quarta-feira, 14 de setembro de 2011

UM POVO ACARNEIRADO PELO MEDO

«…90% da população portuguesa vive acarneirada pelo Medo. O medo de perder a liberdade ou de perder o pão, o medo de comprometer o futuro dos filhos ou de ser referenciado pela polícia. E com medo não reage, não pensa, não obedece aos ditames da consciência, nem sequer se furta às manifestações que lhe exigem como condição de segurança individual(…)Uma censura montada para decapitar valores, encobrir escândalos e defender a intangibilidade dos governantes(…)um Exército com a sua organização moral desmantelada por perseguições e favores, amputado dos melhores valores e quase reduzido a tropa cinzenta de ocupação; finalmente, o Medo, a grande instituição do sistema, aprisionando todos os espíritos, esmagando as almas, calando os próprios queixumes da fome e da miséria. E sobre este panorama, pairando a grande altura, também como instituição personificada, a figura intangível do Chefe – o nosso salvador, o maior de toda a História, o homem da última palavra, depositário de todas as verdades e de todos os poderes…».

In Crónica de Horas Vazias, Henrique Galvão *, Livraria Popular Francisco Franco, Lisboa, s/d. (escrito em 1952 nas prisões de Caxias e Aljube).

* O Capitão Henrique Carlos Mata Galvão nasceu no Barreiro em 4 de Fevereiro de 1895 e faleceu exilado em S. Paulo – Brasil, em 25 de Junho de 1970. Participou na instauração da ditadura militar em 28 de Maio de 1926, que abriu as portas ao Estado Novo, regime «inventado» por Salazar. Foi Inspector Colonial, Director da Emissora Nacional, Deputado e um brilhante escritor, hoje, injustamente esquecido, tendo deixado uma vasta bibliografia publicada, desde relatos de viagens a romances e outros. Inconformado com o rumo que os acontecimentos políticos haviam tomado após Salazar se agarrar ao poder com unhas e dentes (mais unhas que dentes…); contra a corrupção e a venalidade dos dirigentes do aparelho do Estado, desmandos a que o Chefe – Salazar, cognominado: «o botas» - fazia «vista grossa» e, sobretudo, depois que Henrique Galvão os denunciou quer aos seus superiores, quer em escritos publicados em jornais. Muito embora fosse um fervoroso católico e anticomunista, de nada lhe valeu o seu currículo passado, como militar e como político, quando com outras personalidades descontentes com o regime, foi preso, como se de um malfeitor se tratasse, bem assim como os restantes indivíduos que com ele se encontravam na altura, pelo facto de terem constituído uma organização cívica denominada O.C.N. - Organização Cívica Nacional, nos termos da Lei e da Constituição. Tinha essa embrionária associação as suas instalações alcandoradas num modesto gabinete de um quarto andar da Rua da Assunção em Lisboa. Mais tarde, tendo fugido sobre prisão, do Hospital de Santa Maria, exilou-se na Venezuela. Em Janeiro de 1961, juntamente com outros exilados políticos portugueses, tomou de assalto o paquete Santa Maria, em pleno alto mar, depois de uma escala na sua viagem para a América Latina. Este Incidente, na época, mobilizou a atenção dos portugueses, bem assim como do resto do Mundo para a feroz ditadura de Salazar, tendo este acontecimento precedido, ou antes, introduzido a prática, que anos mais tarde viria a ser difundida internacionalmente, de sequestrar navios e aviões com fins políticos. Nesse ano, teve início a guerra colonial em Angola, que alastrou posteriormente a Moçambique e Guiné, totalizando treze anos de luta. A tomada de assalto do Santa Maria marcou o início do fim do império português.


