segunda-feira, 6 de agosto de 2012

RETRATO DE UM TRAIDOR


Ao longo da sua vida o leitor já se enfrentou ou foi alvo dos atos de um traidor? Se tão infausto ocorrido ainda não lhe sucedeu, considere-se uma pessoa feliz, porque a TRAIÇÃO é um ato associado à falta de ÉTICA, de LEALDADE e de SOLIDARIEDADE, entre outros atributos que devem ser apanágio de (e entre) todos os Homens e Mulheres. Acautele-se, porém, porque nos dias que correm o Traidor(a) espreita em cada esquina da sua (nossa) vida, é esta sinistra figura que subservientemente gere o mundo que nos rodeia, ao serviço de sinistras criaturas e corporações.

O traidor geralmente trabalha num departamento ou serviço do Estado e, ainda, no setor empresarial público ou privado, onde desempenha tarefas rotineiras, cumprindo horários regulares ou escapando deles através de estratagemas, sem que, os superiores hierárquicos do local onde exerce a sua atividade se apercebam. No entanto, aparentemente obedece a regras e agrega um certo nível de propósito e ambição ao trabalho.
Uma das mais sinistras ironias do traidor é que o seu excelente desempenho no trabalho, invariavelmente, tem por objetivo disfarçar o conturbado lado da sua vida pessoal, além de o ajudar a conseguir promoções que o pode levar a patamares onde tenha acesso a informações altamente confidenciais, sendo que, o dinheiro e o ego são outros fatores a ter em conta na natureza deste género de criaturas. Aparenta e proclama ser possuidor de apurado senso de honra e integridade pessoais, aliados a um relativo senso de humor. É medianamente inteligente e possui a capacidade de trabalhar em harmonia com outros seres humanos. Para os seus superiores hierárquicos é um ótimo funcionário. Faz fotocópias de todos os documentos que «agarra» e é exímio em todo o trabalho burocrático.
O lamentável é que o mundo sempre foi visto de acordo com as aparências…
Para conseguir algumas vantagens, o traidor apresenta às pessoas uma versão bem editada de si mesmo.
Existem quatro tipos de traidores: - O tipo um, é o espião que é escolhido por um esperto recrutador e cujo potencial é testado (têm acesso a informações confidenciais ou outras informações valiosas); - O tipo dois é o voluntário. Esta é uma pessoa que tem acesso a informações confidenciais e que, normalmente, já possui alguma experiência em espionagem, o que permite oferecer os seus serviços a quem lhe pagar mais ou oferecer benesses materiais e sociais; - O terceiro tipo de espião é o agente de longa data ou dissidente da estrutura, normalmente recrutado na sua juventude e que, na época de seu recrutamento foi afastado das informações sensíveis que os seus contatos desejavam, tendo decorrido vários anos até atingir uma posição vantajosa; - O quarto tipo é alguém que espiona para um serviço secreto, partido político, serviço do Estado e empresa pública ou privada, mas acaba sendo convencido pelo seu contato que está a trabalhar para um outro poder. A isto comumente se chama recrutamento de identidade falsa.
Como é que um espião-mestre atrai um colaborador e futuro espião? - Por meio drecrutamento Recrutamento é a joia da coroa de qualquer serviço secreto, partido político, e/ou serviço de espionagem dentro do setor empresarial público ou privado. O cuidado envolvido no recrutamento depende, em larga medida, do tipo de informação secreta à qual o traidor em potência tem acesso. O recrutamento consiste de vários patamares: - Identificar o tipo de informação que deve de ser obtida; o tipo de pessoas que tem acesso à informação; quem, entre estas pessoas pode ser abordado com segurança e, por último, definição de um alvo. Assim, o encarregado de caso verifica a informação operacional que acumulou sobre o seu alvo, incluindo extensão de contratos sociais e familiares, clubes e associações, hobbies - especialmente os que incluam atividades em grupo - e os vários serviços pessoais utilizados por ele, desde funcionários diversos a médicos, dentistas e outros. O foco deve estar nas fraquezas do alvo que é escrutinado. De todos estes aspetos, a ideologia é, atualmente, descartada, excetuando nos casos em que o alvo é afeto a partidos da extrema-esquerda ou da extrema-direita. A coerção acaba sendo um fator de importância quando o traidor entrega os seus primeiros documentos roubados, ou coleta informação sensível que entrega ao seu superior. O que pode levar um homem a baixar o pano sobre suas experiências escolares passadas, as suas atividades e ideologias, os seus amigos íntimos, as suas velhas lealdades e vínculos de um passado longínquo e/ou recente? - Um dos mitos mais comuns sobre criminosos é que são pessoas como nós, que tiveram o azar de cair uma vez na vida, que foi seguida de outra e outra queda, até que foi tarde demais para voltar atrás e viver como um ser humano que respeita a lei, as regras e os princípios éticos e morais que vigoram nas sociedades. Ora isto é absolutamente incorreto, pelo menos de acordo com proeminentes e respeitados psicólogos, psicanalistas e psiquiatras especializados em personalidades criminosas. Assim, de acordo com estes especialistas, os criminosos são pessoas que, de maneira nenhuma, pensam como o resto de nós. Para eles, ser um criminoso não implica em que grau o é, mas em que tipo de comportamento ou pensamento se encontra.
Se olharmos para a vida de um traidor, logo concluímos que, muito antes do final, ocorre a dissidência fatal. O traidor tem atrás de si uma vida inteira de pequenas dissidências e desonestidades, de um sentimento geral de superioridade em relação às regras, de desprezo pela decência comum e pelo que é bom e digno no ser humano, numa exaltação de si mesmo em detrimento das outras pessoas.
Muita gente fracassa na escola, provêm de lares infelizes, ou são possuidores de complicados problemas psicológicos. Não obstante, não chegam a trair os seus semelhantes. Assim, que elementos são adicionados ao caráter dos traidores que os distinguem dos outros seres humanos? - Para além de tudo, um traidor é uma pessoa que acredita poder satisfazer os seus caprichos, impulsos e apetites, independente das consequências. O traidor não se preocupa em ponderar da natureza do seu caráter e, tal como outros criminosos, apresenta a tendência para se ver a si mesmo como o centro de todas as situações, nunca apenas como «mais uma roda de uma engrenagem».
Ao entrar numa sala cheia de gente, o traidor olha para os comuns mortais com pena: -«Eis aqui os patetas comuns, que não têm a mínima ideia de como se tornar alguém na vida» - pensa. Por causa da exagerada noção de suas capacidades, o traidor vê-se a si mesmo como o mestre de algum grupo invisível. Ele nunca se vê como uma pessoa que deve obrigações, ou que tenha que reportar os seus atos a alguém. Devido à sua fraqueza interior, à sua falha de caráter, o traidor tem necessidade de sentir-se no quotidiano, no controle das situações, o que não obtém por meio de competição justa, mas por meio de ações furtivas e desonestas.
O traidor acumula coisas a seu favor sem que os outros saibam, pois o seu sigilo confere-lhes uma sensação de superioridade e de mestria.
O traidor gosta de enganar pessoas e aprecia o fato de que os outros não estejam conscientes das sinistras intenções por trás da fachada benigna que ostenta.
O traidor, como muitos criminosos, é um dissimulador tão magnífico que seria capaz de ensinar a mudança de cores a um camaleão.
Todo o traidor aparenta ter uma ambição a ser alcançada e destaca-se por defender a auto imagem exaltada.
No traidor, a necessidade de obter distinção é distorcida e inescrupulosa. Existe desespero envolvido, como se tivesse que ser tudo, para não ter que acabar em nada. O objetivo final de conquista, para dar significado à vida, acaba por se perder. Enquanto o caminho para a realização de uma pessoa comum é bastante simples: - Aplicar esforços e recursos disponíveis para resolver problemas, o traidor, como o criminoso, não possui a firmeza de caráter necessária ao crescimento gradual e, por isto, almeja começar do topo. Quando descobre que isso lhe é negado, cai em fantasias de grandiosidade. Não importa o crime cometido pelo traidor, ele pode até reconhecer que a sua ação tenha sido criminosa, mas jamais se verá a si mesmo como um criminoso.
Um traidor jamais sente remorsos. É sua convicção de que não necessita de defender o seu comportamento perante a sociedade ou o seu círculo familiar. Conclui-se assim que: - Todo o ato de traição é individual.

