quinta-feira, 10 de julho de 2014

‘NDRANGHETA – UMA ONORATA SOCIETÀ





Por Pedro Manuel Pereira


     
 A origem do nome 'Ndrangheta não é pacífica, sendo que há quem advogue que provem do grego dragathía, que significa heroísmo e virtude, ou do grego andros agathos, equivalente a homem bom. É filha do Mezzogiorno (como é denominado o sul da Itália). Também referida como Famiglia Montalbano, Onorata Società e Picciotteria, esta é uma associação com cariz mafiosa, nascida na região da Calábria muito antes da própria unificação italiana (1861). Sabe a força que a religião católica tem naquelas terras, por isso a sua estrutura organizativa é baseada no catolicismo, que é uma forma de angariar a aceitação popular.  
A cúpula, a chefia da organização é denominada La Santa (em homenagem a Maria, mãe de Jesus). As micro células de poder têm nomes associados à Bíblia como, Vangelo (Evangelho) por exemplo, espécie de seleção dos 33 principais capos da entidade. Tanto o Vangelo como La Santa (e os 'ndranghetistas em geral) adotam o Arcanjo Gabriel como seu protetor, por isso a sua imagem é motivo de devoção pelos membros da máfia calabresa e provavelmente usada nos rituais de iniciação, onde o candidato jura fidelidade ao grupo sob o nome de Jesus Cristo. Ironicamente, Gabriel é o protetor da polícia do Estado italiano.
É menos conhecida que as suas congéneres sicilianas Cosa Nostra (Sicília) e Camorra (Campânia), não obstante, desde 1990 é a mais influente e poderosa destas associações originárias de Itália.
Em virtude da Cosa Nostra ter perdido o seu poder nos anos da década de 80, aproveitando as brechas abertas no seio desta organização, subestimada pela Justiça, a 'Ndrangheta cresceu, deixando de ser uma corporação de pastores de montanha para se inserir de vez no mercado mundial de entorpecentes, sobretudo cocaína. Fortaleceu-se e passou a ser uma ameaça global.
Neste país teme-se mais a Ndrangheta que as agremiações antes referidas, por ser mais violenta e poderosa.    
Tornou-se conhecida como uma influente organização criminosa após ter falhado o Golpe Burghese (alusão aos 46 neofascistas supostamente implicados neste golpe, condenados em 29 de Maio de 1977 por conspiração política e posteriormente absolvidos pelo Tribunal de Apelação de Roma). 
O seu padrinho, Paolo de Stefano é considerado o responsável por ter transformado a ‘Ndrangheta a partir de um grupo mafioso rural, numa das maiores organizações criminosas do mundo. Subestimada e considerada, durante muito tempo menos importante do que a Mafia siciliana, a ‘Ndrangheta fortaleceu-se e passou a ser uma ameaça global.
Dentro do seu país, a ‘Ndrangheta atua com força no norte e no centro, em regiões como Piemonte, Lazia e mais recentemente, também na Lombardia.
Pese embora os membros do crime organizado italiano sejam geralmente apodados de mafiosi, os membros de qualquer clã 'ndrangheta distinguem-se por serem conhecidos como 'ndrinus, e o clã como 'ndrina.
Não é fácil entrar na máfia calabresa, uma vez que esta se organiza em torno de quase cem famílias favorecendo mais a linhagem que o mérito - daí a sua extraordinária coesão - com mais de 5 mil membros só na península itálica, num total que ascenderá a mais de 60 000 filiados, torna-se necessária uma relação de consanguinidade para entrar na organização. Movem-se à vontade nos meios que frequentam, mantendo uma aparência humilde, discreta, não ostentando sinais exteriores de riqueza.
São raros os desertores ou «arrependidos» no seus seio. Até recentemente registava-se em Itália unicamente 157 testemunhas de calabreses no programa nacional de testemunhas.
As autoridades policiais estimam que a ‘Ndrangheta fature mais de 45 mil milhões de euros por ano, o que equivalerá a 3,5% do PIB italiano. Dessa faturação, 62% correspondem ao produto da venda de cocaína.
De acordo com o ministério do interior do seu país de origem, esta é a maior «empresa» de Itália, muito acima da Ferrari ou a Fiat. Crê-se que em 2013 faturou 53 000 milhões de euros, mais do que a McDonalds e o Deutsch Bank juntos.
Os seus negócios são provenientes do tráfico de droga, da extorsão e da usura, do comércio de armas, exploração da prostituição, empresas de construção, restaurantes, supermercados e da lavagem de dinheiro através de grandes contratos de obras públicas que conseguem por intermédio das suas relações com altos dirigentes políticos, entre outras atividades ilícitas.
Opera a partir da Calábria, daí ser conhecida como máfia calabresa. Por vezes unem-se à máfia siciliana dada a sua proximidade, no entanto são muito diferentes em estrutura e ação.
O Santuario della Madonna di Polsi, em San Lucas, na Calábria, é considerado o seu principal refúgio e um dos principais locais de reunião dos seus membros.
