Quando se ouviu um tiro na Praça Syntagma,
logo houve quem dissesse: “É a polícia que ataca !”.
Mas não, Dimitris Christoulas trazia consigo a arma,
a carta de despedida, a dor sem nome, a bravura,
e vinha só, sem medo, ele que já vivera os tempos
de silêncio e chumbo do terror dos coronéis.
Mas nessa altura era jovem e tinha esperança.
Agora tudo isso findara, mas não a dignidade,
que essa, por não ter preço, não se rende nem desiste.
Dimitris Christoulas podia ser apenas um pai cansado,
um avô sem alento para sorrir, um irmão mais velho,
um vizinho tão cansado de sofrer. Mas era muito mais
do que isso. Era a personagem que faltava
a esta tragédia grega que nem Sófocles ou Édipo
se lembraram de escrever, por ser muito mais próxima
da vida do que da imaginação de quem efabula.
Ouviu-se o tiro, seco e certeiro, e tudo terminou ali
para começar logo no instante seguinte sob a forma
de revolta que não encontra nas bocas
as palavras certas para conquistar a rua.
Quando assim acontece, o silêncio derruba muralhas.
Aos jovens, que podiam ser seus filhos e netos,
o mártir da Praça Syntagma pediu apenas
para não se renderem, para não se limitarem
a ser unidades estatísticas na humilhação de uma pátria. Não lhes pediu para imitarem o seu gesto,
mas sim que evitassem a sua trágica repetição.
E eles ouviram-no e choraram por ele, e com ele,
sabendo-o já a salvo da humilhação
de deambular pelas lixeiras para não morrer de fome.
Até os deuses, na sua olímpica distância,
se perfilaram de assombro ante a coragem deste gesto.
Até os deuses sentiram desprezo, maior do que é costume, pela ignomínia de quem se vende
para tornar ainda maior a riqueza de quem manda.
A Dimitris bastou um só disparo, limpo e breve,
para resumir a fogo toda a razão que lhe ia na alma. Estava livre. Tornara-se herói de tragédia
enquanto a Primavera namorava a bela Atenas,
deusa tantas vezes idolatrada e venerada.
Assim se despedia um homem de bem,
com a coragem moral de quem o destino não vence.
Quando o tiro ecoou na praça de todas as revoltas,
Dimitris Christoulas deixou voar uma pomba,
uma borboleta, uma gaivota triste do Pireu
e disse, com um aceno: “Eu continuo aqui,
de pé firme, porque nada tem a força de um homem
quando chega a hora de mostrar que tem razão”.
Depois vieram nuvens, flores e lágrimas,
súplicas, gritos e preces, e o mártir da Syntagma,
tão terreno e finito como qualquer homem com fome,
ergueu-se nos ares e abraçou a multidão com ternura.
José Jorge Letria
6 de Abril de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
O NEOLIBERALISMO NO SEU ESPLENDOR
Por Pedro Manuel Pereira
Não existe solução económica e social para a atual conjuntura, enquanto não houver uma justa distribuição da riqueza e de transparência, lealdade e honestidade nas relações, entre os cidadãos e os sectores produtivos, e enquanto existir um grupo de indivíduos denominado no seu conjunto de governo, que deveria ser o regulador entre ambos e toma partido pelos donos da produção.
Ao invés de governar, essa gentinha tem vindo a agir como uma verdadeira comissão liquidatária da nação, cometendo verdadeiras tropelias contra o povo, numa versão mais sombria que a comissão liquidatária que substituíram.
Tem esta gente presente como uma das suas máximas: - «O ato de governar não é mais do que uma forma de não perder o controlo da população».
Não é isso que queremos. Não é de gente dessa que o país necessita.
Portugal é um país em pré-falência económica e social e a Europa é um continente à beira da rutura e da miséria.
É inegável que os corruptos e os criminosos, encontram menos humilhações e mais benefícios nas suas actividades ilícitas do que exercendo actividades honestas aos preços atuais do mercado laboral, por isso, pululam cada vez mais em cada esquina, facilitada que têm a sua atividade, através da livre circulação entre fronteiras.
Decorrentes deste facto, a insegurança, o medo e a perda são realidades do quotidiano. Vive-se em estado de pré-guerra civil.
Entretanto, a ira dos reformados – não obstante as suas idades – irá começar a sentir-se na prática, de uma forma ou de outra nos próximos tempos, face aos cortes quase dissimulados nos seus rendimentos mensais, entre outras malfeitorias.
Por outro lado, as hordas de desempregados, quer os das estatísticas oficiais, quer os que não se encontram inscritos nas estatísticas - e que serão outros tantos - estão a criar legiões de revoltados, verdadeiras bombas relógio a detonar quando menos se espera, não obstante alguma descompressão que – ainda - se verifica, dado o êxodo emigratório, enquanto os que tem ocupação laboral remunerada vêm todos os dias aumentar a carga fiscal sobre o fruto da sua atividade, a par dos efetivos cortes salarias.