Pedro Manuel Pereira

quarta-feira, 27 de junho de 2012

A BOM RITMO OS PREPARATIVOS PARA A GUERRA


O previsível confronto entre parte do Ocidente capitaneado pelos EUA e a República Islâmica do Irão, entrou numa fase mais complexa. Nos últimos dias, o abate de um avião turco e o ataque frustado a outro pela Síria, aumentou de forma exponencial o nível de tensão na região, a caminho de um ponto sem retorno. Por outro lado, enquadrada nesta escalada belicista encontra-se a aliança Estados Unidos/Israel, procurando utilizar o Irão como bode expiatório para atingir a China, tanto mais que até agora os americanos têm vindo a utilizar vários expedientes para fazer com que os chineses mexam na sua moeda sobredesvalorizada, responsável por ter feito sossobrar a indústria dos EUA.
Simultaneamente, os americanos têm vindo a actuar no terreno, difundindo a ideia de que a China se encontra sob intensa luta política interna cujo desfecho breve poderá ser um golpe de estado.
 Atente-se ao papel da Rússia na região, que se enquadra numa geopolítica mais vasta. Assim, muito embora sejam dos principais importadores de petróleo iraniano, os russos não dependem energeticamente dos persas como a China e a Índia. Para Moscovo, a principal ameaça consiste na interrupção do comércio de armamentos e de tecnologia militar de alto nível ao governo de Teerão, o que, a acontecer, conduzirá ao isolamento da Rússia em assuntos estratégicos relevantes no Oriente Médio.
Por outra banda, a confrontação com Teerão é crucial para o governo israelita desviar o foco das atenções internacionais de temas mais complexos, como a problemática palestiniana. Note-se que a segurança do Estado hebraico não se relaciona diretamente com o progresso do programa nuclear iraniano. O maior risco encontra-se na consolidação do corredor político xiita que se vem construindo no Médio Oriente. Desmantelar o eixo Irão-Iraque-Síria-Líbano é um fator crucial para a salvaguarda dos interesses israelitas, daí a aceleração do caminho de guerra, visando a destruição do topo da união desta aliança: o Irão. Enquanto isto a Arábia Saudita trabalha afincadamente para travar o renascimento do Irão enquanto potência regional.
Existe o temor de que a crescente influência xiita no mundo árabe leve os persas a rivalizar com os interesses económico-político-militares sauditas no Médio Oriente. Neste contexto, a China e a Rússia procuram estreitar as suas relações perante as ameaças americanas-israelitas contra o Irão, uma vez que estão crentes em que são os alvos finais da estratégia belicista dos EUA. De resto, este país encontra-se atolado numa grave crise económica e financeira. Na actual conjuntura, esta movimentação vem criando um ambiente tenso que favorece os propósitos americanos na medida em que desvia a humanidade do tema principal, isto é, a bancarrota financeira do complexo Industrial Militar dos EUA, em que esse país assenta.
O excessivo endividamento americano vem-se transformando na principal ameaça a esse país que depende, fundamentalmente, da capacidade do seu governo continuar a individar-se com uma moeda de reserva internacional (o dólar) - que se encontra em estado de saúde comatoso - a qual não é mais considerada como um meio seguro de sustentar as transações internacionais.
É o desespero do sistema financeiro americano que conduz o império para o combate, apostando na guerra contra o Irão de forma a controlar o petróleo dos iranianos e colocar a China de joelhos.
O plano de ataque ao Irão encontra-se traçado e a sua execução é somente uma questão de tempo e de oportunidade. Envolve recursos económicos, alianças diplomáticas e treinos militares. A dúvida que subsiste não é se vai acontecer, mas quando terá início.
Decididamente, o Congresso americano, com o apoio do lobby pró-Israel dos EUA (AIPAC) e da indústria bélica, afirma-se a favor de uma intervenção armada. Aos iranianos só lhes restará lutar ou perecer. Entrementes, a diplomacia multilateral revela-se em sombras de vultos grotescos. Como seja, para além dos interesses estratégicos de russos e chineses, existe o temor generalizado de que o conflito agrave a crise económica em que o mundo se encontra atascado, afetando o comércio global como um baralho de cartas a ruir.
O actual law profile dos EUA assemelha-se à pele de cordeiro cobrindo o lobo. Deflagrando o conflito com o Irão, os demais países da região serão para ele arrastados. As bases americanas no Catar, Kuwait, Arábia Saudita, Bahrein, Iraque, Omã e Afeganistão serão alvos fáceis para o potencial bélico dos iranianos. Frentes de batalha irão nascer, por via do Hezbollah e do Hamas contra Israel, por banda das repúblicas satélite da Rússia e deste mesmo país, bem assim como, a proliferação de atentados terroristas movidos pelo antiocidentalismo, mais cedo ou mais tarde atingirião a Europa a América do Norte e outras regiões do planeta.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

TERCEIRA GUERRA MUNDIAL EM 2012?