Pelle, Vottari, Pesce, Condello, Bellocco, Nirta, Strangio, Barbaro, Acquino, Trimboli, Commisso, Piromalli, Molè, Mancuso, Arena, Farao e Morabito, são algumas das suas famílias mais conhecidas.
Nas últimas décadas a ‘Ndrangheta estendeu os seus tentáculos económicos por numerosos países com a Alemanha, França, Reino Unido, Suíça, Bélgica, Espanha, Portugal, entre outros, aproveitando-se ainda das comunidades de italianos emigrantes para criar bases em mais de 30 países.
A Banca italiana define as referidas organizações criminosas como «as principais empresas do país», por juntas obterem uma faturação anual estimada em mais de 150 000 milhões de euros, representando 10% do PIB italiano.
No caso da ‘Ndrangheta, cerca de 62% dos seus lucros são provenientes da venda e distribuição da cocaína na Europa; quer dizer, 27 milhões de euros. Através das suas «filiais» noutros países detém 80% das vendas deste estupefaciente, controlando a maior parte das portas de acesso da droga ao velho continente. Em vez de simplesmente comprar a droga, a ‘Ndrangheta torna-se sócia do empreendimento, envia calabreses para morar nos locais de produção e distribuição e, caso necessário, força casamentos e comunhões entre famílias conforme a antiga tradição mafiosa.
Argentina, Perú, Bolívia, Equador e Colômbia, são pontos de referência para a compra de drogas. Cada quilo de cocaína que compram a estes produtores custa-lhes 500 mil euros. Os químicos permitem-lhe aumentar a quantidade até obterem 4,5 quilos por cada quilo, e cada grama é vendida ao consumidor europeu a 50 euros. Isto é, por cada quilo os narcotraficantes têm um lucro de 225 mil euros.
Em seguida os lucros obtidos são investidos desde Roma até às zonas mais ricas da Europa, na Alemanha, na Bélgica, na Holanda, em especial no setor imobiliário.
A maior fatia do facturamento é proveniente da venda da droga, porém, a 'Ndrangheta pratica ainda hoje o sistema de extorsão que tornou célebre este género de clãs italianos. Trata-se de o pizzo, raiz indissociável das regiões do sul da Itália, berço de todas as máfias, que é cobrado a empreendedores e profissionais liberais - nomeadamente comerciantes e industriais - em troca de «proteção».
O facturamento com esse tipo de atividade - cerca de 3 mil milhões de euros por ano - é baixo se comparado às transações globais de dinheiro nos cofres desta organização.
A Confederação das Indústrias da Calábria estima que cerca de 70% dos empresários locais pagam o pizzo, quer em dinheiro, quer empregando pessoas indicadas pelos clãs ou comprando a revendedores impostos pela organização.
A extorsão serve, na verdade, para manter uma tradição: a do controle do território. Mesmo sendo uma «multinacional» do crime, a 'Ndrangheta continua a estar ainda hoje umbilicalmente ligada à sua terra. 
Desde que nascem, espera-se que os filhos dos ‘ndranghetisti sigam os passos dos seus pais. Durante a juventude, os «herdeiros» passam por um processo de aprendizagem para se converterem em giovani d’onore  (jovens de honra), podendo cada qual aspirar a entrar na organização como um dos 1 527 uomini d’onore  (homens de honra).
Esta organização foi – e é - fundamental para configurar uma estrutura que, diferentemente da máfia siciliana é horizontal, o que os ajudou a criar uma base sólida que suportou a formação de uma superestrutura formal que foi necessária até 1991, quando os conflitos entre as famílias ameaçavam sair de controlo. Enquanto na Cosa Nostra há um capo, na 'Ndrangheta há vários.
Desde então, por consenso, foi decidido designar um chefe máximo da organização, cujas funções estão centradas na resolução de conflitos.
A seguir a esta figura encontra-se A Província, uma estrutura formada pelos chefes das principais famílias a que todos os membros devem obediência. Além disso, contam com um Tribunal encarregue de resolver disputas internas comuns.
A sua organização propicia-lhe duas coisas fundamentais: a primeira delas é que se um chefe de família for preso, a estrutura é pouco abalada dado que não existe uma figura centralizadora comandando as demais. A segunda delas é o seu estilo de investimento. – A 'Ndrangheta funciona por meio de participações. Para importar um carregamento de cocaína da América do Sul, por exemplo, várias famílias investem dinheiro. Caso esta seja apreendida, muitos perdem pouco, o prejuízo é desta forma diluído entre todos.
Na verdade, independentemente do facto de muitos dos chefes se encontrarem fora da região, todos os uomos d’onore devem assistir às reuniões regulares no Santuario della Madonna di Polsi.
Dado que a 'Ndrangheta é uma organização familiar, frequentemente forçando casamentos entre descendentes de famílias, isso praticamente elimina a figura do pentito, o mafioso colaborar da Justiça.
Historicamente, a figura do pentito é a chave que a Justiça utiliza para abrir os cofres e os caixões das máfias. Sem eles, a ação das forças policiais e jurídicas fica extremamente limitada.