Pedro Manuel Pereira

terça-feira, 13 de setembro de 2011

PÁTRIA MADRASTA

Um dia, um grande escritor português do qual não me ocorre o nome, em finais do século XIX dizia que se sentia sufocar em Portugal.
O mesmo me vem acontecendo desde há uns tempos para cá. E a tendência é para se agravar.
Sem constituir metáfora, digo-vos, francamente, que tenho dias em que sinto claustrofobia. Estranho? - Dizem-me os especialistas que é sintoma de pânico.
Uma destas semanas, após dois meses sem daqui sair, entrei mesmo em ruptura. Tive de fugir. Quando cheguei a meio do Alentejo a caminho de Lisboa, a falta de ar começou a passar-me. Duas horas após chegar a Lisboa, abateu-se sobre mim uma tristeza tão profunda como se o céu me fosse cair em cima. Objectivamente sem saber porquê.
O mal não está no Algarve, nem em Lisboa, nem em qualquer outro sítio deste país. O mal encontra-se entranhado no estado de sítio a que a nação chegou. Nas paredes, nas casas, nas instituições, nos portugueses por maioria dos quais existe este governo, que não é mais que uma sua emanação.
Não nos esqueçamos que a maioria deste povo é boçal, manhoso, espertalhão, corrupto, porcalhoto, ladrãozeco, enfim: merdoso.
Essa história do «bom povo português» foi uma invenção salazarista, como tantas outras, estilo: «pobrezinho mas honrado», para legitimar uma ideologia criada à medida da sua vontade de aldeão fora do tempo e do modo.
Vejam bem que nunca gostei do que li alguma vez vertido da pena do António Barreto - o tal ministro da reforma agrária dos tempos do PREC - até agora.
Concordo plenamente com o que ele escreve agora sobre o estado de sítio a que chegou o país. Muito lúcido, sintético e certeiro. Pena é, que não seja mortífero para os visados.
Também o grande poeta Guerra Junqueiro disse em tempos que: «O português tem em pouca conta a sua liberdade».
É uma pecha antiga. A modos que uma fatalidade, como bem se expressou outro poeta, Mário de Sá Carneiro quando escreveu: «Ó meus amigos, que fatalidade é nascer em Portugal!».
Creiam, que tempos muito maus vêm aí. São os eternos ciclos da História. Caminhamos a passos largos para uma ditadura e não me venham dizer que isso é impossível de acontecer em Portugal, pelo facto de estarmos na Comunidade Europeia.
A revolução de 1974 deu-se com o país enfeudado à NATO, à OTAN e outros organismos internacionais que tais e nem «natos» ou quejandas organizações cuidaram da queda do velho regime português.
Por outro lado, é bom recordar que a primeira ditadura europeia do século XX, foi a do Major Sidónio Pais (1917-1918) - a República Nova - que teve os seus seguidores nessa figura e no seu estilo de governação cenografada: - Primeiro Benito Mussolini, que se confessou admirador de Sidónio Pais e depois Oliveira Salazar - e o seu Estado Novo -, Primo de Rivera, Adolf Hitler e por aí fora.Personagens das mais sinistras que a História pariu.
Ironicamente, Portugal tem sido um país vanguardista, só que, para o que de mais sinistro é concebível. Infelizmente.
Podem crer, que por este andar um destes dias serei forçado ao exílio. Que maior exílio que este não posso encontrar neste lindíssimo país feito pátria madrasta.


Pedro Manuel Pereira

CAGANDA GOVERNO ESTE !!!...

Lançadas as bases deste maravilhoso, benemérito e magnificente governo, que trás os portugueses preocupados, mas no fundo, bem lá no fundo do… felizes e contentes, este, inicia a grande tarefa política do nosso tempo, criando um sistema de governação sui generis, ou seja, tirar aos pobres para dar aos ricos. Maravilha da filosofia política e do direito constitucional que fará dele, na história política destes dias e dos que hão-de vir ad aeternum, um dos maiores fenómenos políticos de todos os tempos em todo o mundo. E não é, pelas assombrosas realizações práticas com que tanto nos engrandece e nos enche de vaidade [até nos apetece dizer, cagança] cá dentro e lá fora, sobre todos os pontos de vista. É, sobretudo, no ponto de vista das ideias, na razão pura, no domínio intelectual, porque é aí, de facto, que este governo se revela, quanto a nós, o melhor de todos a nível mundial, prevendo, com faculdades verdadeiramente divinatórias, à distância, os rumos da filosofia política e o mínimo indispensável à defesa do que resta ainda da civilização ocidental.
O grande drama político do nosso tempo consiste, como sabemos, no problema da conciliação da autoridade com a liberdade, mas nestas áreas, também o nosso Venerando governo provê, sem descanso, amor e devoção ao bem-estar dos portugueses, botando – ia dizer: cagando – impostos em profusão sobre os ombros das classes média e baixa.
Os portugueses têm de aprender o que é a disciplina. Prevê-se, que o próximo imposto conciliatório a sair seja a da utilização do isqueiro para acender o cigarrito. É imperativo que se retomem estas maravilhosas leis do falecido e visionário estadista lá das Beiras, como contribuição para a nova ordem nacional. Já agora e a talhe de foice, permitam-nos Vocências, governo da nação, uma sugestão contributiva para a «ordeirice» nacional, que o mesmo é dizer: «manter o povo dentro das baias, como convém». Decretem a imposição de todo o português usar um aparelho fácil de conceber, a colocar nas ventas, assim a modos que um «oxigenómetro», de forma a contabilizar o oxigénio que cada um consome, tal como um taxímetro. Em conformidade, cada cidadão passará a pagar o que é devido pelo maravilhoso ar português que respira, contribuindo para evitar o seu desperdício e ajudando a engordar os cofres do estado, para além de doar a sua quota-parte à «ordeirice» nacional.
Tem-se operado, de facto, com o actual governo, uma verdadeira Revolução Nacional, a que só podem comparar-se, na História pátria, as de 1383 e 1820, muito embora ambas elas lhe sejam inferiores. Do ponto de vista, portanto, deste executivo, é o Regime, o novo estado da nação, que nos une e identifica, havendo manifesta divergência, como aliás sucede no Pais inteiro, quanto às Instituições. Mas é óbvio, conforme deduzimos, que se todos os indivíduos, pessoalmente, são livres para escolherem, em filosofia política, as Instituições, com este fantástico governo, colectivamente, não têm esse problema, porque a sua missão é apoiar a criação de um Regime novo, que faz falta à malta e esta é a hora de o realizar e defender.