Mantendo-se a incógnita da data de início de um terceiro conflito bélico à escala mundial, verificamos que se encontra em curso no Golfo Pérsico uma crescente concentração de tropas e de material de guerra por parte dos EUA e de alguns dos seus aliados, como não há memória na História dessa zona do globo. 
Neste sentido, Washington tem vindo a enviar conselheiros militares, caças e bombas para os Emirados Árabes e para a Arábia Saudita a fim de neutralizar um eventual ataque de Teerão. 
A troca de informações militares através de agências de inteligência, com os seis países do Golfo Pérsico - Catar, Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Iraque – está bastante ativa. Entre outras medidas, os EUA decidiram transferir para o Kuwait a maioria das tropas a serem retiradas no final do ano do Iraque. Cerca de 40000 soldados americanos serão mantidos na região. Também fecharam contratos de venda para a Arábia Saudita de caças F-15, de duas mil «bombas inteligentes» - as chamadas munições de ataque direto conjunto ou JDAM - na sigla em inglês - e de outras munições. Enquanto isso, os Emirados Árabes Unidos mantêm uma ampla frota de caças F-16, já munidos com centenas de milhar de munições. 
 Dada a falta de apoio da Rússia e da China para a adoção de novas sanções contra o Irão, na ONU, os EUA têm vindo a elevar a capacidade militar das monarquias do Golfo Pérsico como meio de conter a possível ameaça militar de Teerão. O objetivo último será a construção um sistema integrado de defesa contra ataques de mísseis de curto e médio alcance iranianos. 
Neste contexto, a opinião pública mundial em geral e a americana em particular, vem sendo manipulada através dos meios de informação, quanto às hipotéticas ambições bélicas do Irão com base no seu programa nuclear. Assim, a propalada existência de armas nucleares nesse país, mais não constitui do que um pretexto para um eventual ataque massivo em grande escala, desencadeado a partir de várias frentes. Note-se que este argumento já foi utilizado para o Iraque, com a destruição generalizada de infraestruturas económicas e sociais e um cortejo de centenas de milhar de mortos e estropiados, perante a passividade da comunidade internacional, com os resultados escabrosos que são do domínio público. 
Face ao apoio popular ao governo fundamentalista do Irão por parte dos seus nacionais, país em que toda a vida social, política e económica se rege pelo Corão, os EUA não encontram nele, clima propício para fomentarem mais uma revolução árabe através de manifestações organizadas contra o regime. Assim, neste cenário e atualmente, as forças especiais dos americanos e os seus aliados no terreno, procuram desestabilizar a economia iraniana através do congelamento de bens e do bloqueamento das exportações de petróleo. 
 Aquele que poderá ser o barril de pólvora encontra-se situado na região do Golfo, mais concretamente, o estreito de Ormuz, que é uma pequena extensão, com 54 km de largura mínima, atingindo 100 km no seu percurso mais largo. A norte do estreito encontra-se o Irão onde está concentrada uma grande parte das forças e dos mísseis deste país e a sul situa-se Omã e os Emirados Árabes Unidos. 
Dificilmente a Rússia e a China irão permitir um ataque ao Irão, porém, tudo dependerá das circunstâncias. Neste quadro geoestratégico, o fator desencadeador do conflito será – provavelmente - o eventual bloqueio por parte da União Europeia às importações de petróleo do Irão, o qual entra em vigor no próximo dia 1 de julho. Como retaliação lógica ao embargo, o Irão poderá encerrar o estreito de Ormuz, como já foi várias vezes afirmado por banda dos dirigentes iranianos. Saliente-se que por esta via marítima passa mais de 40% do petróleo e 20% do transporte marítimo mundiais. Não obstante, não é crível que o Irão tome a iniciativa de bloquear o estreito de Ormuz, embora possa tentar, como forma de represália face a uma agressão militar. Em primeiro lugar, porque exporta o seu próprio petróleo por esta via e os recursos destas exportações lhe são vitais e, em segundo lugar, porque afetaria economicamente alguns dos principais parceiros que o apoiam no seu conflito com os EUA, principalmente a China, cujas importações de petróleo - que chegam a 15% do consumo - procedem do seu território. A sua eventual interrupção paralisaria parte do aparelho produtivo chinês. As tensões estão abertas. 
