domingo, 14 de abril de 2013

A MÃE DA MÁFIA – LA GARDUÑA


Por Pedro Manuel Pereira

«A casa da Garduña é a noite profunda.
O alimento da Garduña é o segredo.
A vida da Garduña é o sangue dos seus inimigos
Assim seja

A mãe da Máfia foi uma sociedade secreta criminosa parida em Espanha, que numa primeira fase operou nesse país e nas suas colónias. Esteve bastante activa desde os alvores do século XV até ao século XIX.
A Santa Garduña nasceu em Toledo em 1412, cidade a partir de onde os seus próceres partiam para as incursões, isto é, para o assalto e o roubo das habitações dos muçulmanos e dos judeus em conluio com a sua mentora: a Inquisição. 
Porém, em breve chegou a Sevilha, onde o exponencial aumento populacional com o equivalente crescimento da pobreza justificou a sua implantação e desenvolvimentos a breve trecho.
A esta cidade afluíam as pedras preciosas, esmeraldas, pérolas, ouro e prata da recém conquistada América, com o consequente auge da indústria de luxo, da banca e da criminalidade associadas à riqueza em ascensão.
A Garduña, também conhecida por «la hermandad de la rapiña» foi, antes de mais, uma sociedade secreta criada para efectuar trabalhos de limpeza social convenientes ao poder clerical. O segredo mais bem guardado da Inquisição, o verdadeiro malleus maleficarum ao serviço da Santa Madre Igreja.
Os serviços fundamentais que prestou foram, indiscutivelmente ao Santo Ofício, comummente conhecido por Inquisição.
O seu nascimento foi bafejado pelo facto de nessa época viver na cidade de Toledo uma abundante população de não crentes e de conversos, que à hierarquia eclesiástica interessava controlar, intimidar e frequentemente castigar extra-judicialmente.
Foi neste contexto que esta associação de malfeitores prestou os seus primeiros serviços encontrando, assim, a forma de se financiar e obter poder, exercendo “justiça” sobre pessoas às quais a Inquisição queria chegar, porém, sem os entraves e o tempo que implicava um tribunal do Santo Ofício e o conhecimento publico das suas malfeitorias.
Graças a este contexto, a Garduña foi o primeiro caso conhecido de um grémio local de marginais, que se expandiu com êxito por amplos territórios aproveitando um novo enfoque baseado em tornar-se útil aos seus mandantes, corrompendo as autoridades locais e o poder local, para dessa forma agir em total impunidade.
Quando chegou o final do século XVI, a Garduña operava em diversas cidades do que é hoje Castilla la Mancha, o Norte da Andaluzia e Portugal. Porém, a grande oportunidade que se apresentou a esta associação para que continuasse viva e de saúde, foi no referido âmbito, dadas as deslocações maciças de muçulmanos no território peninsular, sempre em fuga e a sua posterior expulsão.
Os muçulmanos ibéricos representam o maior fracasso da história da Igreja em geral e da Inquisição em particular. Mais do que aquilo que reporta ao catarismo e às restantes heresias medievais.
Trata-se aqui de um amplo grupo populacional, que pese embora o esforço evangelizador e de aculturação sem precedentes ao longo de mais de um século, continuou inalteravelmente unido como conjunto humano, mantendo na clandestinidade as suas práticas, ritos e costumes.
Foi um fracasso gigantesco, inegável e humilhante para a Igreja, com lições, ilações e implicações perigosas no seio da cristandade.
Esta comunidade, ao contrário dos cátaros, não era suficientemente estúpida para enfrentar a Igreja e procurar o martírio. Só se mostravam autenticamente, na esfera privada das suas comunidades fechadas onde a Inquisição não podia chegar nem obter provas ou testemunhos tangíveis dos seus “delitos”. Centenas de milhar de hereges viviam perante os seus narizes, desde há mais de cem anos, após a “reconquista cristã”, ignorando a palavra de Cristo, fingindo aceitá-la, ano após ano. Era uma afronta, um exemplo gravíssimo e intolerável.
Será neste contexto que os delinquentes da Garduña souberam – e vieram – a tornar-se úteis, ganhando dessa forma uma grande margem de actuação, dado que as autoridades faziam vista grossa quanto aos seus actos.
Todos os membros deste grémio possuíam uma tatuagem em alguma parte do seu corpo, tatuagem essa que era uma gadanha (instrumento associado à morte) com duas gotas de sangue.  
Uma das suas máximas era “fazer do possível o impossível”. Nunca deixar testemunhas dos seus actos.
Quando da expulsão dos muçulmanos sobreviventes em Espanha (entre 1609 e 1614) e em Portugal ainda durante o século XVI, a Garduña enriqueceu ao ser mais útil do que nunca a vários tipos de clientela - além da Inquisição - para ajustes de conta. Foi-lhes possível roubar, sequestrar, violar e matar os refugiados na total impunidade, deitar o gadanho às suas propriedades pela coação e pela força, permitiu-se que indivíduos ricos se aproveitassem para intimidar, roubar ou vingar-se dos mouros expulsos… Com tudo isto, não faltaram oportunidades de negócios e de auferir chorudos favores nesses tempos.
A Garduña nasceu no contexto das fraternidades criminosas dessa época, vindo a desenvolver enorme poder, extensão e complexidade organizativa comparáveis às das grandes máfias modernas, de muitas sociedades criminosas posteriores, tendo em conta que nasceu numa época em que Nápoles e os seus territórios pertenciam à Coroa espanhola, onde veio a florescer.