NOTA
Escrito em 2009, porém, premonitório, porque se aplica como uma luva ao atual governo.

Pedro Manuel Pereira

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

JUVENTUDE DE PERDIÇÃO ...

«O nosso mundo atingiu um estado crítico. Os filhos não escutam os seus pais. O fim do mundo não pode estar longe». (Sacerdote egípcio, 2000 a.C.)
«Esta juventude está podre desde o fundo do coração. Os jovens são maus e preguiçosos. Não serão nunca a juventude de outrora. Os de hoje não são capazes de manter a nossa cultura.» (Frase descoberta nas ruínas de uma olaria babilónica datada de 1000 a.C.)

«A juventude ama o luxo, é mal-educada, zomba da autoridade e não tem nenhuma espécie de respeito pelos velhos. As crianças de hoje são tiranas. Não se levantam quando um velho entra numa sala, respondem a seus pais e são simplesmente más». (Sócrates, 470-399 a.C.)

«Não tenho nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje toma o mando amanhã, porque esta juventude é insuportável, sem moderação, simplesmente terrível». (Hesíodo, 720 a.C.)

Quanto aos jovens, é melhor nem falar. Onde já vai o tempo em que era visto como um sacrilégio um jovem não se levantar perante um idoso? Em resumo, devoção, correcção, rectidão, palavra de honra, respeito, valor, civismo, património cultural, etc. Tudo isso desapareceu. (...) Já não há em Roma mais lugar para um bravo Romano.» (Juvenal, séc. II d.C.)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A MELHOR FORMA DE COMBATER O INIMIGO É TÊ-LO PERTO DE TI

«Se receias que alguém se aproveite da tua ausência para fazer queixas ou espalhar calúnias contra ti, arranja um pretexto amigável e pede-lhe que te acompanhe na viagem, na caçada ou na guerra. Vigia-o e, quando estiveres na sua companhia, à mesa ou noutro sítio, não deixes que se afaste. De igual modo, para evitar que uma nação aproveite uma das tuas expedições para te declarar guerra, leva contigo o escol dessa nação - como se não tivesses aliados mais fiéis -, mas procura que essa gente seja escoltada por um pequeno grupo de homens armados dedicados ao teu serviço.»

