terça-feira, 1 de julho de 2014

A ORDEM SOBERANA MILITAR DE MALTA - DAS ORIGENS À ATUALIDADE

Por Pedro Manuel Pereira



A Ordem Soberana e Militar de Malta (OSMM) é, provavelmente, uma das instituições mais elitistas do mundo, acolhendo no seu seio alguns dos mais poderosos dirigentes mundiais.
Sob a capa da respeitabilidade que lhe é conferida pela sua ligação umbilical ao Vaticano, a pretexto de ser uma organização com objetivos humanitários, dedica-se nos tempos que correm a sustentar grupos extremistas de direita.
Esta Ordem proclama que a sua origem remonta aos tempos da Cruzadas, período em que esteve envolvida militarmente na defesa dos lugares santos e no combate aos infiéis. Não obstante e em boa verdade, hoje em dia não é mais do que uma sociedade secreta ligada a diversos serviços de inteligência ocidentais, nomeadamente à CIA.
O seu território é um prédio e o seu jardim, o Palazzo Malta, na Via Condotti, em Roma, ocupando uma área de 6 km2, nada tendo a ver atualmente com a ilha situada no Mediterrâneo que porta o mesmo nome.
A Ordem de Malta e o seu território foram reconhecidos em 1966. Muito embora não seja reconhecida como um Estado, possui status como organização internacional, tal como a ONU ou a Cruz Vermelha. No seu território, em Roma, residem tão só três pessoas, o Príncipe, o Grão-Mestre e o Chanceler. Todos os seus membros possuem nacionalidade maltesa, a par da sua nacionalidade de origem. Emitem os seus passaportes e os seus selos. 
O seu Grão-Mestre é Frey Mattheu Festing, tendo esta organização como objetivo aparente, proporcionar «assistência humanitária», para o que mantém como bases logísticas próprias, clínicas, hospitais e ambulâncias que proporcionam ajuda a refugiados, de forma política, vindo a atuar nos últimos anos como força de apoio, sobretudo nos conflitos em África.
A Ordem, cujo patrono é S. João Batista, é uma organização humanitária soberana internacional, reconhecida como entidade de direito internacional, distribui títulos honoríficos e de cavalaria aos seus membros. Calcula-se que existam 12 500 Cavaleiros da Ordem de Malta espalhados um pouco por todo o mundo, 80 000 voluntários permanentes e 20 000 profissionais da saúde associados, espalhados pelos cinco continentes.
O mais influente grupo no seu seio é constituído por poderosas famílias aristocráticas como os Habsburgo, os Hohenzollern e os Luxemburg, para além da nata da aristocracia germânica.
A OSMM atua como um polo aglutinador do mais extremado catolicismo conservador, estabelecendo a ponte entre a Igreja, os grandes negócios, o establishment político e as redes de espionagem ocidentais.
A origem histórica desta associação nasceu há mais de 900 anos, quando os Cavaleiros Hospitalários de S. João, constituídos por comerciantes da península itálica, fundaram um hospital para cuidar dos peregrinos que demandavam Jerusalém.

Os peregrinos europeus protagonizaram, assim, uma copiosa fonte de rendimentos para a Ordem, cujos proventos empregaram na aquisição de propriedades em distintos lugares do Mediterrâneo e no estabelecimento de delegações, chegando a dominar pontos estratégicos da ilha que lhes daria o nome.
Além disso, a Ordem possuía um corpo de homens armados para defender os seus interesses mercantis, denominados Cavaleiros de S. João, que eram não só defensores da Igreja, mas de igual forma vendiam os seus serviços a quem melhor lhes pagasse.
Dada a sua estreita relação com o Papa, nenhum governante se atrevia a desafia-los. A Igreja por seu turno premiou os seus méritos com um status diplomático especial, autónomo dos poderes soberanos.
Suprimido por Napoleão em 1878, o controlo da ilha de Malta por esta organização, a mesma mudou-se para Roma, e em 1929 recebeu o reconhecimento especial de Mussolini, pai do fascismo, tendo, durante a 2ª Guerra Mundial, colaborado estreitamente com as forças do Eixo: Alemanha, Itália e Japão. No final do conflito bélico, prestaram auxílio à fuga de vários criminosos de guerra nazis, incluindo o notório Klaus Barbie, oficial das SS, conhecido pelo «carniceiro de Lyon». A operação ODESSA, que permitiu a fuga de centenas de milhar destes criminosos foi financiada pelos fundos do Banco do Vaticano.
A figura principal deste episódio foi Reibhard Gehlen, general nazi que tinha tido o cargo da inteligência na frente militar Este. Destacado espião, membro da SOMM, teve a missão de organizar a fuga para fora da Europa dos nazis, fascistas e colaboracionistas no término da guerra. No entanto, a atividade da SOMM não se limitou a atividades pro nazis.
A partir do século XI, a Ordem de Malta estendeu as suas atividades ao anticomunismo «militante», tendo no decurso dos anos aberto as suas portas aos mais destacados capitalistas e ardentes defensores da Igreja.
Em 1927 a SOMM fundou uma delegação nos Estados Unidos, tendo para tanto contado com apoios de destacadas personalidades como os Kennedy, os Ford, etc. - O atual chefe dessa filial é J. P. Grace, industrial que manteve laços estreitos com o Terceiro Reich.
Nos dias de hoje, mantém relações diplomáticas com o Vaticano e outros 104 países - onde tem embaixadas - entre os quais se inclui Portugal (com Grão-priorado no Crato, Alto Alentejo) e de acordo com as
leis internacionais é reconhecido como o mais pequeno Estado do mundo, tendo representação na ONU, com o estatuto de observador.
A título de curiosidade refira-se que pelo facto dos seus membros possuírem estatuto diplomático, os mesmos gozam de imunidade internacional.