A Educação dos uomos d’onore

Graças aos chorudos proventos auferidos com as suas atividades económicas, cada uma destas famílias enviam para estudarem, alguns dos seus filhos e netos nas mais prestigiadas universidades de Milão e outras cidades italianas.
Estes estudantes, vulgarmente chamados de juniors, veem a falar vários idiomas, a possuir títulos académicos importantes e tornam-se membros ativos na sociedade e nas atividades economicas.
A força da ‘Ndrangheta é reforçada, quando estes juniors conseguem estabelecer relações com políticos e empresários para desenvolverem os seus negócios, mesmo que aparentemente lícitos.
Mas a ‘Ndrangheta também acedeu à economia legal. Um dos setores em que se encontra presente é o da gestão do fornecimento de água e de resíduos sólidos, a qual lhe permite auferir chorudos lucros com baixo risco.      Sem dúvida que a organização tem uma enorme capacidade para corromper e beneficiar dos fundos públicos, sendo que atualmente é muito difícil lutar contra o crime organizado, uma vez que os mafiosos lograram chegar aos altos cargos públicos, ao mundo dos negócios, a toda a economia, estendendo os seus tentáculos aos aparelhos dos Estados.


A ‘Ndrangheta em Portugal

De acordo com Gomorra, um livro publicado por Francesco Forgione, antigo presidente da Comissão Anti Mafia do parlamento italiano, e citando parte do relatório da Europol inserto nele, datado de 2009, Portugal tem um papel significativo no tráfico de droga protagonizado pela ‘Ndrangheta, o principal grupo mafioso italiano envolvido nas redes de cocaína. Salientando que, «embora a maioria da cocaína negociada pela ‘Ndrangheta chegue a Itália por via marítima, diretamente da “fonte”, a Colômbia, a droga é também, em quantidade significativa, distribuída através de Portugal, em alguma quantidade via França, mas especialmente através da Alemanha, onde o crime organizado italiano tem importantes bases de apoio (…) os membros italianos apoiam-se nos grupos de crime organizado envolvidos no tráfico de cocaína em Portugal».
Neste seu livro, Forgione refere Faro e Setúbal – ambas com portos e zonas costeiras apropriadas para desembarques – como locais de bases da mafia calabresa, sendo que a Camorra possui igualmente um clã em Cascais e outro no Porto, com participação de operacionais portugueses e brasileiros.
Os tentáculos da ação da ‘Ndrangheta em Portugal – e outros países da Europa especialmente os que estão em crise – por via da aliança com o maior e mais sanguinário cartel mexicano da atualidade, os Zetas, tornaram-se muitos mais complexos.
De acordo com a Procuradoria Distrital Antimafia de Reggio Calábria, a ‘Ndrangheta domina o mercado da cocaína na Europa, graças às relações com os narcotraficantes colombianos, mas sobretudo graças à aliança com os Zetas.     