Generalizado a todos: - O galopante e diariamente progressivo custo de vida.
Face a este sucinto cenário, o sentimento de injustiça social, de ira e de revolta aumenta a cada dia que passa de forma exponencial.
A história de Portugal é feita de colonizações, de migrações, de emigrações, de guerras, de guerrilhas, de exílios e da destruição do enraizamento e do orgulho pátrio. É a história desta soma que faz de nós – quase - estrangeiros em Portugal e portugueses no estrangeiro.
Fomos obliterados na nossa língua pelo ensino abastardado e sinistro, pelas músicas avessas às nossas raízes culturais, pelos big brothers e outro lixo televisivos, pela pornografia de massas, pelos políticos com as suas gestões venais.
Acresce o trabalho incaracterístico, desumano e o controlo levado a cabo pelo poder do Estado que ensina, disciplina e regista todos os movimentos dos cidadãos através dos meios informáticos de que dispõe, para que nada mais reste senão a cidadania portuguesa (em que medida?) impressa num cartão do cidadão com chip eletrónico, reduzindo-o a um mero número descartável.
O trabalho de desumanização social foi encetado em Portugal há pouco mais de um século, com o surto da industrialização que pelo seu processo evolutivo desenraizou as pessoas dos seus lugares ancestrais, rompendo-se dessa forma as familiaridades de bairro, de aldeia, das ligações aos lugares, de ocupação laboral, de parentesco, das formas de fazer e de falar e do falar.
Estamos na reta final. Vivemos a incongruência de uma sociedade de trabalhadores sem trabalho.
A evidência da ruína económica e social que vivemos e que sentimos arrepia-nos só pela ideia antecipada do que aí vem.
Uma só alternativa encontrou a comissão liquidatária para fazer face ao apocalipse em marcha: - Decrescer; consumir e produzir menos, transformando os cidadãos em náufragos que esbracejando tentam sobreviver.
Procura-se – por desespero - regressar às velhas fórmulas de economia doméstica dos nossos pais, dos nossos avós, à idade de ouro da pequena burguesia dos tempos salazarentos: - «No poupar é que está o ganho», máxima apologética de eleição do ditador.
Para quem ainda não reparou: atente que se encontra em marcha um movimento de desmantelamento do atual modelo civilizacional.
Eis o neoliberalismo no seu esplendor.
Não existe solução económica e social para a atual conjuntura, enquanto não houver uma justa distribuição da riqueza e de transparência, lealdade e honestidade nas relações, entre os cidadãos e os sectores produtivos, e enquanto existir um grupo de indivíduos denominado no seu conjunto de governo, que deveria ser o regulador entre ambos e toma partido pelos donos da produção.
Ao invés de governar, essa gentinha tem vindo a agir como uma verdadeira comissão liquidatária da nação, cometendo verdadeiras tropelias contra o povo, numa versão mais sombria que a comissão liquidatária que substituíram.
Tem esta gente presente como uma das suas máximas: - «O ato de governar não é mais do que uma forma de não perder o controlo da população».
Não é isso que queremos. Não é de gente dessa que o país necessita.
Portugal é um país em pré-falência económica e social e a Europa é um continente à beira da rutura e da miséria.
É inegável que os corruptos e os criminosos, encontram menos humilhações e mais benefícios nas suas actividades ilícitas do que exercendo actividades honestas aos preços atuais do mercado laboral, por isso, pululam cada vez mais em cada esquina, facilitada que têm a sua atividade, através da livre circulação entre fronteiras.
Decorrentes deste facto, a insegurança, o medo e a perda são realidades do quotidiano. Vive-se em estado de pré-guerra civil.
Entretanto, a ira dos reformados – não obstante as suas idades – irá começar a sentir-se na prática, de uma forma ou de outra nos próximos tempos, face aos cortes quase dissimulados nos seus rendimentos mensais, entre outras malfeitorias.
Por outro lado, as hordas de desempregados, quer os das estatísticas oficiais, quer os que não se encontram inscritos nas estatísticas - e que serão outros tantos - estão a criar legiões de revoltados, verdadeiras bombas relógio a detonar quando menos se espera, não obstante alguma descompressão que – ainda - se verifica, dado o êxodo emigratório, enquanto os que tem ocupação laboral remunerada vêm todos os dias aumentar a carga fiscal sobre o fruto da sua atividade, a par dos efetivos cortes salarias.
Generalizado a todos: - O galopante e diariamente progressivo custo de vida.