ALGUNS DOS SEUS DETACADOS MEMBROS
J. J. Angleton. Foi chefe da contrainteligência da CIA e esteve relacionado com atentados terroristas em Itália e na Grã-Bretanha. Foi-lhe concedida uma das mais altas distinções da Ordem de Malta, a Grã-Cruz de Mérito, pelos seus esforços na consolidação e expansão da organização de direita, Acção Católica.
Destacados membros da Ordem de Malta estiveram implicados nos sangrentos atentados ocorridos em Itália durante os anos 60 e 70, como o príncipe Junio Valerio Borghese, criminoso de guerra (2ª Guerra Mundial) condenado à morte pela Resistência e resgatado por Angleton e o general G. de Lourenzo, «capo» da inteligência militar italiana, tendo sido também, deputado pelo partido fascista MSI.
O regate de Borghese durante a 2ª guerra Mundial foi ordenado pelo almirante E. Stone, procônsul americano das forças de ocupação em Itália, que era igualmente membro da SOMM.
Luigi Gedda. Chefe da Acção Católica, que de acordo com Angleton foi fundada pela CIA conjuntamente com o Comité Cívico do Vaticano, presidido por Gedda.
Na galeria destas personalidades merecem ainda destaque:
- Alexander Haig;
- Clare Booth Luce, mulher do fundador da Time/Life, mais tarde embaixador dos EUA para o Vaticano.
- F. Shakespeare – diretor da organização de extrema-direita, Heritage Fundation;
- Almirante J. Watkins, antigo chefe de operações das forças armadas dos Estados Unidos;
- J. Buckley (falecido), um dos cabecilhas do aparelho propagandístico anticomunista;
- Reinhard Gehlen, criminoso de guerra Nazi;
- Heinrich Himmler, criminoso de guerra Nazi;
- Kurt Waldheim, ex-secretário geral da ONU e criminoso de guerra Nazi;
- Franz von Papen, patrocinador de Hitler;
- Fritz Thyssen, financiador de Hitler;
- Rupert Murdoch, magnata da comunicação social;
- Tony Blair, ex-1º ministro britânico;
- Pat Buchanan, destacado membro da direita americana;
- William F. Buckley, Jr., autor e comentarista conservador americano;
- Precott Bush, Jr., senador dos Estados Unidos pelo estado de Conneticut e banqueiro em Wall Street. Pai do ex-presidente dos EUA George H. W. Bush;
 - Edward Egan, Arcebispo de Nova York;
 - Ted Kennedy, senador;
- David Rockefeller, banqueiro e patriarca da família com o mesmo nome;
- Phyllis Schlafly, política ultraconservadora republicana;
- J. Edgar Hoover, ex-diretor do FBI;
- Joseph Kennedy, ex-presidente dos EUA;
- Henry Luce, poderoso empresário, dono da Time/Life;
- Thomas ‘Tip’ O’Neill, político conservador americano;
- Ronald E. Reagan, Ex-presidente dos EUA;
- Allen Dulles, proeminente advogado e diplomata americano. Foi o primeiro civil a ser Diretor da CIA;
- Avery Dulles  professor da Universidade Fordham, escritor, teólogo, sacerdote da Companhia de Jesus e cardeal;
- Frank C Carlucci, ex- diretor da CIA e embaixador em Portugal;
- Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul;
- Rick Santorum, advogado e político americano. Membro do Partido Republicano
- Oliver North, ex coronel dos fuzileiros navais  dos Estados Unidos;
- George H.W Bush, ex-presidente dos EUA;
- Augusto Pinochet, ex-ditador do Chile;
- William Randolph Hearst, magnata da imprensa;
- Francis L. Kellogg; mega empresário…
A OSMM colaborou em tempo com a American Foundation, recolhendo 10 milhões de dólares para as forças anticomunistas na Polónia, Afeganistão e Vietnam.
Foram dirigentes dessa fundação W. Simon, ex-secretário de Estado do Tesouro americano e Cavaleiro da Ordem, e Z. Brzezinski, Conselheiro de Segurança Nacional no governo de Carter. Além do mais, no decorrer da investigação do escândalo Irão-Contras, a OSMM foi reconhecida como fonte da maioria do dinheiro recolhido para os Contras.
Quanto aos seus membros mais proeminentes na Europa refira-se:
- Amschel Mayer Rothschild (1744–1812), banqueiro alemão de origem judaica, fundador do império bancário da família Rothschild;
- General Reinhard Gehle, chefe do serviço secreto de Hitler;
- O vice-chaceler de Hitler, Franz Von Papen;
- O ex-soberano de Espanha Juan Carlos;
- O ditador espanhol Francisco Franco;
- O ex-presidente de França, Valeri Giscard D’Estaing;
- O seu chefe de espionagem, Alexandre de Marenches;
- Ernst von Freyberg, atual presidente do Banco do Vaticano, eufemisticamente designado, IOR-Instituto para as Obras Religiosas);
- Willian F. Buckley, porta-voz da fação «Bombas de Jesus» do Catolicismo Romano…
- Diversos membros da Loja P-2 italiana, ligada ao escândalo financeiro do Banco Ambrosiano, Vaticano…
A propósito das ligações italianas desta Ordem, convém recordar o seguinte:
Há poucas décadas, a comunicação social de todo o mundo noticiou amplamente um escândalo envolvendo o Vaticano, a Maçonaria, a Máfia, a CIA, o Banco Ambrosiano e a Ordem de Malta. No contexto deste escândalo aparecem associados nomes de personalidades de destaque no mundo financeiro, nomeadamente Licio Gelli, Michael Sindona, Roberto Calvi, Arcebispo Paul Marcinkus e outros ligados à tal Loja P-2.
No dia 18 de junho de 1982, Roberto Calvi foi encontrado enforcado na Ponte de Blackfriars (Londres). Calvi tinha saído apressadamente da Itália onde foi acusado de várias fraudes.
Doze anos antes, em 1970, Gelli e seus companheiros da Ordem de Malta, nomeadamente Michel Sindona, assumiram o controlo das Finanças do Vaticano com a conivência do Arcebispo Paul Marcinkus. Este membro da Igreja foi gerente do Banco do Vaticano e fundou nas Bahamas outro banco, de nome Banco Cisalpine, que geriu juntamente com o enforcado Roberto Calvi.
Como Presidente do Banco Ambrosiano, foi um dos principais administradores das transações financeiras do Vaticano, devido às ligações umbilicais entre o Banco Ambrosiano e o Banco do Vaticano (IOR). As suas manigâncias e fraudes colocaram o Vaticano num estado financeiro periclitante, com um deficit de centenas de milhões de dólares.
Na verdade a famigerada Loja P2 não era uma genuína Loja Maçónica, mas antes, uma capa criada e financiada pela Igreja de Roma para tapar dos olhos dos incautos, os cambalachos políticos e financeiros.