Recentemente, no passado mês de Abril, uma operação da polícia portuguesa desmantelou e deteve um grupo de 44 membros da ‘Ndrangheta, no Porto de Leixões e apreendeu mais de 300 quilos de cocaína que ia ser transacionada para a Europa.

NOTA
Para o leitor interessado em aprofundar este tema, pode consultar imensa bibliografia em diversas línguas, assim como artigos publicados na internet.

domingo, 6 de julho de 2014

DA ORDEM DE S. MIGUEL DA ALA - UMA ASSOCIAÇÃO SECRETA PORTUGUESA


Por Pedro Manuel Pereira


O que é a Ordem de S. Miguel da Ala

 

     A Ordem Equestre e Militar de S. Miguel da Ala, conhecida por Ordem de S. Miguel da Ala ou simplesmente Ordem da Ala (Ordo Equitum Sancte Michaelis sive de Ala) teria sido – segundo a mesma - fundada por D. Afonso Henriques, após a tomada de Santarém aos muçulmanos, em 1147.  

     A conquista da cidade teria ocorrido no dia de S. Miguel (8 de Maio). A verdade é que Santarém foi conquistada em Março de 1147 e não em Maio, como está claramente comprovado. Para além disto, não existe um único documento coevo que prove a fundação de tal ordem pelo primeiro rei português.

     A ordem será, assim, de fundação muito mais recente, embora se ignore a data exata, tendo, promotores desta, procurado engrandecer o seu passado através deste começo mítico ligado ao fundador da nacionalidade, um pouco à imagem - mau grado a comparação - do que sucede com alguns autores, em torno da Maçonaria e outras organizações discretas e/ou secretas.

     Pouco se sabe, no entanto, sobre o seu funcionamento e a totalidade dos seus membros, já que, segundo a tradição, esta ordem teve sempre - e tem - um carácter secreto. Os Grão-Mestres da Ordem terão sido sempre os reis de Portugal.
     A Ordem de S. Miguel da Ala foi fundada pelo rei D. Miguel I, funcionando como uma ordem secreta, tendo como objetivo fundamental o combate à Maçonaria e à Carbonária, pelo que, os seus membros, recebiam treino militar e andavam sempre armados. Depois da vitória dos Liberais em 1834, é extinta oficialmente, mas continuou a existir clandestinamente, apoiando D. Miguel I no exílio. Em 1848, D. Miguel I consegue que o papa Pio X a reestruture, passando a ser formalmente considerada uma ordem secreta. O cargo de Grão-Mestre da Ordem seria a partir daí atribuído aos sucessores de D. Miguel I (D. Miguel II, D. Duarte Nuno e D. Duarte Pio).  
     A Ordem de S. Miguel da Ala é hoje uma irmandade fundamentalista católica, chefiada por D. Duarte Pio, (Grão-Mestre), tendo a sua sede na Igreja do Santíssimo Milagre, em Santarém, muito embora possua outras.
     No entanto, na prática quem a «governa» é o Vice-Chanceler, Carlos Evaristo, um luso-canadiano que preside à Fundação Oureana e muito trabalhou para a canonização dos pastorinhos de Fátima, sendo o capelão mor, o Cónego Prof. Dr. José Geraldes Freire, limitando-se D. Duarte ao desempenho de um papel pouco mais do que decorativo.