As chancelarias do mundo observam, minuto a minuto, uma perigosa escalada que pode desembocar num grande conflito regional, que numa segunda fase poderá vir a estender-se a várias regiões do globo. Por ora estão implicados, não apenas Israel, os Estados Unidos da América e o Irão, mas também três outras potências do Médio Oriente: a Turquia, cujas ambições na região voltaram a ser manifestas, a Arábia Saudita, que sonha há décadas em ver destruído o seu grande rival islâmico xiita e o Iraque, que poderia romper-se em duas partes: uma xiita e pró-iraniana e outra sunita e pró-ocidental. Por outro lado, um bombardeamento das instalações nucleares iranianas pode provocar uma nuvem radioativa de gigantescas proporções, nefasta para a saúde de toda a população da região - incluídos os vários milhar de militares norte-americanos e os habitantes de Israel – mas também, de uma forma ou de outra, a população mundial, por via da contaminação atmosférica e do mar. 
O contexto geopolítico em que decorrem os preparativos defensivos/ofensivos, por banda da Síria e do Irão está a conduzir a Rússia de forma a tornar mais eficiente as suas estruturas nas regiões do Cáucaso do Sul, no Mar Cáspio, no Mediterrâneo e no Mar Negro, ultimando os planos militares de modo a preparar-se para uma resposta adequada, perante a eminência de possíveis ataques de Tel-Aviv e de Washington contra Teerão. Note-se que os preparativos para minimizar as perdas ante uma possível ação militar contra o Irão, começaram há mais de dois anos e hoje em dia estão - quase - completos. Segundo fontes do Ministério da Defesa Russa, a base militar 102a na Arménia foi completamente otimizada entre outubro e novembro de 2011, enquanto as familias do pessoal militar foram evacuadas para a Rússia. As sub-unidades militares estacionadas na Arménia foram transferidas para o distrito de Gyumri, próximo da fronteira com a Turquia, atendendo a que são possíveis ataques contra as instalações nucleares iranianas pela tropas dos EUA a partir do território turco. Até ao momento não está claro que tarefas serão levadas a cabo na base militar 102a em relação a estes factos, porém, sabe-se que as tropas russas estacionadas nas bases militares da Ossétia do Sul e de Abjasia, encontram-se em alerta máximo desde 1 de dezembro passado. Entretanto, os navios da Esquadra Naval do Mar Negro, posicionaram-se preventivamente não muito distantes da fronteira com a Geórgia, região que neste conflito poderá atuar ao lado das forças anti-iranianas. 
Em Izberbash, Daguestão, quase junto à fronteira de Azerbeijão, desde há meses que um batalhão equipado com sistemas de mísseis terra/antitanques Bal-E, com uma autonomia de 130 km, se posicionou em disposição de combate. Todas as embarcações com mísseis guiados da Frota Russa no Mar Cáspio, transferiram-se desde Astrakán para os distritos de Makhachkala e de Kaspiysk para formar um só grupo. Entretanto, o barco insígnia da Esquadra Naval - o navio de mísseis sentinelas Tatarstán - já se juntou à pequena canhoeira Volgodonsk e ao navio de mísseis Daguestão. Os navios insígnia desta Esquadra estão equipados com sistemas de mísseis com um alcance de até 200 km. Estretanto, a Arménia e o Azerbeijão, continuam a constituir fontes de preocupação militar dos russos. No caso do Azerbeijão, refira-se que nos últimos quatro anos duplicou os seus efetivos militares e equipamento bélico. Nos últimos meses tem vindo a adquirir aviões não tripulados israelitas e outros meios avançados de reconhecimento e localização topográfica, agravante natural ante Teerão. Muito embora as forças navais da NATO estejam concentradas no Golfo Pérsico e no Mediterrâneo Oriental, dificilmente poderão travar um conflito bélico com sucesso contra o bloqueio iraniano, no quadro de uma guerra convencional, uma vez que este país é uma das maiores potências militares da região, dispondo, inclusivamente, de armamento sofisticado e de um milhão de soldados bem equipados e municiados. Não obstante, na eminência de Teerão enfrentar uma derrota militar depois de uma invasão terrestre de tropas dos EUA e da NATO, em oposição, a Rússia, já bem posicionada no terreno, dará o seu apoio militar, pelo menos, ao nível técnico-militar. Terá então, aqui, início um conflito bélico mais prolongado no tempo e alargado no espaço geográfico, mantendo-se a incógnita: - QUANDO E ATÉ ONDE ? 

