quarta-feira, 23 de maio de 2012
"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de si;
quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada".
Filósofa AYN RAND
segunda-feira, 21 de maio de 2012
COMISSÃO LIQUIDATÁRIA DA NAÇÃO - LOCAL DE NASCIMENTO
Meus queridos amigos(as). Finalmente posso mostrar-vos em primeira mão uma foto do jardim onde nasceram todos os membros da Comissão Liquidatária da Nação – um mistério até ao momento... - que a todos nos vem dando grandes alegrias. Para quem queira visitar tão famoso local, posso adiantar-vos que fica em S. Tomé/Lisboa.
P.P.
terça-feira, 1 de maio de 2012
A REALIDADE DA FICÇÃO
Por Pedro Manuel Pereira
As imagens de guerra permanentemente difundidas na televisão e em outros meios de comunicação social espelham uma realidade modelada de acordo com os seus emissores, de forma a agarrar audiências.
Como a violência suscita violência, a indústria da mesma, aproveita - com proveito - essa propaganda gratuita, convertendo a violência em espetáculo de massas e em objeto de consumo.
Desta forma, já não é necessário que os fins justifiquem os meios. De ora avante, os meios de comunicação justificam os fins de um sistema de poder que impõe os seus valores à escala planetária.
Os meios de comunicação social dominantes são detidos por poucas mãos que, regra geral, atuam ao serviço de um sistema que reduz as relações humanas à interdependência e ao medo mútuo. Porém, ao mesmo tempo, nos últimos anos, a Internet abriu imprevistas oportunidades e formas de expressão alternativas.
Através dela circulam diariamente milhões de mensagens e milhões de vozes que, felizmente, na sua maior parte, não são os ecos dos poderes políticos.
Assim, a Internet assume-se, hoje, como um novo espaço de liberdade de comunicação, mas também de comércio.
No planeta virtual não se corre o perigo de encontrar alfândegas, nem governos opressores. Por sua vez, a informação é recolhida e selecionada de acordo com o livre arbítrio do internauta.
Refira-se que, para que tal seja possível, em torno do nosso planeta gira um anel de satélites repletos de palavras e imagens que lhes chegam da terra e à terra regressam. À velocidade da luz são emitidas mensagens, só possíveis graças aos milhares de toneladas de equipamentos que circulam em órbita desde há cerca de cinquenta anos.
Neste contexto, os mais afortunados membros da sociedade mediática podem desfrutar as suas férias na praia atender o telemóvel, receber correio eletrónico, devolver as chamadas, fazer compras por computador, divertir-se com videojogos ou com televisão portátil.
A cibercomunidade encontra refúgio contra a realidade que a cerca, na realidade virtual, através das redes sociais, enquanto as cidades tendem a converter-se em imensos desertos cheios de gente, onde cada indivíduo se encerra dentro da sua própria «cápsula», graças a essa que é a indústria mais dinâmica da economia mundial, a qual vende as chaves que abrem as portas à Nova Era da História da Humanidade.
Atente-se no entanto, que o acesso a esta autoestrada da informação é um privilégio só dos países desenvolvidos, onde se encontram noventa e cinco por cento dos usuários.
O controlo do ciberespaço depende das linhas telefónicas, dos cabos de fibra ótica e das ligações satélite. Desta forma se entende, que a onda de privatizações em alguns países da Europa comunitária, e em outros países, nos anos mais recentes, tenha arrancado os telefones das empresas estatais, para entregá-los aos conglomerados multinacionais dos meios de comunicação.
A televisão aberta e por cabo, a indústria do cinema, a imprensa de grande tiragem, as grandes editoras de livros e de discos e as emissoras de rádio de maior alcance, avançam igualmente para o monopólio.
Os meios de difusão universal colocaram nas nuvens o preço da liberdade de expressão: - Cada vez existem mais comentadores políticos, paradoxalmente, na razão inversa de quem os vê e os ouve nos tempos que correm.
Os interesses desses meios cruzam-se; numerosos fios atam os impérios da comunicação entre si. Muito embora simulem competir entre eles, insultando-se, por vezes, para satisfação do público, na hora da verdade desmontam o cenário, o espetáculo acaba e de forma tranquila continuam a repartir entre si o domínio dos meios de difusão.
Nos tempos que correm ainda há quem afirme que diversidade tecnológica equivale a diversidade democrática. Porém, pese embora a tecnologia coloque a imagem, a palavra e a música ao alcance dos povos como até hoje não ocorreu na História da Humanidade, esta maravilha pode converter-se num logro, caso o monopólio privado termine por impor a ditadura da imagem única, da palavra única e da música única.
Não obstante, as estruturas do poder estão cada vez mais internacionalizadas e resulta difícil distinguir as suas fronteiras.