A implantação da Ordem da Ala em Portugal
     As referências mais fiáveis quanto à existência e atividades desta instituição datam-se entre os anos de 1733 e 1912, encontrando-se reunidas e documentadas na História da Franco-Maçonaria em Portugal da autoria de Manuel Borges Grainha.
     Quando exilado, instalado em Roma sob a protecção do Papa Gregório XVI e depois, com a anuência do Papa Pio IX, D. Miguel reestrutura a Ordem, para a partir de 1848 a mesma passar a ser, de acordo com o artigo 1º da sua constituição, uma «Ordem secreta, militante e política». De acordo com o artigo 4º, é referido que os membros da Ordem podem até «levantar armas para cumprimento dos seus fins».
     Após ser reestruturada, a Ordem passou a manter algumas semelhanças com a Maçonaria e a Carbonária, nas suas cerimónias de iniciação e no número e graus dos seus membros. Segundo carta de D. Miguel datada de 23 de Junho de 1859, os irmãos adoptavam nomes secretos de cavaleiros do tempo de D. Afonso Henriques.
     Das poucas atividades organizadas e conhecidas dos seus membros no Século XIX, só sabemos que apoiavam D. Miguel I e a sua família no exílio, contribuindo regularmente cada qual, com um tributo.
     Com a condenação e suspensão de todas as Ordens Secretas, decretada pelo Papa Pio IX, na carta Syllabus de 70 erros (1864) e ainda de acordo com o Papa Leão XIII, na carta Humanum Genus, contra as sociedades secretas (1884), as atividades da Ordem de Ala foram aparentemente suspensas, porque na realidade, esta, manteve-se em actividade durante as décadas da sua «clandestinidade» até bem recentemente.
     A Ordem tem hoje existência legal, possuindo estatutos, elaborados em conformidade com os Cânones do Código de Direito Canónico aplicáveis às Associações Privadas de Fiéis, tendo para tanto, recebido parecer favorável das competentes autoridades eclesiásticas e os mesmos aprovados pelo Duque de Bragança em 8 de Maio de 2001.
     De então para cá, de vez em quando vem a terreiro notícias fugidias sobre esta organização, que, para quem esteja mais atento, dá para perceber até onde se estendem os seus tentáculos.
    O Duque de Bragança, pontualmente preside a cerimónias de investidura em Portugal e no estrangeiro de comendadores e cavaleiros da ordem, procurando para tal, igrejas de castelos e outras controladas por esta associação.
      A implantação da Ordem da Ala extravasa as fronteiras, sobretudo junto das comunidades lusas da diáspora, caso dos ilhéus madeirenses fixados na Venezuela, Estados Unidos, Brasil, África do Sul…. - Em comum, todos os seus membros são endinheirados, a quem lhes dá muito jeito social um título, como o de comendador que normalmente adquirem.
     Boa parte dos membros do governo regional da Madeira, autarcas, e muitos políticos no continente, de variados quadrantes partidários, são membros desta ordem, como é o caso do fadista-deputado-maçon-comendador, Nuno da Câmara Pereira; Telmo Correia, deputado; Hernâni Carvalho, jornalista; Joaquim Bastinhas, toureiro; Henrique Mourato, pintor; ou José Raul dos Santos, deputado e ex-presidente da Câmara Municipal de Ourique, entre outros.
     Possui, esta ordem, um pouco por todo o território nacional, milhares de hectares de propriedades rústicas e imóveis, fruto, sobretudo, de doações acumuladas ao longo dos tempos.
     A este propósito e a título de curiosidade, refira-se, que o nome de D. Duarte se encontra actualmente associado a grandes empreendimentos imobiliários em curso, sobretudo no Alentejo e Algarve.