A sua estrutura interna era piramidal - como em qualquer sociedade secreta – sendo que para ingresso os seus membros eram sujeitos a provas iniciáticas. Possuíam palavras, toques e sinais para se reconhecerem entre si. Esta pirâmide tinha cinco níveis. Assim: a cúpula da organização era formada por um diretório secreto constituído por altos protetores, composto de membros proeminentes da burguesía. Só estes tinham acesso ao Hermano Mayor, uma personagem de alta condição social que manejava a teia da estrutura e possuía às suas ordens vários capatazes (um por cada cidade).
Cada capataz dirigia dois tipos distintos de malfeitores: os punteadores (principalmente assassinos ou matadores) e os floreadores (quase todos ladrões de ofício).
A seguir aos punteadores e aos floreadores encontravam-se os postulantes, que ajudavam os primeiros, recolhiam as contribuições e aspiravam a alcançar a posição de punteador ou floreador.
Por último, estavam os fuelles ou aprendizes, que se subdividiam em quatro tipos: soplones, chivatos, coberteras e sirenas.
Os soplones eram mendigos ou idosos que tinham por missão principal vigiar ou entrar em casas, acobertados nas suas condições, para saber o que nelas havia e informarem o que valeria a pena roubar.
Os chivatos eram pessoas infiltradas, para recolherem informações. Os coberteras eram receptadores que vendiam mercadoria roubada e as sirenas eram as prostitutas, que constituíam valiosas fontes de informação para os delinquentes.
A Garduña operava na total impunidade. Entre os seus filiados e colaboradores contavam-se juízes, governadores, presidentes de Câmara e até directores de prisões.
Dissimulava-se como se fosse  uma ordem religiosa, arrogando-se o direito divino de roubar e assassinar. Como sociedade esotérica, aparentemente não possuía documentos escritos nem estatutos, comunicando as regras por que se regia através das iniciações e posteriores elevações de grau.
O mais assombroso, é que apesar de cometer toda a espécie de crimes era bastante religiosa. Os seus membros rezavam pelos irmãos que haviam falecido e destinavam 10% dos seus proventos às almas do Purgatório.
A traição às referidas normas traduziam-se em condenação à morte.
Desta forma, existe a lenda divulgada por gentes da malavida em geral e dos vários ritos da máfia calabresa, que as varias máfias italianas foram criadas por três irmãos, cavaleiros espanhóis da Garduña: Osso, Mastrosso e Carcagnosso, que no século XV fugiram de Toledo após vingarem com sangue, a honra ultrajada de uma irmã.
Estes cavaleiros refugiaram-se na ilha Favignana, no extremo ocidental de Sicília  onde permaneceram 29 anos, 11 meses e 29 dias. Compilaram as regras sociais e o código de conduta da Garduña, escrevendo-as e aplicando-as às organizações que criaram, identificadas geralmente como Máfia.
Quando se separaram, cada um deles levou consigo esse conjunto de normas para três lugares distintos: Osso, o mais velho dos três irmãos permaneceu na ilha e criou a Cosa Nostra, Mastrosso, atravessou o estreito de Messina e deu-as a conhecer na Calábria originando a ‘Nrangheta e Carcagnosso, o mais ambicioso dos três conseguiu alcançar Nápoles, uma das grandes cidades do poderosos reino de Aragão, promovendo a Camorra.
Curiosamente, nos inícios do século XIX, ao mesmo tempo que apareceram as modernas organizações mafiosas a Garduña desapareceu bruscamente, em pleno auge das sociedades secretas.
Embora durante séculos não existissem documentos escritos conhecidos sobre esta organização, a sobranceria e a vaidade  levaram o último Hermano Mayor, Alfonso Cortina, juntamente com apaniguados a escrever o chamado Libro Mayor onde eram relatadas as actividades históricas da Garduña.
O livro foi descoberto em 1821 em casa de Cortina, o qual foi arrestado sobre a acusação de assassinato, pelo oficial de Caçadores, Manuel de Cuendías. 
Na referida obra foram inventariados os atentados que a Fraternidade executou ao longo dos séculos, uma lista de irmãos  e também de nomes dos apoios subornados, membros dos poderes locais.
Ou porque estes últimos não queriam ver o seu nome associado à Garduña, ou porque ao ter sido feita uma
lista dos cabecilhas dessa organização, foram expostos desnecessariamente a uma captura em massa entre
1821 e 1822, a Garduña foi amplamente purgada no centro e no sul de Espanha, desconhecendo-se o que
sucedeu por via destes factos, com os seus membros em Portugal.
Em consequência deste achado, o Hermano Mayor e os seus lugares tenentes garduñistas (quinze) conhecidos foram julgados e executados na Plaza Mayor de Sevilha, em 25 de Novembro de 1822.
Não obstante, esta execução não significou o fim da referida Irmandade e dos seus métodos de poder. Aproveitando as regras e o código de conduta, foi ressuscitada em 1970 por iniciativa do bispo M. L. - forte opositor do Concílio Vaticano II -  através da F. S. S. P. X.
Este prelado foi suspenso ad divinis pelo papa em 1976, tendo visto a suspensão ser revogada em 2009, pelo papa Bento XVI.
Esta organização, embora ortodoxa, procura adaptar-se às circunstâncias das sociedades actuais, intervindo de acordo com os novos tempos. Para tanto e de forma a alcançar os seus fins,  encontra-se organizada em distritos e casas repartidas pelos cinco continentes. Tem representação em Portugal com a sua casa autónoma sediada em Espanha.