Pedro Manuel Pereira

sexta-feira, 1 de junho de 2012

PIGS

Encontro Bilderberg Chantilly, Virginia, USA, 31 Maio a 3 de Junho de 2012 Lista final dos participantes:

FRA Castries, Henri de, Chairman and CEO, AXA Group DEU Ackermann, Josef Chairman of the Management Board and the Group Executive Committee, Deutsche Bank AG GBR Agius, Marcus Chairman, Barclays plc USA Ajami, Fouad Senior Fellow, The Hoover Institution, Stanford University USA Alexander, Keith B. Commander, US Cyber Command; Director, National Security Agency INT Almunia, Joaquín Vice-President - Commissioner for Competition, European Commission USA Altman, Roger C. Chairman, Evercore Partners PRT Amado, Luís Chairman, Banco Internacional do Funchal (BANIF) NOR Andresen, Johan H. Owner and CEO, FERD FIN Apunen, Matti Director, Finnish Business and Policy Forum EVA TUR Babacan, Ali Deputy Prime Minister for Economic and Financial Affairs PRT Balsemão, Francisco Pinto President and CEO, Impresa; Former Prime Minister FRA Baverez, Nicolas Partner, Gibson, Dunn & Crutcher LLP FRA Béchu, Christophe Senator, and Chairman, General Council of Maine-et-Loire BEL Belgium, H.R.H. Prince Philippe of TUR Berberoğlu, Enis Editor-in-Chief, Hürriyet Newspaper ITA Bernabè, Franco Chairman and CEO, Telecom Italia GBR Boles, Nick Member of Parliament SWE Bonnier, Jonas President and CEO, Bonnier AB NOR Brandtzæg, Svein Richard President and CEO, Norsk Hydro ASA AUT Bronner, Oscar Publisher, Der Standard Medienwelt SWE Carlsson, Gunilla Minister for International Development Cooperation CAN Carney, Mark J. Governor, Bank of Canada ESP Cebrián, Juan Luis CEO, PRISA; Chairman, El País AUT Cernko, Willibald CEO, UniCredit Bank Austria AG FRA Chalendar, Pierre André de Chairman and CEO, Saint-Gobain DNK Christiansen, Jeppe CEO, Maj Invest RUS Chubais, Anatoly B. CEO, OJSC RUSNANO CAN Clark, W. Edmund Group President and CEO, TD Bank Group GBR Clarke, Kenneth Member of Parliament, Lord Chancellor and Secretary of Justice USA Collins, Timothy C. CEO and Senior Managing Director, Ripplewood Holdings, LLC ITA Conti, Fulvio CEO and General Manager, Enel S.p.A. USA Daniels, Jr., Mitchell E. Governor of Indiana USA DeMuth, Christopher Distinguished Fellow, Hudson Institute USA Donilon, Thomas E. National Security Advisor, The White House GBR Dudley, Robert Group Chief Executive, BP plc ITA Elkann, John Chairman, Fiat S.p.A. DEU Enders, Thomas CEO, Airbus USA Evans, J. Michael Vice Chairman, Global Head of Growth Markets, Goldman Sachs & Co. AUT Faymann, Werner Federal Chancellor DNK Federspiel, Ulrik Executive Vice President, Haldor Topsøe A/S USA Ferguson, Niall Laurence A. Tisch Professor of History, Harvard University GBR Flint, Douglas J. Group Chairman, HSBC Holdings plc CHN Fu, Ying Vice Minister of Foreign Affairs IRL Gallagher, Paul Former Attorney General; Senior Counsel USA Gephardt, Richard A. President and CEO, Gephardt Group GRC Giannitsis, Anastasios Former Minister of Interior; Professor of Development and International Economics, University of Athens USA Goolsbee, Austan D. Professor of Economics, University of Chicago Booth School of Business USA Graham, Donald E. Chairman and CEO, The Washington Post Company ITA Gruber, Lilli Journalist - Anchorwoman, La 7 TV INT Gucht, Karel de Commissioner for Trade, European Commission NLD Halberstadt, Victor Professor of Economics, Leiden University; Former Honorary Secretary General of Bilderberg Meetings USA Harris, Britt CIO, Teacher Retirement System of Texas USA Hoffman, Reid Co-founder and Executive Chairman, LinkedIn CHN Huang, Yiping Professor of Economics, China Center for Economic Research, Peking University USA Huntsman, Jr., Jon M. Chairman, Huntsman Cancer Foundation DEU Ischinger, Wolfgang Chairman, Munich Security Conference; Global Head Government Relations, Allianz SE RUS Ivanov, Igor S. Associate member, Russian Academy of Science; President, Russian International Affairs Council FRA Izraelewicz, Erik CEO, Le Monde USA Jacobs, Kenneth M. Chairman and CEO, Lazard USA Johnson, James A. Vice Chairman, Perseus, LLC USA Jordan, Jr., Vernon E. Senior Managing Director, Lazard USA Karp, Alexander CEO, Palantir Technologies USA Karsner, Alexander Executive Chairman, Manifest Energy, Inc FRA Karvar, Anousheh Inspector, Inter-ministerial Audit and Evaluation Office for Social, Health, Employment and Labor Policies RUS Kasparov, Garry Chairman, United Civil Front (of Russia) GBR Kerr, John Independent Member, House of Lords USA Kerry, John Senator for Massachusetts TUR Keyman, E. Fuat Director, Istanbul Policy Center and Professor of International Relations, Sabanci University USA Kissinger, Henry A. Chairman, Kissinger Associates, Inc. USA Kleinfeld, Klaus Chairman and CEO, Alcoa TUR Koç, Mustafa Chairman, Koç Holding A.