Face a este sucinto cenário, o sentimento de injustiça social, de ira e de revolta aumenta a cada dia que passa de forma exponencial.
A história de Portugal é feita de colonizações, de migrações, de emigrações, de guerras, de guerrilhas, de exílios e da destruição do enraizamento e do orgulho pátrio. É a história desta soma que faz de nós – quase - estrangeiros em Portugal e portugueses no estrangeiro.
Fomos obliterados na nossa língua pelo ensino abastardado e sinistro, pelas músicas avessas às nossas raízes culturais, pelos big brothers e outro lixo televisivos, pela pornografia de massas, pelos políticos com as suas gestões venais.
Acresce o trabalho incaracterístico, desumano e o controlo levado a cabo pelo poder do Estado que ensina, disciplina e regista todos os movimentos dos cidadãos através dos meios informáticos de que dispõe, para que nada mais reste senão a cidadania portuguesa (em que medida?) impressa num cartão do cidadão com chip eletrónico, reduzindo-o a um mero número descartável.
O trabalho de desumanização social foi encetado em Portugal há pouco mais de um século, com o surto da industrialização que pelo seu processo evolutivo desenraizou as pessoas dos seus lugares ancestrais, rompendo-se dessa forma as familiaridades de bairro, de aldeia, das ligações aos lugares, de ocupação laboral, de parentesco, das formas de fazer e de falar e do falar.
Estamos na reta final. Vivemos a incongruência de uma sociedade de trabalhadores sem trabalho.
A evidência da ruína económica e social que vivemos e que sentimos arrepia-nos só pela ideia antecipada do que aí vem.
Uma só alternativa encontrou a comissão liquidatária para fazer face ao apocalipse em marcha: - Decrescer; consumir e produzir menos, transformando os cidadãos em náufragos que esbracejando tentam sobreviver.
Procura-se – por desespero - regressar às velhas fórmulas de economia doméstica dos nossos pais, dos nossos avós, à idade de ouro da pequena burguesia dos tempos salazarentos: - «No poupar é que está o ganho», máxima apologética de eleição do ditador.
Para quem ainda não reparou: atente que se encontra em marcha um movimento de desmantelamento do atual modelo civilizacional.
Eis o neoliberalismo no seu esplendor.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
ONDA DE MORTE MATADA ATACA O PAÍS QUE NÃO EXISTE
A Comissão Liquidatária da Nação só pode ser uma rapaziada felizarda: - Continuam tranquilamente a desmantelar o país num autêntico «passeio dos alegres», porque cada vez há menos gente para protestar nas ruas ou onde quer que seja.
Aceitando o seu conselho, como de boa mente, milhares de cidadãos fogem (eufemisticamente falando: emigram) todos as semanas do cú da Europa para bem longe, enquanto nas últimas semanas a parca atacou ferozmente outros tantos milhar de pessoas à razão de 400 por dia, em média (3000 só na última semana) entre os mais idosos (menos despesas para a Nação) e os da faixa etária dos 40 aos 60 anos. Estes, talvez devido a alguma onda de bruxedo ou mau-olhado, que voga por aí.
Dizem que é do frio e da gripe. Se calhar é da vacina contra a famosa gripe A, que no ano passado foi impingida à população como uma panaceia maravilhosa, enquanto reputados especialistas mundiais alertavam as pessoas para não deixarem que lhes fosse administrada, uma vez que conduziria à morte.
Este ano, parte da mesma entrou na composição de outra vacina sazonal. O grupo de risco e muita outra gente tomou-a. Foram milhares.
Assim sendo, pois, a Comissão Liquidatária da Nação pode continuar à rédea solta a cometer todo o tipo de despautérios e atentados contra o povo. Impunemente, porque o país está cada vez mais engelhado, por mor de ver a sua população minguar de forma drástica, progressivamente.
Pedro Manuel Pereira
Aceitando o seu conselho, como de boa mente, milhares de cidadãos fogem (eufemisticamente falando: emigram) todos as semanas do cú da Europa para bem longe, enquanto nas últimas semanas a parca atacou ferozmente outros tantos milhar de pessoas à razão de 400 por dia, em média (3000 só na última semana) entre os mais idosos (menos despesas para a Nação) e os da faixa etária dos 40 aos 60 anos. Estes, talvez devido a alguma onda de bruxedo ou mau-olhado, que voga por aí.
Dizem que é do frio e da gripe. Se calhar é da vacina contra a famosa gripe A, que no ano passado foi impingida à população como uma panaceia maravilhosa, enquanto reputados especialistas mundiais alertavam as pessoas para não deixarem que lhes fosse administrada, uma vez que conduziria à morte.
Este ano, parte da mesma entrou na composição de outra vacina sazonal. O grupo de risco e muita outra gente tomou-a. Foram milhares.
