na procura da síntese entre as aspirações democráticas e socialistas nascentes, este escritor fixou na sua obra «Os Miseráveis» o espírito da época ao referir que se caminhava para a união dos povos, para a unidade entre os homens, em que a civilização teria o seu cume na Europa. Porém, os nacionalismos e os colonialismos europeus irão subverter os ideais de Vítor Hugo e conduzir os seus povos para a 1ª Grande Guerra Mundial, e vinte anos após, para a 2ª Grande Guerra Mundial, ambas com efeitos devastadores, cujos efeitos se fazem sentir ainda nos tempos de hoje, na (mais uma vez) martirizada Europa.
Será no final deste segundo conflito bélico, em 1945, no quadro de um continente destroçado, que o 1º ministro britânico Winston Churchill irá incitar à união das nações europeias.
Serão os americanos que irão dar o pontapé de saída para este desafio, através do general George Marchall, o qual em 1947 propôs um plano de ajuda para a recuperação dos países afetados pela guerra, ajuda esta que os soviéticos e países satélites irão aceitar numa primeira fase, mas que em breve irão recusar, tal como o Portugal de Salazar.
O plano Marchall assentou numa linha de crédito e ajuda alimentar com a condição dos europeus criarem um organismo para gerir a crise. Dessa forma, em junho de 1947 nasce a OCDE, e tem início a «Guerra Fria» entre os países ocidentais e o Leste europeu.
Nesta sequência nascem movimentos federalistas europeus com expressão visível no Congresso Federal Europeu de Haia, realizado em 1948, dele saindo na União Europeia Ocidental (UEO), e em 1949 surge a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Posteriormente nasce o Conselho da Europa como movimento de solidariedade entre os Estados. Os ingleses recusam alinhar.
Este organismo com única competência no campo político procedeu em 1950 à publicação dos Direitos do Homem, a que Portugal só irá aderir em 1976.
Em 1950, os federalistas avançam pela via económica segundo o plano Schumann (ministro dos negócios estrangeiros francês), redigido por jean Monet, um comerciante, que será o promotor de arranque para a Comunidade Económica Europeia (CEE). O enunciado do plano propõe a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA). Organização relativa às matérias-primas fundamentais, que dessa forma passavam a ser controladas pelos países produtores aderentes, em especial a França e a Alemanha, nações historicamente rivais e beligerantes.
Assim, em 18 de abril de 1951 é assinado em Paris o tratado que institui a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA). Segue-se a Comunidade Económica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia da Energia Atómica (CEEA), tratados assinados em Roma em 25 de março de 1957.
Finalmente, a 17 e a 28 de fevereiro de 1986, no Luxemburgo e em Haia respetivamente, foi assinado o Ato Único Europeu (AUE).
Seguem-se o Tratado de Maastricht ou da União Europeia  (1992) que fundou a União Política e a União Económica e Monetária, ou seja, a Moeda Única (Euro), e outros tratados mais conducentes à consolidação da união política e monetária da CE, resultando na quarta «comunidade europeia».
Chegados a esta etapa da nossa história, voltamos ao início do tema, ou seja, à primeira «comunidade europeia».
Mau grado as distâncias cronológicas e contextos históricos, na verdade o conhecimento da História permite-nos entender o presente e perspetivar o futuro. Nesse sentido encontramos semelhanças entre os principais fatores que permitiram a coesão do Império Romano e os que conduziram ao seu desmembramento, com aspetos idênticos relativamente à coesão e aos inícios da desagregação da atual Comunidade Europeia.
Vejamos então.
FATORES DE UNIDADE DO IMPÉRIO ROMANO
. Capital política e administrativa – Roma;
. Corpo de leis fundamentais – Direito Romano;
. Moeda única – Sestércio;
. Rede de vias de comunicação entre todas as regiões do Império,
  com estradas calcetadas;
. Regiões demarcadas por tipos de produção;
. Administração municipal descentralizada.
FATORES DE DESAGREGAÇÃO DO IMPÉRIO ROMANO
. Vastidão dos seus territórios, com línguas e culturas diversas;
. Incapacidade física das legiões de mercenários para defenderem 
  de forma eficaz as suas fronteiras;
. Pesada máquina burocrática;
. Permanentes focos de revoltas de escravos;
. Invasão dos seus territórios pelos povos bárbaros, ou seja, os que
  não falavam latim nem eram cidadãos do Império;
. Grave e prolongada crise económica e social.
FATORES DE UNIDADE DA COMUNIDADE EUROPEIA
. Capital política e administrativa – Bruxelas;
. Corpo de leis fundamental – Direito Comunitário;
. Moeda única – Euro;
. Rede de vias de comunicação entre todos os Estados Comunitários,
  com autoestradas;
. Regiões demarcadas por tipos de produção;
. Administração municipal descentralizada.
FATORES DE DESAGREGAÇÃO DA COMUNIDADE EUROPEIA
. Vastidão dos seus territórios, com línguas e culturas diversas;
. Incapacidade física dos seus exércitos (assalariados voluntários, tal
  como os legionários romanos) para defenderem de forma eficaz
  as suas fronteiras;
. Pesada máquina burocrática;
. Invasão dos seus territórios pelos povos de países de além das suas
  fronteiras da CE;
. Grave e prolongada crise económica e social.
Os fatores de desagregação da Comunidade Europeia não se esgotam nos atrás enunciados. São mais vastos, complexos e em permanente atualização/acréscimo aos já existentes.
A crise económica ameaça tornar-se definitiva. Como autodefesa e à revelia dos tratados comunitários, alguns dos Estados da CE veem tomando medidas de preservação identitária e dos seus territórios/fronteiras; o permanente confronto entre as diretivas, o Direito Comunitário e as Constituições dos Estados membros, encontra-se numa contradição – aparentemente – insanável face aos objetivos últimos dos eurocratas, ou seja, a união política plena, dado que o primeiro objetivo já foi cumprido: a união monetária, a que raros países não aderiram, como a Grã-Bretanha.
Entretanto o euro mantem amarrado entre si com grilhetas como se fossem escravos, os países onde vigora o uso desta moeda artificial, arrastando os povos para a instabilidade laboral e social, com o consequente aumento exponencial de legiões de desempregados e alastramento da mancha de miséria.
A Rússia, a China e os países do Mercosul, enleados em reordenamentos geoestratégicos/económicos, mais as hordas de refugiados provenientes do inferno em que o Ocidente transformou a Líbia, Síria, Afeganistão e outros, invadindo de forma incontrolável os países da CE, constituem fatores decisivos para o inexorável desmantelamento da quarta «comunidade europeia».