Neste contexto, é oportuno referir que os Estados Unidos ocupam o centro do sistema nervoso da comunidade de informação contemporânea.
As empresas norte americanas reinam na televisão, na imprensa e na informática. Mais de metade das receitas de Hollywood – por exemplo - provém dos mercados estrangeiros, vendas que crescem ano após ano, e a atribuição dos óscares conquista uma audiência mundial só comparável aos campeonatos mundiais de futebol ou às olimpíadas, enquanto a Microsoft e a Apple são os maiores dos gigantes mundiais dos sistemas operativos e da programação informática.
Por outro lado, dois em cada três seres humanos vivem no chamado Terceiro Mundo. Em contrapartida, dois de cada três corresponsáveis pelas agências noticiosas mais importantes a nível planetário, fazem o seu trabalho na Europa e nos Estados Unidos. Resulta assim, que a maioria das notícias que o mundo recebe, é produzida pelos meios de informação de uma minoria da Humanidade.
Desta forma, assistimos a um monólogo por parte do Norte do Mundo. As demais regiões recebem pouca ou nenhuma atenção salvo em caso de guerra ou de catástrofe e, com frequência, os jornalistas quando relatam os acontecimentos nesses lugares, não conhecem o idioma desses países ou regiões e muito menos a sua história ou cultura. Por tal facto, os noticiários costumam, a maior parte das vezes, serem enganadores e de origem duvidosa.
Enquanto isto, a cultura encontra-se reduzida ao entretenimento e o entretenimento convertido num esplendoroso negócio universal; a vida está reduzida ao espetáculo e o espetáculo em fonte de poder económico, político e de controlo de massas. A informação reduzida a publicidade ou propaganda encapotada.
Em suma: podemos considerar que os meios de comunicação social nem sempre refletem a realidade, antes o modelam, na certeza que o mundo foi invadido por uma mistela mortal de soporíferos e publicidade onde a televisão desempenha o principal papel.
Trabalhar, dormir e ver televisão são as três atividades que mais tempos ocupam o homem no chamado «mundo civilizado». Os políticos sabem-no bem.
Em todos os países os mesmos temem ser castigados ou excluídos pela televisão. Nenhum deles gosta de ser visto como um vilão, pese embora o possa ser. Os políticos têm pânico que a televisão os ignore condenando-os à morte cívica, dentro do princípio de que quem não aparece na televisão, não está no mundo real. Por outro lado, os políticos não ignoram o desprestígio das suas «profissões» e o poder mágico da sedução que a televisão exerce sobre as pessoas.
Para se estar presente no cenário político, há que aparecer com regularidade nas televisões e essa continuidade não costuma ser gratuita. Assim, os empresários dos meios audiovisuais dão imagem aos políticos e os políticos retribuem o favor concedendo-lhes impunidade, porque lhes entregam serviços públicos.
Mas também o entretenimento é modelado. Por exemplo: a telenovela de êxito é, em geral, o único lugar do mundo onde os corruptos, os assassinos, os facínoras são castigados e a bondade recompensada, mas também onde os cegos recuperam a vista e os pobres recebem heranças que os convertem em novos-ricos, criando assim, espaços ilusórios onde as contradições sociais se dissolvem em lágrimas de alegria.
A verdade é que este género de mensagens entra com facilidade dentro da maioria dos indivíduos, que são pobres, mas que adoram o luxo.
Qualquer pobre, por paupérrimo que seja, pode, vendo as telenovelas, penetrar nos cenários sumptuosos onde decorrem as cenas, compartilhando, assim, os prazeres dos ricos, as suas desventuras, mas também as suas alegrias.
Na televisão criam-se espaços onde a fé religiosa promete a entrada no Paraíso depois da vida e a comunicação com os entes queridos falecidos é feita por supostos médiuns, com auditórios repletos de gente crédula, enquanto os big brothers satisfazem o voyeurismo lúbrico das hordas de marginalizados, da partilha das decisões políticas que lhes traçam o destino, alienando-se o indivíduo, dessa forma, da impotência que lhe subjaz, projetando no outro o estar e o devir do querer e não ser.
Constatamos, assim, que a realidade dos personagens substitui a realidade das pessoas.
Em conclusão: - Os meios de difusão audiovisual assumem, hoje, na voragem dos dias de convulsão social, económica e política que correm, o catalisador e modelador das mentes das massas, com especial destaque para a televisão.
Por seu turno e em contraponto, a Internet desempenha um papel charneira fundamental, como espaço de liberdade individual.
Nela é colocada à disposição do internauta uma infinidade de informação, permitindo que o indivíduo a selecione livremente a compare e forme opinião sobre o assunto consultado, dispondo, em simultâneo, de um infinito leque de matérias e temas de lazer.