REGRAS - O Libro Mayor
1.  Bom olho, bom ouvido, boas pernas e pouca língua.
2.  Receber sobre a sua protecção as mulheres que sofram perseguições da justiça.
3.  Os chivatos não podem no seu primeiro ano de noviciado, montar “negócios” sozinhos.
4.  Os punteadores encarregam-se dos negócios de maior soma de dinheiro.
5.  Os floreadores vivem à custa do seu trabalho com um terço dos seus negócios e deixam algo para as almas do Purgatório. 
6.  Os encubridores recebem dez por cento de todas as somas.
7.  As sirenas ficam com as ofertas dos nobres.
8.  A regra máxima é: “antes mártires que sacerdotes”. 

segunda-feira, 25 de março de 2013

BANCA FORMAL versus BANCA INFORMAL - A GUERRA



Por Pedro Manuel Pereira
A guerra financeira mundial, ou seja, a que resulta do combate entre a banca formal e a banca informal, espraia-se, neste momento, por todos os continentes.
Qualquer destes sistemas tem uma existência de mais de oito séculos, sendo que o percursor das transferências bancárias transnacionais e transcontinentais foi a Ordem dos Templários.
Os muçulmanos por sua vez ter-lhes-hão seguido as pisadas, se não foram – provavelmente – seus contemporâneos.
Ao longo dos séculos estes dois sistemas de transações de dinheiro coabitaram num mundo em construção global, aparentemente sem atritos (note-se que afirmamos: aparentemente).
O panorama de conflitos abertos nos dias de hoje é o de países como a Líbia, Síria, Iémen, Iraque, Somália e Afeganistão em guerra aberta e outros como Israel/Palestina e Egipto, enquanto outros, por exemplo, encontram-se em guerra larvar, num conflito cujas faces visíveis são as fações xiita e sunita.
Verificamos assim, que vários países do Médio Oriente estão em guerra. A este propósito, convém recordar a crise do petróleo desencadeada pelos países árabes da OPEP (Organização do Países Produtores de Petróleo) há poucas décadas atrás. Assim, entre 17 de outubro de 1973 e 18 de março de 1974 os preços do barril de petróleo atingiram valores que chegaram a mais de 400% do preço base no início da crise, originando uma prolongada recessão nos Estados Unidos e na Europa com a consequente desestabilização da economia mundial.
Desde então os preços médios do crude têm vindo a subir, pese embora a queda de 60% registada em 2008, porém, recuperada a partir do ano seguinte, anotando-se recentemente o ano de 2008, em que os preços subiram mais de 100% entre Janeiro e Julho em virtude de movimentos especulativos a nível mundial.
Desde então as economias ocidentais como as dos EUA e da Comunidade Europeia entraram numa espiral recessiva sem fim à vista.
Se há marca distintiva desde o primeiro ano do século XXI até aos dias presentes, é a dos conflitos sociais, políticos, económicos e militares permanentes, resultantes de uma reordenação geoestratégica política e económica global em curso, de onde emergem novas potências a partir das nações do MERCOSUL (Mercado Comum do Sul), ou seja, o mercado económico regional para a América Latina, de que se destaca o Brasil e o mercado asiático (China, Índia, Japão,  Singapura, Coreia do Sul, Indonésia, Malásia, Filipinas, Tailândia), cujo eixo é regulado pela China e pela Índia  enquanto as velhas potências europeias aglutinadas na CE se afundam como o Titanic, ao som de choros e gritos, acompanhadas por uma orquestra de violinos trajada de fraque, que ataca impávida e serena uma valsa manhosa composta por uma valquíria alemã.
Enquanto isto, aquela que desde finais da 2ª Grande Guerra Mundial se tem afirmado como a maior potência económica e militar do mundo – os EUA – ameaça implodir, atascada numa crise económica de proporções inimagináveis, ultrapassando em breve – se já não ultrapassou – a de 1929.
O mundo que conhecíamos, esboroa-se rapidamente em cada dia, em cada hora que passa, perante a – aparente – impotência de todos nós.
A crise económica que avassala e continua a alastrar como fogo à palha no velho continente e nos EUA emite ondas de choque que se vão projetando nas potências emergentes atrás referidas. Logo, a recessão económica e a instabilidade política e social, repercutem-se a nível mundial, porque hoje a economia é global.
Por detrás deste cenário, como fundamental gerador, existe um combate, uma velha guerrilha de séculos, transformada hoje em guerra financeira que se trava na sombra entre a banca formal e a banca informal. Todos os cenários bélicos e económicos atualmente em curso decorrem assim, em primeira instância, dessa guerra entre “bancas”.
Os grandes conflitos atuais: Iraque, Afeganistão, Síria e outros, têm por rastilho o velho combate de sombras pelo controlo pelo domínio exclusivo mundial das transações financeiras.
De um lado, a banca formal com existência física, detida maioritariamente por tradicionais famílias oligarcas judaicas ou por elas controlada, e por outro lado, a banca informal, sem existência física, controlada por muçulmanos.
À pouco mais de uma década, por razões complexas e extensas para serem relatadas neste pequeno artigo, a oligarquia bancária decidiu aniquilar a rede “bancária” internacional muçulmana que tem vindo a conquistar e desempenhar um crescente e preponderante papel nas transações financeiras mundiais, com benefícios evidentes para os nacionais (particulares, negócios, empresas…) da potências emergentes, quer asiáticas quer do MERCOSUL.
Chegados a este ponto, é tempo de relatarmos ao leitor como funciona a banca informal muçulmana: - Trata-se do sistema Hundi – de transações financeiras – que se baseia no conceito da confiança total, sem papéis, sem documentos, selados com a palavra de honra e um aperto de mão. Funciona na perfeição, porque qualquer um que faça lavagem de dinheiro e traia o seu cliente, será rapidamente “suprimido” do negócio. Por exemplo, no caso de transferências, o depositante entrega a quantia em dinheiro vivo – em qualquer moeda – ao homem hundi no ponto A e pede que uma pessoa de sua confiança, familiar ou amigo, que receba o mesmo valor no ponto B, menos a percentagem do homem hundi, percentagem essa bastante inferior à cobrada na banca formal pelo mesmo tipo de transação, refira-se.
O homem hundi tem um parceiro de confiança, geralmente um parente no ponto B, a quem instrui da forma de disponibilizar a quantia depositada ao amigo do pagador, que se irá identificar junto dele de forma pré-combinada, ou seja, uma senha acordada na origem da transferência.
Tendo em conta as dezenas de milhões de muçulmanos, que enviam dinheiro para as suas famílias nos seus países de origem, bem assim como tantos outros milhões de não muçulmanos (hindus, chineses…) entre outros, que trabalham com este sistema; atendendo às importâncias/valores decorrentes de transações comerciais que se contam por milhares ou milhões diários; considerando que neste processo não existem computadores ou extratos bancários; considerando ainda que todas as quantias são transacionadas em dinheiro vivo e que tanto pagantes quanto recetores podem usam pseudónimos, a movimentação é virtualmente impossível de ser intercetada ou rastreada.
Atente-se também, que para quem pretenda ocultar a proveniência do dinheiro, constitui um erro fatal transferir elevadas quantias através do sistema bancário formal, logo, a banca informal revela-se a melhor solução.
Para além disso, desconhecem-se organizações centralizadas para as operações financeiras da banca informal.
Neste sentido, torna-se evidente que a banca formal está condenada a perder esta guerra a médio prazo e com ela, o descapitalizado sistema capitalista nos moldes em que tem existido, mau grado vá esbracejando no mar encapelado dos dias que correm, assumindo posturas de desespero trágico/grotescas, como temos vindo a assistir nos últimos dias no caso do Chipre, por exemplo.
Como não encontraram – ou quiseram encontrar – solução civilizada – se é que a banca algum dia foi civilizada…- para recuperarem o dinheiro perdido e neste particular, no caso cipriota, qual organização multinacional mafiosa (CE, BCE, FMI), mancomunados através dos seus lacaios na Comissão Europeia, conseguiram engendrar um plano de assalto aos depósitos na banca de Chipre. E conseguiram, para valores acima dos cem mil euros.
É claro que esta foi uma vitória de faz-de-conta, uma vez que as maiores fortunas que até à semana passada se encontravam nos bancos cipriotas eram - sobretudo - de russos e de ingleses e esses, avisados a tempo, numa verdadeira operação relâmpago retiraram o dinheiro – dezenas de milhares de milhões de euros - e transferiram-no para paragens mais saudáveis.
Estamos pois, perante uma nova estratégia da máfia banqueira descapitalizada, que não é mais que o assalto e confisco despudorado ao dinheiro dos depositantes na banca da Europa Comunitária, só equivalente ao sucedido na Argentina em 2001, quando na manhã do dia 1 de dezembro, o povo acordou em choque com uma desvalorização brutal da sua moeda. A bancarrota afetou de forma dramática de um dia para o outro, os aforradores e depositantes que viram as suas contas emagrecer para ¼ do seu valor. Foram ainda proibidos de reaver o que lhes pertencia com a célebre medida do corralito, que restringia os levantamentos bancários. 
Os seus efeitos ainda hoje se fazem sentir nas profundas assimetrias sociais, numa economia em reconstrução, com dificuldades em acertar o passo, elevada taxa de desemprego e muita miséria. O processo de reestruturação da dívida soberana arrastou-se até 2011.
O caso do Chipre marca – na prática – o início do estertor do capitalismo financeiro, o pronúncio de roubos idênticos aos depósitos em bancos do espaço comunitário (se não se estender a outros continentes…) e o alerta para o fim da moeda única.
A fuga de capitais para outras bandas do mundo acelerou nestes dias passados. A banca europeia afunda-se, assim, na descapitalização, no desnorte e numa pré-bancarrota mais rapidamente que o imaginado.
A banca formal torna-se violenta, assaltando coercivamente o dinheiro dos depositantes com o respaldo armado dos governos das nações em cujos bancos metem o gadanho.
Portugal, Grécia, Espanha e Irlanda, são as vítimas que se seguem. Não necessariamente por esta ordem…