terça-feira, 1 de setembro de 2015

A SAGA DOS FORAGIDOS E A ESTRATÉGIA DO EIXO ALEMÃO

Por Pedro Manuel Pereira

Num telejornal de uma destas noites, por mero acaso, vi uma criatura a perorar de cátedra sobre uma das vulgaridades que este espécime invertebrado regurgita amiúde para cima dos cidadãos sempre que lhe dão oportunidade de se empinar perante um auditório e uma câmara de têvê. A cena deu-se num acampamento de férias de verão de um clube político de jovens de um partido, os quais, inocentes criaturas, coitaditos, não conhecem da missa a metade sobre o dito barrosão (lembro-me agora que existe uma raça bovina transmontana chamada de barrosã…), o qual quando 1º ministro de Portugal, mancomunado com os senhores Blair, Aznar e o inenarrável Bush, numa famigerada cimeira na Base das Lages* acordaram a invasão e desmantelamento do Iraque porque esse país alegadamente «possuía armas de destruição maciça». Armas tinham, mas para destruição maciça é que não, só os americanos e os seus aliados.
Seguiu-se com chefe da Comunidade Europeia (ai a “democracia” da CE!…) a criatura Barroso, prenda que lhe foi ofertada pela quadrilha do Grupo Bilderberg, dado o apoio que este espécime deu aos seus patrões no macabro encontro das Lages.
Pouco tempo passado sucederam-se cenas de terror semelhantes às do Iraque, na Líbia e na Síria. Ou seja, a pretexto da «defesa dos direitos humanos», dos terroristas da Al-Qaeda do Bin Laden (ex-agente da CIA), de Muammar al-Gaddafi, de Bashar al-Assad, das bruxas, dos maus olhados e mais umas tretas sobre estes chefes ditadores/patifórios desses Estados e afins, os EUA e a Europa comunitária associados enviaram tropas e mercenários e espatifaram esses países soberanos, matando e estropiando centenas de milhar de pessoas, a maior parte delas cidadãos indefesos como crianças, jovens e idosos. Em suma: despoletaram o desmantelamento desses países e procederam a um verdadeiro genocídio humano que continua sem fim à vista.
Verdadeiras hordas de foragidos desses Estados, sobretudo da Síria e da Líbia, arribam todos os dias ao sul da Europa, deixando outros tantos naufragar, melhor dizendo, morrer pelo caminho.  
Pessoas desesperadas, temendo pelas suas vidas e dos seus familiares fogem das regiões devastadas pela guerra do Médio Oriente e Norte da África, enfrentando o que de pior pode suceder a um ser humano, numa travessia marítima em condições infra-humanas deixando para trás um cortejo de cadáveres à deriva no mar. Pessoas sem comida nem água amontoadas em condições sanitárias deploráveis; famílias com crianças pequenas forçadas a navegar ao sabor das ondas, primeiro, depois, centenas de quilómetros percorridos a pé por estes imigrantes maioritariamente indefesos para no fim terem como recompensa o enfrentamento com polícias artilhados com escudos, viseiras, cassetetes e gás lacrimogénio. 
Para completar o cenário, a Hungria, um país de trânsito na rota dos Balcãs Oeste, construiu uma barreira de proteção com bobinas de arame farpado numa extensão de 175 km com 3,5 metros de altura, junto da fronteira externa da União Europeia com a Sérvia.
Desde o princípio deste ano arribaram à Europa após este e outros tormentos, cerca de 400 000 migrantes e refugiados. De acordo com a ONU, só à Grécia aportaram cerca de 200 000 pessoas, e a Itália mais de 110 000.
Os destinos mais desejados por esta gente são a Alemanha, a Suécia e o Reino Unido. Porém, metade dos pedidos de asilo apresentados no primeiro trimestre de 2015 foram solicitados à Alemanha, o que representa 73 000 (40% do total), enquanto a Hungria recebeu 32 000 (18%), Itália 5 000 (8%), França 14 800 (8%), Suécia 11 400 (6%), Áustria 9 700 (5%) e Grã-Bretanha 7 300 (4%), de acordo com dados da ACNUR e da FRONTEX, que estão aquém da verdadeira dimensão da tragédia.
De acordo com a inteligência dos EUA, certamente que no meio das centenas de milhar de refugiados veem entre eles disfarçados, agentes do autodenominado «estado islâmico». Os militantes das organizações terroristas, nomeadamente do IE, tem medo de tentar viajar em aeronaves dadas as estritas normas de segurança, de forma que estão a usar os caminhos por terra como uma alternativa. Em seguida, a partir de onde entram no continente europeu, usam passaportes falsos para viajarem para outros países europeus.
Entretanto, as opiniões dos cidadãos comunitários dividem-se entre os que querem impedir a sua entrada e estada no continente europeu, e os que entendem que devem de ser todos integrados rapidamente. Só no caso da «caridosa» rombuda alemã, a madama Merkel, esta anunciou a disposição do seu país em acolher 800 000 refugiados, como se fosse uma grande humanista…
Por outro lado, o comum dos mortais em geral espanta-se pelo facto da Comunidade Europeia não tomar medidas concertadas face a este flagelo que ameaça a Europa do presente e o seu futuro próximo. A verdade porém, é que a quadrilha de dirigentes políticos da CE que gravitam em torno do Eixo alemão possui uma estratégia bem definida quanto a esta situação, que passa pela admissão de milhões de refugiados, muito deles com formações técnicas intermédias e superiores, a fim de paulatinamente os irem integrando como mão-de-obra barata em alternativa aos milhões de trabalhadores que vivem nos países comunitários, os quais auferem salários que a quadrilha entende terem de ser (ainda muito mais) reduzidos, como estratégia política para enfrentarem a crise económica, embaratecendo a mão-de-obra e os produtos para que a Europa compita nos mercados internacionais com as potências emergentes, nomeadamente as asiáticas, e por outro lado, de forma a inverter o ciclo da regressão da natalidade que afeta a CE.
Por outro lado os países comunitários enfermam de uma maleita grave: o envelhecimento da sua população. A maior parte dos países membros, em particular os do Norte europeu, necessitam de mais imigrantes para manter o nível de vida que conquistaram até ao presente. A esta grave situação soma-se mais outra: a origem do recrutamento de mão-de-obra barata deixou de estar nos países do sul da Europa (Grécia, Espanha, Itália e Portugal) países a braços com gravíssimas crises económicas e consequente fuga de gente – sobretudo jovem – para outras paragens, em especial fora do continente europeu (tirando o caso da Grã-Bretanha), gerando o mesmo tipo de problemas de que enfermam os países do Norte. Portugal encontra-se assim a braços com o envelhecimento acelerado da sua população por via da fuga de milhares de jovens para outros países em busca de sustento.
Neste contexto os modelos de integração havidos até recentemente deixaram de funcionar, e por outro lado atendendo à proveniência e identidades culturais e religiosas, os novos migrantes e foragidos dificilmente se identificam com a cultura dos países de acolhimento, assumindo na maior parte dos casos uma atitude de repulsa ou contestação para com os territórios e os cidadãos de acolhimento que irão resultar (já vão resultado…) em conflitos étnico/sociais que se irão agravar a breve prazo.
É evidente que nada disto sucede sem a conivência dos aliados da CE, os EUA. Aliás, de acordo com Pierre-Alain Depauw (http://www.medias-presse.info/), os EUA financiam a imigração maciça para a Europa, acusação feita recentemente por Vladimir Putin.
Assim, de acordo com afirmações feitas por um membro dos serviços de informações austríacos à revista Direkt, existem organizações americanas a pagar a passadores a fim de estes transportarem diariamente milhares de foragidos para o continente Europeu. 
Essa revista ouviu esse agente dos serviços de informações militares austríacos, dos österreichischen Abwerhamts, o qual explicou que os passadores pedem em média entre 7 a 14 mil euros para fazer com que os imigrados viagem ilegalmente para a Europa, de acordo com um plano geoestratégico norte-americano de inundar este continente com marés migratórias de gentes em fuga do países em guerra no Médio Oriente.
Ainda de acordo com o mesmo agente: «Dispomos de indicações a demonstrarem que organizações dos Estados Unidos criaram um sistema de cofinanciamento e contribuem de modo substancial para pagar os custos da viagem. A maior parte dos candidatos refugiados pagaria 11 mil euros em dinheiro sonante. Ninguém se pergunta de onde vem o dinheiro?». 
Em conclusão da sua entrevista à revista Direkt o agente acrescenta que reina um silenciamento completo por parte dos responsáveis sobre esta matéria, para que a opinião pública seja confundida e ignorante acerca desta matéria. 