A integração do indivíduo em redes sociais, a abrangência das relações que lhe são proporcionadas por esse meio, tornando-o ator da comunidade virtual, portanto, sujeito ativo – e desinibido – no palco de uma vida sem custos materiais ou afetivos, torna o ciberespaço na nação privilegiada de encontro, de vivência e convivência de milhões de seres humanos.
Enquanto isso, na razão inversa, os meios urbanos, as cidades, as grandes metrópoles, estão-se desertificando como espaços de vivências reais, em detrimento da realidade virtual, onde não existe sede nem fome, nem dores ou angústias.
A realidade segue dentro de momentos.
As imagens de guerra permanentemente difundidas na televisão e em outros meios de comunicação social espelham uma realidade modelada de acordo com os seus emissores, de forma a agarrar audiências.
Como a violência suscita violência, a indústria da mesma, aproveita - com proveito - essa propaganda gratuita, convertendo a violência em espetáculo de massas e em objeto de consumo.
Desta forma, já não é necessário que os fins justifiquem os meios. De ora avante, os meios de comunicação justificam os fins de um sistema de poder que impõe os seus valores à escala planetária.
Os meios de comunicação social dominantes são detidos por poucas mãos que, regra geral, atuam ao serviço de um sistema que reduz as relações humanas à interdependência e ao medo mútuo. Porém, ao mesmo tempo, nos últimos anos, a Internet abriu imprevistas oportunidades e formas de expressão alternativas.
Através dela circulam diariamente milhões de mensagens e milhões de vozes que, felizmente, na sua maior parte, não são os ecos dos poderes políticos.
Assim, a Internet assume-se, hoje, como um novo espaço de liberdade de comunicação, mas também de comércio.
No planeta virtual não se corre o perigo de encontrar alfândegas, nem governos opressores. Por sua vez, a informação é recolhida e selecionada de acordo com o livre arbítrio do internauta.
Refira-se que, para que tal seja possível, em torno do nosso planeta gira um anel de satélites repletos de palavras e imagens que lhes chegam da terra e à terra regressam. À velocidade da luz são emitidas mensagens, só possíveis graças aos milhares de toneladas de equipamentos que circulam em órbita desde há cerca de cinquenta anos.
Neste contexto, os mais afortunados membros da sociedade mediática podem desfrutar as suas férias na praia atender o telemóvel, receber correio eletrónico, devolver as chamadas, fazer compras por computador, divertir-se com videojogos ou com televisão portátil.
A cibercomunidade encontra refúgio contra a realidade que a cerca, na realidade virtual, através das redes sociais, enquanto as cidades tendem a converter-se em imensos desertos cheios de gente, onde cada indivíduo se encerra dentro da sua própria «cápsula», graças a essa que é a indústria mais dinâmica da economia mundial, a qual vende as chaves que abrem as portas à Nova Era da História da Humanidade.
Atente-se no entanto, que o acesso a esta autoestrada da informação é um privilégio só dos países desenvolvidos, onde se encontram noventa e cinco por cento dos usuários.
O controlo do ciberespaço depende das linhas telefónicas, dos cabos de fibra ótica e das ligações satélite. Desta forma se entende, que a onda de privatizações em alguns países da Europa comunitária, e em outros países, nos anos mais recentes, tenha arrancado os telefones das empresas estatais, para entregá-los aos conglomerados multinacionais dos meios de comunicação.
A televisão aberta e por cabo, a indústria do cinema, a imprensa de grande tiragem, as grandes editoras de livros e de discos e as emissoras de rádio de maior alcance, avançam igualmente para o monopólio.
Os meios de difusão universal colocaram nas nuvens o preço da liberdade de expressão: - Cada vez existem mais comentadores políticos, paradoxalmente, na razão inversa de quem os vê e os ouve nos tempos que correm.
Os interesses desses meios cruzam-se; numerosos fios atam os impérios da comunicação entre si. Muito embora simulem competir entre eles, insultando-se, por vezes, para satisfação do público, na hora da verdade desmontam o cenário, o espetáculo acaba e de forma tranquila continuam a repartir entre si o domínio dos meios de difusão.
Nos tempos que correm ainda há quem afirme que diversidade tecnológica equivale a diversidade democrática. Porém, pese embora a tecnologia coloque a imagem, a palavra e a música ao alcance dos povos como até hoje não ocorreu na História da Humanidade, esta maravilha pode converter-se num logro, caso o monopólio privado termine por impor a ditadura da imagem única, da palavra única e da música única.
Não obstante, as estruturas do poder estão cada vez mais internacionalizadas e resulta difícil distinguir as suas fronteiras.
Neste contexto, é oportuno referir que os Estados Unidos ocupam o centro do sistema nervoso da comunidade de informação contemporânea.