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A MEMÓRIA DOS POVOS É CURTA…

A ingratidão dos países, tal como a das pessoas, é acompanhada quase sempre pela falta de memória. Em 1953, a Alemanha de Konrad Adenauer entrou em default, falência, ficou Kaput, ou seja, ficou sem dinheiro para fazer mover a actividade económica do país. Tal qual como a Grécia actualmente.
«A Alemanha negociou 16 mil milhões de marcos em dívidas de 1920 que entraram em incumprimento na década de 30 após o colapso da bolsa em Wall Street. O dinheiro tinha-lhe sido emprestado pelos EUA, pela França e pelo Reino Unido.
Outros 16 mil milhões de marcos diziam respeito a empréstimos dos EUA no pós--guerra, no âmbito do Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs (LDA), de 1953. O total a pagar foi reduzido 50%, para cerca de 15 mil milhões de marcos, por um período de 30 anos, o que não teve quase impacto na crescente economia alemã.
O resgate alemão foi feito por um conjunto de países que incluíam a Grécia, a Bélgica, o Canadá, Ceilão, a Dinamarca, França, o Irão, a Irlanda, a Itália, o Liechtenstein, o Luxemburgo, a Noruega, o Paquistão, a Espanha, a Suécia, a Suíça, a África do Sul, o Reino Unido, a Irlanda do Norte, os EUA e a Jugoslávia. As dívidas alemãs eram do período anterior e posterior à Segunda Guerra Mundial. Algumas decorriam do esforço de reparações de guerra e outras de empréstimos gigantescos norte-americanos ao governo e às empresas.
Durante 20 anos, como recorda esse acordo, Berlim não honrou qualquer pagamento da dívida.
Por incrível que pareça, apenas oito anos depois de a Grécia ter sido invadida e brutalmente ocupada pelas tropas nazis, Atenas aceitou participar no esforço internacional para tirar a Alemanha da terrível bancarrota em que se encontrava.
Ora os custos monetários da ocupação alemã da Grécia foram estimados em 162 mil milhões de euros sem juros.
Após a guerra, a Alemanha ficou de compensar a Grécia por perdas de navios bombardeados ou capturados, durante o período de neutralidade, pelos danos causados à economia grega, e pagar compensações às vítimas
do exército alemão de ocupação. As vítimas gregas foram mais de um milhão de pessoas (38960 executadas, 12 mil abatidas, 70 mil mortas no campo de batalha, 105 mil em campos de concentração na Alemanha, e 600 mil que pereceram de fome). Além disso, as hordas nazis roubaram tesouros arqueológicos gregos de valor incalculável.
Qual foi a reacção da direita parlamentar alemã aos actuais problemas financeiros da Grécia? Segundo esta, a Grécia devia considerar vender terras, edifícios históricos e objectos de arte para reduzir a sua dívida.
Além de tomar as medidas de austeridade impostas, como cortes no sector público e congelamento de pensões, os gregos deviam vender algumas ilhas, defenderam dois destacados elementos da CDU, Josef Schlarmann e Frank Schaeffler, do partido da chanceler Merkel. Os dois responsáveis chegaram a alvitrar que o Partenon, e algumas ilhas gregas no Egeu, fossem vendidas para evitar a bancarrota.
"Os que estão insolventes devem vender o que possuem para pagar aos seus credores", disseram ao jornal "Bild".
Depois disso, surgiu no seio do executivo a ideia peregrina de pôr um comissário europeu a fiscalizar permanentemente as contas gregas em Atenas. O historiador Albrecht Ritschl, da London School of Economics, recordou recentemente à "Spiegel" que a Alemanha foi o pior país devedor do século XX. O economista destaca que a insolvência germânica dos anos 30 faz a dívida grega de hoje parecer insignificante.
"No século XX, a Alemanha foi responsável pela maior bancarrota de que há memória", afirmou. "Foi apenas graças aos Estados Unidos, que injectaram quantias enormes de dinheiro após a Primeira e a Segunda Guerra Mundial,
que a Alemanha se tornou financeiramente estável e hoje detém o estatuto de locomotiva da Europa. Esse facto, lamentavelmente, parece esquecido", sublinha Ritsch. O historiador sublinha que a Alemanha desencadeou duas guerras mundiais, a segunda de aniquilação e extermínio, e depois os seus inimigos perdoaram-lhe totalmente o pagamento das reparações ou adiaram-nas. A Grécia não esquece que a Alemanha deve a sua prosperidade
económica a outros países. Por isso, alguns parlamentares gregos sugerem que seja feita a contabilidade das dívidas alemãs à Grécia para que destas se desconte o que a Grécia deve actualmente.

domingo, 18 de novembro de 2012

BOMBA SOLAR EMINENTE?