A P2, da qual era membro (igualmente da Ordem de Malta) Roberto Calvi, foi amplamente investigada por magistrados italianos, acusada de várias fraudes financeiras, de lavar dinheiro da Máfia, de infiltrar inúmeros agentes seus no governo italiano e de conspirar para instalar um governo fascista em Itália, através de um golpe de Estado.
Era Grão Mestre da Loja P2 o Licio Gelli, simultaneamente agente da CIA, da KGB e membro da Ordem de Malta.
Como membro da Ordem de Malta, Licio Gelli mantinha laços fraternais com Willian Casey, chefe da CIA e também Cavaleiro da Ordem de Malta e com o General Alexander Haig, sob a gestão presidencial de Ronald Reagan. Isto explica porque Michele Sidona, um dos colegas de Gelli nas fraudes bancárias, foi convidado especial de Nixon na Casa Branca.
Toda esta trama de ligações perigosas por detrás dos bastidores, acobertados na Ordem de Malta, Licio Gelli, Willian Casey, General Haig, Roberto Calvi, Vaticano, KGB etc, encontra-se amplamente descrita no livro de Gordon Thomas, The Year of Armaggedon.
De acordo com o citado autor, o Papa João Paulo II tinha encontros semanais com agentes da CIA e usava os Cavaleiros de Malta como mensageiros de secretas comunicações com o quartel-general da CIA em Alexandria, Virgínia.
Ainda segundo vários investigadores, a Ordem de Malta é a polícia secreta do Vaticano e os seus membros são ajuramentados para tudo fazerem no sentido de destruir o Liberalismo, o Protestantismo, a Democracia, a Maçonaria e tudo mais que considerem pôr em risco a Omnipotência Papal.


E por falar em CIA… Quem formou esta agência de espionagem norte-americana foi um Cavaleiro da Ordem de Malta,  que é considerado, portanto o seu progenitor. Com o decorrer dos anos, foram chefes da CIA outros membros da Ordem.
Por seu turno quem formou o FBI foi um Cavaleiro da Ordem de Malta, membro do Conselho da Universidade Católica da América, de seu nome Charles Joseph Bonaparte.
A Ordem Soberana e Militar Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta (designação completa), também conhecida por Ordem do Hospital, Ordem de São João de Jerusalém ou Ordem de São João de Rodes, considera-se como portadora da tradição do Cruzados e luta contra o infiel, quer seja árabe, judeu, comunista, socialista... assumindo-se como baluarte da tradição conservadora no seio da Igreja.
Em jeito de conclusão citamos o jordano MP Jamal Muhammad Abidat, que no editorail de um jornal diário dos Emiratos Árabes Unidos, num artigo intitulado The Knights of Malta – More Than a Conspiracy, escreve:
«A dolorosa saga da história Árabe-Muçulmana evoca as batalhas travadas nas Cruzadas, no século XI, quando os Cavaleiros de Malta iniciaram as suas operações como milícia cristã cuja missão era defender a terra conquistada pelos cruzados. Estas memórias voltam violentamente à memória com a descoberta de vínculos que as chamadas empresas de segurança do tipo Blackwater tem com a Ordem de Malta. Não é exagero. A Ordem de Malta é um governo secreto ou o governo mais misterioso do mundo.»
NOTA

Ao fechar este artigo, ficamos a saber pela comunicação social da adesão a esta "benemérita" corporação de mais um português, Mota Soares (aquele que andava de mota), ministro dos pobrezinhos. Ficou muito bem nas fotos com um balandrau com a cruz da ordem ao peito, de olhos contritos pespegados no chão.

ORIENTAÇÃO BIBLIOGRAFICA
Obras Impressas
. Cintreras A. de: Aventuras del capitán Alonso de Contreras (ED. Facsimil), Madrid, Ed. Maxtor, 2009.
. Goodman, A. / Alonso, I.: Rodas, 1522: El mayor asedio de la historia, Ed. EDHASA.
. Lacroix, Fr: Historia de Malta y El Gozo. Barcelona, 1850.
. López Nadal, G. A.: Malta en la estrategia del corsarismo mallorquín en la segunda mitad del siglo XVII, Actas primer Coloquio Internacional Hispano Maltés de Historia : La Valetta, 7 y 22 de mayo de 1990, 1991.
. O'Donnel, H.: La Soberana Orden de Malta y el Mar. Actas del Primer Simposio Histórico de la Orden de San Juan en España: Madrid, 1990, 2003.
. Pérez Peña, R.: La soberana Orden de Malta a través de diez siglos de historia y su relación con la acción humanitaria. Tesis. Dirs: Dr. D. Alejandro J. Rodríguez Carrión y Dra. Dña. Magdalena M. Martín Martínez. Departamento de Ciencia Política, Derecho Internacional Público y Derecho Procesal. Málaga, Universidad de Málaga , 2009.
. Rey Castelao, O.: Las órdenes militares en tiempos de Carlos V: algunas consideraciones sobre las de Malta y Santiago. Carlos V europeísmo y universalidad: [congreso internacional,Granada mayo 2000] / coord. por Francisco Sánchez-Montes González, Juan Luis Castellano Castellano, Vol. 4, 2001.
. Sánchez Fernández, J.: La diplomacia española y la rendición de Malta (1798). Investigaciones históricas: Época moderna y contemporánea, nº 19, IH, 1999.
. Spagnoletti, A.: Introducción a la historiografía sobre la «lengua» de Italia de la orden de San Juan de Jerusalén en la Edad Moderna. Stud, his., H. a mod., 24, Ediciones Universidad de Salamanca, 2002.
Artigos na Internet



sábado, 22 de fevereiro de 2014

O MUNDO BANKSTER E OS BANQUEIROS “SUICÍDAS”