As empresas norte americanas reinam na televisão, na imprensa e na informática. Mais de metade das receitas de Hollywood – por exemplo - provém dos mercados estrangeiros, vendas que crescem ano após ano, e a atribuição dos óscares conquista uma audiência mundial só comparável aos campeonatos mundiais de futebol ou às olimpíadas, enquanto a Microsoft e a Apple são os maiores dos gigantes mundiais dos sistemas operativos e da programação informática.
Por outro lado, dois em cada três seres humanos vivem no chamado Terceiro Mundo. Em contrapartida, dois de cada três corresponsáveis pelas agências noticiosas mais importantes a nível planetário, fazem o seu trabalho na Europa e nos Estados Unidos. Resulta assim, que a maioria das notícias que o mundo recebe, é produzida pelos meios de informação de uma minoria da Humanidade.
Desta forma, assistimos a um monólogo por parte do Norte do Mundo. As demais regiões recebem pouca ou nenhuma atenção salvo em caso de guerra ou de catástrofe e, com frequência, os jornalistas quando relatam os acontecimentos nesses lugares, não conhecem o idioma desses países ou regiões e muito menos a sua história ou cultura. Por tal facto, os noticiários costumam, a maior parte das vezes, serem enganadores e de origem duvidosa.
Enquanto isto, a cultura encontra-se reduzida ao entretenimento e o entretenimento convertido num esplendoroso negócio universal; a vida está reduzida ao espetáculo e o espetáculo em fonte de poder económico, político e de controlo de massas. A informação reduzida a publicidade ou propaganda encapotada.
Em suma: podemos considerar que os meios de comunicação social nem sempre refletem a realidade, antes o modelam, na certeza que o mundo foi invadido por uma mistela mortal de soporíferos e publicidade onde a televisão desempenha o principal papel.
Trabalhar, dormir e ver televisão são as três atividades que mais tempos ocupam o homem no chamado «mundo civilizado». Os políticos sabem-no bem.
Em todos os países os mesmos temem ser castigados ou excluídos pela televisão. Nenhum deles gosta de ser visto como um vilão, pese embora o possa ser. Os políticos têm pânico que a televisão os ignore condenando-os à morte cívica, dentro do princípio de que quem não aparece na televisão, não está no mundo real. Por outro lado, os políticos não ignoram o desprestígio das suas «profissões» e o poder mágico da sedução que a televisão exerce sobre as pessoas.
Para se estar presente no cenário político, há que aparecer com regularidade nas televisões e essa continuidade não costuma ser gratuita. Assim, os empresários dos meios audiovisuais dão imagem aos políticos e os políticos retribuem o favor concedendo-lhes impunidade, porque lhes entregam serviços públicos.
Mas também o entretenimento é modelado. Por exemplo: a telenovela de êxito é, em geral, o único lugar do mundo onde os corruptos, os assassinos, os facínoras são castigados e a bondade recompensada, mas também onde os cegos recuperam a vista e os pobres recebem heranças que os convertem em novos-ricos, criando assim, espaços ilusórios onde as contradições sociais se dissolvem em lágrimas de alegria.
A verdade é que este género de mensagens entra com facilidade dentro da maioria dos indivíduos, que são pobres, mas que adoram o luxo.
Qualquer pobre, por paupérrimo que seja, pode, vendo as telenovelas, penetrar nos cenários sumptuosos onde decorrem as cenas, compartilhando, assim, os prazeres dos ricos, as suas desventuras, mas também as suas alegrias.
Na televisão criam-se espaços onde a fé religiosa promete a entrada no Paraíso depois da vida e a comunicação com os entes queridos falecidos é feita por supostos médiuns, com auditórios repletos de gente crédula, enquanto os big brothers satisfazem o voyeurismo lúbrico das hordas de marginalizados, da partilha das decisões políticas que lhes traçam o destino, alienando-se o indivíduo, dessa forma, da impotência que lhe subjaz, projetando no outro o estar e o devir do querer e não ser.
Constatamos, assim, que a realidade dos personagens substitui a realidade das pessoas.
Em conclusão: - Os meios de difusão audiovisual assumem, hoje, na voragem dos dias de convulsão social, económica e política que correm, o catalisador e modelador das mentes das massas, com especial destaque para a televisão.
Por seu turno e em contraponto, a Internet desempenha um papel charneira fundamental, como espaço de liberdade individual.
Nela é colocada à disposição do internauta uma infinidade de informação, permitindo que o indivíduo a selecione livremente a compare e forme opinião sobre o assunto consultado, dispondo, em simultâneo, de um infinito leque de matérias e temas de lazer.