Assim sendo, pois, a Comissão Liquidatária da Nação pode continuar à rédea solta a cometer todo o tipo de despautérios e atentados contra o povo. Impunemente, porque o país está cada vez mais engelhado, por mor de ver a sua população minguar de forma drástica, progressivamente.
Pedro Manuel Pereira
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
OS PRESUMÍVEIS
Num País onde os assassinos confessos são considerados «presumíveis assassinos»; onde os ladrões, os assaltantes apanhados em flagrante delito são «presumíveis larápios»; onde os políticos e outros indivíduos, provadamente corruptos são emoldurados num pacote chamado de «presumível corrupção», logo, estamos perante um PRESUMÍVEL PAÍS.
Assim, como viver no seio da PRESUNÇÃO, que é sinónimo de PRESUNTIVO, PROVÁVEL e PUTATIVO, logo, todo o cidadão decente e honesto deve ponderar seriamente em viajar para bem longe deste arremedo de país, aceitando como uma atitude de boa-fé e desejo de bem-querer dos seus concidadãos, o conselho avisado do chefe da Comissão Liquidatária da Nação: - EMIGREM. Diria mais: Emigremos.
Pedro Manuel Pereira
Assim, como viver no seio da PRESUNÇÃO, que é sinónimo de PRESUNTIVO, PROVÁVEL e PUTATIVO, logo, todo o cidadão decente e honesto deve ponderar seriamente em viajar para bem longe deste arremedo de país, aceitando como uma atitude de boa-fé e desejo de bem-querer dos seus concidadãos, o conselho avisado do chefe da Comissão Liquidatária da Nação: - EMIGREM. Diria mais: Emigremos.
Pedro Manuel Pereira
domingo, 12 de fevereiro de 2012
A DECADÊNCIA MISERÁVEL DO POVO PORTUGUÊS
«Atualmente a sociedade portuguesa oferece aspetos graves de desmoralização, de corrupção e de decadência. Estes aspetos refletem-se em todas as classes sociais, como em todas as corporações e agrupamentos, como particularmente nos indivíduos. O estado mórbido da sociedade portuguesa é, evidentemente, influenciado pela decadência das sociedades contemporâneas; mas por causas morais e psicológicas, falência da mentalidade, ausência de valores sociais e intelectuais, tornam possível que a sociedade portuguesa seja das mais degenerescentes.
A República constituiu-se sob as fórmulas da democracia; o governo provisório, saído da revolução de 1910, promulgou várias medidas de largo alcance social, político e religioso; porém, estas medidas são, ainda hoje, apenas princípios enunciados numa legislação farta mas incompleta. Depois deste governo, nenhum outro promulgou tais princípios. A mentalidade dos homens do Estado republicano decaiu; surgiram as rivalidades políticas, as lutas violentas e homicidas entre as fações dissidentes, que atualmente persistem e trazem o país agitado.
Pouco a pouco, quase insensivelmente o Estado republicano e todas as suas instituições caíram no domínio da reação; e este domínio é tão completo que os reacionários já não pensam em fazer o retrocesso das formas de governo: procuram unicamente reprimir brutalmente qualquer princípio de liberdade e de justiça. Portugal é o país que mais leis de exceção conta; os códigos penais e administrativos encontram-se tão deficientes e tão mal-organizados que as autoridades, sejam as da nação, sejam as de uma aldeia, permitem-se exercer o arbítrio sem que os lesados possam recorrer. Não há uma única lei de responsabilidade política.
Senhores de um estado tão desconjuntado, possuidores de todas as armas ofensivas, os reacionários realizam a sua obra liberticida e anti-humana, sua necessidade de travar grandes lutas para se imporem, dado que nenhuma força os contesta. Os grandes financeiros e os grandes industriais que são todos monárquicos ou católicos, predominam economicamente; impedem a reforma social mais insignificante. Preocupam-se mais com os jogos da bolsa do que com o progresso industrial. E com esta sua ação indigna, semeiam a miséria e o mal-estar por todas as classes, não excluindo a classe média.»
Edgar Rodrigues, in HISTÓRIA DO MOVIMENTO ANARQUISTA EM PORTUGAL
O texto que aqui se reproduz, escrito há mais de cinquenta anos, ilustra o leitor para um facto insofismável: - Infelizmente a História portuguesa repete-se, por ciclos, em todos os séculos, desde que Portugal é um Estado-Nação. Torna-se enfadonha de ler e – neste caso – de vivê-la, como é o caso de todos nós portugueses, no país de hoje. A comissão liquidatária da nação vem-se encarregando com esmero e eficiência - como serventuários bem pagos que são, das corporações bancárias internacionais - de desmantelar o tecido produtivo do país, incentivando os seus compatriotas a emigrarem, promovendo a fome e a miséria, porque a finalidade última dos seus patrões (ou donos?) é a de transformar Portugal num exemplo a seguir para a restante Europa comunitária. Cabe ao povo português abrir os olhos e usar de uma das prorrogativas que a Constituição da República Portuguesa – ainda – consigna no Artigo 21.º - Direito de Resistência: Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.