Por Pedro Manuel Pereira
Tempestades de neve sem precedentes, vagas de frio polar, subida assustadora do nível dos mares, abalos de terra e tsunamis com um infindável cortejo de mortos, feridos e ampla devastação material. Vagas de calor inusitadas, focos regionais de desordem e caos social. Descrença generalizada e perda de respeito pelos poderes públicos e políticos desacreditados e corruptos. A Justiça formal já foi. Os países da Europa do Sul, nomeadamente a Espanha, Portugal e Grécia, encontram-se mergulhados nas trevas governativas. Países geridos por serventuários do sistema bancário internacional que desconhecem em absoluto o que são ideologias políticas, práticas sociais e muito menos o que seja governarem a favor dos povos.
Tudo isto ao mesmo tempo que a elite mundial se prepara para a morte iminente do sistema financeiro internacional assente no dólar.
Entretanto o governo norte-americano já notificou os maiores grupos bancários como o Bank of America Corp., J.P.Morgan Chase & Co., Goldman Sachs Group Inc., Citigroup Inc., e Morgan Stanley, para um eminente colapso financeiro, ao mesmo tempo que - contraditoriamente - a administração Obama vem assegurando aos cidadãos que a economia está a melhorar.
Sintomaticamente contam-se vários os banqueiros de topo e outros a eles ligados que se “suicidaram” nas últimas semanas.
As mortes começaram no domingo, dia 26 de janeiro de 2014. Nos dias seguintes, executivos de topo das maiores empresas financeiras, foram encontrados mortos de forma insólita.
A comunicação social e as autoridades policiais foram lestas a diagnosticar as causas das mortes, classificando-as de “suicídios”, mesmo antes dos corpos serem autopsiados e os fatos serem comprovados.
Esta é uma velha estratégia; a de dar destaque a um acontecimento com ênfase num aspeto, desviando a atenção da realidade de forma a ganhar espaço de manobra para assim ludibriar facilmente a opinião pública. Por “coincidência” as empresas financeiras, onde os executivos mortos trabalhavam, encontram-se sob investigação por fraude financeira potencialmente grave que irá afetar - já começou - em breve imensos países, incluindo Portugal, evidentemente.