Ş. DEU Koch, Roland CEO, Bilfinger Berger SE INT Kodmani, Bassma Member of the Executive Bureau and Head of Foreign Affairs, Syrian National Council USA Kravis, Henry R. Co-Chairman and Co-CEO, Kohlberg Kravis Roberts & Co. USA Kravis, Marie-Josée Senior Fellow, Hudson Institute INT Kroes, Neelie Vice President, European Commission; Commissioner for Digital Agenda USA Krupp, Fred President, Environmental Defense Fund INT Lamy, Pascal Director-General, World Trade Organization ITA Letta, Enrico Deputy Leader, Democratic Party (PD) ISR Levite, Ariel E. Nonresident Senior Associate, Carnegie Endowment for International Peace USA Li, Cheng Director of Research and Senior Fellow, John L. Thornton China Center, Brookings Institution USA Lipsky, John Distinguished Visiting Scholar, Johns Hopkins University USA Liveris, Andrew N. President, Chairman and CEO, The Dow Chemical Company DEU Löscher, Peter President and CEO, Siemens AG USA Lynn, William J. Chairman and CEO, DRS Technologies, Inc. GBR Mandelson, Peter Member, House of Lords; Chairman, Global Counsel USA Mathews, Jessica T. President, Carnegie Endowment for International Peace DEN Mchangama, Jacob Director of Legal Affairs, Center for Political Studies (CEPOS) CAN McKenna, Frank Deputy Chair, TD Bank Group USA Mehlman, Kenneth B. Partner, Kohlberg Kravis Roberts & Co. GBR Micklethwait, John Editor-in-Chief, The Economist FRA Montbrial, Thierry de President, French Institute for International Relations PRT Moreira da Silva, Jorge First Vice-President, Partido Social Democrata (PSD) USA Mundie, Craig J. Chief Research and Strategy Officer, Microsoft Corporation DEU Nass, Matthias Chief International Correspondent, Die Zeit NLD Netherlands, H.M. the Queen of the ESP Nin Génova, Juan María Deputy Chairman and CEO, Caixabank IRL Noonan, Michael Minister for Finance USA Noonan, Peggy Author, Columnist, The Wall Street Journal FIN Ollila, Jorma Chairman, Royal Dutch Shell, plc USA Orszag, Peter R. Vice Chairman, Citigroup GRC Papalexopoulos, Dimitri Managing Director, Titan Cement Co. NLD Pechtold, Alexander Parliamentary Leader, Democrats '66 (D66) USA Perle, Richard N. Resident Fellow, American Enterprise Institute NLD Polman, Paul CEO, Unilever PLC CAN Prichard, J. Robert S. Chair, Torys LLP ISR Rabinovich, Itamar Global Distinguished Professor, New York University GBR Rachman, Gideon Chief Foreign Affairs Commentator, The Financial Times USA Rattner, Steven Chairman, Willett Advisors LLC CAN Redford, Alison M. Premier of Alberta CAN Reisman, Heather M. CEO, Indigo Books & Music Inc. DEU Reitzle, Wolfgang CEO & President, Linde AG USA Rogoff, Kenneth S. Professor of Economics, Harvard University USA Rose, Charlie Executive Editor and Anchor, Charlie Rose USA Ross, Dennis B. Counselor, Washington Institute for Near East Policy POL Rostowski, Jacek Minister of Finance USA Rubin, Robert E. Co-Chair, Council on Foreign Relations; Former Secretary of the Treasury NLD Rutte, Mark Prime Minister ESP Sáenz de Santamaría Antón, Soraya Vice President and Minister for the Presidency NLD Scheffer, Paul Professor of European Studies, Tilburg University USA Schmidt, Eric E. Executive Chairman, Google Inc. AUT Scholten, Rudolf Member of the Board of Executive Directors, Oesterreichische Kontrollbank AG FRA Senard, Jean-Dominique CEO, Michelin Group USA Shambaugh, David Director, China Policy Program, George Washington University INT Sheeran, Josette Vice Chairman, World Economic Forum FIN Siilasmaa, Risto Chairman of the Board of Directors, Nokia Corporation USA Speyer, Jerry I. Chairman and Co-CEO, Tishman Speyer CHE Supino, Pietro Chairman and Publisher, Tamedia AG IRL Sutherland, Peter D. Chairman, Goldman Sachs International USA Thiel, Peter A. President, Clarium Capital / Thiel Capital TUR Timuray, Serpil CEO, Vodafone Turkey DEU Trittin, Jürgen Parliamentary Leader, Alliance 90/The Greens GRC Tsoukalis, Loukas President, Hellenic Foundation for European and Foreign Policy FIN Urpilainen, Jutta Minister of Finance CHE Vasella, Daniel L. Chairman, Novartis AG INT Vimont, Pierre Executive Secretary General, European External Action Service GBR Voser, Peter CEO, Royal Dutch Shell plc SWE Wallenberg, Jacob Chairman, Investor AB USA Warsh, Kevin Distinguished Visiting Fellow, The Hoover Institution, Stanford University GBR Wolf, Martin H. Chief Economics Commentator, The Financial Times USA Wolfensohn, James D. Chairman and CEO, Wolfensohn and Company CAN Wright, Nigel S. Chief of Staff, Office of the Prime Minister USA Yergin, Daniel Chairman, IHS Cambridge Energy Research Associates INT Zoellick, Robert B. President, The World Bank Group GBR Bredow, Vendeline von Business Correspondent, The Economist GBR Wooldridge, Adrian D. Foreign Correspondent, The Economist