                                                                                                                      Por Pedro Manuel Pereira

Segundo vários cientistas a nível mundial, a Terra encontra-se na eminência de vir a sofrer a maior tempestade solar alguma vez conhecida.
As radiações solares com que o planeta é bafejado diariamente, transportam uma energia equivalente a 10 milhões de bombas de hidrogénio. No entanto, em breve, uma injeção de massa coronal poderá vir a expelir 10000 milhões de toneladas de matéria solar à velocidade de 3000 quilómetros por segundo, que chegará à Terra decorridos 3 a 4 dias.
Caso atinja o planeta em cheio, o mesmo ficará submerso na mais absoluta escuridão e em caso de tal vir a acontecer a Civilização retrocederá mais de cem anos em poucas horas, de acordo com um relatório especial financiado pela NASA publicado há pouco mais de um ano pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.  Segundo Daniel Baker, especialista em clima espacial na Universidade do Colorado e membro do grupo que elaborou o relatório: «Estamos a caminhar para um possível desastre».
Em 2008, a NASA alertou, então, para os indícios detetados e analisados, de que o Sol em finais do ano de 2012 entrará num período de máxima atividade solar, que irá dar origem a tempestades de enorme magnitude. Há poucos meses, a NASA voltou a alertar para uma possível explosão solar de grande impacto e imprevisíveis consequências, no início de 2013.
Após tal anúncio, o Congresso dos EUA encarregou um grupo de cientistas de elaborar um relatório sobre os reais riscos de tempestades solares de grandes dimensões.
Face às conclusões recebidas, no passado mês de agosto o Congresso americano chamou a atenção dos cidadãos para organizarem um plano de emergência. A partir de então, o pânico político estendeu-se a outros países, como no caso de Espanha, onde, com base nos alertas da NASA o PSOE apresentou nas Cortes uma proposta de lei, instando o governo a elaborar um protocolo de atuação face a um cenário de emergência derivado de falhas tecnológicas produzidas por fenómenos naturais de origem solar. Mas também a Suécia, a Alemanha e tantos outros países em todo o Mundo, nos últimos meses têm vindo a adotar medidas de contingência.
Uma tempestade solar pode produzir uma fulguração, ou seja, uma enorme explosão no Sol, que ao produzir-se, «inunda» uma dada região do nosso planeta com partículas radioativas. Quando as rajadas de vento solar alcançam a Terra, as ondas de radiação são projetadas contra a magnetosfera, alterando o seu campo magnético. Embora a magnetosfera se comporte como um forte escudo protetor, tem dois pontos frágeis, que são os pólos do planeta, por onde poderão penetrar mais facilmente as radiações funestas.  
Para além disso, esta radiação pode ser fatal para os satélites de comunicações e para os instrumentos de navegação, podendo fundir os núcleos das centrais elétricas, para além de efeitos imprevisíveis de extrema magnitude sobre o clima. As tempestades geomagnéticas provocam, também, auroras boreais e austrais.
Em caso de catástrofe derivada de uma tempestade solar da magnitude prevista, por via do colapso das telecomunicações e da rede elétrica, em poucas horas o bombeamento de água potável entraria em colapso, as bombas abastecedoras de gasolina, as caixas de multibanco, as telecomunicações e mais de 50% da Terra mergulharia na escuridão. De um modo geral, todos os equipamentos dependentes da rede de energia elétrica deixariam de funcionar.  
As regiões/países mais afetados seriam a Europa, América do Norte, China, etc.
De referir, que tempestades de menor intensidade foram registadas em 1958, 1989 e 2000.  Essas foram associadas a interrupções da rede elétrica e danos em satélites.
Saliente-se que ao longo deste ano a Terra tem vindo periodicamente a ser bombardeada com intensa radiação proveniente de tempestades solares, tendo provado alterações nas rotas dos aviões sobre os pólos.  
O aumento e intensidade das explosões solares teve início há cerca de 5 anos.  
Ainda de acordo com a NASA, em 2012 o planeta entrou num novo ciclo solar cujo auge é aguardado para finais deste ano ou princípios de 2013, devendo os países e as suas populações estarem preparadas para situações de emergência, na certeza de que as explosões solares de grande intensidade serão uma realidade com que todos temos de contar – e estar preparados – nos tempos mais próximos.

  