O suicidados
O caso mais fantástico neste verdadeiro folhetim de humor negro teve início com o desaparecimento do repórter David Bird, na tarde de 11 de janeiro, sem deixar rasto, perto de sua casa de Nova Jersey. O repórter era especialista em assuntos de mercados de petróleo e tinha trabalhado na sala de imprensa do Dow Jones, no Wall Street Journal durante 20 anos. Estava a ser investigado pela Subcomissão Permanente de Investigações do Senado dos EUA, num processo relacionado com a manipulação de preços.
Não obstante intensas buscas empreendidas por centenas de voluntários, pela polícia local e pelo FBI após o seu desaparecimento, Bird não foi encontrado até hoje.
Seguiu-se William Broeksmit, de 58 anos e nacionalidade norte-americana, alto executivo do Deutsche Bank AG, muito próximo do seu copresidente, Anshu Jain. Juntos tinham começado as respetivas carreiras no banco norte-americano Merril Lynch e, posteriormente, tinham-se mudado depois para o Deutsche Bank, com o mentor norte-americano de ambos, Edson Mitchell. Broeksmit – que se havia reformado recentemente - foi encontrado enforcado na sua casa, em South Kensington, Londres, em 26 de janeiro. 
Nesse mesmo dia (26 de janeiro), “suicida-se também Tim Dickenson, diretor da Swiss Re AG Investimentos, sedeada em Londres. Foi encontrado sem vida no seu apartamento londrino, desconhecendo-se oficialmente as causas da morte.
Eric Ben-Artzi, um ex-analista de risco, foi encontrado morto no dia seguinte (27 de janeiro). Eric tinha estado nos últimos dias na Universidade de Auburn, Alabama, informando que o banco - Deutsche Bank - teria ocultado 12 biliões de dólares em perdas com o conhecimento dos seus altos executivos, durante a crise financeira. Deutsche Bank e a J.P.Morgan estão sendo investigados pela Subcomissão Permanente de Investigações do Senado dos EUA. Encontram-se sob a mesma investigação por possível envolvimento na manipulação das taxas de câmbio e suspeita de má conduta nos mercados dos EUA e de Londres.
Gabriel Magee foi o quarto a ser “suicidado” dois dias após o primeiro caso (28 de janeiro). Magge era americano, de 39 anos de idade, vice-presidente do J.P.Morgan em Londres.
Gabriel caiu do 33º andar do telhado da sede europeia do J.P.Morgan, em Canary Wharf, onde trabalhava há dez anos. De acordo com seu perfil no Linkedin, estava envolvido na "arquitetura técnica para supervisão do planeamento, desenvolvimento e operação de sistemas de títulos de renda fixa e derivativos de taxa de juros".
Nell Magee, a mãe do “suicida”, disse num depoimento que o seu filho era "uma pessoa feliz e que estava de bem com a vida".
O “suicida” seguinte foi Michael Dueker.  “Matou-se” um dia após a morte de Magee, na quarta-feira, dia 29 de janeiro de 2014, tendo o seu corpo sido encontrado perto de Tacoma Narrows Bridge, no Estado de Washington. Teria "saltado" de uma ponte com quinze metros de altura.
A família que supunha que ele tivesse saído para fazer jogging, deu o alarme sobre o seu desaparecimento no fim desse dia. Dueker tinha 50 anos de idade e era economista-chefe da Russell Investments.
A biografia oficial de Dueker, antes de ingressar na Russell Investments, refere que foi vice-presidente assistente e economista de pesquisa no Federal Reserve Bank of St. Louis, de 1991 a 2008. Era um dos economistas de topo, com trabalhos especialmente considerados sobre previsão das recessões nos EUA.
De acordo com uma reportagem do New York Times, em novembro de 2013, a Russell Investments foi uma das várias empresas que receberam intimações dos órgãos reguladores do Estado de Nova York, que investigam o esquema de compra de favores envolvendo os fundos de pensão com sedes em Nova Iorque.
Seguiu-se Karl Slym, de 51 anos, administrador britânico da produtora automóvel Tata Motor’s desde 2012.  Slym possuía uma invejável carreira internacional, tendo trabalhado para a Toyota no Reino Unido e para a General Motors na Índia e na China. Foi encontrado morto no 22º andar do Hotel Shangri-La em Banguecoque, onde se encontrava alojado com a esposa, em 27 de janeiro.  
Em 3 de fevereiro, Ryan Henry Crane, de 37 anos, outro alto executivo do J.P.Morgan Chase morreu em circunstâncias misteriosas. Tinha sido o responsável pelas negociações do programa global do J.P.Morgan, ou seja, diretor executivo do JPM’s Global Program Trading no escritório de Nova Iorque, tendo sido quadro sénior da empresa durante 14 anos. Detinha estreito laços de trabalho com Gabriel Magee. As causas da morte ainda não foram determinadas. Aguardam-se os resultados de um relatório de toxicologia.
Richard Talley, de 57 anos, fundador do American Title Services em Centennial, Colorado foi o seguinte a ser “suicidado” (6 de fevereiro). Estava a ser investigado pela Agência Reguladora de Seguros, que supervisiona as empresas de títulos.
Com 57 anos de idade “suicidou-se” de forma mais criativa que os seus antecessores. A porta-voz de um médico legista afirmou que Talley foi encontrado morto na sua garagem com  oito furos autoinfligidos por uma pistola de pregos que “ele” disparou no seu próprio peito e na cabeça.
O mais recente “suicida”, de nome, Li Junjie, é um homem de 33 anos, com o cargo de "junior investment banker", que saltou de uma altura de 30 andares, do edifício Chater House, sede da J.P.Morgan, no coração financeiro de Hong Kong, em 15 de fevereiro. 
Aquilo que até há pouco tempo era propalado pelos céticos como teoria da conspiração, começa a tornar-se evidente como sendo uma realidade, uma conspiração mundial orquestrada por um grupo extremamente poderoso e influente de indivíduos, cuja aspiração é criar um governo mundial alheio a fronteiras nacionais e regionais, perfeitamente obediente aos seus desígnios.
O segundo dos seus objetivos – o primeiro é o colapso económico e financeiro mundial – é obterem o controlo completo sobre todos os seres humanos do planeta, podendo assim reduzir drasticamente a população dos 7 biliões atuais para 5,5 biliões de pessoas, procurando pôr em prática as teorias Malthusianas.
O terceiro objetivo assenta na limitação da liberdade de expressão, a qual se encontra presentemente debaixo de fogo. As inovações tecnológicas como a Internet, tornaram possível para os cidadãos em todo o mundo comunicar diretamente e de forma rápida entre si, relegando para segundo plano os tradicionais meios de comunicação social detidos pela elite global, realidade que a trás muito desconfortável. Como consequência, em cada dia que passa, a elite mundial faz aprovar novas e mais repressivas leis restringindo o acesso à informação livre através da internet, deitando a mão aos órgãos de informação apetecíveis e chantageando outros, silenciando dessa forma, gradualmente, todos os movimentos de resistência à globalização em curso. 
O “suicídio” dos banqueiros é mais um sintoma da marcha para uma nova ordem mundial.
NOTA FINAL:
Embora aparentemente não haja nexo causal direto entre os falecidos, existem aspetos em comum. A saber:
. Eram indivíduos posicionados no topo de empresas-chave do setor financeiro, com conhecimentos e poder de decisão;
. Os grupos económicos/financeiros que os falecidos integravam foram – eram - protagonistas da crise económica mundial marcada pelo Crash de 2008;
. Os mortos foram encontrados em cenários que aparentavam suicídio, sem que no entanto tivessem sido reveladas provas definitivas de tal, mas tão só indícios circunstanciais.





terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A FUGA PARA OS SUBTERRÂNEOS