* George W. Bush (EUA), Tony Blair (Reino Unido) e José Maria Aznar (Espanha), foram recebidos pelo então primeiro-ministro português, Durão Barroso, na tarde de 16 de Março de 2003, para uma cimeira na Base Aérea das Lages, nos Açores. Na madrugada de 20 desse mês (quatro dias após) teve início a intervenção militar no Iraque, com as consequências que se conhecem.

            


    

quarta-feira, 15 de outubro de 2014


SEITAS & COMPANHIA

Por Pedro Manuel Pereira

Desde os alvores da História da Humanidade que existem registos da atividade do Homem relativamente a ritos e práticas mágico/religiosas animistas.
Com a evolução das comunidades humanas - sobretudo com a sedentarização - ao longo dos tempos, a crença no transcendente como forma dos homens procurarem encontrar explicação para o inexplicável e arrimarem-se ao auxílio do inatingível para a labuta da sobrevivência
quotidiana, deu origem a concepções organizadas de rituais em torno de divindades por eles concebidas – elementos da natureza, animais e outros… - que paralelamente foram aproveitadas como forma de controlo das tribos por parte dos clãs dominantes.
Ao longo dos séculos, à medida que as sociedades se organizavam em nações e Estados, as seitas foram, na sua maior parte, dando lugar a religiões que as sorveram e adaptadas a gosto por estas, patamares mais evoluídos na organização política e económica exercida pelos sacerdotes/agentes do poder como tentativas – quase sempre bem sucedidas – de controlo das mentalidades dos seres humanos, seguras as castas dominantes de que é através do controlo das mentes que se «domesticam» os povos.
Desta forma, as seitas e as religiões desde os seus alvores constituíram um modo de domínio «político» exercido pelos poderosos relativamente aos seus súbditos, fórmula que chega até ao século XXI, expressa sobretudo em Estados islâmicos como o Irão, por exemplo, na certeza que a afirmação de Einstein de que «É mais fácil desintegrar um átomo do que uma mentalidade» se encontra consubstanciada na realidade que se vive atualmente em todo o mundo.
Nos tempos que correm o perigo para a sobrevivência da Humanidade não advém tanto das religiões, mas antes das seitas sinistras fundamentalistas que em crescendo tem vindo a ganhar peso junto das populações em quase todo o mundo, de que são exemplo as de cariz muçulmano, cristão e extraterrestre por exemplo.
Não obstante o alto nível de desenvolvimento tecnológico e civilizacional em geral alcançado pela Humanidade, o mundo encontra-se hoje – mais uma vez – à beira de uma ou mais catástrofes de resultados imprevisíveis por efeito da ação nefasta exercida pelas seitas, como a que sustenta o EI (estado islâmico) por exemplo.
Para melhor orientação do leitor sobre esta questão, segue uma listagem sumária de algumas das seitas que assolam o planeta.
Assim:
LISTA DE SEITAS E AFINS
A
ADVAITA VEDANTA. É um sistema de crença autointitulado filosófico que sustenta a não realidade ou ilusão de tudo aquilo que não seja a Consciência Suprema. Seita baseada na doutrina vedista e no prasthana trayi  (textos canónicos das doutrinas hinduístas).

-  ADEVENTISTAS CRISTÃOS. Entre 1841 e 1844, William Miller, um orador da crença Batista e capitão das forças armadas, lançou o “grande despertar do segundo advento” que eventualmente se espalhou pela maioria dos cristãos no mundo. Baseando a sua doutrina nos estudos que fez da profecia de Daniel 8.14, Miller calculou que Jesus retornaria a terra em algum dia entre 1843 e 1844. Falhou a previsão mas a seita continua viva e de boa saúde.

- AHM ADDIYA. Seita formada por Mirza Ghulan de Qadiam (1835-1908) na India, na região do Punjab. Defende que Jesus Cristo foi cruxificado, mas que no entanto não morreu na cruz e que apareceu posteriormente em Cashemira, onde viveu até aos 120 anos, falecendo lá e tendo sido enterrado com o nome de Yus Asaf. Afirma que Jesus era um profeta cuja personalidade se havia confundido com a de Mahoma, de tal forma que ao representá-lo como tal, não estava em contradição com a doutrina muçulmana.
Mirza afirmou que o mero ensino formal dos ritos religiosos carece de valor, e rejeitou o dogma da «guerra santa» proibindo o uso do tabaco. Era considerado como um enviado de Deus.
Nos princípios dos anos vinte do século passado, produziu-se um cisma formando-se duas fações: a de Qadyam, que se instalou no Paquistão e considera Mirza como profeta muito embora reconheçam que algumas das suas profecias são uma simples interpretação subordinada à revelação recebida por Maomé; a outra é a de Lahore, muito menos numerosa e mais próxima do Islão Sunita.
Ambos os ramos editam numerosas publicações em diversos países e línguas, atuando como sociedades missionárias no Paquistão, Índia, Europa, África Oriental…

- ALADURA. Seita nascida na Nigéria, após a 1ª Guerra Mundial com clara inspiração metodista e revivalista. Os seus adeptos procuram a santidade e a prosperidade através da pregação da palavra de Deus. Posteriormente, deriva desta, surgiram outras seitas similares como a Celestial Church of Christ, a Christ Apostolic Church, etc…

- ALAUITAS. Formam um grupo étnico-religioso do Médio Oriente.
Encontra-se presente, sobretudo na Síria, país onde constituem 10% da população, isto é, cerca de 3 milhões, onde os seus associados dominam as estruturas políticas.

- AMIGOS DO HOMEM. Movimento sectário cujo nome oficial é o de Exército do Eterno ou Igreja do Reino de Deus. Foi esta seita fundada por Alexander Freytang (1870-1947), um suíço membro dos Estudantes da Bíblia (posteriormente, Testemunhas de Jeová). Os Amigos do Homem mantem-se em França com caráter minoritário.