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

OS COVEIROS DA DEMOCRACIA



                                                                                                                    Por Pedro Manuel Pereira

Encontra-se em curso de modo acelerado, uma mudança – quase – radical nas estruturas, funções sociais, económicas e políticas do Estado, que vão conduzir o país a breve prazo para uma ditadura sem suporte ideológico, porém, muito para além de qualquer ideologia conhecida de extrema-direita até hoje posta em prática em qualquer parte do mundo.
Em parte devido aos mercados, a quem caninamente obedece este governo – como outros – na EU e não só, devido à selvajaria capitalista instalada e à globalização económica.
Para tal desiderato, encontram-se em marcha alterações à Constituição da República, «pormenor de somenos importância» para os partidos do centrão, quer os que compõem o atual governo, quer o do principal partido da oposição, que em dois governos de desgoverno, conseguiu a proeza de atirar o país para um buraco negro, culminando com o negócio ruinoso do ilusório resgate da dívida pública pela tripeça composta pela Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu, a quem escancarou as portas da Nação.
Que não restem dúvidas a ninguém, que a revisão constitucional encontra-se a ser cozinhada de acordo com as diretrizes de sinistras corporações internacionais, cujo rosto visível negoceia neste momento com o governo português, acoitado no famigerado bando denominado de troika, importado pelo ex-1º ministro Sócrates – como acima referido - sem dar cavaco ao povo, salvo seja o Cavaco!
Paralelamente, esta gentalha, mancomunada com o governo(?) continua a apertar o garrote no pescoço dos portugueses. Faz parte do plano: conduzir o povo para patamares mínimos de miséria, para dessa forma melhor o poder controlar, aproveitando o facto do governo(?) – que se refundiu recentemente com a inclusão de novos secretários de Estado inodoros, assépticos e incolores – estar a gerir os negócios da governação(?) em regime de ditadura sui generis, apoiado pelo presidente Cavaco.
Recordemo-nos que ao longo deste ano Portugal tem estado em – quase – estado de sítio, com a Constituição suspensa, justificação dada no acórdão do tribunal que a tutela, que considerou ter de haver um regime de exceção à mesma por blá, blá, blá, blá, patati, patatá este ano, face à ilegalidade do governo em ter surripiado os subsídios dos funcionários públicos, pelo que, a Constituição só voltará a vigorar conforme o seu texto, a partir de janeiro do próximo ano. Tribunal dixit.
Ou seja, até 2013 o país vai vivendo sem Constituição (corpo legislativo fundamental da Nação) e o povo sem os seus direitos constitucionais salvaguardados, propiciando desta forma que o governo(?) refundido, cometa sobre o povo, sobre a Nação, os desmandos que melhor lhe aprouver, como vem acontecendo.
Saliente-se que Siza Vieira, o arquiteto português mais premiado e internacionalmente prestigiado, afirmou recentemente - na senda de outras personalidades - que em Portugal se «vive de novo em ditadura», numa expressão clara da prática governativa e do sentir da maioria dos portugueses, sobretudo os que viveram nas décadas salazarentas.
Entrementes, de acordo com os resultados de um inquérito realizado pelo Instituto Superior de Ciências Sociais apresentados em Lisboa, a satisfação dos portugueses com a democracia, atingiu o mínimo histórico de sempre. A maioria dos cidadãos não acredita nesta dita democracia. Por outro lado, é referido, ainda, que se assiste à consolidação de um sentimento anti partidário.
Por outras palavras: a maioria dos portugueses não se revê nos partidos políticos e nas instituições do regime.
Temos aqui, portanto, a «grande obra» produzida pelos partidos políticos desde 1974 para cá: - as responsabilidades e culpas pelo fracasso da democracia, do sistema político/partidário em Portugal, devem-se, exclusivamente, a todos quantos têm feito da política o seu modo de vida, a sua «profissão», e às várias secções partidárias, autênticos feudos – com laços de vassalagem, inclusivamente - de clientelas dóceis e servis aos seus senhores, que almejaram a proeza de produzir em pouco menos de quarenta anos, uma classe de novos-ricos.
Assim, a desilusão e o descrédito para com a democracia que se apoderou da maioria dos portugueses, decorre, maioritariamente, de uma vontade – ou tendência – expressa pelos últimos governos, que tende a alinhar por baixo os valores democráticos conducentes, inclusivamente, à sua eliminação.
Aberta esta autêntica caixa de Pandora, vimos e ouvimos todos os dias nos últimos meses, nos meios de comunicação social, diversas figuras públicas de variados quadrantes socioprofissionais, nomeadamente alguns empresários e intelectuais, fazerem a apologia mais ou menos encoberta da ditadura, porque – dizem – a «democracia está podre» e por razões acumuladas é necessário «mudar o sistema político» nem que seja com «um novo género de ditadura», segundo Joe Berardo.
Quando em 18 de Novembro de 2008 a ex-ministra Manuela Ferreira Leite afirmou que «seria bom haver seis meses sem democracia», para o governo poder implementar as medidas que ela entendia que deviam de ser feitas, mais não expressou em público o que muitos políticos de vários quadrantes diziam – e dizem – em privado. Voltou de novo a fazer semelhante afirmação na semana transata em Coimbra.
Poderia ter acrescentado – dizemos nós – que os governantes que não têm competências nem saberes para governar em regime democrático, em liberdade, só conseguem implementar os seus programas merdosos com repressão, ou seja, em ditadura. 
Infelizmente a senhora Ferreira Leite esqueceu-se de acrescentar que a classe política portuguesa – salvo honrosas exceções – sofre de uma variante da doença das vacas loucas, que resulta da sua falta de bom senso para lidar com a liberdade de expressão, com ideias inovadoras e, sobretudo, com gente mais inteligente e sabedora que eles – que até neles votaram - porque a doença que os acomete após serem eleitos, manifesta-se – sobretudo – na sobranceria, na cagança e no desprezo com que lidam com os seus concidadãos, numa atitude comum aos néscios e imbecis. Eles e elas, é claro. Neste aspecto lembramo-nos de um velho ditado: «Se queres ver um vilão, mete-lhe um pau na mão».
Por tudo isto, quando o leitor chegar ao final da leitura deste texto – que é pequeno – mais umas dezenas de portugueses terão abandonado o país. Fluxo emigratório semelhante ao vivido nos anos sessenta em tempos da ditadura.
Nessa altura - tal como hoje - as causas fundamentais eram a falta de emprego, a miséria e as desigualdades sociais, entre outras.
Estamos em crer que a fuga dos cidadãos nos dias de hoje é, em média, superior à dessa década passada, tanto mais que o facto de Portugal se encontrar – por enquanto – na EU, com fronteiras abertas entre Estados comunitários e haver mais e melhores meios de transporte, facilitadores da saída, torna-se difícil controlar ou saber o verdadeiro número hemorrágico. Neste quadro não incluímos o índice da debandada para o Brasil, Angola, Moçambique e outros países além Atlântico, mais fácil de contabilizar, mas pecando por defeito e não por excesso, uma vez que o visto de «turista» nos passaportes, nem sempre significa que os seus portadores vão de férias.
Acrescidamente lamentável ao facto dos portugueses terem de emigrar para sobreviver, é a qualidade de mão-de-obra qualificada que sai pela porta fora todos os dias. Gente que levou anos a formar-se - e em alguns casos com sacrifícios - muitos deles em universidades públicas, sustentadas pelo erário. Porém, esses cidadãos estão no seu direito de procurarem a sua sobrevivência. O Estado não pode é ter direitos sobre eles.
Esvaído o país de gente jovem, exaurido pelo peso da canga dos impostos, do desemprego, da fome e da miséria, o povo que fica ou se deixa espezinhar pelo poder, ou se revolta, como sempre aconteceu em situações limite de repressão dos governos sobre a Nação, ao longo da sua História.
Entretanto o atual governo, verdadeiro assassino social, continua a sua obra de extermínio da população: os jovens – e menos jovens – compelidos a fugirem do país para sobreviverem, e os idosos que ficam - grande parte deles - a morrerem mais cedo do que seria previsto, à míngua de alimentos suficientes ao seu sustento e/ou por falta de medicamentos receitados para as doenças de que padecem, porque as suas míseras pensões não chegam para aviar as receitas, nem para comerem.
O governo consegue, assim, a proeza de reduzir grande parte da despesa pública recorrendo ao assassinato social.
Mau grado as distâncias cronológicas e as diferenças de contexto, o panorama político, económico e social que se vive hoje em Portugal é semelhante ao dos tempos de estertor da 1ª República, que culminou no golpe militar do dia 28 de maio de 1926 que instaurou uma ditadura militar e, posteriormente, a ditadura salazarenta.
Talvez seja oportuno recordar que nessa altura quase toda a população apoiou a revolução militar, um movimento eivado de equívocos e é nesse sentido que se explica que a ele tenha aderido muita gente de boa-fé, que lenta e gradualmente nos tempos que se seguiram se afastou ou foi afastada desse assalto ao poder.
O golpe militar contou com o apoio das classes dominantes, as chamadas «forças vivas», as classes intermédias, funcionários públicos, empregados de comércio, classe operária: operários industriais e assalariados agrícolas.
No estado caótico em que o país de encontrava, quer económico, quer social – como hoje - era previsível um golpe militar no estilo do ocorrido. A sua amplitude e sucesso contaram com o decisivo contributo e apoio da classe operária e do movimento sindical, vítimas do regime republicano.
Todos estavam de acordo em fazer intervir o exército, onde o nível de vida dos oficiais havia atingido um estado degradante. Aludindo ao brilho dos galões, o povo tinha-os rotulado de «miséria dourada».
O equipamento e o armamento eram obsoletos. Por outro lado, o exército durante anos havia sido preterido a favor da Guarda Nacional Republicana.
Desta forma, a República dissolvia-se por falta do apoio maioritário dos portugueses.
Ouvimos hoje, de novo, amigos e conhecidos a dizerem a medo que, «a minha política é o trabalho», «não quero falar de política», «a política é para os políticos» e conselhos como: «não escrevas nada sobre política em lado nenhum», além de outros mimos medrosos que tais.
Em locais públicos, em cafés, fala-se em surdina com os interlocutores ao mesmo tempo que se vai observando quem está nas mesas em redor, com desconfiança, evita-se falar ao telefone sobretudo no que reporta a política. Dizem-nos que os telefones e telemóveis estão sobre escuta e que há bufos à paisana a escutar o que as pessoas dizem. Temem-se represálias nos empregos, nas escolas, nas universidades. Fala-se em chantagens nos locais de trabalho… .
Como antes do 25 de Abril de 1974, vemos, ouvimos e sentimos o medo e a desconfiança a germinar entre as pessoas.

