"Tudo o que é necessário para o triunfo do mal, é que os homens de bem não façam nada!" Edmund Burke
quarta-feira, 28 de abril de 2010
ESTA GENTE/ESSA GENTE
O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente
Gente que não seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente
Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente
Gente que enterre o dente
que fira de unha e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente
O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente
Essa gente dominada por essa gente
não sente como a gente
não quer
ser dominada por gente
NENHUMA!
A gente
só é dominada por essa gente
quando não sabe que é gente
Ana Hatherly, in "Um Calculador de Improbabilidades", Editora Quimera, 2001
ESQUERDA SOCIALISTA
Informo que a COES/Corrente de Opinião Esquerda Socialista, constituida nos termos do nº1 do artº 6º dos Estatutos do PS, já tem website:
http://www.esquerda-socialista.org/
A sua base de acção é a moção "Mudar para Mudar", que obteve mais de 20% dos votos no último Congresso (Fev.2009), e está disponível para download,
Entre os objectivos prioritários já consensualizados inclui-se a "Democratização e Modernização do PS". Um documento base sobre este tema será discutido no próximo Plenário Nacional, agendado para 8.Maio.2010-11:30 em Santarém. Outro tema prioritário é um "Novo Modelo de Desenvolvimento Económico e Social", cuja pertinência e actualidade decorre do momento de crise em que vivemos e da aprovação do PEC. O texto de base para este ponto está a ser elaborado e eventualmente também será discutido nesse plenário.
A Ficha de Adesão à COES também está disponível para download no website. À Corrente podem aderir militantes ou simpatizantes do PS. A adesão de simpatizantes é permitida estatutariamente e é, segundo a COES, absolutamente decisiva para revitalizar a nossa democracia, num contexto de perigoso afastamento dos cidadãos em relação à coisa pública, bem como de descredibilização dos partidos e dos políticos em geral. A existência de uma nova liderança no PSD, supostamente com uma mais clara definição ideológica (de matriz neoliberal), reclama de nós um quadro ideológico também melhor definido (obviamente de esquerda moderna e progressista), o que só vem dignificar a vida política.
É preciso acreditar.
ADERE À CORRENTE "ESQUERDA SOCIALISTA".
VIVA A REPÚBLICA.
VIVA O 25 DE ABRIL.
Saudações socialistas.
Guilherme Ferreira
NÃO APAGUEM A MEMÓRIA
A Associação Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! – NAM e a Câmara Municipal de Lisboa decidiram alterar para uma hora mais tarde o acto de preservação da memória programado para o dia 25 de Abril de 2010, para que seja possível a todos os interessados a participação neste acto e na manifestação de comemoração do Dia da Liberdade. Ponto de encontro: Largo do Município, em Lisboa (18.00H) A direcção do NAM convoca todos os associados e apoiantes da Associação Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! – NAM a participar no dia 25 de Abril de 2010 na cerimónia de descerramento-inauguração da placa informativa da localização da ex-sede da PIDE-DGS, na Rua António Maria Cardoso, organizado NAM em cooperação com a Câmara Municipal de Lisboa. Este acto de importante significado para a Memória da luta pela liberdade é precedido por um mini roteiro da Memória com o desenvolvimento seguinte: Ponto de encontro: Largo do Município, em Lisboa (17.00H) 1º Ponto do roteiro: Rua do Arsenal (Salgueiro Maia: 25 de Abril) 2º Ponto: Largo da Boa Hora (Tribunais Plenários) 3º Ponto: Rua Capelo (Rádio Renascença: 2ª senha “Grândola, Vila Morena) Chegada e 4º Ponto: Rua António Maria Cardoso (ex-sede da PIDE), às 17.45H No percurso serão evocados acontecimentos históricos e na sessão pública de descerramento da placa haverá intervenções dos antigos presos politicos José Manuel Tengarrinha, Helena Pato, Edmundo Pedro e do Presidente da CML. Este importante acto de preservação da Memória surge na sequência da luta do NAM pela recolocação da placa evocativa dos cidadãos mortos pela PIDE-DGS, no dia 25 de Abril de 1974, na fachada do condomínio privado de luxo que substituiu a sede da PIDE, sem que as autoridades então cuidassem, como era seu dever cívico, da preservação do património histórico da luta pela Liberdade. Nota Informativa - Assembleia Geral realizada em 10 de Abril de 2010 Sócios Honorários Pela primeira vez o NAM decidiu eleger sócios honorários, previstos nos estatutos.Os primeiros sócios honorários da Associação Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! são os seguintes: Uma entidade - a Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos e três prestigiadas figuras públicas da luta contra a ditadura e associados do NAM: António Borges Coelho, Edmundo Pedro e Nuno Teotónio Pereira.
terça-feira, 27 de abril de 2010
CARNE DE PORCO À ALENTEJANA
Ingredientes: 800g de lombo, 2 dl de vinho branco, sal e pimenta q.b., 2 colheres (de chá) de pimentão moído, 3 dentes de alho esmagados, 2 folhas de louro, 100g de margarina, 1 kg de amêijoas, 1 limão, 100g de pickles, 1 raminho de coentros picados.