Pedro Manuel Pereira
A República constituiu-se sob as fórmulas da democracia; o governo provisório, saído da revolução de 1910, promulgou várias medidas de largo alcance social, político e religioso; porém, estas medidas são, ainda hoje, apenas princípios enunciados numa legislação farta mas incompleta. Depois deste governo, nenhum outro promulgou tais princípios. A mentalidade dos homens do Estado republicano decaiu; surgiram as rivalidades políticas, as lutas violentas e homicidas entre as fações dissidentes, que atualmente persistem e trazem o país agitado.
Pouco a pouco, quase insensivelmente o Estado republicano e todas as suas instituições caíram no domínio da reação; e este domínio é tão completo que os reacionários já não pensam em fazer o retrocesso das formas de governo: procuram unicamente reprimir brutalmente qualquer princípio de liberdade e de justiça. Portugal é o país que mais leis de exceção conta; os códigos penais e administrativos encontram-se tão deficientes e tão mal-organizados que as autoridades, sejam as da nação, sejam as de uma aldeia, permitem-se exercer o arbítrio sem que os lesados possam recorrer. Não há uma única lei de responsabilidade política.
Senhores de um estado tão desconjuntado, possuidores de todas as armas ofensivas, os reacionários realizam a sua obra liberticida e anti-humana, sua necessidade de travar grandes lutas para se imporem, dado que nenhuma força os contesta. Os grandes financeiros e os grandes industriais que são todos monárquicos ou católicos, predominam economicamente; impedem a reforma social mais insignificante. Preocupam-se mais com os jogos da bolsa do que com o progresso industrial. E com esta sua ação indigna, semeiam a miséria e o mal-estar por todas as classes, não excluindo a classe média.»
Edgar Rodrigues, in HISTÓRIA DO MOVIMENTO ANARQUISTA EM PORTUGAL
O texto que aqui se reproduz, escrito há mais de cinquenta anos, ilustra o leitor para um facto insofismável: - Infelizmente a História portuguesa repete-se, por ciclos, em todos os séculos, desde que Portugal é um Estado-Nação. Torna-se enfadonha de ler e – neste caso – de vivê-la, como é o caso de todos nós portugueses, no país de hoje. A comissão liquidatária da nação vem-se encarregando com esmero e eficiência - como serventuários bem pagos que são, das corporações bancárias internacionais - de desmantelar o tecido produtivo do país, incentivando os seus compatriotas a emigrarem, promovendo a fome e a miséria, porque a finalidade última dos seus patrões (ou donos?) é a de transformar Portugal num exemplo a seguir para a restante Europa comunitária. Cabe ao povo português abrir os olhos e usar de uma das prorrogativas que a Constituição da República Portuguesa – ainda – consigna no Artigo 21.º - Direito de Resistência: Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.
Pedro Manuel Pereira
domingo, 22 de janeiro de 2012
PENSAMENTOS (MUITO) PROFUNDOS
QUAL A DIFERENÇA ENTRE UMA DISSOLUÇÃO E UMA SOLUÇÃO?
Uma dissolução seria meter um político
num tanque de ácido para que se dissolva.
Uma solução seria metê-los a todos.
PORTUGAL...
...É um país geométrico: é rectangular e tem problemas bicudos discutidos em mesas redondas, por bestas quadradas!
Os problemas do nosso país são essencialmente agrícolas:
- Excesso de nabos; falta de tomates e muito grelo abandonado.
Os trabalhadores mais incapazes
são sistematicamente promovidos para o lugar
onde possam causar menos danos: a chefia.
Uma dissolução seria meter um político
num tanque de ácido para que se dissolva.
Uma solução seria metê-los a todos.
PORTUGAL...
...É um país geométrico: é rectangular e tem problemas bicudos discutidos em mesas redondas, por bestas quadradas!
Os problemas do nosso país são essencialmente agrícolas:
- Excesso de nabos; falta de tomates e muito grelo abandonado.
Os trabalhadores mais incapazes
são sistematicamente promovidos para o lugar
onde possam causar menos danos: a chefia.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
PORTUGAL – UM PAÍS DE DOENTES
Por Pedro Manuel Pereira
A situação económica e social que vivemos no presente é uma pecha bem antiga. Quase diria que faz parte da genética do lusitano (se é que existem lusitanos!).