A DITADURA SEGUE DENTRO DE MOMENTOS


terça-feira, 25 de setembro de 2012

OS FORNICADORES

Uma destas manhãs o governo acordou com o TESU (abreviado: TSU), pronto para copular o povo português, mais uma vez (toma lá que até rima!) macaqueando os anteriores governos do senhor engenheiro (por extenso) alegremente exilado em Paris. Não se pense, porém, que esta ereção foi ocasional. Bem antes pelo contrário, foi maturada ao pormenor, ou seja, foi uma forma de testar até onde ia a reação dos portugueses.
Saiu-lhe o tiro pela culatra. Como não conseguiu de frente, vai de tentar por detrás, tão depressa consiga ganhar força na verga. Ainda não desistiu de tentar copular (e rapidamente) o povo, antes que o mesmo se recomponha do TESU.
O senhor Coelho & Companhia quando tomou posse já sabia os passos que havia de dar para esbulhar a Nação de tudo e mais alguma coisa, menos a dignidade dos portugueses, que essa, como ficou demonstrada com a recente gigantesca manifestação popular fora do controlo dos partidos, não é passível de ser surripiada.
Tanto assim que a aparente primeira bacorada pública que o chefe (outro mitómano) proferiu após assolapar os quartos traseiros em S. Bento foi incentivar os portugueses a emigrarem. Ele sabe que quanto menos gente houver em Portugal, mais fácil se torna controlar os restantes, que inevitavelmente (na sua ótica) serão (seriam?) as criancinhas, os velhos e os acamados.
Em boa verdade se diga que este governo é uma imitação grotesca dos anteriores governos de extrema-direita do senhor engenheiro, um mitómano (i.e. tendência patológica voluntária e consciente para a mentira) que demonstrou ser o exilado, quando chefe de grupos de ministros e afins (?), os quais tiveram a suprema capacidade de endividar o país até à ponta dos cabelos dos nossos trinetos, com a delapidação de biliões de euros do erário público para sustentar (isto só em Portugal!…) Fundações com objetivos, no mínimo duvidosos; PPP (parcerias público privadas) como as das vias rápidas e autoestradas, só passíveis de terem sido concebidas (e são mantidas) numa qualquer república centro africana; Observatórios com as designações mais cretinas inimagináveis, verdadeiros antros de grupos de clientela partidária que outro fim não visam, que não seja sugar o tutano dos portugueses; empresas públicas em que a soma dos gestores de cada uma delas pesa mais no orçamento que a soma de todos os trabalhadores das mesmas; idem para empresas municipais e outros cóis aparentados.
É do conhecimento público o verdadeiro buraco negro que constitui para o Estado este rol de imbecilidades (no mínimo) criminosas deixadas pelos governos PS (que nessa altura, de socialista só tinham o nome) e que culminou com a assinatura do memorando da dita troika, herança que este governo (?) tem sabido acarinhar, nada tendo feito até hoje para inverter este enorme cancro que mina a Nação, que corrói os fundamentos do Estado de Direito e conduz o país para o abismo.
Que fique bem claro que quem chamou para Portugal a trupe sinistra de financiadores, foi o 1º ministro Sócrates.
Em consequência da maior manifestação popular havida em Portugal algum dia, o presidente Cavaco convocou o Conselho de Estado. Do conclave que durou mais de oito horas saiu um… aborto. 
Admoestou os responsáveis do PSD/CDS para lhes dizer que a coligação partidária tinha de ser reforçada e que o governo arranjasse alternativa ao TESU. Ou seja, o que o presidente disse aos senhores foi que tinham que continuar em frente com TESU mas sem TSU.
Por outras palavras, continuar o roubo dos subsídios, das pensões e dos ordenados; vender a grandes bandos multinacionais mafiosos as empresas públicas e do Estado por dez reis de mel coado, e assim por diante…
Já não há pachorra para esta gente. São grotescos, sinistros e medonhos. Evidência séria e grave da moléstia de que foram acometidos os partidos políticos, tem sido as manifestações populares recentes, realizadas de forma espontânea, sem o «aval» partidário e até sindical. Em boa verdade não temos um regime com partidos, mas uma partidocracia.
Felizmente que o povo começou a despertar.