quarta-feira, 23 de maio de 2012

"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de si; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada".
Filósofa AYN RAND

segunda-feira, 21 de maio de 2012

COMISSÃO LIQUIDATÁRIA DA NAÇÃO - LOCAL DE NASCIMENTO

Meus queridos amigos(as). Finalmente posso mostrar-vos em primeira mão uma foto do jardim onde nasceram todos os membros da Comissão Liquidatária da Nação – um mistério até ao momento... - que a todos nos vem dando grandes alegrias. Para quem queira visitar tão famoso local, posso adiantar-vos que fica em S. Tomé/Lisboa. P.P.

terça-feira, 1 de maio de 2012

A REALIDADE DA FICÇÃO

Por Pedro Manuel Pereira

As imagens de guerra permanentemente difundidas na televisão e em outros meios de comunicação social espelham uma realidade modelada de acordo com os seus emissores, de forma a agarrar audiências.
Como a violência suscita violência, a indústria da mesma, aproveita - com proveito - essa propaganda gratuita, convertendo a violência em espetáculo de massas e em objeto de consumo.
Desta forma, já não é necessário que os fins justifiquem os meios. De ora avante, os meios de comunicação justificam os fins de um sistema de poder que impõe os seus valores à escala planetária.
Os meios de comunicação social dominantes são detidos por poucas mãos que, regra geral, atuam ao serviço de um sistema que reduz as relações humanas à interdependência e ao medo mútuo. Porém, ao mesmo tempo, nos últimos anos, a Internet abriu imprevistas oportunidades e formas de expressão alternativas.
Através dela circulam diariamente milhões de mensagens e milhões de vozes que, felizmente, na sua maior parte, não são os ecos dos poderes políticos.
Assim, a Internet assume-se, hoje, como um novo espaço de liberdade de comunicação, mas também de comércio.
No planeta virtual não se corre o perigo de encontrar alfândegas, nem governos opressores. Por sua vez, a informação é recolhida e selecionada de acordo com o livre arbítrio do internauta.
Refira-se que, para que tal seja possível, em torno do nosso planeta gira um anel de satélites repletos de palavras e imagens que lhes chegam da terra e à terra regressam. À velocidade da luz são emitidas mensagens, só possíveis graças aos milhares de toneladas de equipamentos que circulam em órbita desde há cerca de cinquenta anos.
Neste contexto, os mais afortunados membros da sociedade mediática podem desfrutar as suas férias na praia atender o telemóvel, receber correio eletrónico, devolver as chamadas, fazer compras por computador, divertir-se com videojogos ou com televisão portátil.
A cibercomunidade encontra refúgio contra a realidade que a cerca, na realidade virtual, através das redes sociais, enquanto as cidades tendem a converter-se em imensos desertos cheios de gente, onde cada indivíduo se encerra dentro da sua própria «cápsula», graças a essa que é a indústria mais dinâmica da economia mundial, a qual vende as chaves que abrem as portas à Nova Era da História da Humanidade.
Atente-se no entanto, que o acesso a esta autoestrada da informação é um privilégio só dos países desenvolvidos, onde se encontram noventa e cinco por cento dos usuários.
O controlo do ciberespaço depende das linhas telefónicas, dos cabos de fibra ótica e das ligações satélite. Desta forma se entende, que a onda de privatizações em alguns países da Europa comunitária, e em outros países, nos anos mais recentes, tenha arrancado os telefones das empresas estatais, para entregá-los aos conglomerados multinacionais dos meios de comunicação.
A televisão aberta e por cabo, a indústria do cinema, a imprensa de grande tiragem, as grandes editoras de livros e de discos e as emissoras de rádio de maior alcance, avançam igualmente para o monopólio.
Os meios de difusão universal colocaram nas nuvens o preço da liberdade de expressão: - Cada vez existem mais comentadores políticos, paradoxalmente, na razão inversa de quem os vê e os ouve nos tempos que correm.
Os interesses desses meios cruzam-se; numerosos fios atam os impérios da comunicação entre si. Muito embora simulem competir entre eles, insultando-se, por vezes, para satisfação do público, na hora da verdade desmontam o cenário, o espetáculo acaba e de forma tranquila continuam a repartir entre si o domínio dos meios de difusão.
Nos tempos que correm ainda há quem afirme que diversidade tecnológica equivale a diversidade democrática. Porém, pese embora a tecnologia coloque a imagem, a palavra e a música ao alcance dos povos como até hoje não ocorreu na História da Humanidade, esta maravilha pode converter-se num logro, caso o monopólio privado termine por impor a ditadura da imagem única, da palavra única e da música única.
Não obstante, as estruturas do poder estão cada vez mais internacionalizadas e resulta difícil distinguir as suas fronteiras.
Neste contexto, é oportuno referir que os Estados Unidos ocupam o centro do sistema nervoso da comunidade de informação contemporânea.