O português é, desde a sua ancestralidade e na sua maioria, manhoso, madraço, egoísta, com horror aos bancos das escolas e avesso à leitura, pouco asseado, o que lhe dá aquele odor característico da sua espécie a cebola requentada a emanar dos sovacos, como machista que é, «graças a Deus!». Ao português para ser feliz bastam-lhe umas divisórias num apartamento suburbano onde se acomodar mais a sua «esposa» e os seus «rebentos»; um televisor de plasma ou lcd com ligação por cabo ao sport têvê; a leitura dos títulos do jornal a Bola - o periódico mais vendido em Portugal; um emprego onde ganhe bem e se esforce o menos possível; uma companheira pouco inteligente, puta na cama e boa a cozinhar; um fato de treino para vestir aos fins-de-semana e o levar a passear ao shoping «mais a patroa», com o dito jornal debaixo do braço e umas patuscadas de vez em quando com uns amigalhaços.
A política? A governação do país? - Isso é para os políticos - «a minha política é o trabalho», já o afirmava o visionário estadista de Santa Comba, o botas. Os partidos políticos?: - «Uma cambada de chulos e madraços». «Haviam era de ir trabalhar todos para as obras!... Malandros!». - Votar? «Para quê? para irem ganhar que nem uns leões à conta dos meus impostos? - Bandos de gatunos!». - «O que me vale é que nos momentos difíceis rezo sempre à senhora de Fátima! Até tenho em casa uma imagem dela que comprei na feira da Coina no ano passado».
Não há governo que resista a este povo. Enquanto não houver mudança de mentalidades, a culpa de tudo o que vai mal será sempre do governo, seja ele de direita, de esquerda ou cor de burro quando foge.
As mentalidades portugas só poderão mudar se houver um cataclismo, mas como tal fenómeno não se vislumbra nem é previsível, o país vai continuar, em cada dia que passa, a definhar, a engelhar gradualmente, tal como aquelas ameixas que se comem com efeitos laxativos.
Parafraseando outro grande visionário e estadista do momento, que é o primeiro-ministro Coelho aos Passos (não tenho a certeza se é assim que se escreve…), a minha sugestão aos jovens portugueses é: pirem-se daqui para fora, para outro país, para bem longe, que este lugarejo não é para gente saudável.
A situação económica e social que vivemos no presente é uma pecha bem antiga. Quase diria que faz parte da genética do lusitano (se é que existem lusitanos!).
O português é, desde a sua ancestralidade e na sua maioria, manhoso, madraço, egoísta, com horror aos bancos das escolas e avesso à leitura, pouco asseado, o que lhe dá aquele odor característico da sua espécie a cebola requentada a emanar dos sovacos, como machista que é, «graças a Deus!». Ao português para ser feliz bastam-lhe umas divisórias num apartamento suburbano onde se acomodar mais a sua «esposa» e os seus «rebentos»; um televisor de plasma ou lcd com ligação por cabo ao sport têvê; a leitura dos títulos do jornal a Bola - o periódico mais vendido em Portugal; um emprego onde ganhe bem e se esforce o menos possível; uma companheira pouco inteligente, puta na cama e boa a cozinhar; um fato de treino para vestir aos fins-de-semana e o levar a passear ao shoping «mais a patroa», com o dito jornal debaixo do braço e umas patuscadas de vez em quando com uns amigalhaços.
A política? A governação do país? - Isso é para os políticos - «a minha política é o trabalho», já o afirmava o visionário estadista de Santa Comba, o botas. Os partidos políticos?: - «Uma cambada de chulos e madraços». «Haviam era de ir trabalhar todos para as obras!... Malandros!». - Votar? «Para quê? para irem ganhar que nem uns leões à conta dos meus impostos? - Bandos de gatunos!». - «O que me vale é que nos momentos difíceis rezo sempre à senhora de Fátima! Até tenho em casa uma imagem dela que comprei na feira da Coina no ano passado».
Não há governo que resista a este povo. Enquanto não houver mudança de mentalidades, a culpa de tudo o que vai mal será sempre do governo, seja ele de direita, de esquerda ou cor de burro quando foge.
As mentalidades portugas só poderão mudar se houver um cataclismo, mas como tal fenómeno não se vislumbra nem é previsível, o país vai continuar, em cada dia que passa, a definhar, a engelhar gradualmente, tal como aquelas ameixas que se comem com efeitos laxativos.
Parafraseando outro grande visionário e estadista do momento, que é o primeiro-ministro Coelho aos Passos (não tenho a certeza se é assim que se escreve…), a minha sugestão aos jovens portugueses é: pirem-se daqui para fora, para outro país, para bem longe, que este lugarejo não é para gente saudável.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
A MARCHA DO IV REICH
Por Pedro Manuel Pereira
Quantos criminosos de guerra nazis foram condenados pelo Tribunal de Nuremberg?...