A integração do indivíduo em redes sociais, a abrangência das relações que lhe são proporcionadas por esse meio, tornando-o ator da comunidade virtual, portanto, sujeito ativo – e desinibido – no palco de uma vida sem custos materiais ou afetivos, torna o ciberespaço na nação privilegiada de encontro, de vivência e convivência de milhões de seres humanos.
Enquanto isso, na razão inversa, os meios urbanos, as cidades, as grandes metrópoles, estão-se desertificando como espaços de vivências reais, em detrimento da realidade virtual, onde não existe sede nem fome, nem dores ou angústias.
A realidade segue dentro de momentos.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
OS BACORINHOS LUSTROSOS
(CRÓNICA DO PAIS QUE NÃO EXISTE III)
A hipocrisia anda de mãos dadas com a ganância, a selvajaria, a mentira, numa cavalgada desenfreada, que não conhece nada nem ninguém, salvo a quem lhes seja útil para montar, para servir os seus sórdidos e sabujos objetivos.
É evidente que os seus protagonistas têm rosto, são conhecidos de todos. Servem-se do aparelho do Estado, desde o governo às autarquias e às juntas de freguesia, passando pelas sinistras empresas públicas, mais as famigeradas empresas municipais, como se propriedades suas fossem, usando-as e servindo-se do património, dos dinheiros públicos e dos trabalhadores destas, sem respeito nem pudor, como bestas que são.
A comissão liquidatária da nação, essa, ao contrário do que gente de boa-fé crê, não desconhece esta realidade, porque ao invés de ser a solução, é parte constituinte do problema, tanto mais, que numa espetacular dança de cadeiras, tem vindo a substituir anteriores clientelas políticas enquistadas nos organismos públicos, por gentalha famélica - onde os lugares não são elegíveis – da sua família de interesses, composta por harpias, vampiros, sevandijas que se vão cevando nos bolsos dos cidadãos, nos cofres dos dinheiros públicos, até que ambos fiquem de todo exauridos, enquanto eles, terão engordado e quedado lustrosos e redondinhos, como bacorinhos - eles e elas – com o dinheiro surripiado a bom recato, em contas offshore e quejandos paraísos que fariam corar de vergonha – caso fossem vivos – os mais famosos corsários das estórias da História.
Pergunta-se: - Até quando os donos dos bacorinhos os vão deixar andar à solta?
Pedro Manuel Pereira
domingo, 8 de abril de 2012
O MÁRTIR DA PRAÇA SYNTAGMA
A desoras, por haver noites que não dormem, como mais esta que por ela passamos com a retina na memória do mártir da Praça Syntagma, Dimitris Christoulas, que ao disparar sobre si, imolando-se na pátria dos deuses do Olimpo, deu um tiro, também, na consciência de todos os Homens Livres, Honestos, Honrados e Impolutos, enxovalhados, emporcalhados e açoitados, pelas bestas, pelos grunhos, pelos sevandijas que nos conduzem à miséria material, nos conspurcam a alma e tentam vergar-nos a cerviz. Têm nome: - São os eufemisticamente denominados governantes de países comunitários como Portugal, Espanha, Grécia, Irlanda, Alemanha…, que eles, mais não são que lacaios rastejantes e sabujos, como é timbre dos vermes, servis – e ao serviço - da canalha da grande finança e de sinistras corporações multinacionais.
Contam-se por centenas os que semanalmente em Portugal se suicidam pelas mesmas razões. E por eles e com eles presentes na memória, esperamos, em breve, porque a impunidade não pode reinar eternamente e ainda acalentamos a esperança - coisas da educação judaico-cristã - que haja em breve uma Revolução neste país, para ajustarmos contas com os malfeitores que conduziram e continuam a conduzir a maioria do povo português para a miséria absoluta.
Apetece-nos gritar de revolta a plenos pulmões: PUTA QUE OS PARIU!...
Pedro Manuel Pereira
Contam-se por centenas os que semanalmente em Portugal se suicidam pelas mesmas razões. E por eles e com eles presentes na memória, esperamos, em breve, porque a impunidade não pode reinar eternamente e ainda acalentamos a esperança - coisas da educação judaico-cristã - que haja em breve uma Revolução neste país, para ajustarmos contas com os malfeitores que conduziram e continuam a conduzir a maioria do povo português para a miséria absoluta.
Apetece-nos gritar de revolta a plenos pulmões: PUTA QUE OS PARIU!...
Pedro Manuel Pereira
sábado, 7 de abril de 2012
MORRER DE PÉ NA PRAÇA SYNTAGMA
Quando se ouviu um tiro na Praça Syntagma,
logo houve quem dissesse: “É a polícia que ataca !”.
Mas não, Dimitris Christoulas trazia consigo a arma,
a carta de despedida, a dor sem nome, a bravura,
e vinha só, sem medo, ele que já vivera os tempos
de silêncio e chumbo do terror dos coronéis.