- AMISH. Grupo de comunidades cristãs anabatistas (batismo de adultos por imersão) que vivem nos Estados Unidos e no Canadá. São conhecidos pelas suas atitudes conservadoras fundamentadas numa leitura restrita das Escrituras. Tal como os Menonistas, os Amish são descendentes de comunidades suíças anabatistas que tiveram as suas origens nos ensinamentos de Félix Manz (1498-1527) e Conrad Grebel (1498 - 1526). Este movimento começou com Jacob Amman (1656-1730), um líder suíço dos Menonistas. Os primeiros grupos Amish começaram a emigrar para os EUA no século XVIII, fugindo às perseguições e ao serviço militar obrigatório: os Amish são pacifistas consequentes, negando-se a cumprir o serviço militar. Ainda hoje não conduzem automóveis, não pagam Segurança Social nem impostos, não aceitam qualquer forma de assistência do Governo, e muitos evitam mesmo de fazer um seguro de vida. A maioria dos seus membros fala um antigo dialeto alemão/suíço conhecido como  Pennsylvania Dutch ou Pennsylvania German.

- AMIZADES ESPIRITUAIS. Sociedade mística fundada por Paul Sedir (Yvon de Loup) (1871-1926) destinada a por em prática a exortação evangélica a favor dos doentes, dos deserdados e dos desesperados. O seu sacramento essencial é a obscura pregação a Deus vivente, totalmente simples; a sua única máxima é ajudar os demais com todas as suas forças.

- ANANDA MARGA. Movimento sincretista oriental contemporâneo que agrupa com especial importância as tradições da Índia. Fundado por Shrii Anandamurti, é considerado pelo governo da Índia como uma seita perigosa que possui características neofascistas. Pratica o assassinato como ritual. O próprio Anandamurti foi condenado a prisão perpétua por assassinato.

ASATRÚ. Neopaganismo fundamentado nas crenças dos antigos nórdicos e germânicos. Conhecido como de “lealdade aos Deuses”, é praticado em vários países para além da Escandinávia. O Asatrú também faz parte do chamado grupo das religiões neopagãs como o Druidismo, a Wicca, a Bruxaria Tradicional, a Stregheria, etc.

B

BAHA’I. Organização fundada por Bahá’u’lláh  (1817-1892), considerada pelos seus partidários como a prometida de todas as religiões. O seu ensino centra-se na unificação da humanidade. O bahaismo é de origem persa, cujos princípios doutrinais se baseiam na crença monoteísta, prega a unificação de todas as crenças, as quais se devem de dirigir a um único deus. Proclamam como valores obrigatórios para seus seguidores as orações diárias, a monogamia, a abstinência de drogas e álcool, além da prática do jejum durante 19 dias do ano. O calendário bahai convencionou a contagem de 19 meses para cada ano, sendo que cada mês possui 19 dias.

BAPTISTAS. Seita nascida no século XVII,  a partir do protestantismo. Está particularmente implantada nos EUA.

- BEKTASIYYA. Seita muçulmana nascida ma Anatólia entre os séculos XIII e XIV. Afirmam descender de um santo muçulmano lendário, Hayyu Bektas, mantém um culto amalgamado das doutrinas sunitas, chiitas e cristãs. Honram a Ali, que para eles forma uma espécie de trindade juntamente com Alá e Maomé. Atualmente subsiste um templo deste movimento no Cairo.

BHGWAN SHREE RAJNEESH. Nasceu na India e o seu chefe denomina-se Osho, que diz ter sido «iluminado» ou «alumiado»? aos 21 anos.

C
CALVINISTAS. Baseiam-se nos princípios concebidos por Calvino  (1509-1564), teólogo francês que teve grande influência na Reforma protestante. Atualmente agrupa numerosas igrejas protestantes da Austrália e dos EUA.

- CARMELITAS DA SANTA FAZ. Esta seita, designada como “Ordem” foi fundada por Clemente Domínguez, um dos videntes do Palmar de Troia, e alguns dos seus adeptos nos alvores dos anos setenta. Domínguez foi ordenado bispo pelo arcebispo sul-vietnamita Ngo Dhin Thuc. Excomungado e suspenso “a divinis” pelo Papa, em 1976 sofreu um acidente de viação que o deixou cego. A proclamação desta ordem resultou na rutura com a Igreja católica. Após a morte do Papa Paulo VI, autoproclamou-se seu sucessor com o nome de Gregório XVII.

CIÊNCIA DA ALMA. Seita nascida na Índia. O seu guia é Thakar Singh.

CONFERÊNCIA GERAL DE DEUS. Seita fundada em 1921.

CONFUNCIONISMO. Não é propriamente uma religião, é antes um sistema ético e moral filosófico chinês criado por Confúcio, forma latina de Kung-Fu-Tzu, filósofo chinês do século VI a.C. Entre as preocupações do confucionismo estão a moral, a política, a pedagogia e a religião.

- COPTAS. São cristãos egípcios cuja linguagem litúrgica provém do egípcio antigo, que se escreve com letras gregas maiúsculas. Defendem que a sua igreja foi fundada em Alexandria por S. Marcos. Pertencem a um ramo jacobita da Igreja ortodoxa e são monofisitas e monoteístas. À sua frente encontra-se o patriarca de Alexandria que reside no Cairo e o seu clero conta com bispos, arciprestes, sacerdotes e diáconos. Levam uma vida muito austera e observam os sete sacramentos. Não admitem imagens dos templos, mas antes, pinturas sobre temas religiosos. Devem de orar sete vezes ao dia e não podem alimentar-se de porco ou da carne de qualquer animal morto por estrangulamento.

CRISTADELFIANOS. O seu nome significa: «Irmão de Cristo». Seita fundada em 1844. É de matriz evangélica da teologia unitarista, que se desenvolveu no Reino Unido e na América do Norte no século XIX. Existem adeptos em 120 países, num total estimado em cerca de 60 000 criaturas.

- CRISTÃOS DE S. TOMÁS. Movimento de cristãos indianos da costa de Malabar, no sudoeste da Índia. Acreditam que o apóstolo São Tomás predicou o Evangelho na Índia e que foi martirizado em Mylapore por ordem de um príncipe indígena.

- CRISTO DE MONTFAVET. Seita conhecida como Igreja Cristã Universal, fundada em França em 1954 por George Roux. Defende a cura pelas mãos, tanto mais que o seu fundador se declarou como uma reencarnação de Cristo. Preconiza regras de higiene alimentar e denuncia cinco venenos mortais: o tabaco, o chá, o café, gorduras cozidas e conservas.

D
DAVIVIANOS ou simplesmente «The Branch». Nasceu de um cisma ocorrido em 1955 num grupo denominado Igreja Adventista Davidiana do Sétimo Dia, movimento reformista com início em 1930, dentro da Igreja Adventista do Sétimo Dia

- DUODÉCIMOS. Ramificação da seita muçulmana xiita. Forma o maior grupo divergente desta e reconhece uma linha de 12 imãs sucessivos, o último dos quais estaria ainda vivo, não obstante se ter escondido no ano de 874.

E
7 SELOS (Igreja Adventista Davidiana do Sétimo Dia). Nasceu nos EUA, com o líder Davis Koresh.
ENERGIA HUMANA E UNIVERSAL. Tem origem no Ceilão (atual Sri Lanka), de tradição orientalista, sendo seu chefe Dasira Narada.