A implantação da Ordem da Ala no estrangeiro
     É natural, que uma organização destas, multicentenar, possua ramificações um pouco por todo o mundo. Efetivamente assim acontece.
     Embora seja uma ordem secreta, a vaidade de alguns dos seus membros, acaba por lhes destapar a careca, que é como quem diz: o véu de alguns notáveis estrangeiros, dos quais, a título de exemplo podemos referir os seguintes:
    . Júlio Meirinhos, recém-eleito Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal. Foi empossado cavaleiro da Ala, em Miranda do Douro em outubro 2010, quando era vice-presidente da Região de Turismo do Nordeste Transmontano;
    . Prof. Dr. Dom Fernando Ramazzini, Director Nacional do Combate à Falsificação – ABCF, organismo do estado brasileiro, entre outros excelsos cargos públicos e privados;
    . Luigi Valle, vice-presidente do grupo Pestana, responsável pelo Casino da Madeira, que entre outras actividades mais, é o Cônsul honorário de Itália no Funchal desde 1982;
    . Elder José A. Teixeira, Presidente da Área da Europa de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mórmons);
     . Rudolf Giuliani, mayor de Nova Yorque quando do famigerado 11 de Setembro;
     . Theodore McCarrik, Cardeal católico de Washington DC;
     . Edwin O’Brien, Arcebispo para os Militares dos EUA;
     . Frei James Michael von Stoebel, da Ordem de Malta;
     . Dr. James Forrester, Senador da Carolina do Norte;
     . Dr. Pedro Catarino, Embaixador de Portugal nos EUA …
     Refira-se que a Ordem da Ala possui vastas propriedades nos EUA e um pouco por outros países em vários continentes.

Conclusão
     A ordem de S. Miguel da Ala, dada a sua antiguidade em actividade e implantação tentacular em Portugal e além-fronteiras é, provavelmente, mais poderosa em termos financeiros e no seio da sociedade que o seu congénere católico espanhol, o Opus Dei.
     O Opus conseguiu em tempo recorde a canonização do seu criador, enquanto a Ala lutou pela canonização dos pastorinhos de Fátima, em que o poderoso loby americano desta ordem desempenhou um importante papel junto da Santa Sé.
     Além disso, sublinhe-se, é uma obediência fundamentalista católica, criada para combater a Maçonaria.

Orientação Bibliográfica
. Branco, Camilo Castelo, A Brasileira de Prazins, Edições Caixotim, 2001.
. Brito, Bernardo de, António Brandão e José Pereira Tavares. Historiografia Alcobacense - excertos da Monarquia Lusitana e da Crónica de Cister, Livraria Sá da Costa, Lisboa, 1940.
. Caderno 108 do «Promotor da Inquisição de Lisboa», Arquivos Nacionais da Torre do Tombo, Lisboa.
. Carvalho, Joaquim Martins de, Apontamentos para a História Contemporânea, Imprensa da Universidade, Coimbra, 1868.
. Costa, Marcus de Noronha da, Para a História do Miguelismo - A Ordem de S. Miguel da Ala, Lisboa, 1978
. Dias, Miguel António, Annaes e Código dos Pedreiros Livres em Portugal, obra fac-sim., 1853, Sol Invictus Atelier, Ericeira, 1990.
. Evaristo, Carlos, A Real Irmandade de São Miguel da Ala - História e Estatutos, Fundação Histórico-Cultural Oureana, 2001.
. Grainha, Manuel Borges, História da Franco-Maçonaria em Portugal - (1735-1912), António Carlos de Carvalho. 4ª ed, Vega, Lisboa, 1986.
. S. Luiz, Francisco de, Memória sobre a Instituição da Ordem Militar da Ala Atribuída a El-Rei D. Afonso Henriquez, Tipografia da Academia Real das Ciências, Lisboa, 1843.
. São Miguel e Outros Santos Mais, Expresso, 13 de Maio de 1995
. Soriano, Luz, História da Guerra Civil e do estabelecimento do governo parlamentar em Portugal, comprehedendo a historia diplomatica, militar e politica d'este reino desde 1777 até 1834, 15 vols., Imprensa Nacional, Lisboa, 1866-1893.
Internet
Periódico
A Voz do Nordeste, edição de 10 de outubro de 2010.