Mas nessa altura era jovem e tinha esperança.
Agora tudo isso findara, mas não a dignidade,
que essa, por não ter preço, não se rende nem desiste.
Dimitris Christoulas podia ser apenas um pai cansado,
um avô sem alento para sorrir, um irmão mais velho,
um vizinho tão cansado de sofrer. Mas era muito mais
do que isso. Era a personagem que faltava
a esta tragédia grega que nem Sófocles ou Édipo
se lembraram de escrever, por ser muito mais próxima
da vida do que da imaginação de quem efabula.
Ouviu-se o tiro, seco e certeiro, e tudo terminou ali
para começar logo no instante seguinte sob a forma
de revolta que não encontra nas bocas
as palavras certas para conquistar a rua.
Quando assim acontece, o silêncio derruba muralhas.
Aos jovens, que podiam ser seus filhos e netos,
o mártir da Praça Syntagma pediu apenas
para não se renderem, para não se limitarem
a ser unidades estatísticas na humilhação de uma pátria. Não lhes pediu para imitarem o seu gesto,
mas sim que evitassem a sua trágica repetição.
E eles ouviram-no e choraram por ele, e com ele,
sabendo-o já a salvo da humilhação
de deambular pelas lixeiras para não morrer de fome.
Até os deuses, na sua olímpica distância,
se perfilaram de assombro ante a coragem deste gesto.
Até os deuses sentiram desprezo, maior do que é costume, pela ignomínia de quem se vende
para tornar ainda maior a riqueza de quem manda.
A Dimitris bastou um só disparo, limpo e breve,
para resumir a fogo toda a razão que lhe ia na alma. Estava livre. Tornara-se herói de tragédia
enquanto a Primavera namorava a bela Atenas,
deusa tantas vezes idolatrada e venerada.
Assim se despedia um homem de bem,
com a coragem moral de quem o destino não vence.
Quando o tiro ecoou na praça de todas as revoltas,
Dimitris Christoulas deixou voar uma pomba,
uma borboleta, uma gaivota triste do Pireu
e disse, com um aceno: “Eu continuo aqui,
de pé firme, porque nada tem a força de um homem
quando chega a hora de mostrar que tem razão”.
Depois vieram nuvens, flores e lágrimas,
súplicas, gritos e preces, e o mártir da Syntagma,
tão terreno e finito como qualquer homem com fome,
ergueu-se nos ares e abraçou a multidão com ternura.
José Jorge Letria
6 de Abril de 2012
logo houve quem dissesse: “É a polícia que ataca !”.
Mas não, Dimitris Christoulas trazia consigo a arma,
a carta de despedida, a dor sem nome, a bravura,
e vinha só, sem medo, ele que já vivera os tempos
de silêncio e chumbo do terror dos coronéis.
Mas nessa altura era jovem e tinha esperança.
Agora tudo isso findara, mas não a dignidade,
que essa, por não ter preço, não se rende nem desiste.
Dimitris Christoulas podia ser apenas um pai cansado,
um avô sem alento para sorrir, um irmão mais velho,
um vizinho tão cansado de sofrer. Mas era muito mais
do que isso. Era a personagem que faltava
a esta tragédia grega que nem Sófocles ou Édipo
se lembraram de escrever, por ser muito mais próxima
da vida do que da imaginação de quem efabula.
Ouviu-se o tiro, seco e certeiro, e tudo terminou ali
para começar logo no instante seguinte sob a forma
de revolta que não encontra nas bocas
as palavras certas para conquistar a rua.
Quando assim acontece, o silêncio derruba muralhas.
Aos jovens, que podiam ser seus filhos e netos,
o mártir da Praça Syntagma pediu apenas
para não se renderem, para não se limitarem
a ser unidades estatísticas na humilhação de uma pátria. Não lhes pediu para imitarem o seu gesto,
mas sim que evitassem a sua trágica repetição.
E eles ouviram-no e choraram por ele, e com ele,
sabendo-o já a salvo da humilhação
de deambular pelas lixeiras para não morrer de fome.
Até os deuses, na sua olímpica distância,
se perfilaram de assombro ante a coragem deste gesto.
Até os deuses sentiram desprezo, maior do que é costume, pela ignomínia de quem se vende
para tornar ainda maior a riqueza de quem manda.
A Dimitris bastou um só disparo, limpo e breve,
para resumir a fogo toda a razão que lhe ia na alma. Estava livre. Tornara-se herói de tragédia
enquanto a Primavera namorava a bela Atenas,
deusa tantas vezes idolatrada e venerada.
Assim se despedia um homem de bem,
com a coragem moral de quem o destino não vence.