Se o leitor não se recorda nós dizemos-lhe: não chegaram a vinte.
Posteriormente, nas décadas que se seguiram, os esforços dos caçadores de criminosos nazis, sendo o mais destacado deles, Simon Wiesenthal, em conjunto com os serviços secretos israelitas, conseguiram assassinar ou levar o julgamento mais umas poucas centenas.
Recordemo-nos que a Alemanha com uma população de 70 milhões de habitantes, eliminou de forma sistemática e organizada, mais de 6 milhões de homens, mulheres e crianças, na sua maior parte judeus, mas também, opositores políticos ao Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores, também conhecido como Partido Nazi, nomeadamente comunistas, ciganos, eslavos, negros, homossexuais…
Procederam a extermínios em massa nos países, nos territórios que as suas botas calcaram, em especial através do recurso às câmaras de gás dos campos de concentração tristemente célebres como os de Auschwitz (Polónia), Dachau (Alemanha), Mauthausen-Gusen (Áustria) Buchenwald (Alemanha), Sachsenhausen (Alemanha) Bergen-Belsen (Alemanha) e Treblinka (Polónia), entre outros.
De reter que «o Nacional-Socialismo foi uma forma de Socialismo quase indistinguível do comunismo, com a única distinção a ser o facto de estar restrito à fronteiras geográficas nacionais». (Marrs, Jim, A Ascensão do Quarto Reich).
Finda a 2ª Grande Guerra Mundial em 7 de Maio de 1945, no mês seguinte a Alemanha foi dividida em quatro zonas, controladas pelos três grandes países aliados vencedores – americanos, soviéticos e britânicos - e pelos franceses. A Alemanha e a Áustria, sua vizinha e aliada no concerto do genocídio, foram compelidas a pagar milhares de milhões de marcos de indemnização aos sobreviventes do Holocausto e aos países aliados, dentro do princípio aplicado em todas as guerras de que «quem estraga paga», que se prolongaram ao longo de algumas décadas. Mas este, até acabou por ser um bom negócio para os dois referidos países, porque na verdade nunca pagaram verdadeiramente pelos seus crimes nem por eles houve séria justiça. Diríamos mais: - Não houve justiça.
Cerca de 1,5 milhão de ex-combatentes alemães regressaram ao seu país, provindos de França, Itália e Polónia. Um pouco por toda a Europa, havia ainda 2,5 milhões de prisioneiros: soldados, oficiais, políticos e colaboradores nazis, de entre os quais se encontravam os responsáveis por um conflito bélico que causou pelo menos 40 milhões de mortes.
Para punir os criminosos de guerra, foram mobilizados cerca de 40 mil funcionários públicos americanos, franceses e britânicos: centenas de escriturários, advogados e juízes. Só na zona americana, foram criados 545 tribunais civis para analisar 900 mil casos.
De 20 de novembro de 1945 a 1 de outubro do ano seguinte, o Tribunal Militar Internacional de Nuremberg decretou 11 condenações à morte, três prisões perpétuas, duas sentenças de 20 anos de prisão: uma de 15 e outra de 10 anos. Três acusados foram absolvidos. E ficou por aqui. Nos dois anos que se seguiram ao julgamento, 1 milhão de alemães saíram do país legalmente. Estima-se que outros 100 mil o fizeram de forma ilegal. Entre eles encontravam-se criminosos, carrascos e genocidas. A quase totalidade ficou impune até aos dias de hoje.
Antes do final da guerra, os líderes nazis elaboraram planos secretos para salvar a própria pele. Entretanto, pesquisas recentes demostram que esse tipo de iniciativa – as chamadas «Ratlines» - foi responsável pela aprumada rota de fugas da Europa com a conivência de governos de alguns países e instituições, nomeadamente do clero católico, conseguindo pôr a salvo centenas de milhar de nazis, incluindo altas patentes militares, da Gestapo e das SS, que foram para os Estados Unidos da América, Argentina, Chile, Brasil… ao abrigo de um projeto secreto denominado Projeto Paperclip. Entrementes, os nazis do topo da hierarquia, a que se juntaram jovens fanáticos protegidos, irão usar o fruto da rapina e dos saques que efetuaram pela Europa para criar 750 empresas estrangeiras de fachada: 58 em Portugal, 112 em Espanha, 233 na Suécia, 35 na Turquia, 98 na Argentina e 214 na Suíça, este último país, centro bancário de eleição de gestão do dinheiro nazi, antes, durante e depois da guerra. Aliás, os bancos suíços financiaram as operações secretas de vigilância em Espanha e Portugal.