Jules Mazarin, in Breviário dos Políticos



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

KHADAFI - A QUEDA DE UM BEDUÍNO

Nesta hora que vos escrevemos, estamos a ser bombardeados com notícias televisivas, da ocupação de Tripoli, na Líbia, pelos revoltosos contra o regime de Khadafi, como o precioso e decisivo apoio da benemérita organização chamada de NATO. Debitam os leitores de teletexto nas pantalhas dos vários canais de televisão, que o presidente desse país se encontra a monte, que é um ditador, um criminoso contra a humanidade e por tal facto deve de ser julgado e mais uns quantos epítetos mimosos, esquecendo(?) tais relatores, que antes de mais, Khadafi foi um terrorista e que nessa qualidade ordenou ou apoiou atentados que causaram a morte de centenas de europeus e outros.
Quanto vale a hipocrisia de países «natosos» como a Grã-Bretanha, a França ou Portugal, por exemplo, que ainda há pouco mais de um ano acolhiam de braços abertos a criatura??? - No caso do rincão lusitano temos ainda presente na retina as «edificantes» imagens do senhor engenheiro a abraçar efusivamente a criatura, como se de um salvador da pátria se tratasse e, como cereja em cima do bolo, o beduíno rodeado das suas matronas guarda-costas ajaezadas de camuflado, aparentadas a vacas loucas malhadas, num repasto realizado numa universidade de Lisboa que o acolheu como se um ilustre académico fora. As imagens de professores a rirem-se e a mastigar rissóis e croquetes misturados com o ditador e a sua horda, abateu-se com profunda tristeza sobre nós, provando-nos que há muitos humanos que ainda não atingiram a fase evolutiva do homus erectus.
Nesta história não há bons nem maus. Tanto os dirigentes europeus como o beduíno, Kadafi são farinha do mesmo saco e a estória da disputa pelo controlo do petróleo não é mais do que fumo atirado para os olhos dos incautos.


NOTA
Esperamos não ver num futuro próximo, imagens degradantes - a todos os títulos - de Kadafi a ser enforcado, como aconteceu com Sadam Hussein.


Pedro Manuel Pereira

sábado, 13 de agosto de 2011

A MARCHA PARA A MISÉRIA

Continuamos à espera - impacientemente - que a malta do novo governo corte verdadeiramente na despesa pública, a começar pela do elenco governativo, indo pelas empresas públicas, empresas municipais, institutos, fundações, direcções gerais, idem regionais e quejandos cois fantasmas, e anuncie medidas de criação de riqueza como por exemplo: encentivos ao desenvolvimento de uma agricultura moderna e eficaz: incentivos à criação de uma frota pesqueira moderna; incentivos à criação de uma frota de transportes marítimos - que já tivemos em força até há trinta anos - de passageiros e carga; incentivos ao desenvolvimento de pólos tecnológicos de ponta nas mais diversas áreas da robótica e da informática, por exemplo, áreas estas em que possuímos uma vasto leque de gente altamente especializada; incentivos à criação de unidades fabris de concentrados de frutos, de sumos e de vegetais; revitalização dos imóveis dos centros urbanos, recorrendo à expropriação sempre que os proprietários não façam as necessárias obras e dêem a devida ocupação aos edifícios e... por aí fora. Há tanto para fazer de forma a evitar que continuemos a ver a nau portuguesa a afundar-se... - Só mesmo por incúria, desleixo, ignorância ou má fé, é que medidas como as que referimos não são implementadas, complementadas com outras formas de combater o desemprego, a fome e a miséria, que continuam a alastrar pelo país fora como fogo à palha. Meus senhores, sem criação de riqueza, esta história de sucessivos aumentos de impostos - como panaceias à penúria gerada pela incontrolável despesa pública - como os que - quase - todos os dias nos têm caído no prato da sopa - para aqueles que ainda comem regularmente - e de despedimentos, irá conduzir rapidamente a nação para a fome, para a miséria e para a falência. O governo pensa - ou aparenta que tal - que o povo pagante são como as vacas leiteiras a quem se espreme o leite das tetas até não dar mais, e o povinho, como não são vacas de ordenha, não podem ofertar leite a suas excelências, quando muito, coliformes fecais... com muito boa vontade!...
Só mesmo uma política económica gizada por imbecis e mentecaptos é que pode imaginar que espremendo com impostos o povo pagante até este se quedar no limiar - e para além - da pobreza, pode gerar emprego e riqueza.
Se não há dinheiro que sobre, depois dos gastos elementares, por parte dos cidadãos, não existe consumo de bens. Logo, as empresas, as lojas e as fábricas fecham, originando falências e desemprego. É assim a modos como que o princípio da física (matéria atrai matéria), logo: «miséria atrai miséria». Ora para governar desta forma uma nação, não são precisos tantos indivíduos agrupados em governo, qualquer dona de casa - com o respeito que nos merecem - os poderá substituir por junto, com inegáveis benefícios em termos de poupança na despesa que vem sendo esmifrada dos bolsos rotos de todos os portugueses.
Se a rapaziada do governo não se sente com forças para inverter a marcha da miséria, aconselhamos vivamente que chupem com força umas pastilhas das que são anunciadas arriba deste texto, até que se faça luz dentro dos seus cérebros e acordem para a realidade.


Pedro Manuel Pereira
O NOVO GOVERNO ADERINDO AO PACOTE DE CRUZEIRO