As empresas norte americanas reinam na televisão, na imprensa e na informática. Mais de metade das receitas de Hollywood – por exemplo - provém dos mercados estrangeiros, vendas que crescem ano após ano, e a atribuição dos óscares conquista uma audiência mundial só comparável aos campeonatos mundiais de futebol ou às olimpíadas, enquanto a Microsoft e a Apple são os maiores dos gigantes mundiais dos sistemas operativos e da programação informática.
Por outro lado, dois em cada três seres humanos vivem no chamado Terceiro Mundo. Em contrapartida, dois de cada três corresponsáveis pelas agências noticiosas mais importantes a nível planetário, fazem o seu trabalho na Europa e nos Estados Unidos. Resulta assim, que a maioria das notícias que o mundo recebe, é produzida pelos meios de informação de uma minoria da Humanidade.
Desta forma, assistimos a um monólogo por parte do Norte do Mundo. As demais regiões recebem pouca ou nenhuma atenção salvo em caso de guerra ou de catástrofe e, com frequência, os jornalistas quando relatam os acontecimentos nesses lugares, não conhecem o idioma desses países ou regiões e muito menos a sua história ou cultura. Por tal facto, os noticiários costumam, a maior parte das vezes, serem enganadores e de origem duvidosa.
Enquanto isto, a cultura encontra-se reduzida ao entretenimento e o entretenimento convertido num esplendoroso negócio universal; a vida está reduzida ao espetáculo e o espetáculo em fonte de poder económico, político e de controlo de massas. A informação reduzida a publicidade ou propaganda encapotada.
Em suma: podemos considerar que os meios de comunicação social nem sempre refletem a realidade, antes o modelam, na certeza que o mundo foi invadido por uma mistela mortal de soporíferos e publicidade onde a televisão desempenha o principal papel.
Trabalhar, dormir e ver televisão são as três atividades que mais tempos ocupam o homem no chamado «mundo civilizado». Os políticos sabem-no bem.
Em todos os países os mesmos temem ser castigados ou excluídos pela televisão. Nenhum deles gosta de ser visto como um vilão, pese embora o possa ser. Os políticos têm pânico que a televisão os ignore condenando-os à morte cívica, dentro do princípio de que quem não aparece na televisão, não está no mundo real. Por outro lado, os políticos não ignoram o desprestígio das suas «profissões» e o poder mágico da sedução que a televisão exerce sobre as pessoas.
Para se estar presente no cenário político, há que aparecer com regularidade nas televisões e essa continuidade não costuma ser gratuita. Assim, os empresários dos meios audiovisuais dão imagem aos políticos e os políticos retribuem o favor concedendo-lhes impunidade, porque lhes entregam serviços públicos.
Mas também o entretenimento é modelado. Por exemplo: a telenovela de êxito é, em geral, o único lugar do mundo onde os corruptos, os assassinos, os facínoras são castigados e a bondade recompensada, mas também onde os cegos recuperam a vista e os pobres recebem heranças que os convertem em novos-ricos, criando assim, espaços ilusórios onde as contradições sociais se dissolvem em lágrimas de alegria.
A verdade é que este género de mensagens entra com facilidade dentro da maioria dos indivíduos, que são pobres, mas que adoram o luxo.
Qualquer pobre, por paupérrimo que seja, pode, vendo as telenovelas, penetrar nos cenários sumptuosos onde decorrem as cenas, compartilhando, assim, os prazeres dos ricos, as suas desventuras, mas também as suas alegrias.
Na televisão criam-se espaços onde a fé religiosa promete a entrada no Paraíso depois da vida e a comunicação com os entes queridos falecidos é feita por supostos médiuns, com auditórios repletos de gente crédula, enquanto os big brothers satisfazem o voyeurismo lúbrico das hordas de marginalizados, da partilha das decisões políticas que lhes traçam o destino, alienando-se o indivíduo, dessa forma, da impotência que lhe subjaz, projetando no outro o estar e o devir do querer e não ser.
Constatamos, assim, que a realidade dos personagens substitui a realidade das pessoas.
Em conclusão: - Os meios de difusão audiovisual assumem, hoje, na voragem dos dias de convulsão social, económica e política que correm, o catalisador e modelador das mentes das massas, com especial destaque para a televisão.
Por seu turno e em contraponto, a Internet desempenha um papel charneira fundamental, como espaço de liberdade individual.
Nela é colocada à disposição do internauta uma infinidade de informação, permitindo que o indivíduo a selecione livremente a compare e forme opinião sobre o assunto consultado, dispondo, em simultâneo, de um infinito leque de matérias e temas de lazer.
A integração do indivíduo em redes sociais, a abrangência das relações que lhe são proporcionadas por esse meio, tornando-o ator da comunidade virtual, portanto, sujeito ativo – e desinibido – no palco de uma vida sem custos materiais ou afetivos, torna o ciberespaço na nação privilegiada de encontro, de vivência e convivência de milhões de seres humanos.
Enquanto isso, na razão inversa, os meios urbanos, as cidades, as grandes metrópoles, estão-se desertificando como espaços de vivências reais, em detrimento da realidade virtual, onde não existe sede nem fome, nem dores ou angústias.
A realidade segue dentro de momentos.











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