O mais irónico nesta história é que a Organização Policial para o Crime Internacional, conhecida como INTERPOL, desde as suas origens em 1924, até ao final da guerra, foi liderada por alguns dos mais notórios criminosos de guerra nazis tais com, o SS Reinhard Heydrich, Artur Nebe e Ernst Kaltenbrunner.
Até ao presente, «os oficiais da INTERPOL recusam-se a perseguir criminosos de guerra nazis, afirmando que tal ação está para além da sua jurisdição». (o.p., A Ascensão do Quarto Reich).
Como é que não havia de estar – dizemos nós – se a ONU teve – para cúmulo da pouca vergonha - como Secretário-Geral Kurt Waldheim, há bem poucos anos, um ex-oficial nazi ?...
Acontece que imediantamente após o final da guerra, os americanos, através dos fundos de reconstrução do Plano Marshall e outros financiamentos aliados, entraram na Alemanha e na Áustria reparando infra-estruturas, unidades industriais e serviços de importância vital, pese embora a divisão da Alemanha, que só terminou com a queda do Muro de Berlim em 1989.
É no contexto da reconstrução europeia que nasce a Comunidade Económica Europeia (CEE), com a assinatura do Tratado de Roma, depois de percorridas outras etapas de associação económica entre diversos países do velho Continente. Saliente-se que, a formação do Mercado Comum, foi criada nas reuniões do Grupo Bilderberg. Continuando a marcha para a unificação europeia, em 1992, com a assinatura do Tratado de Maastricht, a palavra «Económica» foi apagada da denominação oficial. A partir de 2000, a União Europeia encontra-se já composta por várias instituições económicas, políticas e judiciais, em que se inclui o Banco Central Europeu, o Parlamento Europeu, o Tribunal de Justiça da União Europeia e uma moeda única: o euro.
A visão nazi para uma Europa unificada, tornou-se – quase - realidade.
Nos tempos que correm, o presidente do Irão, Mahamoud Ahmadinejad e outros líderes árabes que o seguem, arrastam consigo multidões inflamadas afirmando que a Alemanha e os fascistas de Itália, França e Espanha, que se aliaram aos nazis, não pagaram os seus pecados porque o Holocausto não existiu, quando na verdade, este foi o episódio mais trágico e sinistro da história da Humanidade.
É, portanto, dentro desta – cínica – lógica de ideias que consideram que os palestinianos são o bode expiatório dos judeus através de Israel.
Uma das recentes propostas de paz para o Médio Oriente – de entre muitas outras – é a dos palestinianos ficarem com a Cijordânia e Gaza para formarem um Estado independente e os judeus ficarem com Israel tal como existia antes da delimitação das fronteiras de 1967, mais o… Estado alemão da Baviera.
Efectivamente a Alemanha e a Áustria foram as nações reponsáveis pelo Holocausto, mas apresentaram a factura aos outros. Como é que escaparam?...
A lógica que parece prevalecer encontra-se no vexame do Tratado de Versalles, celebrado em 1919, que pôs fim à 1ª Grande Guerra Mundial, punindo os alemães de forma desproporcionada e irrealista, que além do colapso económico e estrutural viram mortos 1/10 da sua população. Com o término da guerra, este país entrou em colapso, de tal ordem que irá dar origem à queda da República de Weimar que se havia formado no final do conflito bélico. Notícias e fotografias da época, mostram-nos oficiais do exército sentados nos passeios a pedir esmola e donas de casa a empurrarem carrinhos de mão carregados de notas de marcos para poderem comprar pão ou umas batatas, somados a uma taxa de desemprego brutal, fome e miséria. É no seio deste caldo explosivo que nasce o III Reich e o seu chefe supremo, Adolf Hitler, guindado ao poder por plebesticito popular, em eleições democráticas, portanto.
Recentemente, as autoridades alemãs «descobriram» que existe uma organização denominada de Nacionais Socialistas na Clandestinidade, Tudo rapaziada jovem de extrema-direita, nazis, isto depois de ao longo de vários anos se terem vindo a verificar vários atentados e crimes contra cidadãos emigrantes, alguns deles sem rosto de culpa até hoje. Curioso que, segundo o Frankfurter Allgemeine, um agente secreto alemão especializado na luta contra os grupos de extrema-direita e neonazis terá ajudado o referido grupo a matar emigrantes.
Acrescente-se que o aumento de grupelhos de extrema-direita racistas tem vindo a aumentar nos últimos anos, junto das camadas jovens alemãs.
Entrementes, a chanceler Angela Merkel vem classificando o terrorismo de extrema-direita alemã de «vergonha nacional». A verdade é que a polícia e os serviços secretos alemães ao longo deste anos têm-se mostrado «incompetentes» (?) para lidar com este fenómeno.
Subscrever:
Mensagens (Atom)