- EXÉRCITO DE SALVAÇÃO. (Salvation Army). Seita metodista fundada por Guilhermo Booth na segunda metade do século XIX, cujo objetivo é a procura de que todo o indivíduo se submeta a Deus e que o Mundo receba a salvação por meio de Jesus Cristo como mestre supremo, obedecendo as seus preceitos e trabalhando com amor pera o bem do próximo a fim de que todos encontrem o favor divino e a eternidade. Rejeitam as igrejas constituídas, por serem incapazes de procurar o bem-estar espiritual e corporal dos seus fiéis, especialmente os pobres.

F
FALULONG. Nasceu na China, de tradição orientalista. O seu líder atual é o Mestre Li.

- FILHOS DE DEUS. Seita criada nos EUA por um ex-pastor de nome David Brandt Berg, que adotou o nome de Moisés David. Mantem a crença numa doutrina milenarista. Nega a doutrina da Trindade e apresenta – e representa – o Espírito Santo como uma mulher seminua. Defende que os pobres cada vez mais subjugados pelos ricos revoltam-se frequentemente sem êxito, porém, em breve os ricos se matarão uns aos outros numa guerra atómica que deixará os pobres em liberdade para reconstruírem uma sociedade perfeita, embora primitiva.
Trata-se de uma seita fortemente hierarquizada. Os seus membros chamam-se “cordeiros” e são dirigidos por pastores responsáveis de comunidade, pelos pastores do distrito, pelos bispos, arcebispos e ministros. No vértice da pirâmide está Jusus Cristo. Conhecidos como Filhos de Deus, o movimento perdeu a sua base dogmática inicial, incorporando técnicas socialmente escandalosas como a prostituição dos seus associados a favor da seita e o tráfico de crianças filhos desta conduta, bem assim como a homossexualidade.
Mantém como livro base As Cartas de Moisés David aos Filhos de Deus. A seita encontra-se presentes em mais de cinquenta países.

G
- GRANDE FRATERNIDADE BRANCA. É um coletivo de sábios que controlam o mundo desde o Tibet, segundo Madame Blavatsky, graças aos quais ela assimilava os seus ensinamentos. Atualmente apareceu outra mulher, Elizabeth Clare Prophet, que se autodenomina Guru Ma, que fundou a Igreja Universal e Triunfante, afirmando manter contato com esses sábios.

GRANDE FRATERNIDADE UNIVERSAL. De tradição ocultista, viu a luz na Venezuela, tendo por chefe o Doutor Serge Raynaud de la Ferriére.

H
- HARBIYYA. Seita fanática fundamentalista muçulmana formada por partidários de Abu Hassim. São seguidores de Abdalla ibn Harb que havia em tempos foi designado por Abu Hassim, ao qual havia passado o espírito deste último. Dentro de uma certa inspiração iraniana, reservam um lugar importante nos seus ensinamentos e na metempsicose.

HARE KRISHNA. Foi fundada nos EUA em 1965 por Bhaktivedanta Swami Prabhupada, como o nome de Associação para a Consciência de Krshyna, baseando a sua doutrina teoricamente em Bhagavad Gita e outras obras hinduístas. Os associados desta seita devem submeter-se a uma disciplina férrea sustentada em práticas de despersonalização do indivíduo que podem, inclusivamente, chegar à realização de práticas delituosas a favor da mesma, uma vez que todo aquele que não pertence a ela é um “karmis” que só merece ser utilizado e aproveitado em benefício próprio. Esta seita foi acusada de manipulação mental, abuso sexual de jovens e tráfico de drogas.

- HARRISMO. Seita africana fundada na zona meridional da Costa do Marfim por William Wade Harris (1865-1929), mais conhecido como Wouré. Membro da etnia grebo da Libéria foi predicador laico e professor encarregado da Igreja Metodista episcopal de Cabo Palmas, e mais tarde da de Half Garraway. Em 1910 mudou-se para a Costa do Marfim onde predicou até ser expulso pelo governo francês. A sua doutrina baseia-se na Bíblia.

HEAVEN’S GATE. Teve origem nos EUA, fundada por tendo por chefe Marshall Herff Applewhite. Protagonizou um suicídio coletivo por envenenamento de 39 indivíduos, incluindo o cabecilha da seita.

- HOMENS PANTERAS. Sociedade secreta africana que perdura em alguns lugares como o Camarão, Congo e Nigéria. Praticam uma forte magia oculta. Os seus membros apresentam-se nos cultos cobertos de peles de panteras com garras deste tipo de felino nas mãos e nos pés. Entre os seus ritos destacam-se o de arrancar o coração das vítimas e comê-los crus. A fantasia popular atribui-lhes a faculdade de poderem transformar-se em verdadeiras panteras.

I
- IDENTIDADE CRISTÃ. (Christian Identity). Seita patriótico-religiosa americana com forte base nacionalista e populista, fundada por Wesley Swift, um pregador evangélico dos anos 20 que amalgamou a teoria do anglo-israelitismo com a ideia da América como sendo a terra prometida dos nossos tempos e com uma reinterpretação das Escrituras. Desta forma os negros e outras minorias étnicas seriam descendentes de homens pré-adâmicos e os judeus viriam da união sexual de Eva «com a serpente do Jardim do Éden. Desta forma, esta seita apresenta uma base teológica que pode ser adotada sem grandes problemas por membros de organizações como o Ku Klux Klan. Existem vários grupos que se identificam com o Christian Identity, sendo o mais importante deles as Aryan Nations. Esta associação tem obtido considerável apoio junto das massas populares desapontadas com o que consideram o declínio da sociedade americana.

 IGREJA ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA. É de matriz cristã, denominada restauracionista, distinguindo-se pela observância do dia de sábado e pela fé na eminente vinda de Cristo à Terra. Esta organização foi formalmente criada em 1863. 

IGREJA DA CIENTOLOGIA. Nasceu nos EUA da autoria do escritor de ficção científica, Lafayette Ronald Hubbard (1911), tendo sido considerada perigosa pelo Parlamento Europeu. De raiz pseudocientífica, a sua doutrina apresenta-se como a «ciência moderna da mente» capaz de curar através de leis até agora desconhecidas sobre o pensamento, embora seja, na realidade, uma amálgama de elementos sacados da ficção científica, do hinduísmo, taoismo, e budismo. O seu método de tratamento da saúde mental (dianética) e de luta contra a droga carecem de qualquer base científica.
Esta seita considera como centro da sua moral a ideia de sobrevivência, o que se faz com que se permita a mentira e a violência. Por tal facto tem sido perseguida pelo FBI e em vários países. É uma das seitas mais perigosas e destrutivas conhecidas, também conhecida como «a religião dos artistas americanos».

IGREJA DA UNIFICAÇÃO. Tem origem na Coreia em 1954 e o seu chefe é o reverendo Sun Myung Moon, que se autointitula «o novo Messias». De inspiração pseudocristã, ultraconservadora, centra a sua ideologia na conceção de Moon, o qual defende que é o segundo messias destinado a reparar o fracasso de Jesus Cristo na sua missão. Defende uma terceira guerra mundial como plano de Deus para restaurar o mundo. Nega a divindade de Cristo, o carater expiatório da sua morte na cruz, a existência de um inferno eterno e outros elementos cristãos. Este indivíduo e o seu agrupamento apoiaram fortemente as ditaduras latino-americanas, que acumulam uma grande fortuna, graças ao tráfico de armas, entre outros negócios de duvidosa legalidade, é proprietária de diversos periódicos, emissoras de rádio e televisão. Está implantada em diversos países ocidentais. 

IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS (Mormons). Foi criada nos EUA por Joseph Smith que disse ter sido visitado por um anjo, o qual lhe revelou a verdade sobre Deus. De tradição pseudocristã, esta seita considera a raça negra com sendo inferior e é acusada de trabalhar para a CIA. São donos de quase todo o estado do Utah, em cujas montanhas rochosas albergam em túneis com centenas de quilómetros, microfilmes dos registos de nascimento, casamento, óbito, etc., da maior parte dos cidadãos em todo o mundo, quer dos vivos, quer dos seus ancestrais. Os seus seguidores pagam o dízimo e outros encargos pecuniários.

- IGREJA DO ENTENDIMENTO BÍBLICO. Seita norte-americana fundada por Stewart Traill na década dos anos setenta do século XX. A sua ideologia está imbuída de fundamentalismo anglo-saxónico. Até 1976 autodenominou-se Família para Sempre, porém, a partir desse ano adotou o nome de Church of the Bible Understanding (Igreja do Entendimento Universal).

–  IGREJA MUNDIAL DE DEUS. Foi fundada em 1933.

- IGREJA PROCESSO DO JUÍZO FINAL. Seita nascida em 1963 por obra de um indivíduo de nome Grimston, com uma ideologia mista de gnosticismo e luciferianismo. Umas das suas crenças mais originais é a afirmação de que Satanás e Cristo fizeram as pazes e colaboram com o fim do Mundo.

IGREJA UNIFICADA DE CRISTO. Formada em 1957, agrupa as igrejas reformadas, evangélicas e congregacionais dos EUA.  

- IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS (IURD) ou Comunidade Cristã do Espírito Santo. Seita brasileira com sede em S. Paulo, no Brasil de inspiração cristã, fundada em 9 de julho de 1977 por uma criatura de nome Edir Macedo que autoproclamou de “bispo”, juntamente com um seu cunhado, o sr. Romildo. Abomina imagens e renega santos. Cobram o dízimo e outros emolumentos, como os que se referem aos milagres que fazem em grande quantidade aos seus adeptos e visitantes, o que lhes garante rendimentos de muitos milhões de dólares por mês. Possui estações de rádio e de tv, para além de periódicos em várias partes do mundo (mais de 200 países), incluindo Portugal.

- IGREJA UNIVERSAL E TRIUNFANTE. Movimento norte-americano nascido em 1958 pela batuta de Mark L. Propfhet, com uma mescla de espiritismo e ocultismo em torno de uma base supostamente cristã. Após a morte do seu fundador em 1973, a seita passou a ser controlada pela sua mulher, Elizabeth Wolf, que afirma ser a Marta evangélica reencarnada e a transmissora dos desejos da Grande Fraternidade Branca no mundo.

IRMANDADE BRANCA. De tradição new age, o seu guru é Swami Sananda.

- IRMANDADE DE ABRAÃO. Seita constituída em janeiro de 1967 e mencionada por Jacques Mantet no seu estudo sobre religiões, que relativamente a ele diz que se preocupa em por em prática os valores morais, espirituais e culturais que provem da tradição de Abraão entre os judeus, os cristãos e os muçulmanos, com o fim de intensificar a sua mútua compreensão e de promover a justiça social, a paz e a liberdade. Tem o seu centro em Paris onde se reúnem todos os meses para abordar um tema eleito para todo o ano. A regra de fraternidade consiste em que somente um judeu pode expor um ponto de vista judaico e um cristão de igual modo, tal como um muçulmano.

- IRMÃOS MUÇULMANOS. Seita fundada em Islailiya em 1927, pela mão do mestre Hasan al Banna (+1949) com a intenção de apoiar e difundir o Islão. Afirmam que o Corão concorda com os conhecimentos científicos. Quando se mudaram para a sua sede no Cairo, em 1933, ganharam notoriedade rapidamente. Expandiram as suas atividades para a Síria, Palestina, Jordânia, Iraque e Sudão, porém, a sua conexão com atividades políticas resultou numa estreita vigilância sobre eles por parte das autoridades. Em 1949 Banna foi assassinado e embora alguns dos seus discípulos continuassem a sua obra, a irmandade foi dissolvida no Egipto em 1954 e quatro anos mais tarde na Síria.
A partir da década dos anos sessenta a seita estabelece-se em força na Arábia, Jordânia e Kuwait. Um dos seus membros foi quem assassinou o presidente do Egipto, Anuar al Sadat, em 6 de outubro de 1981.

- ISMAELITAS. Seita originária de divergências ideológicas da seita muçulmana xiita. Os ismaelitas creem que o último imã foi Ismael, desaparecido subitamente da vista dos seus adeptos, não obstante se revelar a alguns dos seus iniciados. Entre os ismaelitas desenvolveu-se uma corrente que reconhece apenas sete imãs sucessivos, sendo que o último se escondeu no século VIII, tendo a sua linha sido reiniciada dois séculos após este sucesso.

J
- JACOBITAS. Seita de cristãos oriundos da Síria. As quase totalidades dos seus adeptos encontram-se no sul da India. O seu nome deriva de Jacob Baradeu, bispo de Edessa (séc. VI) que reavivou a heresia de Eutiques ou heresia Monofisita, segundo a qual a natureza humana de Jesus Cristo foi absorvida pela natureza divina. A sua língua litúrgica é, mesmo na Índia, o siríaco clássico.

JAINISMO. Nasceu na India no século VI a.C. com Mahavira.

K
- KEMETISMO. Novo culto neopagão de negros americanos faz uso do termo nos EUA. Este culto é considerado de caráter destrutivo. Kemet significa «negro» predicando dessa forma diversos graus de supremacia negra.

L
- LOUCOS DE CRISTO. Seita nascida no século XX na Califórnia, que se intitula religiosa, dirigindo os seus esforços à recuperação dos marginais. Possui um reduzido bando de seguidores.
LUTERANOS. De tradição cristã. Movimento criado na Alemanha por Martinho Lutero no século XVI.

M
MAHAYANA. Movimento de reforma surgido no século I. Originalmente implantou-se na China, Japão e Sudeste asiático.

–  MAITREYA. De feição ocultista. Seita originária da Escócia. O seu líder é Benjamin Creme.

MANDEÍSMO. Seita antiga, descendente do gnosticismo primitivo. Rende culto a João Batista. Conta com cerca de 40 000 seguidores no Iraque.  

MEDITAÇÃO TRANSCENDENTAL. De base hinduísta. Originária dos EUA, o seu chefe é Maharishi Mahesh Yogi.