Por Pedro Manuel Pereira

De acordo com as previsões de vários cientistas, estima-se que na próxima década o nível dos oceanos suba mais de 33 metros, tragando milhares de ilhas, ilhotas, atóis e cidades costeiras em todo o Planeta.
Os governos, a elite política e económica têm conhecimento deste cenário desde os alvores deste 3º milénio. Porém, a estratégia mancomunada entre eles tem sido – mais do que omitir – a de esconder a verdade às populações, adotando como estratégia a construção secreta de gigantescas cidades/esconderijos subterrâneos (mais de 1500) para se alojarem, às suas famílias e clientelas económicas e políticas. Esta é uma séria realidade que vem decorrendo desde 2006, pelo menos, no norte da Rússia, China, Estados Unidos, Canadá, Austrália e em outras regiões. Sintomaticamente o cerco e boicote à informação encontra-se de tal ordem montado, que este é um dos segredos que mais bem guardados têm sido da opinião pública. À medida que as grandes catástrofes se vêem sucedendo, os poderosos aceleram a construção das suas defesas subterrâneas. Não é por acaso e como estratégia de preservação de alimentos num futuro após catástrofe à escala global, que Cary Flower, da Global Diversity Trust construiu em 2006, numa ilha do Árctico, na costa da Noruega, um gigantesco cofre subterrâneo que abriga mais de dois mil milhões de sementes, de quatro milhões e meio de diferentes tipos. Este armazém preserva exemplares de todas as sementes necessárias para replantar a Terra.
A sua construção custou pouco mais de €4 milhões. Trata-se de um banco de sementes capaz de resistir a um ataque nuclear e tem como objectivo preservar as sementes da ocorrência de desastres naturais, das mudanças climáticas, da natureza e de guerras.
As baixas temperaturas e o reduzido limite de oxigénio no interior do reservatório previnem o envelhecimento das sementes. A estrutura circundante às instalações ajuda a manter a reduzida temperatura das mesmas, caso falhe o fornecimento de energia eléctrica.
Nos últimos tempos a opinião pública vem sendo bombardeada através dos meios de comunicação controlados pela elite global de dados parcelares dos drásticos câmbios da realidade climática em curso, através de filmes, documentários e noticiários, de forma a testar a reacção pública face às ameaças de um caos mundial.
Por outro lado, nos últimos anos, diversas organizações a nível planetário têm procedido a mudanças suspeitas e realocações longe das zonas costeiras. No caso dos EUA, por exemplo, a CIA deslocalizou o seu comando central da Virgínia para o Colorado. A Biblioteca da Agência para a Protecção do Ambiente, a maior biblioteca biológica de referência do mundo, foi fechada em 2007 e as seguintes agências e organizações têm mudado, ou estão no processo de mudança: a Agência Nacional de Segurança (NSA); o Comando Militar do Norte; NASA; FEMA (Federal Emergency Management Agency); e a biblioteca do Vaticano.
É de registar que nos últimos anos, o governo dos EUA tem sido um dos maiores compradores de alimentos para sobrevivência, como alimentos liofilizados com vista à implantação de estratégias de emergência.

Enquanto legiões de pessoas por todo o mundo esperam o colapso das sociedades e outros o fim do mundo, muitos milhões mais aguardam um descalabro dos seus governos e das suas instituições. Os que prevêem num breve futuro um colapso económico e financeiro juntam ouro, compram terras, fertilizantes, sementes…
A recessão económica, iniciada em finais da década passada, os desastres cataclísmicos, desde furacões devastadores a crises prolongadas como as decorrentes de um ataque electromagnético, que poderiam destruir as infraestruturas tecnológicas, são conducentes a eventuais abismos fiscais, paralisação de governos, colapso das instituições e da ordem social, cenários que estão a ser equacionados por governantes a nível mundial, que supostamente poderão ocorrer até finais de 2014.



sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

PUTAS AO PODER QUE OS FILHOS JÁ LÁ ESTÃO!