I
A carne, em bocados, foi cortada,
Louro, sal e alho a temperar,
Com pimenta e colorau, foi polvilhada,
E com vinho, ficou a marinar.
II
Em muitas águas, são passadas,
Bem limpas, as amêijoas, vão ficar,
Depois em água e sal, mergulhadas,
Para toda a areia retirar.
III
Dado que, as amêijoas, vão parar
Um tempo, na água salgada,
Prepare-se, agora, p’ra fritar
A carne que saiu da marinada.
IV
Em sertã de boa dimensão,
Ponha a margarina a derreter,
A carne escorrida, põe, então,
Para, bem passada e loura ser.
V
Se a carne, por fim, já está bem frita
Do modo que aconselha esta receita,
Do líquido, onde antes esteve, necessita,
E de uma vez, na frigideira o deita.
VI
Depois de, um minuto, a ferver,
É tempo, das amêijoas, lá deitar
Que, abertas como dever,
Na travessa, as pode colocar.
VII
Os pickles que já estão bem picadinhos,
Entram na decoração,
Os coentros picados e em raminhos,
Mais uns quantos quartos de limão.
Fernando Carreira
quinta-feira, 22 de abril de 2010
PENSAMENTOS - MUITO - PROFUNDOS
01 - Embebedei-me para te esquecer, mas agora vejo-te a dobrar!
02 - Olhos que não vêem... sapatos cagados!
03 - Diz não à droga, há pouca e somos muitos!
04 - Um dia estava na minha cama a observar as estrelas quando me perguntei:
onde está o tecto?
05 - Vou escrever algo profundo... "Subsolo."
06 - Se és um jovem entre os 16 e os 18...então tens 17!
07 - Graças a Deus sou ateu...
08 - Se a montanha vem a ti... foge porque é um desabamento.
09 - Não existem opiniões estúpidas...mas sim estúpidos que opinam.
10 - Existem duas palavras que abrem muitas portas... puxe e empurre.
11 - Quem ri por último... é retardado.
12 - Não vejo a hora de me ir embora, diz o cego.
13 - Antes, estava indeciso... agora, não sei!
14 - Trabalhar nunca matou ninguém... mas, para quê correr riscos?
15 - Já te disse 100 milhões de vezes que não sou exagerado!
A LEI Nº 2105
Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto à dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês.
Corria o ano de 1960 quando foi publicada no "Diário do Governo" de 6 de Junho a Lei 2105, com a assinatura de Américo Tomaz, Presidente da República, e do Presidente do Conselho de Ministros, Oliveira Salazar. Conforme nos descreve Pedro Jorge de Castro no seu livro "Salazar e os milionários", publicado pela Quetzal em 2009, essa lei destinou-se a disciplinar e moralizar as remunerações recebidas pelos gestores do Estado, fosse em que tipo de estabelecimentos fosse. Eram abrangidos os organismos estatais, as empresas concessionárias de serviços públicos onde o Estado tivesse participação accionista, ou ainda aquelas que usufruíssem de financiamentos públicos ou "que explorassem actividades em regime de exclusivo". Não escapava nada onde houvesse investimento do dinheiro dos contribuintes. E que dizia, em resumo, a Lei 2105? Dizia que ninguém que ocupasse esses lugares de responsabilidade pública podia ganhar mais do que um Ministro. Claro que muitos empresários andaram logo a espiolhar as falhas e os buraquinhos por onde a 2105 pudesse ser torneada, o que terão de certo modo conseguido devido à redacção do diploma, que permitia aos administradores, segundo transcreve o autor do livro, "receber ainda importâncias até ao limite estabelecido, se aos empregados e trabalhadores da empresa for atribuída participação nos lucros". A publicação desta lei altamente moralizadora ocorreu no Estado Novo de Salazar, vai dentro de 2 meses fazer 50 anos. Catorze anos depois desta lei "fascista", em 13 de Setembro de 1974 (e seguindo sempre o que nos explica o livro de Pedro Castro), o Governo de Vasco Gonçalves, recém-saído do 25 de Abril, pegou na ambiguidade da Lei 2105 e, através do Decreto Lei 446/74, limitou os vencimentos dos gestores públicos e semi-públicos ao salário máximo de 1,5 vezes o vencimento de um Secretário de Estado. Vendo bem, Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar, quando assinaram o 446/74, passaram simplesmente os vencimentos dos gestores do Estado do dobro do que ganhava um Ministro para uma vez e meia do que ganhava um Secretário de Estado. O Decreto- Lei justificava a correcção pelo facto da redacção pouco precisa da 2105 permitir "interpretações abusivas" permitindo "elevados vencimentos e não menos excessivas pensões de reforma". Ao lermos esta legislação hoje, dá a impressão que se mudou, não de país, mas de planeta, porque isto era no tempo do "fascismo" (Lei 2105) ou do "comunismo" (Dec. Lei 446/74). Agora, é tudo muito melhor, sobretudo para os reis da fartazana que são os gestores do Estado dos nossos dias. Não admira, porque mudando-se os tempos, mudam-se as vontades, e onde o sector do Estado pesava 17% do PIB no auge da guerra colonial, com todas as suas brutais despesas, pesa agora 50%. E, como