- MELCHITES. Designação dada no século V aos cristãos do Patriarcado de Jerusalém, Alexandria. Os Melchites aderiram no Leste da Europa ao Cisma da Igreja de Roma, em 1054, porém, nos séculos seguintes grupos de Melchites deslocaram a sua fidelidade de novo para Roma. É uma das seitas cristãs do Rito Oriental.  Tem cerca de 270 000 adeptos. O seu patriarcado encontra-se em Damasco, Síria. Os seus sacerdotes estão autorizados a casar, os ofícios litúrgicos são realizados em árabe. 

METODISMO. Movimento surgido a partir do protestantismo na Grã-Bretanha, no século XVIII. Propagou-se aos EUA.

–  MOVIMENTO PELA RESTAURAÇÃO DOS DEZ MANDAMENTOS DE DEUS. De feição cristã milenarista, é originário do Uganda. Esta seita foi descoberta há pouco tempo. É responsável por ter assassinado 924 fiéis.  

MENINOS DE DEUS. De matriz pseudocristã, tem por origem os EUA e o seu líder é David Berg. Esta seita tem sido acusada de assédio sexual de menores e de prostituição infantil.

- MENONISTAS. São um grupo religioso protestante com origem no século XVI. O seu nome tem a ver com o seu fundador, de nome Menno Simons, um padre católico holandês convertido à fé Anabaptista. A maior parte dos seus membros encontra-se nos EUA.

MOVIMENTO RESTAFARI. Ramo surgido da Igreja Copta que considera  o falecido imperador (da Abissínia) Haile Selassie, um enviado de Deus para a libertação de África.

N
NOVA ACRÓPOLE. É originária da Argentina. De base pseudofilosófica. Os seus líderes são Angel Livraga e Ada Albretcht.

O
- O CAMINHO. (The Way). Seita norte americana fundada por um pastor da Igreja Unida de Cristo, de nome Paul Wierwille, em 1957. A sua ideologia é uma mistura de elementos cristãos heterodoxos com outros pentecostais e esotéricos. Negam a divindade de Cristo, a Trindade e o valor expiatório da morte de Cristo na cruz. É benevolente relativamente ao consumo de álcool, drogas e prática de amor livre. Dado quer os seus adeptos nos EUA fazem treino militar, é considerada uma seita perigosa.

OPUS DEI. Seita de matriz católica, foi fundada em 2 de outubro de 1928 em Madrid, por Josemaría Escrivá de Balaguer (1902-1975), um obscuro sacerdote - filho de um comerciante aragonês arruinado – que encontrou poder e fama na carreira eclesiástica através do seu agrupamento.

ORDEM DO TEMPLO SOLAR. De base ocultista. Originária da Suíça, os seus chefes tem os nomes de Luc Jouret e Joseph Di Mambro. São acusados de provocarem suicídios coletivos através do método de cremação.

- ORDEM RELIGIOSA DE BRUXARIA – Seita criada em Nova Orleans, EUA, em 1972 por Mary Oenida Toups. Tem por finalidade restaurar a influência da bruxaria na sociedade contemporânea.

P
 PENTECOSTALISMO. De raiz cristã, esta seita nasceu em 1901, nos EUA por iniciativa de Charles Fox Parham, pastor metodista.

- PESSOAS UNIVERSAIS. Esta seita também é conhecida como, Pessoas Cósmicas com Poder da Luz. Seguem à risca as palavras do seu mestre Ivo A. Benda, que afirma ter contacto direto com Ashtar Sheran, líder do Comando galáctico de Ashtar, uma frota de alienígenas que se encontra em órbita eterna em torno da Terra. Segundo referem, em 1977 Ashtar tentou comunicar-se com a humanidade sabotando a transmissão de TV das cidades de Hampshire e Berkshire, nos EUA. Uma das profecias da seita refere que alguém vai implantar chips de identidade na população mundial, de forma a controlá-la.

- POMBA DA UNIÃO. A fundadora desta seita com origem nos EUA, Shaini Goodwin, defende uma Reforma da Segurança Económica americana, um projeto para eliminar todos os impostos dos EUA e instaurar a paz mundial. Esta guru pede aos seus seguidores que lhe entreguem todas suas economias para esse propósito. Os adeptos acreditam em “espíritos canalizados”, “seres interdimensionais”, e acham que “uma raça de répteis ditadores do espaço” está a impedir o sucesso da organização.

Q
QUAKER. Nome porque que se designam os vários grupúsculos deste movimento com origem no protestantismo britânico do século XVII. É contra a hierarquização do protestante e centra-se na «luz interior» a chispa divina que transporta cada ser humano.
Atualmente estimam-se em cerca de 400 000 os quakers em todo o mundo. A maior comunidade situa-se no Quénia. Esta organização nasceu em 1652 pela batuta de George Fox, pretendendo-se restauradora da fé cristã original. Os seus associados são apodados de “tremedores”. Rejeitam qualquer organização clerical, para viver no recolhimento, na pureza moral e na prática ativa do pacifismo, da solidariedade e da filantropia.

R
RAELIANO. De inspiração extraterrestre (ovnis). Seita originária dos EUA, o seu líder chama-se Rael (um extraterrestre), ex-jornalista desportivo francês com o nome verdadeiro de Claude Vorilhon. Esta criatura afirma ter sido abduzida (ou sodomizada…) por um extraterrestre na década de 70 e, após a experiência, ter-se-ia transformado num messias. Os indivíduos, intitulados por ele de “Elohim”, seriam os criadores de todas as formas de vida existentes no planeta, tendo-lhe confiado a missão de construir uma “embaixada” na Terra para os receber. Por tal desígnio fundou uma “religião ateísta” com um conselho científico, sacerdotes e adeptos. O movimento raeliano afirma ter 55 mil membros espalhados em 84 países. A maioria está no Canadá, nos Estados Unidos, na Suíça e em França.

ROSA CRUZ (Ordem). De tradição ocultista, os seus membros acreditam na reencarnação do ser humano, que se daria a cada 144 anos. Respeitam Jesus como um dos avatares, isto é, um dos mestres místicos. Há quem considere que esta organização teve origem na Confraria dos Iluminados existente na Alemanha a partir do século XVI, tendo-se difundido pelos países vizinhos no século seguinte.  

S
–  SAHAJA YOGA. De base sincrética. Nasceu na India e o seu chefe é Shri Mataji Nirmala Devi.

SAMARITANISMO. É um ramo dissidente do judaísmo, bastante antigo, tem sede em Samaria  (Israel). É pré-talmúdica e de facto, não reconhece o Talmud. Os seus adeptos (samaritanos) são um pequeno grupo étnico-religioso que habita nas cidades de Holon e Nablus, situadas em Israel. Designam-se a si próprios como Shamerin “os observantes” (da Lei).

–  SATHYA SAI BABA ORGANIZAÇÃO. De tradição orientalista, nasceu na Índia. O seu fundador autoproclama-se um deus, salvador do mundo. Alguns dos seus «milagres» são contraditórios com outros aspetos da sua vida, como o atentado que sofreu em 1993 de que saiu com vida graças a um relógio-despertador. Também foi acusado de abuso sexual de menores.