Pedro Manuel Pereira

sábado, 11 de agosto de 2012

RECEITA ESTAFADA PARA DESTRUIR NAÇÕES

De forma avassaladora e sufocante, em países comunitários como a Irlanda, Grécia, França, Inglaterra, Espanha, Itália e Portugal, encontra-se em marcha acelerada a privatização massiva de setores públicos fundamentais, como os transportes, a água e a energia, entre outros. Porém, para além dos referidos países, constatamos que a mesma receita económica se encontra a ser cozinhada nos Estados Unidos e no Chile.
Por detrás desta receita assassina sem ideologia (o neoliberalismo já faliu) encontra-se um governo sombra mundial.
Deliberadamente e sem uma motivação ideológica que se vislumbre, os governos destes países encetaram um processo de desmantelamento dos serviços públicos fundamentais, elegendo até à exaustão e ao vómito os funcionários públicos como atores de todos os males económicos e financeiros de que enfermam estas nações.
Numa primeira fase, envenenaram «até fartar vilanagem» a opinião pública, açulando trabalhadores contra trabalhadores (do setor privado contra o setor público) e em seguida, os governos (?) destes Estados, iniciaram processos de privatização de setores económicos vitais para as populações, como solução milagreira «inevitável» - de acordo com as referidas alimárias – para salvar as pátrias falidas, sacrificando-se a segurança, a qualidade e a sustentabilidade, e oferecendo como contrapartida a deterioração generalizada do poder de compra, do bem-estar e da qualidade de vida dos cidadãos, empenhando o futuro da gerações ora nascentes quer vindouras.
Os cenários mais devastadores registam-se nos países onde as consequências sociais e económicas funestas e sinistras se fazem sentir; onde os credores e instituições internacionais como o FMI, Banco Central Europeu e outras opacas corporações financeiras estão a proceder a privatizações massivas, em troca de famigerados «planos de resgate», como no caso de Portugal, a vulgo, Troika.
A «descoberta» recente do endividamento dos Estados soberanos consiste, fundamentalmente, numa estratégia traçada para suspender - numa primeira etapa – e­/ou suprimir a médio prazo, todas as formas de expressão e regimes democráticos, implementando medidas copiadas de ditaduras já ultrapassadas, como as ocorridas em países da América do Sul, ou a da China na atualidade.
Numa segunda etapa, ou em paralelo, é efetivada a transferência para conglomerados privados, de setores empresariais do Estado ou com participação deste. Ora para que a concretização destas ações tenha sucesso num país democrático, é necessário vergar a cerviz das massas trabalhadoras e nada mais a propósito que, a pretexto da dívida soberana, serem implementadas medidas de austeridade, tornando a sua economia refém de chantagem das agências de rating, da banca e de outras organizações especuladoras - verdadeiros abutres - como o que ocorre atualmente na Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, liquidando, assim, as estruturas, a coesão base da sociedade e a sustentabilidade das nações.
Em Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha (neste último país, hoje, os contentores de lixo de supermercados, cafés e restaurantes possuem cadeados, uma vez que em cada dia que passa mais pobres procuram comida neles) crescem os casos de abandono escolar, de desnutrição infantil, juvenil e adulta, os cidadãos deficientes, inválidos ou portadores de doenças raras vêem cortados os subsídios e medicamentos, e por aí fora.
No caso português, onde a taxa de desemprego não oficial, ultrapassa em muito os 20% - a taxa oficial é de 15,2% -  o encolhimento da economia do país vem redundando numa contração drástica do crescimento, pelo que, a redução da dívida pública torna-se, na prática, impossível de ser solvida algum dia, caso não haja inversão rápida desta marcha para o abismo.
Nesta matéria – economia – parafraseando um dos princípios base da Física: – «matéria atrai matéria…» - a «miséria atrai miséria».
Sem poder de compra não há consumo e por tal facto, acumulam-se os stocks nas lojas, nos armazéns e as fábricas paralisam e encerram. Logo, o desemprego aumenta exponencialmente.
O roubo dos subsídios de férias de Natal dos funcionários públicos, perpetrado pelo governo, o aumento dos impostos diretos e indiretos, mais a redução dos salários e o aumento galopante do custo de vida, redunda numa contração brutal do poder de compra, na incapacidade dos cidadãos de cumprirem os seus compromissos e poderem adquirir muitos dos produtos básicos para o seu quotidiano, como os produtos alimentares, os medicamentos indispensáveis à sua sobrevivência, a roupa, o calçado e demais produtos e equipamentos necessários a uma vivência com o mínimo de dignidade. Temos então, um verdadeiro genocídio em marcha.
Em Portugal, onde o governo decidiu cumprir tudo o que a Troika exigiu (e exige), a situação económica vem-se agravando em cada dia que passa.
Não obstante os 78 biliões de euros de «resgate» concedidos em maio de 2011, a economia do país continua a afundar-se cada vez mais, numa enorme e funda cratera, mais funda que a Fossa das Marianas (o local mais profundo do planeta  -11034m - situado em pleno Oceano Pacífico).
Quando Portugal celebrou o acordo para receber este famigerado «resgate», a relação dívida/PIB do país era de 107%. Atualmente, a expectativa é que esta suba para 118% até 2013.
Neste momento o cenário em Portugal é idêntico ao da Irlanda, da Itália e de Espanha, sendo o da Grécia o mais grave: afundamento da economia e das populações numa recessão e num marasmo em cada dia mais negro.
Para quem não se recorde, há uma década atrás a Argentina viveu o mesmo «filme» de terror que estes países europeus estão a viver. Nessa altura, os governos de neoliberalismo feroz e sem rosto, privatizaram os setores nevrálgicos produtivos e os serviços públicos, conduzindo o povo à miséria generalizada, com a consequente liquidação da classe média e o aumento brutal das fortunas dos poderosos, que culminou em 2002 com o colapso da economia do país, tendo como expressão mais dolorosa a expropriação pelos Bancos dos depósito dos pequenos clientes, a falência de empresas, o encerramento de estabelecimentos, o desaparecimento da moeda em circulação, a emigração de mão-de-obra qualificada, incluindo centenas de milhar de licenciados, o empobrecimento em massa, o desemprego generalizado, a fome, os suicídios e o desespero das classes média e baixa.
Em contrapartida o povo encetou marchas de protesto e outras lutas contra a gestão dos presidentes Carlos Menem e Fernando de la Rúa, resultando em feroz repressão por parte dos governantes de igual forma como já havia sucedido em tempos de ditaduras, em especial, a ditadura militar - da qual os argentinos guardavam melhor memória - instaurada em 24 de março de 1976 e que finou em 1983.
Nesse espaço de tempo os militares assassinaram mais de 30 mil civis, entre eles, crianças e idosos, e fizeram «desaparecer» centenas de milhar de cidadãos, de acordo com as estimativas de ONGs argentinas e de organismos internacionais de defesa dos Direitos Humanos.

Pedro Manuel Pereira