             «Um Partido Politico é a união voluntária de cidadãos com afinidades ideológicas e políticas, organizada com disciplina, visando a disputa do poder político».
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          Não sabemos a razão porque nas últimas semanas nos tem assaltado à mente esta frase dos anarquistas pinchada nas paredes um pouco por todo o país nos anos que se seguiram após o 25 de abril de 1974: Putas ao Poder que os Filhos já lá Estão.
É evidente que nem todos os filhos e filhas que se encontram no poder são filhos da puta, que essas trabalhadoras do sexo, coitadas, fartam-se de trabalhar para educar a sua prole, além de que não há notícia até ao momento, que entre esses descendentes existam pessoas sem caráter, sem dignidade, corruptas, desonestas… Enfim, gente de mau porte e maus costumes. Mas nunca se sabe…
Sem dúvida que, os trambolhões que muitas criaturas deram para conquistarem lugares nas autarquias no decorrer do último festival eleitoral, são de enaltecer. Os esforços físicos que tiveram de fazer, sobretudo todos quantos têm problemas de saúde óssea, como osteoporose, hérnias discais e outras maleitas de ossos, não é de somenos importância, coitaditos… - É que ter de vergar a cabeça e a coluna, dar cambalhotas e fazer piruetas para alcançar o poder, agrava irremediavelmente patologias clínicas degenerativas.
No após ato eleiçoeiro autárquico passado, os casamentos espúrios quase concubinatos, esgalhados entre os que timidamente ficaram à frente e outros sem expressão eleitoral - exemplos: PS/PSD, PCP/PSD e por aí fora – que se encontram em algumas localidades deste país desgraçado, balançam entre a pornografia «política» e a obscenidade, num atentado contra as regras básicas da moral por que se devem de reger as relações entre os seres humanos. Alianças contra natura à revelia dos eleitores, pois se os quisessem casados não teriam votado em partidos diferentes.   
Trambiqueiros em quem a maioria dos eleitores votaram, da mesma forma que apoiam os ídolos dos clubes de futebol. Políticos de pacotilha que se comportam ao serviço dos partidos, tal como os jogadores da bola, ou seja, mudam de partido (clube) e de camisola como quem muda de cuecas, enquanto os adeptos clubísticos continuam agarrados às cores futebolísticas da sua paixão.
Analisados os números de votos relativamente aos eleitores, um pouco por todo o território nacional, constata-se que quem exerce o poder – na maior parte dos casos - se representa só a eles e mais as corporações de negociatas e os lobies de interesses económicos que os sustentam – leia-se: os salteadores - estribados em percentagens de votos perfeitamente ridículas relativamente ao número total de votantes. Atente-se, sobretudo, ao elevado índice de abstencionistas.
Entre a lei – que lhes permite lá estar – e a ética ou a decência, separa-as um fosso abismal.
A promiscuidade, a sabujice, a selvajaria dos pimpolhos - e das pimpolhas – que se dizem «políticos», ultrapassa – em muito – os limites da imaginação da espécie homo erectus em geral e das pessoas honestas e decentes em particular.
Falamos de canalhas que não cuidam de ideologias, que as consideram «curiosidades do passado» e até perseguem quem as defenda.   Dominados os aparelhos partidários dos partidos «políticos» por esta gentalha, os mesmos transformam-se em antros de negociatas sórdidas ao seu serviço e dos seus financiadores, dos seus familiares e das clientelas a quem têm de pagar o favor de votar internamente neles para treparem para os lugares que lhes permitam governarem-se e alimentar os sabujos que os acolitam, com algumas migalhas que vão deixando cair por descuido da mesa do repasto.
São estes os contorcionistas que no quotidiano tentam despistar a população dos graves problemas que a afligem, transformando realizações obrigatórias em feitos heroicos, ao mesmo tempo que procuram por todos as formas criar mecanismos de perpetuação no poder acobertados na conspurcada e vilipendiada palavra «democracia», elegendo como seus principais inimigos - mesmo dentro dos seus «partidos» - todos quantos critiquem as suas prepotências e os seus desacatos e desmandos.
Esquecem-se que um partido político sem ideologia que o sustente é como uma retrete sem sanita, ou seja, uma cagadeira cujo cheiro nauseabundo aumenta em cada dia que passa.
Porém, como o instinto de sobrevivência dos trambiqueiros «políticos» fala mais alto, à medida que as patifarias que exercem sobre tudo e todos se vão tornando escandalosamente evidentes, as defecções redundam no emagrecimento do seu sustentáculo «político» também conhecido por, «bases políticas».
Os malabarismos e a sucessão de truques politiqueiros e económicos estão a chegar ao fim por via da conjuntura económica, pois como diz o ditado: «Não há dinheiro, não há palhaços». Ora o que temos vindo aqui a falar é de «palhaços» que não sabem atuar sem dinheiro.
Por tal facto, os casos de corrupção e de enriquecimento ilícito de correligionários no poder – de todas as cores - vai-se tornando uma miragem em cada dia que passa. O desalento apodera-se dos artistas do circo sinistro, na justa medida em que o dinheiro rareia...
A mediocridade é regra de ouro para estes «circenses» porque eles em si mesmo são medíocres. Uns - e umas -, galinhas e galos velhos trauliteiros como botas da tropa encardidos, outros oriundos das «jotas», fedelhos imberbes, acéfalos, sem habilitações profissionais ou académicas, nem qualquer currículo profissional ou experiência de vida, odiando até quem os tenha…
Porém, chegaram ao poder ou pendurados às fraldas dele estão, porque o sistema – miserável - criado pelas décadas de «democracia» em Portugal, foi construído de molde ao afastamento do mérito, premiando a incompetência, a sabujice, a imbecilidade e a acefalia. Como se isto não bastasse, torna possível a criação de «políticos invertebrados», de amibas, destituídos de ética ou moral, sem sentido de responsabilidade. Trata-se de canalha que vive da «política» e não para a política.
Enquanto não houver uma reformulação profunda no seio dos partidos políticos, os portugueses deixarem de os sustentar com o dinheiro dos seus impostos e uma reforma honesta do sistema de representatividade político/partidário, não poderemos viver ou falar de democracia em Portugal, porque este é um país onde se vive num regime tutelado por um sistema partidocrático a raiar uma ditadura.
No contexto do quadro constitucional, a forma como os partidos estão organizados e estruturados (?) não são mais a solução para os males de que o país enferma, mas antes, a fonte dos seus problemas.
Os dirigentes «políticos» abominam os referendos, fogem deles como o diabo da cruz. Entram em pânico quando a voz pública fala na necessária redução de deputados e na criação dos círculos uninominais. A urgente e vital reforma do sistema político é, para essa gentalha, assunto tabu.
Não é por acaso que os «políticos» nunca se referem ao sistema eleitoral; precisam dele como está, como pão para a boca, pela mesma razão que os portugueses o abominam. 
Desde o restabelecimento da «democracia» e a partir das primeiras eleições livres, que a qualidade dos partidos em Portugal tem caído quase na vertical, encontrando-se hoje ao nível do lixo tóxico.
Constata-se ainda e é uma verdade insofismável, que os portugueses não exercem controlo sobre os representantes políticos. O Parlamento, a dita «casa da democracia» é na realidade o cói da partidocracia e das negociatas mais infames. 
O enganador «julgamento nas urnas» é um genuíno logro, uma vez que os candidatos das listas perdedoras têm à partida a garantia da continuação da sua «vida artística» no parlamento, sem que haja uma relação com a vontade dos eleitores uma vez que os mesmos quando votam não sabem que criaturas vão eleger para o Parlamento. 
A pedra de toque fundamental desta gangrena é a não existência do voto uninominal no sistema eleitoral.   
Livres de um genuíno escrutínio democrático, os partidos ditos «políticos» ao longo dos anos foram assaltados por oligarquias que detém o monopólio do poder «político». Com o decorrer dos anos essas famiglias partidárias tornaram de si refém não só o sistema político como o próprio regime e as instituições do Estado.
Não é possível desmantelar a partidocracia sem uma reforma do sistema eleitoral. 
As consequências do atual sistema propiciam a que os «donos» dos principais partidos vivam na impunidade, com a certeza que não irão nunca ser desalojados do Parlamento pela via dos votos. Não obstante as baixas intenções de eleitores, mantêm em carteira «lugares elegíveis» onde se refugiarem em caso de necessidade. No âmbito da corrupção, os lóbis contornam o eleitorado e atuam diretamente sobre os oligarcas do parlamento de forma a fazer valer os seus interesses, os seus desejos. Em boa verdade, são os lóbis que têm representação no parlamento e não os eleitores.
Este cenário é gerador de um «fosso» crescente entre cidadãos e políticos e de um sentimento de asco e de desprezo por banda dos portugueses para com a classe «política».
É este o atual retrato que viceja – com raras exceções – no seio das secções e direções nacionais dos partidos – ditos - «políticos» portugueses. Infelizmente para a democracia, dramático para a nação.