todos sabemos, é preciso gente muito competente e soberanamente bem paga para gerir os nossos dinheirinhos. Tão bem paga é essa gente que o homem que preside aos destinos da TAP, Fernando Pinto, que é o campeão dos salários de empresas públicas em Portugal (se fosse no Brasil, de onde veio, o problema não era nosso) ganha a monstruosidade de 420000 euros por mês, um "pouco" mais que Henrique Granadeiro, o presidente da PT, o qual aufere a módica quantia de 365000 mensais. Aliás, estes dois são apenas o topo de uma imensa corte de gente que come e dorme à sombra do orçamento e do sacrifício dos contribuintes, como se pode ver pela lista divulgada recentemente por um jornal semanário, onde vêm nomes sonantes da nossa praça, dignos representantes do despautério e da pouca vergonha a que chegou a vida pública portuguesa. Assim - e seguindo sempre a linha do que foi publicado - conhecem-se 14 gestores públicos que ganham mais de 100000 euros por mês, dos quais 10 vencem mais de 200000. O ex-governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, o mesmo que estima à centésima o valor do défice português, embora nunca tenha acertado no seu valor real, ganhava 250000 euros/mês, antes de ir para o exílio dourado de Vice-Presidente do Banco Central Europeu. Não averiguei quanto irá vencer pela Europa, mas quase aposto que não será tanto como ganhava aqui na santa terra lusitana. Entretanto, para poupar uns 400 milhões nas deficitárias contas do Estado, o governo não hesita em cortar benefícios fiscais a pessoas que ganham por mês um centésimo, ou mesmo 200 e 300 vezes menos que os homens (porque, curiosamente, são todos homens...) da lista dourada que o "Sol" deu à luz há pouco tempo. Curioso é também comparar este valores salariais com os que vemos pagar a personalidades mundiais como o Presidente e o Vice-Presidente dos EUA, os Presidentes da França, da Rússia, e...de Portugal. Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto à dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês. Não é preciso muito, nem sequer é preciso ir tão longe como o DL 446 de Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar: basta ressuscitar a velhinha, mas pelos vistos revolucionária Lei 2105, assinada há 50 anos por Oliveira Salazar. Que tristeza!
terça-feira, 20 de abril de 2010
ONDE FOI PARAR O TEMPO
Sobre o tempo que ganhamos.
Havia mais terrenos baldios. E menos canais de televisão.
E mais cachorros vadios. E menos carros na rua.
Havia carroças na rua. E carroceiros fazendo o pregão dos legumes.
E mascates batendo de porta em porta.
E mendigos pedindo pão velho. Por que os mendigos não pedem mais pão velho?
A Velha do Saco assustava as crianças. O saco era de estopa.
Não havia sacos plásticos, levávamos sacolas de palha para o supermercado.
E cascos vazios para trocar por garrafas cheias.
Refrigerante era caro. Só tomávamos no fim de semana.
As latas de cerveja eram de lata mesmo, não eram de alumínio.
Leite vinha num saco. Ou então o leiteiro entregava em casa, em garrafas de vidro.
Cozinhava-se com banha de porco. Toda dona-de-casa tinha uma lata de banha debaixo da pia.
O barbeador era de metal, e a lâmina era trocada de vez em quando. Mas só a lâmina.
As camas tinham suporte para mosquiteiro.
As casas tinham quintais. Os quintais tinham sempre uma laranjeira, ou uma pereira, ou um pessegueiro.
Comíamos fruta no pé.
Minha vó tinha fogão a lenha. E compotas caseiras abarrotando a despensa.
E chimia de abóbora, e uvada, e pão de casa.
Meu pai tinha um amigo que fumava palheiro.
Era comum fumar palheiro na cidade; tinha-se mais tempo para picar fumo.
Fumo vinha em rolo e cheirava bem.
O café passava pelo coador de pano. As ruas cheiravam a café. Chaleira apitava.
O que há com as chaleiras de hoje que não apitam?
As lojas de discos vendiam long plays e fitas K7.
Supimpa era ter um três-em-um: toca-disco, toca-fita e rádio AM (não havia FM).
Dizia-se 'supimpa', que significa 'bacana'. Pois é, dizia-se 'bacana', saca?
Os telefones tinham disco. Discava-se para alguém. Depois, punha-se o aparelho no gancho.
Telefone tinha gancho. E fio.
Se o seu filho estivesse no quarto dele e você no seu escritório, você dava um berro pra chamar o guri, em vez de mandar um e-mail ou um recado pelo MSN.
Estou falando de outro milênio, é verdade.
Mas o século passado foi ontem! Isso tudo acontecia há apenas 20 ou 25 anos, não mais do que o espaço de uma geração.
A vida ficou muito melhor.
Tudo era mais demorado, mais difícil, mais trabalhoso.
Então por que engolimos o almoço? Então por que estamos sempre atrasados?
Então por que ninguém mais bota cadeiras na calçada?
Alguém pode me explicar onde foi parar o tempo que ganhamos?
Marcelo Canellas
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