Quando o tiro ecoou na praça de todas as revoltas,
Dimitris Christoulas deixou voar uma pomba,
uma borboleta, uma gaivota triste do Pireu
e disse, com um aceno: “Eu continuo aqui,
de pé firme, porque nada tem a força de um homem
quando chega a hora de mostrar que tem razão”.
Depois vieram nuvens, flores e lágrimas,
súplicas, gritos e preces, e o mártir da Syntagma,
tão terreno e finito como qualquer homem com fome,
ergueu-se nos ares e abraçou a multidão com ternura.
José Jorge Letria
6 de Abril de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
O NEOLIBERALISMO NO SEU ESPLENDOR
Por Pedro Manuel Pereira
Não existe solução económica e social para a atual conjuntura, enquanto não houver uma justa distribuição da riqueza e de transparência, lealdade e honestidade nas relações, entre os cidadãos e os sectores produtivos, e enquanto existir um grupo de indivíduos denominado no seu conjunto de governo, que deveria ser o regulador entre ambos e toma partido pelos donos da produção.
Ao invés de governar, essa gentinha tem vindo a agir como uma verdadeira comissão liquidatária da nação, cometendo verdadeiras tropelias contra o povo, numa versão mais sombria que a comissão liquidatária que substituíram.
Tem esta gente presente como uma das suas máximas: - «O ato de governar não é mais do que uma forma de não perder o controlo da população».
Não é isso que queremos. Não é de gente dessa que o país necessita.
Portugal é um país em pré-falência económica e social e a Europa é um continente à beira da rutura e da miséria.
É inegável que os corruptos e os criminosos, encontram menos humilhações e mais benefícios nas suas actividades ilícitas do que exercendo actividades honestas aos preços atuais do mercado laboral, por isso, pululam cada vez mais em cada esquina, facilitada que têm a sua atividade, através da livre circulação entre fronteiras.
Decorrentes deste facto, a insegurança, o medo e a perda são realidades do quotidiano. Vive-se em estado de pré-guerra civil.
Entretanto, a ira dos reformados – não obstante as suas idades – irá começar a sentir-se na prática, de uma forma ou de outra nos próximos tempos, face aos cortes quase dissimulados nos seus rendimentos mensais, entre outras malfeitorias.
Por outro lado, as hordas de desempregados, quer os das estatísticas oficiais, quer os que não se encontram inscritos nas estatísticas - e que serão outros tantos - estão a criar legiões de revoltados, verdadeiras bombas relógio a detonar quando menos se espera, não obstante alguma descompressão que – ainda - se verifica, dado o êxodo emigratório, enquanto os que tem ocupação laboral remunerada vêm todos os dias aumentar a carga fiscal sobre o fruto da sua atividade, a par dos efetivos cortes salarias.
Generalizado a todos: - O galopante e diariamente progressivo custo de vida.
Face a este sucinto cenário, o sentimento de injustiça social, de ira e de revolta aumenta a cada dia que passa de forma exponencial.
A história de Portugal é feita de colonizações, de migrações, de emigrações, de guerras, de guerrilhas, de exílios e da destruição do enraizamento e do orgulho pátrio. É a história desta soma que faz de nós – quase - estrangeiros em Portugal e portugueses no estrangeiro.
Fomos obliterados na nossa língua pelo ensino abastardado e sinistro, pelas músicas avessas às nossas raízes culturais, pelos big brothers e outro lixo televisivos, pela pornografia de massas, pelos políticos com as suas gestões venais.
Acresce o trabalho incaracterístico, desumano e o controlo levado a cabo pelo poder do Estado que ensina, disciplina e regista todos os movimentos dos cidadãos através dos meios informáticos de que dispõe, para que nada mais reste senão a cidadania portuguesa (em que medida?) impressa num cartão do cidadão com chip eletrónico, reduzindo-o a um mero número descartável.
O trabalho de desumanização social foi encetado em Portugal há pouco mais de um século, com o surto da industrialização que pelo seu processo evolutivo desenraizou as pessoas dos seus lugares ancestrais, rompendo-se dessa forma as familiaridades de bairro, de aldeia, das ligações aos lugares, de ocupação laboral, de parentesco, das formas de fazer e de falar e do falar.
Estamos na reta final. Vivemos a incongruência de uma sociedade de trabalhadores sem trabalho.
A evidência da ruína económica e social que vivemos e que sentimos arrepia-nos só pela ideia antecipada do que aí vem.
Uma só alternativa encontrou a comissão liquidatária para fazer face ao apocalipse em marcha: - Decrescer; consumir e produzir menos, transformando os cidadãos em náufragos que esbracejando tentam sobreviver.