SUNISMO (sunni ou sunitas). Diferentemente dos xiitas, os sunitas aceitam o califado de Abu Bakr  (573-634). É o maior ramo do Islão. Os sunitas representam 84% do total dos muçulmanos. Aceitam a suna, guiados pelas leis do Alcorão. Enfatizam o poder de Deus e o determinismo do destino humano.

T
- TABERNÁCULO DA FÉ. A designação desta seita tem origem no facto do seu criador William Marrion Branham (falecido em 1965) pregar em tendas e outras barracas e nelas operar muitos milagres e curas. 

TAOÍSMO. Conjunto de ensinamentos filosóficos e religiosos originados na China a partir de Lao-Tse (Laozi) no século VI a. C. Também é conhecido como daoismo e tauismo. Dizem-se tradição filosófica e religiosa com origem na China. Enfatizam a vida em harmonia com o Tao. Este termo designa a fonte, a dinâmica e a força motriz que sustenta tudo o que existe.

TEOSOFISMO. Seita fundada por M. Blavatky (1851-1891), no Oriente, que juntamente com outros parceiros fundaram em 1875 a Sociedade Teosófica em Nova Iorque. Este movimento afirma possuir uma inspiração especial do divino através do desenvolvimento espiritual.

TESTEMUNHAS DE JEOVÁ. (Sociedade da Torre de Vigia. De inspiração cristã, esta seita foi fundada por Carlos Russel, em Brooklyn, USA, em 1872. Os seus aficionados são conhecidos como «estudantes da Bíblia». Possuem cerca de 8 000 000 adeptos em 239 países. Cobram o dízimo e outras taxas para além da esmola aos seus membros, dinheiro que é canalizado para a sede em Nova Iorque. Fazem uma interpretação literal do Novo Testamento da Bíblia, consideram-se como o povo eleito de Deus e que, portanto, só eles se salvarão no Dia de Juízo Final, que estará para breve.

THERAVADA. Ramo mais antigo do budismo, surgido quando da primeira compilação escrita do budismo. Encontra-se implantado principalmente na Índia e no Sudoeste asiático.  

TRADIÇÃO, FAMÍLIA E PROPRIEDADE. De matriz católica, esta seita é originária da Argentina, o seu chefe chama-se Plínio Correa de Oliveira, é criticado pelos seus detratores por suspeição do desaparecimento de jovens.

U
UMMO. De feição extraterrestre (ovnis). Seita com origem em Espanha. O seu líder chama-se Fernando Ledesma Manzano.

UNITÁRIOS. Seita surgida a partir do pensamento desenvolvido por Miguel Servet e Fausto Socino no século XVI, nega a Santíssima Trindade e afirma o uso da razão na religião.

UNIVERSALISTAS. Seita com origem no metodismo inglês, embora ligada aos EUA. Defende a salvação universal e a existência do inferno. 

V
VASHRAIANA. Parte do Mahayana, definido pela sua influência do tantrismo hindú. Fixou-se originalmente na região dos Himalaias, Kalmukia, Japão e Mongólia.

VERDADE SUPREMA. (Aum Shinrikyo). Nasceu no Japão, sendo seu líder Shoko Asahara. De base sincrética, esta seita foi acusada do atentado com gás sarin no metro de Tóquio em 1995.

- VIDA UNIVERSAL. Seita fundada por Gabriele Wittek, cuja interpretação abstrata de crenças religiosas atraiu 40 000 seguidores na Alemanha e mais 100 000 em todo o mundo. A sua fundadora reclama ter como melhor amigo um alienígena chamado Mairadi. Afirma já se ter encontrado com Jesus pessoalmente e receber frequentes visitas de fantasmas, incluindo o de sua falecida mãe. Os adeptos desta seita controlam um grupo de fazendas, administram escolas, clínicas e editoras, tudo para espalhar a sua doutrina.

- VODU. Forma religiosa levada pelos escravos negros africanos da Costa de Ouro para a América, sobretudo o Brasil e o Haiti, muito embora também se tenham expandido pelo resto do Caribe e sul dos EUA. Defendem a existência de um só Deus criador do Universo e de tudo quanto nele existe. Trata-se de uma amálgama de magia negra: adoração de serpentes, rituais animistas…, que misturam a tradição tribal com a santaria cristã. O seu ritual é secreto, no decorrer do qual se agitam ao ritmo dos tambores em danças frenéticas, na crença no poder das divindades tanto benignas como malignas, que inclusivamente podem devolver à vida os mortos. Possui os seus próprios sacerdotes e sacerdotisas que são encarregados de dirigir as cerimónias.
O Vodu tem sido para as populações das ilhas caribenhas algo mais que um movimento religioso, uma vez que à sua sombra se produziram diversas revoltas.

Y
YAZIDISMO. Seita autóctone do Curdistão com influências islâmicas e zoroástrica seguida atualmente por 200 000 curdos. Os seus seguidores professam culto aos anjos e arcanjos das religiões abraâmicas, dando-lhes uma explicação própria.

W
- WACHTOWER. Sociedade multinacional que governa a seita das Testemunhas de Jeová, que se encarrega de recolher e de administrar a economia desta seita com o dinheiro obtido pelos seus aderentes.

- WICCA. Seita neopagã, que retoma as tradições de antigas religiões de bruxaria.

- WIERWILLE. Seita fundada por Vitor Paul Wierwille (1917), antigo pastor da Igreja Unidade de Cristo, tendo abandonado a mesma em 1957 para fundar a seita The Way (O Caminho). Afirmava que Deus lhe havia encomendado a missão de ensinar o Evangelho. A sua doutrina é uma mescla de elementos pentecostais.

- XIITAS. São o segundo maior ramo do Islão, constituindo 16% do total dos muçulmanos. Os seus seguidores dizem ser Ali, o genro e primo do profeta Maomé, o seu legítimo sucessor, considerando ilegítimos os três califas sunitas que assumiram a liderança da comunidade muçulmana após a morte de Maomé. São seguidores de Ahl al-Bayt, a autoridade suprema da família de Muhammad e dos seus descendentes. A maioria dos grupos xiitas defendem que os imãs devem, obrigatoriamente, descender de Ali e sua esposa Fátima, a única filha de Maomé. Com o decorrer dos tempos, devido a divergências ideológicas relativamente à linhagem dos legítimos imãs, surgiram três concepções dentro do xiismo: os duodécimos, os ismaelitas (subdivididos em carmatas e fatimitas) e os zaiditas.

- XINTOÍSMO. É a religião mais antiga do Japão. A sua origem é obscura e datada de, pelo menos, metade do primeiro milénio a.C.

Z
- ZAIDITAS. Seita originária de divergências ideológicas da seita muçulmana xiita. Esta seita tem origem em Zaid Ibn Ali (740), fundador do movimento e descendente direto de Ali. Para esta gente, o verdadeiro xiita é todo o muçulmano piedoso que segue as regras dos descentes de Ali e Fátima e seja culto e ativo no meio político.

ZEN MACROBIÓTICO. De tradição budista. Seita originária do Japão tem por líder George Ohsawa.

ZOROASTRISMO. De origens incertas, aparece como uma religião por volta do século V a. C. Os seus ensinamentos baseiam-se no profeta e poeta Zoroastro do antigo Império persa.