Pedro Manuel Pereira

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O GOLPE DE ESTADO DO 28 DE MAIO DE 1926


O mês de Maio regista uma efeméride marcante na História de Portugal recente. Assim, no dia 28 desse mês, em 1926, deu-se um pronunciamento militar em Braga, chefiado pelo general Gomes da Costa, que alastrando nos dias seguintes ao resto do país, irá instaurar uma ditadura militar, a qual dará origem, poucos anos após, a um novo regime, auto denominado de «Estado Novo» em oposição ao que chamavam de «República Velha», o primeiro, uma partido político único: a União Nacional, à frente do qual pontificava o lente coimbrão, Oliveira Salazar. No entanto, segundo palavras do seu chefe, não era um partido político nem se assumia como tal, antes era, uma «associação de homens de boa vontade».
O 28 de Maio foi um movimento eivado de equívocos e é nesse sentido que se explica que a ele tenha aderido muita gente, de boa-fé, que lenta e gradualmente nos tempos que se seguiram se irá afastar ou ser afastada desse assalto ao poder.
O golpe militar contou com o apoio das classes dominantes, as chamadas «forças vivas», das classes intermédias e até da classe operária; operários industriais e assalariados agrícolas.
No estado caótico em que o país de encontrava, quer económico, quer social e outros, era previsível um golpe militar no estilo do ocorrido. Aliás, na sequência de uma série de outros que tinham vindo a suceder-se sem que tivessem, no entanto, a amplitude deste último, para o sucesso do qual contribuiu decisivamente o apoio da classe operária, do movimento sindical, vítimas do regime republicano, cuja expressão máxima se consubstanciou no 1º Ministro Afonso Costa, alcunhado de «racha sindicalistas».
Todos estavam de acordo em fazer intervir o exército, onde o nível de vida dos seus oficiais havia atingido um estado degradante. Aludindo ao brilho dos galões, o povo havia-os rotulado de «miséria dourada».
O material, o armamento, era obsoleto. Por outro lado, o exército durante anos havia sido preterido em favor da GNR.
Pairava no ar o fantasma da Flandres/França, onde pereceram milhares de militares portugueses e muitos mais ficaram estropiados no conflito que passou à História como: 1ª Grande Guerra Mundial. Enfim, o exército desmoralizado será conduzido a assumir a direção política do país contra o republicanismo que o havia deixado cair tão fundo. A República dissolvia-se por falta de apoio.
Até 31 desse mês (Maio de 1926) altura em que o presidente da República se demite transmitindo os seus poderes a Mendes Cabeçadas, a revolta ainda tinha algo de constitucional face a essa mesma transmissão de poderes. Enquanto Gomes da Costa avança sobre Lisboa, Óscar Carmona vislumbrando a vitória ordena o avanço das suas tropas alentejanas sobre a capital, apoiando assim, o movimento. Em Novembro desse ano, Carmona assumia a chefia do Estado.
De 1926 a 1933/34, houve como que um estado de guerra civil não declarada entre vários sectores republicanos e a ditadura militar. A situação não é muito definida. Este período de transição da ditadura militar para o Estado Novo, irá ser muito conturbado, com uma base de apoio muito complexa. Só se poderá falar de consolidação do Estado Novo a partir de 1934, ano do primeiro Congresso da União Nacional, de remodelação do governo e das primeiras eleições legislativas, saindo delas a primeira Assembleia Nacional.
Em Junho de 1932, Salazar havia sido formalmente nomeado chefe do governo. Ainda nesse ano apresenta uma proposta de Constituição que entrará em vigor em 11 de Abril de 1933, a qual vigorará com pequenas alterações até 1976. No Barreiro, o movimento do 28 de Maio de 1926 teve características de adesão idênticas ao que se passou um pouco por todo o país.
Os grupos civis conspiratórios eram constituídos por elementos quase todos ligados ao Partido Radical, enquadrados por chefes oriundos de Lisboa. O apoio logístico, fundamental para o avanço das tropas do sul sobre Lisboa foi dado pelos ferroviários do Sul e Sueste, vítimas do regime republicano que os havia sempre tratado com uma certa sobranceria, de resto, retribuída pelos ferroviários em permanente luta por melhores e mais dignas condições de vida, manifestas nas lutas empreendidas ao longo da existência do regime, algumas delas bastante longas como a registada entre Setembro e Dezembro de 1920. Porém, os princípios da generosidade, a luta pelos ideais de Liberdade e por melhores condições de vida que levaram ao ferroviários a apoiar o golpe do 28 de Maio, serão os mesmos que os levarão a participar poucos meses passados, na primeira revolta contra a ditadura militar, mais concretamente em Fevereiro de 1927, com a paralisação de comboios e a sabotagem de máquinas. Tal como milhares de cidadãos, grupos sociais, agrupamentos políticos, classe operária, também os ferroviários cedo constataram o logro em que haviam caído.
Se a República não os tinha tratado bem, a ditadura militar não os tratava melhor. Porém, a força das armas impunha-se, propiciando um novo regime que perduraria até ao 25 de Abril de 1974 e haveria de fazer escola nalguns países europeus, até ao final da 2ª Grande Guerra Mundial.

Pedro Manuel Pereira

sábado, 20 de julho de 2013

Na próxima 4ª feira, dia 24 de julho, pelas 21H30, terá lugar na Feira do Livro de Portimão (dia da sua inauguração), a apresentação de um livro da autoria de Pedro Manuel Pereira, com a chancela da Editora Arandis, intitulado: A Filha da Pecadora. Trata-se uma sátira de carácter social, bem actual.