Procura-se – por desespero - regressar às velhas fórmulas de economia doméstica dos nossos pais, dos nossos avós, à idade de ouro da pequena burguesia dos tempos salazarentos: - «No poupar é que está o ganho», máxima apologética de eleição do ditador.
Para quem ainda não reparou: atente que se encontra em marcha um movimento de desmantelamento do atual modelo civilizacional.
Eis o neoliberalismo no seu esplendor.
Não existe solução económica e social para a atual conjuntura, enquanto não houver uma justa distribuição da riqueza e de transparência, lealdade e honestidade nas relações, entre os cidadãos e os sectores produtivos, e enquanto existir um grupo de indivíduos denominado no seu conjunto de governo, que deveria ser o regulador entre ambos e toma partido pelos donos da produção.
Ao invés de governar, essa gentinha tem vindo a agir como uma verdadeira comissão liquidatária da nação, cometendo verdadeiras tropelias contra o povo, numa versão mais sombria que a comissão liquidatária que substituíram.
Tem esta gente presente como uma das suas máximas: - «O ato de governar não é mais do que uma forma de não perder o controlo da população».
Não é isso que queremos. Não é de gente dessa que o país necessita.
Portugal é um país em pré-falência económica e social e a Europa é um continente à beira da rutura e da miséria.
É inegável que os corruptos e os criminosos, encontram menos humilhações e mais benefícios nas suas actividades ilícitas do que exercendo actividades honestas aos preços atuais do mercado laboral, por isso, pululam cada vez mais em cada esquina, facilitada que têm a sua atividade, através da livre circulação entre fronteiras.
Decorrentes deste facto, a insegurança, o medo e a perda são realidades do quotidiano. Vive-se em estado de pré-guerra civil.
Entretanto, a ira dos reformados – não obstante as suas idades – irá começar a sentir-se na prática, de uma forma ou de outra nos próximos tempos, face aos cortes quase dissimulados nos seus rendimentos mensais, entre outras malfeitorias.
Por outro lado, as hordas de desempregados, quer os das estatísticas oficiais, quer os que não se encontram inscritos nas estatísticas - e que serão outros tantos - estão a criar legiões de revoltados, verdadeiras bombas relógio a detonar quando menos se espera, não obstante alguma descompressão que – ainda - se verifica, dado o êxodo emigratório, enquanto os que tem ocupação laboral remunerada vêm todos os dias aumentar a carga fiscal sobre o fruto da sua atividade, a par dos efetivos cortes salarias.
Generalizado a todos: - O galopante e diariamente progressivo custo de vida.
Face a este sucinto cenário, o sentimento de injustiça social, de ira e de revolta aumenta a cada dia que passa de forma exponencial.
A história de Portugal é feita de colonizações, de migrações, de emigrações, de guerras, de guerrilhas, de exílios e da destruição do enraizamento e do orgulho pátrio. É a história desta soma que faz de nós – quase - estrangeiros em Portugal e portugueses no estrangeiro.
Fomos obliterados na nossa língua pelo ensino abastardado e sinistro, pelas músicas avessas às nossas raízes culturais, pelos big brothers e outro lixo televisivos, pela pornografia de massas, pelos políticos com as suas gestões venais.
Acresce o trabalho incaracterístico, desumano e o controlo levado a cabo pelo poder do Estado que ensina, disciplina e regista todos os movimentos dos cidadãos através dos meios informáticos de que dispõe, para que nada mais reste senão a cidadania portuguesa (em que medida?) impressa num cartão do cidadão com chip eletrónico, reduzindo-o a um mero número descartável.
O trabalho de desumanização social foi encetado em Portugal há pouco mais de um século, com o surto da industrialização que pelo seu processo evolutivo desenraizou as pessoas dos seus lugares ancestrais, rompendo-se dessa forma as familiaridades de bairro, de aldeia, das ligações aos lugares, de ocupação laboral, de parentesco, das formas de fazer e de falar e do falar.
Estamos na reta final. Vivemos a incongruência de uma sociedade de trabalhadores sem trabalho.
A evidência da ruína económica e social que vivemos e que sentimos arrepia-nos só pela ideia antecipada do que aí vem.
Uma só alternativa encontrou a comissão liquidatária para fazer face ao apocalipse em marcha: - Decrescer; consumir e produzir menos, transformando os cidadãos em náufragos que esbracejando tentam sobreviver.
Procura-se – por desespero - regressar às velhas fórmulas de economia doméstica dos nossos pais, dos nossos avós, à idade de ouro da pequena burguesia dos tempos salazarentos: - «No poupar é que está o ganho», máxima apologética de eleição do ditador.
Para quem ainda não reparou: atente que se encontra em marcha um movimento de desmantelamento do atual modelo civilizacional.
Eis o neoliberalismo no seu esplendor.
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